terça-feira, 26 de novembro de 2019

Do Outro Lado da Ponte, de Eder Marcon

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Do Outro Lado da Ponte é um livro publicado pela Chiado Books, do autor brasileiro, Eder Marcon.

Esta obra trata-se de um romance, cuja ação decorre na segunda metade do século dezanove, numa cidade a Noroeste da Sicília.

Nesta narrativa acompanhamos o pequeno Gino, um menino que após ficar órfão é criado com pais adotivos que tudo fazem para o proteger.

Através de uma narrativa coesa, bem construída e de uma profundidade incrível somos levados por Gino numa viagem ao nosso próprio subconsciente, quando o subconsciente do protagonista é colocado à prova nesta obra.

Assim, ao encontrar o ser do outro lado da ponte que o vai guiando numa descoberta interior, aflorando os seus sentidos, a busca pela maturidade e o moldar do seu caráter ainda jovem, é colocada a questão: quem é a pessoa do outro lado da ponte?

Com uma linguagem muito polida e clara, com uma história poderosa sobre o amor, a amizade e o autoconhecimento, este livro segue para um nível mais profundo, absorvendo o leitor, fazendo-o refletir e até sonhar.

Gostei da obra, de um modo geral, e fica aqui a recomendação de leitura. Parabéns ao autor pelo trabalho que conseguiu cumprir com mestria através da sua escrita.


domingo, 24 de novembro de 2019

O Que Faria Se Ganhasse O Euromilhões?, de Eduardo Figueiredo

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O Que Faria Se Ganhasse O Euromilhões? é um livro do autor português, Eduardo Figueiredo, publicado em fevereiro pela Emporium Editora

Trata-se de uma obra pioneira em Portugal, onde o autor reúne uma série de pesquisas feitas ao Euromilhões desde que o mesmo apareceu em Portugal. 

Através dessas pesquisas, Eduardo apresenta-nos numa espécie de "guia prático", dicas e combinações para conseguirmos alcançar um prémio no Euromilhões. 

Não se trata de uma fórmula mágica que garantirá o futuro prémio do leitor, contudo, ao aliar um conjunto de ideias às quais o autor chegou através da sua pesquisa, temos a possibilidade de aceder a ficheiros inéditos que nos permitirão saber o histórico de todas as chaves do Euromilhões. O autor disponibiliza também uma macro para calcular potenciais combinações. 

Ao longo da obra que, por sinal, não é longa, Eduardo vai mostrando chaves, mostrando a quantidade de vezes que saíram, os números que não saem há mais tempo, e dá-nos assim várias dicas para jogar e apostar.

A linguagem do autor é simples e direta, quase que parece que o mesmo conversa com o leitor ao longo das páginas. Por fim, a verdade é que o Euromilhões será sempre uma questão de persistência combinada, é claro, com a sorte. 

Achei que o livro levantaria de facto questões ao leitor, fazendo-o pensar sobre o que faria se ganhasse o Euromilhões e esta pequena e simples questão não foi aprofundada tal como julguei que seria, sobretudo se tivermos em conta o título da obra. 

No entanto, trata-se de uma obra interessante, com uma abordagem diferente, pioneira no nosso país e com um toque leve de humor do autor, que confere um tom muito natural à leitura, e que não maça o leitor, tratando-se pois, de um livro de poucas páginas.

Porque, efetivamente, o que faria o leitor deste post se ganhasse o Euromilhões?

Aproveita e saiba como fazer parte da maior Sociedade de Apostas Portuguesa, acedendo ao post "E se tivesse o segredo para ganhar o Euromilhões?" ou contacte o autor para mais informações AQUI

Na ponta dos dedos com... Helga Lima

Helga, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Antes de mais, agradeço o convite para esta entrevista.  
Comecei a escrever desde que aprendi a escrever corretamente. Por volta dos 7 ou 8 anos, comecei a compor poesia, ainda com um caráter bastante pueril. Apenas escrevia quadras e pouco mais. No entanto, um poema que escrevi, dedicado à minha professora primária, foi exposto na escola, ficando na parede da entrada por vários anos. Na adolescência continuei a escrever, ao ponto de tornar-se uma adição. Escrevia poesia, mas também, a toda a hora, uma espécie de vida paralela à que eu vivia – eram narrativas e diálogos ínfimos, que me fizeram perder a noção da realidade. Na época, durante os anos do liceu, os professores pensavam que eu tirava apontamentos, quando na realidade eu estava a escrever o que eu apelidei de “a minha outra vida”. No fundo era uma vida que eu fantasiava ter. Escrevia em qualquer papel que apanhasse, em cadernos, a ponto de ter junto caixas pesadas, carregadas com a “minha outra vida”. Nunca ninguém viu ou verá esses escritos. Destruí-os, anos mais tarde, já quando eu tinha cerca de 30 anos de idade.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Depende muito do estado de espírito, já que tenho alterações de humor, como muitas pessoas. Mas tenho tendência para escrever nos meus momentos de maior melancolia, tristeza, raiva e desolação. O inconformismo também é um sentimento bem presente na minha escrita, assim como a morte.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Não consigo ter a perceção de mudança em mim, enquanto produtora de escrita, já que escrevo desde que o sei fazer. No imediato, a escrita é, basicamente, terapêutica. É uma necessidade, tal como respirar o é – de isso estou segura.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Enquanto escritora, tenho aprendido que existe um público bastante restrito para o meu tipo de escrita. Não é de fácil compreensão - não porque recorra a vocabulário demasiado erudito, pelo contrário, mas sim porque sinto que o que escrevo é bastante ambíguo.  Enquanto leitora, aprendi muito mais além disso, mas isso já se trata de adquirir conhecimento e viagens mentais que, por vezes, são apenas viagens só de ida. 

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Como já referi, a escrita é, realmente, uma necessidade. É com as palavras e sons que exorcizo os meus demónios. Para eu ter o mínimo de sanidade mental, sou obrigada a escrever. E como dizia Rainer Maria Rilke, um dos meus poetas de eleição, “Basta sentir que se poderia viver sem escrever, para já não ter o direito de o fazer”.

Estudaste Línguas e Literaturas Europeias. Esta formação teve algum impacto na tua escrita?Definitivamente, sim. Na Licenciatura de Línguas e Literaturas Europeias, tive acesso a escritores e obras que, provavelmente, nunca iria conhecer se não frequentasse o curso. E, com este, veio a paixão pela linguística, pela fonética, pelas ciências da linguagem – coisa que originou uma outra musicalidade à minha escrita. E claro, estudando aprofundadamente certos autores, fez com que a minha escrita recebesse algumas influências, o que considero normal.

Contudo, a par da escrita também fazes traduções e legendagens, além de outros projetos pessoais de áreas dispares, segundo a tua biografia. Como relacionas estas áreas entre si?
As traduções, as legendagens, a produção de música, as aulas que já dei… – tudo está relacionado com a escrita e com o conhecimento. Neste momento, por exemplo, trabalho com um canal de TV, de desportos radicais. Até isso me pode inspirar para contar uma história, elaborar um poema ou, simplesmente, divagações noturnas, como eu gosto de chamar. Resumindo, todos os meus projetos e trabalhos estão relacionados com a escrita, com a linguagem. Aliás, o ser humano não vive sem a linguagem, seja ela na escrita ou outros códigos de linguagem, como os gestos, o vestir, sinais de trânsito, música… tudo é linguagem!

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Este mês é publicado o teu primeiro livro de poesia com um título bastante sugestivo,
Não Há Luz Neste Quarto. Podes falar-nos um pouco sobre ele?

O “Não há Luz neste Quarto” foi escrito em muitos quartos, onde eu já não via a chamada “luz ao fundo túnel”. É um livro misto, onde se pode encontrar poesias, crónicas e prosa poética. São gritos meus, em busca de respostas que não existirão nunca. São contemplações do mundano, da decadência, dos meus estados de ansiedade e depressão, e da forma como lido com o amor e com a sexualidade. É um livro carregado de sentimentos obscuros, ainda que contenha homenagens, de caráter mais límpido e alegre, aos lugares onde vivi – nomeadamente, em Andaluzia. Irei considerar, sempre, o Sul de Espanha como minha segunda casa. Mas, maioritariamente, é um livro sobre os meus estados mais decadentes, com uma originalidade e musicalidade diferentes do habitual.

O que te motivou a seguir este registo literário?
Este registo literário é parte de mim. Não poderia tê-lo feito de outra forma, pois esta mesma forma é que tomou controlo sobre mim, e não ao contrário. A poesia, seja ela em prosa, em sonetos, em desenhos até, é intrínseca à minha pessoa. Os sons, os fonemas, a estrutura de uma obra literária… tudo isso me atraí e gosto de compor baseada nesses conceitos. É algo incontrolável e autómato. 

Como achas que será a reação dos teus leitores face a este trabalho?
A reação das pessoas, face a esta obra, pode ser uma surpresa ou não. Há pessoas que irão adorar, outras que irão odiar, como com todo o tipo de produção artística. Quando escrevo não o faço para outros, senão para mim mesma. Assim que, esperemos para ver.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Essa hipótese é quase dolorosa! Consigo desfazer-me de tudo, menos de livros! Mas, a ter que ser, e nesta fase da minha vida, escolheria um clássico – “O Monte dos Vendavais” de Emily Brontë -  por razões pessoais, porque considero ser uma das mais belas histórias da época vitoriana, e por interesse académico na vida das irmãs Brontë.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Gostaria muito de escrever peças de teatro, já que também é um género literário ao qual recorro, muitas vezes, para leitura e deleite. 

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Os meus leitores poderão esperar muitas mais publicações minhas, enquanto eu puder. Tenho já um conto escrito, ainda em fase de avaliação de uma editora. É um conto realista, que aborda a promiscuidade, a realidade de bastantes mulheres que se escondem na sombra de um ser que não querem ser. O conto tem um fim surpreendente e cáustico. A par disso, tenho também um conto de Natal a ser publicado numa Antologia de Natal, ainda este ano. 

Descreve-te numa palavra:
Sensível. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Marte morreu porque os Marcianos quiseram!, de Alper Pereira

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Marte morreu porque os Marcianos quiseram! é um livro do autor brasileiro, Alper Tadeu Alves Pereira, que foi entrevistado aqui no blogue, recentemente.

A narrativa começa de uma forma extremamente apelativa, questionando a vida, os Marcianos e a nossa existência enquanto Ricardo, o protagonista, bebe um copo com o amigo António, que chora e questiona o facto da vida ser uma "merda".

Logo depois, Ricardo começa a apresentar-se e a introduzir o leitor à sua família, à sua infância, ao seu crescimento e ao meio onde este se encontra inserido. 

O livro é, na verdade, uma metáfora. O próprio título pode enganar o leitor, mas a verdadeira descoberta é feita durante a leitura da obra: os Marcianos somos nós. 

Este é um livro complexo, que requer atenção durante a leitura para que não percamos "o fio à meada", contudo, trata-se de uma obra muito interessante, com uma escrita diferente, apelativa e repleta de humor, que agrada ao leitor e o faz rir, questionar e refletir.

Ao acompanharmos o Ricardo, protagonista que narra a história em primeira pessoa, vamos conhecendo a sua vida, vivendo as suas aventuras e desventuras, não apenas no meio familiar, mas também social e profissional, acredito que seja importante referir que Ricardo é um advogado, e as suas vivências acabam por se relacionar diretamente ao meio com o qual priva diariamente.

Um livro com uma narrativa descontraída, embora complexa, que incita à reflexão de uma forma agradável e bem-humorada.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Sonhos da Noite, de Jorge Guimarães

Sonhos da Noite (COMPRAR) é um romance da autoria de Jorge Guimarães, autor que já foi entrevistado cá no blogue e cujas obras têm sido muito acarinhadas pelos seus leitores.

Sonhos da Noite acompanha a história do jovem Ramiro, que trabalha numa fábrica de colas. Ramiro gosta de se divertir, de sair à noite, de dançar, de aproveitar a vida. 

Numa dessas saídas para a discoteca "La Paloma", derramou cerveja sobre uma rapariga, a Mara, que devido aos estudos se encontrava na sua cidade temporariamente.

Foi através deste encontro casual que Ramiro e Mara se apaixonam e é assim que vamos acompanhando a sua relação amorosa, que embora tenha começado de uma forma um pouco precipitada, parece ter tudo para funcionar e os manter juntos.

A obra do Jorge fala de temas bastante pertinentes à nossa sociedade, foca, sobretudo, as relações na juventude, a vida que os jovens levam, a forma como se divertem e interagem entre si.

Gostei particularmente da linguagem do autor, extremamente acessível, simples e direta, que aliada a uma narrativa concisa e bem delineada, demonstra não apenas o talento do autor, como a sua incrível imaginação.

A obra está disponível na Amazon, e recomendo-a por estas razões. Acredito que é importante a leitura de autores nacionais, porque temos bons autores por cá também e não há dúvida de que o Jorge Guimarães é um deles.