domingo, 3 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Sérgio Carvalho


Sérgio, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar:
Como é que te iniciaste na escrita?
Desde muito novo, com 9, 10 anos. Fazia adaptações de letras de canções, produzia alguns versos, sobretudo quadras. Penso que sempre tive propensão para o ritmo e a musicalidade.
Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Há a parte inicial, que é a ideia e a consequente euforia. Depois, enquanto se dá a maturação, há uma espécie de sofrimento até que o texto fique pronto. Quando acho que chegou ao fim, é um sentimento indescritível. Quase sempre, mesmo depois de acabado um texto, continuo a mexer nele até ao ponto em que acho que está no ponto.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Quer a escrita quer a leitura mudam um indivíduo. Abrem as janelas da nossa cabeça, fazem com que entendamos melhor o mundo e as pessoas à nossa volta.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Não me considero um escritor, pois apenas publiquei um livro. O feedback dos outros é muito importante, tanto para mim como para a minha escrita. Em todas as vertentes é importante dar-mo-nos aos outros. É imensamente reconfortante aquilo que vou sentindo, considero um livro, sobretudo quando se trata de um livro, uma dádiva ou uma herança par, os familiares as filhas, os familiares e os amigos.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Os três aspetos. Sempre gostei de uma explicação para as coisas, as atitudes, os factos… A escrita é uma forma de catarse e de tranquilidade. O acaso de encontrar novidades impele-me para a escrita.

És professor de Português e Francês. Este trabalho tem algum impacto na tua escrita?
Sem qualquer dúvida. Trabalho com alunos numa fase muito importante do seu desenvolvimento. Há textos que nasceram em aulas, há toda a magia da escrita recreativa… e há aquele sentimento de ter contribuído para educar o gosto e fomentar hábitos de escrita e de leitura.

Escreves, sobretudo, poesia. O que te leva a escolher esse género literário?
Já há muito tempo que não escrevo poesia, é muito raro. Aquelas que agora dei à estampa são maioritariamente textos antigos, que foram sendo aperfeiçoados. Aprecio o género, gosto de pôr as palavras a casar e a dançar umas com as outras até formarem um corpo. Depois há a questão do ritmo, da musicalidade, da síntese.

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Publicaste o teu primeiro livro este mês, A Vingança dos Sentidos. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Esta obra é um pequeno livro, que foi sendo adiado. É uma espécie de coletânea, que reúne poemas, pensamentos e contos para todas as idades, um dos quais com relativa literariedade, “A vingança do guarda-chuva”. É uma seleção entre muitos outros textos dos mesmos géneros. A ideia partiu de amigos, que conheciam alguma da minha escrita, os quais me “obrigaram” a pôr as coisas em papel.
Como nasceu a ideia para este livro?

Além do que está veiculado na questão anterior, sempre tive o sonho de publicar um livro.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
O lançamento ainda é recente, mas a reação tem sido muito positiva. Muito mesmo.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Há vários. Como tenho de dizer apenas um, escolheria “O amor nos tempos de cólera”, de Gabriel García Márquez.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
A uma narrativa de ficção.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Um livro de ficção. Com histórias cruzadas de pessoas e do íntimo das mesmas.

Descreve-te numa palavra:
Realizado.

sábado, 2 de novembro de 2019

Xenotrófico | Já à venda

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A civilização humana tem evoluído rapidamente, graças ao desenvolvimento contínuo do conhecimento científico e tecnológico, que tem permitido ao Homem criar ferramentas e formas inovadoras de intervir no mundo natural, fazendo-o refém dos seus interesses. Contudo, esta ação tem acarretado efeitos secundários adversos sobre o mundo natural, tendo vindo a alterá-lo e a virá-lo contra o Homem, pondo em causa a sobrevivência deste. A solução derradeira para este problema poderá passar por aplicar o conhecimento científico, bem como as diversas ferramentas tecnológicas que este permite construir, sobre o próprio Homem, para que este consiga adaptar-se às mudanças adversas que cada vez fazem sentir-se com maior intensidade no mundo natural.
Nesta história que vos apresento, João Gonçalves regressa à sua cidade natal, após um longo período de ausência. Neste seu regresso, irá enfrentar os seus fantasmas do passado: os mistérios por detrás de uma estranha doença que o obrigou a um exílio forçado, o reencontro com um irmão que renegou e a reconciliação com uma paixão que julgava perdida. A doença que afetou João Gonçalves, mudou-lhe drasticamente a faceta, quer a nível físico quer emocional, ao ponto de ele próprio questionar-se se será um humano legítimo ou não, mas também lhe deu atributos sobre-humanos, aos quais ele recorre perante situações em que se vê obrigado a tomar supremacia sobre outros. Será João Gonçalves um produto de laboratório ou uma mutação arbitrária no ADN humano que poderá representar um novo degrau evolutivo na espécie humana? Será que o reencontro de João com uma paixão antiga ajudá-lo-á a ultrapassar a revolta que alimenta contra a sua condição pós-doença e contra o Mundo? A história o dirá.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Alper Tadeu


Alper, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita? 
Desde os tempos imemoriais. Na escola os meus cadernos sempre eram preenchidos por desenhos e divagações. Era uma forma de escapar do cenário de opressão por conta da obrigação por resultados, sobretudo em matérias como matemática e física. Então, segui o fluxo, deixei as ilustrações de lado, e me tornei Advogado.   

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
É como uma erupção, em que as palavras, tal qual a lava incandescente, jorram. Com certeza a fluidez é reflexo da minha atividade profissional em que a pressão é o verdadeiro estimulante para a criação. É um processo muitas vezes de retórica.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? 
Escrever e ler são os dois lados da mesma moeda. Na medida em que escrevo, estou lendo, buscando referências, trazendo à tona o que está disperso, para consolidar o meu eu. Dessa forma, me tornei mais humano, receptivo às diferenças. O diálogo com os livros e comigo mesmo é transformador.

E enquanto escritor, o que tens aprendido? 
A conviver mais comigo mesmo, buscando o entendimento, entre desvarios, incertezas e reflexões sobre o inevitável.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso? 
Não existe o acaso, como também creio eu que o passatempo é na verdade necessidade, mesmo como uma válvula de escape. A escrita foi imposta por mim mesmo, o livro já estava escrito internamente, precisava apenas ajustá-lo ao plano consciente.

És advogado. A área a que te dedicas tem algum impacto na tua escrita? 
Totalmente! Nesses 25 anos de atividade profissional enxerguei a sombra daqueles que se apresentavam como verdadeiros bastiões da moralidade e honestidade. O adágio “O mundo quer ser enganado, então que enganemos o mundo” está mais vivo do que nunca.

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Este mês publicaste o teu primeiro livro, Marte morreu porque os marcianos quiseram. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra? 
A obra retrata a escalada ao topo da pirâmide social de um advogado, que desavisado, na medida em que obtém ascensão, confere que o mundo é permeado de luzes e sombras e que as armadilhas plantadas ao longo da jornada são projetadas por si próprio.   

Como nasceu a ideia para este livro? 
Pode parecer falsa modéstia o que vou dizer, mas no início desse ano, em razão de uma série de situações profissionais que vivi, extremamente turbulentas, cheguei um dia em meu escritório pela manhã, liguei o computador decidido a escrever um livro, sem método, sem critério determinado. Então, em um mês completei a jornada do herói. 

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho? 
O livro embora esteja disponível no site da Chiado Books ainda não foi lançado com publicidade e divulgação específica. Espero que a mensagem perdida dentro da garrafa faça algum sentido a algum náufrago que vaga por essas plagas.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Cem Anos de Solidão.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias? 
Uma ficção fantástica, cujo universo seja habitado por antípodas que sabem da nossa existência e são desejosos em nos sabotar, por entenderem que precisamos de desafios antes de morrermos e passarmos para o próximo estágio.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro? 
A transformação de loucuras em palavras, ou talvez o contrário. O futuro está em eterna construção e até lá muita água rolará escada abaixo!

Descreve-te numa palavra: 
Sonhador


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Na ponta dos dedos com... Carlos Alberto Dias

Carlos, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
A escrita para mim sempre foi um gosto antigo, começou pela leitura dos livros que tinha em casa, as obras que a minha mãe trazia para casa e incentivava essa minha iniciativa, já que ela própria é professora. Agora a escrita surgiu mais na altura do meu sétimo ano, e sei disso porque, na altura, tínhamos intervalos curtíssimos e o edifício do meu colégio tinha vários andares, sendo que, em perspetiva, não daria para aproveitar em pleno esse período de tempo, só daria mesmo para descer e subir escadas. Mas como também não daria para estar na sala durante essa pausa, em vez de descer, preferia pegar num caderno e sentar-me próximo da sala e escrever histórias que me lembrava de antemão. Como não era muito original com as personagens, punha pessoas reais da minha turma e adaptava-os para os eventos da minha história. De certa forma, o meu gosto pela escrita surgiu de uma forma inerente, sendo que o espaço de tempo até esta obra [Definições] serviu para me melhorar enquanto profissional até que me sentisse preparado para avançar.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
É um bocado paradoxal enquanto escritor, mas muitas vezes não consigo definir o sentimento que me surge nas alturas em que escrevo. Umas vezes sinto-me numa espécie de transe, outras vezes numa solidão virtual, ou seja, como se fosse só eu e o meu computador ou caderno, num sentimento solitário de desabafo, independentemente do espaço ou do número de pessoas presentes no espaço onde escrevo, o que acontece quando escrevo na loja do meu pai ou num café. Mas o sentimento que sobressai mais frequentemente na minha escrita, é um bocado complicado de explicar mas vou tentar, é um sentimento de ânsia ou sufoco, um bocado como se estivesse a afogar-me numa zona profunda e escura, que é a zona onde posso conhecer elementos que nunca pensaria de outra forma. E, quando termino o processo, ou o ato da escrita começa a ser mais forçado, sinto o meu corpo a elevar-se para a superfície, indicando o final desse processo sentimental. Acredito que seja complicado de entender, mas é assim que me sinto a escrever.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Definitivamente deu-me um maior sentido à vida. Criou em mim uma ambição tão enorme que muitas vezes acho que o que as minhas criações serão maiores do que eu, e que terei de sacrificar a minha vida, sendo um escriba das personagens que sei que não são verdadeiros, mas dentro de mim acabam por ser cada vez mais reais. Esse sentimento cresceu tanto em mim que a melhor expressão para definir esta minha paixão é uma das frases mais conhecidas de Charles Bukowski: “Encontra algo que ames e deixa isso matar-te”.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Que fiz bem aguardar um espaço de tempo de mais uma década até libertar uma primeira obra. Digo isto porque, apesar da minha crescente paixão pela escrita, reconhecia que não tinha profundidade ou conhecimento suficiente para tornar cada conteúdo meu em algo rico, produtivo ou desafiante para o público que ainda terei de conquistar. Senti que ainda teria de criar a minha voz, um timbre único que não só seja autêntica e sincera, como também resulte como uma referência para qualquer seguidor do meu trabalho, porque, para mim, nada é mais interessante uma pessoa ver uma conjunção de palavras, palavras essas que são de todos e ditas por todos, e conseguir entender essas mesmas como algo que eu escrevi na minha obra, quase como se fosse uma marca registada da minha escrita. E é isso que tenho aprendido, e que ainda continuarei a aprender.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Certamente uma necessidade. Se conseguir viver unicamente da escrita, tanto na música, cinema, televisão ou teatro, serei uma pessoa completa.

Licenciaste-te em Comunicação e neste momento estás a tirar o mestrado em Desenvolvimento de Projeto de Cinema. Esta formação tem algum impacto na tua escrita?
Neste momento irei alterar o meu mestrado para pós-graduação e estou a dias de receber o certificado de finalização desses mesmos estudos. A escolha da minha licenciatura surgiu mais por ser um curso amplo que abre portas a várias áreas que aprecio, já a pós-graduação surgiu mais no facto de querer algo mais direto no que desejo, procurando consagrar-me num meio à qual não teria contactos que me providenciassem essa experiência, ao contrário do resto, que tive sempre amigos ou familiares ligados ao jornalismo e entretenimento. Mas sim, esses cursos surgiram como um meio para atingir um fim, fim esse o meu gosto pela criação.

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Publicaste o teu primeiro livro em janeiro, Definições. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Uma coisa engraçada sobre a minha obra é que, por mais eventos que eu fale dela, sinto sempre que haverá algo que ficou por contar. É uma coisa que não consigo evitar. Definições trata-se de uma obra poética focada em definir cada tema conhecido de forma universal, temas que vai de mãe a banana, por exemplo, e definir cada uma delas com a lógica e filosófica, como um dicionário, balanceando com o sentimento e o existencialismo proveniente de um poema. A partir deste pensamento, o leitor não só irão ver cada tema numa perspetiva diferente, bem como incentiva o fator inerente do ser humano que consiste no processo de ler o que escrevi, buscar dentro de si as suas próprias definições e analisar os versos que escrevi, concordando comigo ou não. Ou seja, não surge como um ato de manipulação, mas sim como um incentivo ao autoconhecimento. A partir daí, a obra pode resultar em muitos aspetos simbólicos, como uma introdução a mim enquanto escritor, ao que sou e ao que poderei ser, as minhas ideologias, o meu estilo de escrita, vários elementos que fazem da minha obra tão rica que ainda hoje me surpreendo com o resultado final.

Como nasceu a ideia para este livro?
Tal como mencionei, esta obra de poesia surgiu como mero acaso. Numa altura em que me sentia bloqueado criativamente com algumas das histórias que agora entendo que exigem uma maior complexidade e profundidade. Nisto, fui incentivado a participar num prémio literário de um autor que, para mim, é um dos melhores autores portugueses da atualidade, o José Luís Peixoto. O concurso consistia em criar apenas vinte poemas com um determinado tema. Eu escrevi os tais vinte poemas, mas os temas eram tão divergentes entre si que o único fator que os poderia interligar era, de facto, cada poema ser uma definição de cada tema. Acabei por não vencer, também soube umas semanas antes e não tive tanto tempo para aprofundar os poemas devidamente. Mas uma coisa aconteceu, que foi a naturalidade criativa com que esta temática me surgiu. E nisto surgiu uma questão que alterou a minha vontade de querer iniciar com uma ficção, que foi “Como deveria iniciar um mundo de histórias divergentes a um público sem eles primeiro saberem que eu sou?”, a partir daí peguei nesses vinte poemas, reescrevi-as, escrevi outras cento e oitenta e formulei o trabalho final que agora as pessoas podem ler.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Tem sido ótima. Aliás, tem sido a melhor vertente desta jornada. Todas as pessoas que compraram, mesmo pessoas que são rígidas e exigentes com a leitura, elogiaram a minha obra como diferente, original e com boas e novas ideias. Até em apresentações, mesmo aquele público que acaba por não comprar o livro, acabam por elogiar a minha ideia e as coisas que ofereço ao vender a minha obra. Toda esta ideia positiva é o que me tem dado mais vontade de continuar.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Esse tipo de perguntas são extremamente complicadas para mim, porque não gosto de sustentar a minha vida a uma obra, porque, no final de tudo, trata-se de uma ideologia do autor em questão, e uma ideologia não é a de todos, as verdades são de cada um, e isso não traria diversidade para ninguém, o que não seria frutuoso para mim. Se essa hipótese fosse real, provavelmente viveria sem nenhum livro, e seria eu a criar as minhas próprias histórias para eu ler para o resto da minha vida, sacrificando o conhecimento para lá dos mundos em que vivo.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Como um autor que procura abranger histórias aos mais variados géneros, a minha carreira será focada na sua própria diversidade. Tenho um mundo de histórias, um mundo de personagens, cada um deles pronto para contarem a sua história. Talvez as que exigirão mais esforço da minha parte serão as áreas de fantasia ou de ficção científica, porque exigem um mundo credível e abrangente. Mas histórias não me faltam, o que falta é abordá-las e lançá-las aos leitores, para experienciarem o mundo dentro de mim.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Podem esperar pelo menos uma história a cada ano. O do próximo ano será um romance e tenho pretensões de lançar na segunda metade do ano, talvez setembro. Podem esperar histórias infantis, de terror, policiais, histórias de fazer pensar em nós e na sociedade em geral. Podem esperar curtas e longas-metragens cinematográficas, séries e programas, podem esperar colaborações musicais, caso a oportunidade surja, podem esperar peças de teatro originais. Podem esperar uma carreira com mil e uma histórias por contar, pois é assim que pretendo sair da minha vida.

Descreve-te numa palavra:
Considero-me uma pessoa criativa, ambiciosa, mas ao mesmo tempo ansiosa por cada trabalho meu. Considero-me um orador de todas as vozes que se inserem em cada história que irei contar. E acima de tudo considero-me uma pessoa abrangente, com vontade de experimentar tudo, querendo não só fazer tudo o que é focado nas letras, mas experienciar todas as artes, como música, direção, ator, voz-off de animação, todo um aglomerado de trabalhos para preencher a minha vida com mais conteúdo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Na ponta dos dedos com... Lindolfo Cunha

Lindolfo, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Olá, antes de mais é um gosto enorme poder fazer parte deste espaço e sobretudo o poder partilhar com novos e promissores autores.
Desde cedo tive um gosto especial pela escrita. Foi-me sempre mais fácil exprimir numa folha. Nunca imaginei um dia poder escrever um livro, como escrevia tão naturalmente nunca achei que fosse algo de interessante.
Foi há sete anos que comecei a escrever de uma forma mais regular. Começa tudo num bloco A4 na mesa da cozinha com a seguinte frase: “Odeio ter que sorrir quando o que quero é chorar.”

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando escrevo sinto-me livre, sinto-me eu. Sem máscaras ou clichés.
Depois a parte do criar, do imaginar, do sentir, faz-me transportar para um universo paralelo só meu. Lá sinto-me confortável e seguro.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita é o meu refúgio. Tento sempre converter os sentimentos em criatividade.
Se tiver em dias maus escrevo sobre coisas positivas, se estiver bem deixo à mercê da minha mente. Mas acabo sempre por tentar encontrar o meu equilíbrio nas linhas que escrevo.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Com o tempo aprendi a trabalhar melhor as palavras. Tento sempre escrever de uma forma transversal de forma aos meus leitores poderem imaginar a história à sua maneira.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
São as três bem misturadas. Mas como já referi na pergunta anterior acaba por ser uma necessidade, é o meu refúgio.

Assumes que nasceste fruto do amor e que esse amor te corre nas veias. O amor tem um grande impacto na tua escrita, é verdade?
Sim, sem dúvida. Todos nós vivemos de amor, não importa que amor seja. O que era de nós sem esse nobre sentimento? Acho que eu seria vazio. 

O que te motiva a escrever sobre sentimentos?
Inicialmente era onde me conseguia explorar mais. Iniciei novos projetos com registos diferentes mas não pude deixar de alimentar quem já conhecia o minha escrita mais sentimental.

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Publicaste o teu primeiro livro em agosto, Perdido (S)em Ti. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Durante dois anos alimentei um blog e uma página de facebook com os meus textos.
O livro nasce da compilação desses textos e de alguns que ficaram na gaveta.

Como nasceu a ideia para este livro?
Foi um acaso. Um acaso conhecer pessoas fantásticas que me incentivaram e ajudaram a concretizar esta obra.
Há coisas que nos estão destinadas e talvez esta fosse uma delas no meu caso.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
A crítica tem sido muito boa. Nunca imaginei um cenário assim.
Por vezes sou demasiado crítico no que escrevo e acabo por me inferiorizar.
Agora sinto-me mais seguro, tudo por causa deles. Sinto-me muito grato.

Também geres um blog onde partilhas a tua escrita. Podes partilhar connosco detalhes dessa experiência?
Inicialmente foi ideia de uma amiga. Escrevia-lhe todas as noites e um dia ameaçou divulgar tudo o que escrevia.
Assim começou o Diário do “bipolar”. Dava-me liberdade de poder escrever o que quer que fosse. Eram os meus sentimentos “bipolares”. Durou dois anos e com o lançamento do livro aproveitei para lhe mudar de nome. Respeito a bipolaridade e não queria que interpretassem uma mensagem errada do que era a minha escrita. Hoje chama-se Perdido “S”em ti, onde conto com dezassete mil e qualquer coisa seguidores.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
O Alquimista de Paulo Coelho. Cada vez que o leio interpreto de uma forma diferente. As mensagens são bastante inspiradoras para podermos seguir e concretizar os nossos sonhos. Maktub!

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Adoraria escrever um romance. Mas sempre que penso, logo desisto. Ainda não consegui estruturar bem uma história que nunca fosse contada. Um dia vai ser o dia.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Na escrita é muito complicado prometer o que quer seja. Somos sempre levados pela nossa alma e isso vou continuar a partilhar com quem me lê. A fasquia ficou mais elevada mas nada como bons desafios.

Descreve-te numa palavra:
Sortudo. Tenho muita sorte por quem me rodeia, sou o reflexo dessas pessoas e a elas devo-lhes tudo!