quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Na ponta dos dedos com... Jorge Guimarães

Jorge, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Para mim, escrever vai para além de expressar ideias em texto, é traduzir sentimentos em palavras, criando textos e enredos capazes de despertar emoções fortes em quem os lê. Sempre que escrevo, tento despertar emoções fortes dentro de mim, para que as palavras que vou usando na criação de textos e enredos traduzam essas emoções e sejam fortes o suficiente para causarem impacte e terem significado nos leitores. O sentimento que me domina quando escrevo é a força de querer transcender, que as minhas palavras consigam saltar dos textos, entrar em quem as lê e, se possível, tornarem-se substância viva.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita tem sido a minha vida, nunca deixou de me acompanhar, tem alimentado os meus pensamentos e gerido parte do meu percurso de vida. Desejei escrever desde muito cedo, comecei a fazê-lo aos onze anos e nunca mais parei. Já perdi a conta aos esboços de histórias que criei, inspiradas em mim e em outros, do que vivo, do que vejo e do que leio. Guardo em mim uma amálgama infindável de ideias que espero vir a transpor em textos para publicação, mas a literatura é uma ocupação sem prazo, tão perpétua quanto o tempo de vida de quem se entrega aos prazeres da escrita; haverá sempre tempo para escrever mais um enredo. O fato de querer escrever levou-me a ler. Através da leitura, descobri realidades até então incompreensíveis e desconhecidas para mim, mostrando-me que o Mundo é mais diverso e misterioso do que eu alguma vez poderia imaginar. Pensar sobre o Mundo, sobre a vida, a nossa e a de outros, encarar a diversidade humana e cultural de todo o planeta, é certo de que muda quem nós somos, como também muda a forma como vemos os outros e o Mundo, e vou transpondo tudo isto nos meus textos. Com tudo quanto aprendi sobre a vida e sobre a humanidade, em toda a sua diversidade e complexidade, nunca tenho a noção efetiva de estar certo ou errado sobre qualquer tema que traduzo em palavras, pois, não há verdades absolutas nem realidades exclusivas, a verdade e a realidade de cada um é feita à medida do ambiente que o envolve, entre os milhares de ambientes diferentes que vigoram pelos diferentes contextos socioculturais espalhados pela Terra. Com a escrita e com a leitura vou mudando constantemente, pois são fatores que promovem a reflexão e, sempre que refletimos sobre algo, mudamos alguma coisa em nós. Mudo sempre um pouco, ao fim de cada livro que escrevo, ao fim de cada livro que leio, e mudo sempre para melhor. Escrever não deixa de ser um ato de reflexão e de construção, ponderar sobre ideias e trabalhá-las nos enredos das histórias que se vai escrevendo.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Escrever é um trabalho árduo e complexo. À medida que vou escrevendo, vou mudando um pouco a minha forma de escrever, seja procurando conferir uma maior fluência aos meus textos, seja aumentando a preocupação em detetar falhas no meu processo de escrita, muitas delas promovidas pela escrita digital, seja melhorando a qualidade gramatical dos meus textos, por vezes recriando opções gramaticais, certas ou erradas, é um desafio e um risco que todo o escritor tem de fazer, foi assim que evoluiu a escrita. A realidade é que as questões gramaticais não são fáceis de trabalhar para um escritor de romance, e muito menos para um poeta, que joga com a sonoridade dos textos, procurando a melodia certa para cativar os leitores. No fundo, sei que, com o tempo, a qualidade dos meus textos tenderá a melhorar. Um escritor cresce há medida que vai escrevendo. Escrever bem é o maior desafio que se coloca a um escritor, nomeadamente a um escritor como eu, sem formação superior em línguas.
Relativamente aos conteúdos com que trabalho, também não paro de aprender com eles. Pois, ao escrever, tenho a preocupação de transmitir conhecimento, e para o transmitir, tenho de adquiri-lo antes, documentando-me e estudando algo sobre ele. Ao escrever, tento respeitar a realidade, fundamentando com ela. Estou sempre à procura de substrato que suporte os meus enredos, o que me leva a dedicar algum tempo à investigação e à descoberta, e com isso, aprendo muito.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
A escrita, para mim, é mesmo uma necessidade. Sempre fui um sonhador, um criador de histórias, um saco de ideias, uma esponja de conhecimento; um criador de mundos que quer dar a conhecê-los a outros. Os enredos para histórias que vou criando geram um turbilhão de ideias em mim que, por vezes, vejo-me a trabalhar mentalmente várias histórias em simultâneo. Já lá vai o tempo em que pegava em blocos de notas para tirar apontamentos, nos quais reuni muito mais de uma centena de esboços de histórias. Atualmente, já não me dou a esse trabalho. Crio as histórias, mantenho-as e trabalho-as na mente, e logo que posso, transponho-as para texto. Tenho sempre em mente esboços de histórias passados que pretendo vir a escrever, trabalho-as dia a dia, enriquecendo-as com novos estímulos que possam dar uma boa dinâmica aos enredos. Posso dizer que a escrita acompanha-me sempre, quer nos pensamentos do dia, quer nos sonhos da noite.

Formaste-te em Biologia. Foste professor do ensino básico e secundário. Estas áreas tão distintas tiveram algum impacto na tua escrita?
Obviamente. Tudo na minha vida influencia o meu pensamento, molda as minhas emoções e interfere com o que eu escrevo. Conteúdos científicos relacionados com a minha área de formação académica, a Biologia, marcam presença nas minhas histórias; a pedagogia também está patente em todos os meus romances, a ler aprende-se muito sobre os aspetos positivos e negativos da vida. Ao sermos alertados para eles, poderemos fazer melhor as nossas opções de vida e evitar muitos dissabores, ainda por cima num Mundo em que se forma uma humanidade cada vez mais amorfa, onde o egoísmo se sobrepõe ao bem comum e as pessoas agem por impulso, sem reflexão prévia e sem respeito pelos mais básicos valores humanos. Talvez o pouco tempo que as pessoas dediquem à leitura esteja relacionado com isso. Por isso, mal ou bem, procuro promover e incentivar o gosto pela leitura, como veículo de transmissão informação e ferramenta para formação. A leitura promove a introspeção, será o leitor a avaliar diversos pontos de vista e optar por aquele que melhor se adapta a si, livrando-se de ter de acreditar em tudo quanto lhe impingem ou ir para onde o empurram. Enquanto escrever, nunca deixarei de procurar ensinar, valorizando a pedagogia nos meus textos.

Começaste pela edição de obras dedicadas ao público mais jovem. Podes falar-nos dessas mesmas obras?
A realidade é que comecei a escrever romances de ficção-científica para adultos. Alguns dos romances que irei escrever nos próximos anos serão fruto dessa leva.          Só quando me vi no lugar de leitor de contos infantis para crianças, é que percebi a importância deste tipo de obras para valorizar a formação de jovens. Produzi, então, um conjunto de esboços para contos infantis pedagógicos, inspirados em acontecimentos reais e em outras histórias infantis que li, procurando trabalhar enredos de valor que fossem úteis na formação pessoal e social de jovens leitores. É possível que ainda venha a escrever uma leva de contos infantis pedagógicos que tenho em esboço.

O que te levou a escrever para este público?
Essencialmente a preocupação com o tipo de leitura consumida pelos jovens de hoje. Muitos deles optam por tipos de literatura que não preconizam valores, não fornecem sabedoria nem preparam para a vida. Aspetos que são cada vez mais importantes integrar na formação de jovens, pois, os conteúdos que eles procuram nos meios audiovisuais, o entretenimento que mais os ocupa atualmente, são pobres em valores e sabedoria, um vazio que conduz à passividade da mente; pelo lado oposto, há conteúdos multimédia, como os videojogos, aos quais os jovens dedicam muito tempo, que hiperativam a mente, mas são tudo estímulos que conduzem à impulsividade e violência irrefletida. Escrevi livros para jovens com intuito de os formar, torná-los mais sábios, mais espertos e mais capazes de serem bem-sucedidos nos desafios da vida, cada vez mais incerta com as sociedades descaracterizadas que a humanidade tem preconizado nas últimas décadas.

Foste coautor de uma obra de carácter biográfico. O que é que essa experiência trouxe à tua escrita?
Trabalhei num projeto que envolveu pesquisa biográfica de cientistas prestigiados da história da Botânica em Portugal, nomeadamente botânicos da Universidade de Coimbra. Produzi resumos biográficos de diversos cientistas que me obrigaram a realizar pesquisas biográficas para completar o puzzle dos respetivos percursos de vida. Esta experiência contribuiu para que eu desenvolvesse um pouco mais as minhas competências literárias, como também ganhasse ainda mais gosto por trabalhar personagens em literatura. Na altura, já me dedicava à escrita, produzindo esboços para as histórias que planeio escrever, que se centravam em retratar vidas de gente real em enredos de ficção criados por mim. Desde então, centrei-me em tentar criar personagens mais reais, mais humanas, ligadas ao sentido da vida. Tudo a atividade que envolva escrita contribui para o crescimento de um autor.



Atualmente estás dedicado à publicação na Amazon. Só este ano já lançaste duas obras de cariz erótico, vertente que em nada se compara aquelas que escolheste anteriormente. O que te motivou a escrever nesse género?
Os primeiros esboços que fiz para histórias de romance envolviam erotismo. Foram histórias pensadas para leitores adultos, consumidores de thrillers e histórias envolvendo amor e sexo. O meu projeto para autor de romances começou assim. Contudo, o erotismo não é parte central das minhas histórias, mas sim um complemento, onde procuro dar expressão a necessidades humanas, como o amor e o sexo, que qualquer pessoa procura, seja na vida real ou nos mais variados meios fictícios de entretenimento, entre os quais se encontra a leitura.
Sempre que leio um romance, ou me sinto preenchido, quando ele retrata todas as vertentes e peripécias do quotidiano da vida humana, tal e qual ela é, com as suas virtudes e os seus vícios, algo que toque o genuíno; ou sinto vazios, quando ele omite certas partes. Eu considero-me um escritor de romance que gosta de retratar a vida real, e é isso que quero que os leitores sintam, ao lerem os meus romances, que aquelas personagens que eu trabalho em textos, podem muito bem ser gente com quem se venham a cruzar na rua no dia a dia. Eu gosto de trabalhar com emoções e despertar emoções em quem lê. Para mim, escrever uma história de amor sem envolver alguns momentos eróticos, mesmo que retratados subtilmente, rouba força e carisma às personagens, pois, acaba por camuflar ou escamotear a realidade, remetendo-as para meras figuras fictícias. E o certo é de que muitos leitores agradam-se ao lerem momentos eróticos em romances, torna a experiência literária mais estimulante, mais sentida e mais real. Quem não gosta de ler romances que o chamem para o mundo real, tal e qual como ele é?

Como foi a reação dos leitores face a este novo lado do escritor?
O tempo o dirá. Cá estarei para avaliar isso. Neste momento, estou envolvido num processo literária intensivo, para publicar um conjunto de romances que tenho em mente, alguns deles em esboço há muitos anos. Quanto tiver publicado um conjunto de obras literárias mais consistente e estiver mais liberto para olhar em volta, logo avaliarei isso. Um autor constrói-se com o tempo, escrevendo momento a momento, até que a sua realidade ou fantasias deem nas vistas e chamem a atenção do universo literário para ele. Como escritor, gosto de surpreender. Espero que os leitores se surpreendam com os meus textos e me surpreendam a mim, mostrando agrado por eles.

Se, no entanto, tivesses de escrever num género diferente daqueles que já experimentaste, a qual desafio te proporias?
Eu tenho vários projetos literários em mente, mas, os que mais me aliciam são o romance de ficção e a poesia. Neste momento, encontro-me a escrever um romance de ficção científica e, posteriormente, irei trabalhar uma obra poética, que já tenho delineada, entregar-me-ei a ela a seu tempo.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Esta é a pergunta mais ingrata que pode fazer-se a uma pessoa que gosta de ler, que gosta de livros, que gosta de autores, ou seja, que gosta da literatura em geral. Poderia escolher uns dos meus livros, pois, gosto de pensar neles e nos conteúdos que trabalhei em cada um deles, uma vez que têm muito de mim. Nesse caso, seria o Xenotrófico, o último romance que publiquei na Amazon, que penso ser uma história extraordinária, nunca iria cansar-me de lê-la. Poderia falar dos grandes clássicos da literatura, uma mais valia em termos de entretenimento e aprendizagem para qualquer leitor, lembro-me de Moby Dick, de Herman Melville, uma aventura notável e educativa para qualquer pessoa. Mas falando de dois livros que gostei de ler ultimamente, que me deram perspetivas diferentes sobre a vida e sobre o Mundo, foi o Bibliotecário, de A. M. Dean, e o Silo, de Hugh C. Howey, duas histórias que acrescentaram algo de novo em mim. Um livro para o resto da vida é um campo aberto, com várias opções e algumas incertezas. Valha-nos o prazer da leitura com o livro que seguramos entre mãos em cada momento e nos deliciarmos com as tramas do seu enredo.

O que podem os leitores esperar de ti no futuro?
O que eu espero de mim é deixar uma grande obra literária, vasta, diversa e marcante para os leitores. Gosto de fazer experiências, inclusive literárias, não tenho medo de arriscar, e espero vir a escrever histórias desde o mais banal até ao mais extravagante. Quando escrevo uma história, escrevo-a para mim, para que me agrade, depois, tenho a esperança de que venha a proporcionar uma boa experiência literária a alguém, e assim será, enquanto tiver tempo e condições para escrever.
Um autor deve escrever para si, coisas do seu agrado, e deixar que sejam os leitores a encantarem-se ou desagradarem-se com os seus textos. Cabe ao autor escrever, e ao leitor escolher os autores que mais lhe agradem. Nunca o contrário. Não penso muito no que os outros esperam de mim, simplesmente, procuro fazer o melhor que posso com os recursos que tenho, com vista a concretizar os meus sonhos. Assim se vive e se vai ao encontro da felicidade.

Descreve-te numa palavra:
Consigo caracterizar um objeto ou um animal irracional com uma única palavra. Agora, um ser humano não, é um ser com uma mente muito complexa e detentor de estados emocionais variáveis em função das circunstâncias e do tempo. Uma palavra é algo demasiado redutor para caracterizar devidamente um ser humano, eu não consigo fazê-lo para ninguém, muito menos para mim mesmo. Caracterizo-me como uma pessoa prática, direta, confiável, disciplinada, determinada, que tem os pés no presente e a cabeça no futuro, e penso que isto está patente na obra literária que tenho vindo a publicar. Mas, em termos literários, impessoais, resumindo o meu trabalho numa única palavra, talvez escolhesse “SENTIDO”, pois, bem ou mal, procuro dar sentido a tudo quanto escrevo.


terça-feira, 15 de outubro de 2019

Na ponta dos dedos com... David da Costa

David, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Creio que foi uma coisa natural. Eu lia muito e dava por mim a imaginar soluções diferentes para as situações apresentadas nos livros e aos poucos ia idealizando histórias. Daí a decidir escrever foi um pequeno passo. Comprei um computador e a partir daí fui escrevendo sempre.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
De total liberdade. Posso decidir o que se vai passar na história o destino das personagens e desligo do resto que me rodeia. É como se estivesse submerso no meu próprio universo.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Acho que mudou o meu vocabulário. Fui conhecendo palavras até então desconhecidas e até a construção das minhas frases mudou. Também fez com que os colegas recorressem a mim quando é necessário fazer algum texto. :)

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Antes de tudo, não me considero de todo escritor. Acho que esse é um estatuto que pertence a quem tem uma carreira sólida na escrita e não é o meu caso. Mas enquanto autor tenho aprendido a conseguir despertar emoções nos outros enquanto leitores e em mim mesmo enquanto escrevo. É deveras gratificante ouvir as pessoas a dizerem que parece que estão a cheirar os cheiros do livro e a viver as situações como se estivessem dentro da acção. Tudo isso são aprendizagens, e uma grande responsabilidade!

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Um passatempo, sem dúvida, mas que me dá imenso prazer.

És professor de artes marciais. Esta área tem alguma influência na tua escrita?  
Nem por isso, a não ser nas cenas de lutas onde talvez tenha alguma facilidade em "coreografar" as mesmas. 

Publicaste o teu primeiro livro em 2010, A Espada Flamejante. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
Bom... O processo que envolveu "A Espada Flamejante" quase dava um livro. Não pelo lançado em 2010, mas pela tentativa anterior onde fui, como acontece com vários autores, enganado por uma "editora" e perdi bastante dinheiro, que felizmente consegui reaver anos depois, após processos em tribunal que ganhei.
Mas falando do livro de 2010, a premissa é a mesma do livro "O Despertar do Nefilim": um descendente de um Arcanjo e uma Espada, mas passado numa época medieval e com toda a mitologia inerente à mesma (orcs, elfos, grifos, etc.). O livro é direccionado para um público juvenil, de leitura fácil e que relata a eterna luta entre o Bem e o Mal onde o herói vai encontrando aliados ao longo do caminho. É um livro de leitura leve, diferente deste meu novo projecto.

O que é que essa experiência trouxe à tua vida?
Sobretudo a vontade de continuar a escrever e alguma admiração de amigos e colegas.

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Estás a preparar o lançamento da tua segunda obra, O Despertar do Nefilim. A que público se destina este livro?

Sobretudo ao público mais adulto, porque tem cenas e linguagem violentas.

O que te motivou a escrevê-lo?
Sobretudo a vontade de escrever algo diferente. A minha maneira de escrever mudou radicalmente desde que fui pai pela primeira vez. A paternidade fez-me ver o mundo de maneira diferente. Se havia notícias que causavam pouco impacto em mim, agora vejo-as de uma outra maneira, da mesma forma que antes o mundo era preto e branco, tal como no livro "A Espada Flamejante" onde os bons são só bons e os mais são só maus. Com o nascimento do Afonso, comecei a ter noção de que há uma zona cinzenta, e é com essa zona que temos que nos preocupar pois não sabemos verdadeiramente o que nos reserva quando nos vemos com alguém que temos que proteger até com a nossa vida as coisas deixam de ser "preto no branco". Por esse motivo o projecto "A Espada Flamejante" ficou interrompido, mas espero regressar a ele para o terminar, mas com uma continuação completamente diferente da primeira parte.

Quais são as tuas expetativas em relação a este novo projeto?
Espero sobretudo que agrade a quem o ler e sobretudo que se divirtam tanto a fazê-lo como eu me diverti a escrevê-lo. A viagem da escrita deste livro foi deveras divertida e enriquecedora a todos os níveis.

Se, no entanto, tivesses de escrever num género diferente daqueles que já experimentaste, a qual desafio te proporias?
Ui, essa é difícil... Provavelmente um "Thriller", mas não sei se teria capacidade para o escrever.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Bom, essa pergunta é muito complicada porque já li muitos livros e cada um despertou em mim emoções diferentes, mas se tivesse que escolher apenas um para ler, provavelmente escolheria "O Hobbit" de Tolkien.

O que podem os leitores esperar de ti no futuro?
Se o tempo permitir, a continuação de "O Despertar do Nefilim".

Descreve-te numa palavra:
Sonhador.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A Ampulheta, de Elisabete Pinho | Novidade


De início, pensei que tudo era apenas uma coincidência do destino, do destino que eu própria manipulei.
 Depois, percebi que não existem coincidências!
Com o decurso dos acontecimentos, vi-te para lá no tempo, na cerca, no alpendre, na cascata, num tempo onde o passado é agora e o agora é depois...
Vidas que se confundem como se fossem passado, presente e futuro.
Num presente ausente, num passado sofrido, num futuro incerto.
No limiar da culpa, dividida entre a emoção e a razão, entre o amor e a paixão, entre o certo e o errado.
E se o errado for o certo?
Um amor que veio de uma vida passada, proibido, mas que me faz sentir viva!
Um encontro que desperta a alma, que aquece o peito, que atormenta o ser!
Um diário perdido que muda toda uma história.
Num tempo, onde o passado é a eternidade que nos aguarda, para lá do fim, para além da morte!
Como o fluir da areia de uma ampulheta!



Na ponta dos dedos com... Carla Pinto


Carla, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar:
Como é que te iniciaste na escrita?
Começo por agradecer à Oficina da Escrita. Quanto à pergunta, apesar de só ter publicado recentemente, sempre tive escritos e pequenas histórias espalhados pelos meus cadernos. Pode dizer-se que o início oficial foi há três anos.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Depende muito da nota em que acorde, mas sinto-me muito mais criativa artisticamente em estados de espírito negativos ou depressivos. A “felicidade” chama muito mais pela fotografia.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Alterou completamente aquele receio que provavelmente todos temos de expor as nossas criações ao público. Se já era uma pessoa que pouco me preocupava com a opinião alheia, hoje em dia não me preocupo mesmo nada. Não o digo de modo depreciativo, como se as opiniões não interessassem, apenas encaro-as como um direito que todos temos e que sou só eu que decido se essas opiniões devem ou não ser levadas em conta. E são muito poucas as que considero relevantes, por muito arrogante que isso possa parecer. 

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Tenho uma certa dificuldade em ver-me como escritora, acho que é daqueles títulos que tem de se chegar a um certo nível para o merecer. Como tal, como escritora ainda não aprendi nada, porque ainda não cheguei ao nível que considero ser necessário para vestir o título.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
É a trindade dessas opções. Todas elas. É um passatempo que surgiu de uma necessidade e que resultou num acaso de alguns textos publicados em revistas de motociclismo e neste meu primeiro livro publicado.

És fotógrafa e roadtripper. Estas áreas tão distintas têm algum impacto na tua escrita?
Sem dúvida nenhuma. Tanto no facto de ter uma foto que me sugere automaticamente um determinado tipo de texto, como no oposto, em que penso num texto e procuro depois uma foto que o represente.

Fonte: MotoNews

Publicaste o teu primeiro livro, #13Treze, uma obra onde misturas poesia com imagens e o mundo biker português. Podes falar-nos um pouco sobre este livro?
O #13Treze é precisamente o resultado de diversos poemas que precisavam de fotos, que por sinal as tinha vindo a tirar ao longo de vários eventos motociclistas sem me aperceber que se enquadravam perfeitamente naquilo que precisava. Fez-se o clique numa das noites em que estava a reler alguns desses textos e editava algumas fotos tiradas no Sábado anterior.
O #13Treze pode ser visto de três maneiras (ou até mais se as descobrirem), podem ver as fotos, podem ler apenas os textos ou podem (a minha preferida e a base de o ter publicado) ver as fotos e ler os textos e perceber a acção que dos dois juntos surge. Como se fossem fragmentos de filmes parados nos subtítulos das falas dos actores.

O que te motivou a publicá-lo?
O facto muito de simples de que mostrar ou até provar a união improvável de dois mundos completamente diferentes. A poesia e o motociclismo não costumam surgir juntos em papel, em ecrã sim, mas não em papel.

Como foi a reação dos leitores face a este projeto?
Acho que foi e tem sido boa, tendo em conta que sou uma desconhecida com um único livro editado. Tenho a percepção de que continua a ser muito bem recebido pelo público em geral.

Se nos aventurarmos pelo teu site oficial ficamos a saber que o segundo volume do #13Treze está a ser produzido. O que podem os leitores e amantes das vertentes que reúnes nestas obras, esperar de ti no futuro?
O segundo volume do #13Treze está a ser produzido sim, mas não me vou adiantar muito sobre ao assunto, até porque na minha própria cabeça só está decidido parte do processo. Depois tenho mais três ideias na forja, sendo que duas delas são em áreas totalmente diferentes dos #13Treze. Mas como o tempo acaba por ser limitado para gerir tudo, acho que tenho em mãos muito com que me entreter pelos próximos cinco anos? Talvez mais.

Quando é que o segundo volume chegará aos leitores?
Algures na segunda metade de 2020 mas ainda sem data marcada.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
“Caim” de José Saramago. Tem uma imortalidade sobre a qual todos deveríamos ler vezes sem conta até percebermos a mensagem e provavelmente percebermos também o que é realmente importante na imortalidade. Se o ser imortal, se o ensinar essa mesma imortalidade.

Se tivesses de escrever num género diferente do teu registo atual, a qual desafio te proporias?
Acção e Espionagem. Deve ser provavelmente das coisas mais difíceis de escrever. Manter o suspense de um enredo de espionagem até ao fim em palavras e sem recorrer a qualquer imagem é só para génios.

Descreve-te numa palavra:
Inconstante.


Na ponta dos dedos com... Carla Félix


Carla, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Olá, obrigada pela oportunidade de divulgação do meu trabalho. Iniciei a minha escrita apenas em 2013 num período difícil da minha vida, onde registar o que eu sentia dava sentido e força às minhas decisões. Partilhei com pseudónimo o que escrevia, textos em prosa poética, aos quais poucas pessoas tiveram acesso. Com o passar do tempo fui-me apercebendo, com base em diferentes opiniões, que escrevia poesia. Não escrevo com rima o que para mim criou alguma resistência a este género de escrita. Pensava não ser capaz de escrever poemas. Apenas no final de 2013 começo a partilhar poesia em meu nome e  a explorar a criação poética. 

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
A escrita é uma arma de libertação do sentir e das emoções. Considero um filtro. É uma terapia que utilizo quase diariamente.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Enquanto pessoa tornei-me mais introspetiva, analisando o que sinto de diferente forma. Comecei a analisar o mundo com mais pormenor e principalmente as pessoas, o que por vezes causa alguns conflitos internos. Passei a ter uma voz própria, mais firme e mais segura. Tornei-me uma mulher mais decidida e lutadora.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
A escrita tem-me proporcionado uma aprendizagem constante. Os registos escritos quer sejam poemas, prosa poética ou textos de opinião estão mais ricos, com vocabulário mais diversificado, levando o leitor a acompanhar esta evolução. Tenho aprendido a ser lutadora, persistente e capaz de traçar objetivos e planos de ação.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Foi um acaso, que se tornou uma necessidade e ao mesmo tempo um passatempo. Digamos que três em um!

És licenciada em Educação de Infância. Esta área tem algum impacto na tua escrita?
Quando escrevo textos de opinião ligados à maternidade e à educação claramente a minha licenciatura em Educação de Infância reflete os meus conhecimentos. Quando escrevo poesia e prosa poética obrigo-me a não entrar na minha área profissional por questões de ética e de sigilo profissional.


Publicaste o teu primeiro livro, Melodia nos Versos de (A)mar. Podes falar-nos um pouco sobre este livro?
Melodia nos Versos de (A)mar é o primeiro livro de poesia individual, publicado em Dezembro de 2018, com prólogo da escritora e poetisa Ana Coelho e fotografia de capa de Carlos do Carmo. É um livro que reúne cerca de 60 poemas ligados à minha reflexão sobre a minha infância, às minhas raízes e vivências. Reflete o meu (a)mar. É uma viagem na baía da minha cidade – Praia da Vitória, que permite ao leitor entrar nas águas do mar e sentir a paz transcrita nos versos. O livro permite a todos/as os/as leitores/as uma leitura fácil e aprazível.

O que te motiva a escrever poesia?
Um desejo incontrolável de passar para a tela o que sinto. Tornou-se um vício bom.

Como tem sido a reação do público face ao teu trabalho no mundo da escrita?
A reação é muito positiva. Tenho vindo a consolidar um grupo de seguidores que acompanham diariamente o perfil do facebook ou a página Melodia nos Versos – Carla Félix. Na ilha Terceira tenho já divulgado junto com outros/as poetas/poetisas os meus poemas em encontros de partilha poética, saraus de poesia ou na página de poesia Maré de Poesia do Jornal da Praia, do qual faço a coordenação.

Já participaste em variadíssimas coletâneas de poesia. Qual a importância que estes trabalhos têm para ti?
As coletâneas foram o alicerce do meu caminho poético. São muito importantes para entrarmos no mundo da poesia, conhecermos outros/as poetas/poetisas. Partilhar poesia é uma das formas de evoluir e de chegar a um maior número de leitores.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Abraço, de José Luís Peixoto.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Romance, mas penso que não o conseguiria!

Descreve-te numa palavra:
Persistente.