terça-feira, 3 de setembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Vanessa Jesus


Olá Vanessa, boa noite. É um gosto enorme poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar, coloco-te esta questão: Como é que a escrita entrou na tua vida?                                                    
Sempre gostei de escrever. Comecei a tentar construir histórias logo na adolescência mas não passaram de experiências inacabadas (risos). A paixão pela escrita era tão forte que decidi tirar a Licenciatura em Comunicação Social e, posteriormente, o Mestrado em Comunicação e Jornalismo. A primeira edição de ‘As Aventuras do Kiko’ surgiu mais tarde e acabou por ser um realizar de um objetivo que tinha desde há muito tempo.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita, no meu ver, é uma forma de comunicação preciosa. Consegues transmitir melhor emoções, estimular a criatividade e a imaginação, que penso ser fulcral independentemente da idade que tenhamos. Sem dúvida que me ajuda nesses aspetos.

E enquanto escritora?
Profissionalmente é diferente, quer como escritora de livros para crianças, quer no jornalismo. E como é para os outros lerem, e não ficar apenas guardado para nós, acaba por ser algo que exige mais de ti. No entanto, estás sempre em constante aprendizagem. Ninguém sabe tudo, ninguém é perfeito. Portanto, de dia para dia tento sempre melhorar. Acabo por ter que ser mais persistente e tentar não ficar satisfeita com o que fiz, pensando sempre em aproximar-me da perfeição.

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Em março de 2018 publicaste o teu primeiro livro, As Aventuras do Kiko. Podes falar-nos um pouco sobre ele? 
‘As Aventuras do Kiko’ têm, como o próprio título diz, o Kiko como protagonista. É um menino como tantos outros, sonhador e muito brincalhão. Nesta edição em que celebra o seu 5º aniversário, o Kiko vai ter uma bela surpresa dos seus pais e dos seus melhores amigos, a Ritinha, a Leonor e o Pedrinho.  Porém, a sua curiosidade e incessante vontade de conhecer o que o rodeia leva-o a viver grandes aventuras. 

É um livro dedicado ao público mais pequeno. O que te motiva a escrever neste género?
Acho que é muito importante incutir o gosto pela leitura e o desenvolver da imaginação desde cedo. Isso aliando com o facto de adorar crianças. O nascimento da minha sobrinha e o ter que inventar histórias para adormecê-la despertou ainda mais este gosto.

Vanessa, falemos um pouco da escrita a nível emocional, o que sentes quando escreve?
É algo que me dá um imenso prazer. É a minha profissão. E há um ditado que diz: “Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida”, penso que esta frase diz tudo.

Tens algum ritual de escrita?
Silêncio absoluto. Há colegas que adoram colocar música ou até ter o som da televisão de fundo. Não consigo, tenho que estar completamente concentrada.

Se só pudesses ler um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Essa pergunta é difícil. Confesso que sou uma lamechas, portanto escolheria um livro do Nicholas Sparks.

Que outros trabalhos já realizaste no âmbito da escrita?
Livro é o primeiro e é para continuar com novas edições. Depois o jornalismo. Já tive o privilégio de trabalhar para vários locais que me deram e continuam a dar ferramentas para ir melhorando de dia para dia.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?
Os dois. Como disse anteriormente, é algo que adoro fazer. Não me vejo sem escrever, sinto necessidade de o fazer com frequência, mas não encaro como trabalho. Tenho a honra de fazer o que gosto.

Quais as tuas perspectivas para o futuro?
Neste momento estou a preparar uma nova edição do livro. Quero continuar a dedicar-me aos livros infantis e espero que corra pelo melhor. Está a ser construído um site com jogos (www.asaventurasdokiko.com) e quero continuar a levar o Kiko às creches e pré-escolas como tenho feito até ao momento. Tenho outros projetos também à volta da personagem mas cada coisa a seu tempo. Podem acompanhar todas as novidades através do site e do Facebook.

Se tivesses de escrever noutro género literário, qual o desafio ao qual te proporias?
Hmm… talvez o romance. Mas para já não está nos planos. (risos)

Descreve-te numa palavra:
Lutadora

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Mamã, tenho medo do fogo, de Verónica Marques

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Mamã, tenho medo do fogo é um livro dedicado ao público mais pequeno, da autoria de Verónica Marques.

Nele, acompanhamos uma menina real, a Camila, filha da autora, numa linguagem simples e acessível, que retrata perfeitamente os momentos terríveis vividos durante os fogos que em 2017 assolaram Pampilhosa da Serra.

É um livro pequeno e de fácil leitura, com uma mensagem bonita para os mais novos, mas também para os adultos, sobre a importância de ajudarmos os outros (em segurança) e sobre o que é ser-se um herói, um herói é, segundo a autora e a pequena Camila, alguém que é capaz de ajudar o próximo, que com cuidando de si mesmo tem a força necessária para estender a mão ao outro.

Os heróis da Camila são os seus pais e a sua avó, neste pequeno conto e na vida real.

Um livro de poucas páginas que passa uma mensagem importante e bonita sobre a entreajuda.

Na ponta dos dedos com... Sandra Silva

Olá Sandra, bom dia. É um gosto enorme poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar, coloco-te esta questão: Como é que a escrita entrou na tua vida?
A escrita entrou na minha vida  de uma forma um pouco atribulada.
Na passagem de infância para adolescência começamos a questionar tudo o que somos o que fazemos para onde vamos e eu passei por essa fase uma das fases em que as outras crianças e jovens conseguem ser muito cruéis basta existirem diferenças sociais ou culturais.
Então lembrei-me de começar a escrever todos os sentimentos que não conseguia exteriorizar. Então quando o fazia fazia de uma forma errada um dia lembrei-me de começar a escrever tudo o que estava a sentir era uma forma de me libertar de ganhar asas e voar era uma forma de sonhar mesmo que os sonhos não se concretizassem.
Comecei a escrever mais ou menos com 15 anos depois parei e depois por volta do ano 2010 voltei a escrita e tudo o que escrevia  era em poesia.
E por mais estranho que pareça antigamente só conseguia escrever quando estava no estado de depressão profunda ou num estado de grande euforia.
Através da escrita libertava todas as amarras que me aprisionavam os pensamentos e os sentimentos

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
E enquanto escritora?
A escrita tornou-me uma pessoa mais segura, e mais confiante, em mim mesma.
Enquanto escritora através da escrita comecei a perceber me que eu conseguia fazer algo mais grandioso e que as coisas que eu poderia fazer poderiam dar frutos agradáveis.
Como escritora a escrita deu-me vontade de querer aprender mais de querer conhecer os nossos escritores portugueses e de querer aprender mais sobre a literatura portuguesa que era algo a que eu não dava muita importância.

Em março publicaste o teu primeiro livro, Borboletas ao Luar. Pode falar-nos um pouco sobre ele?
Em março publiquei o meu primeiro livro! A concretização de um sonho de uma vida inteira. Hoje em dia é muito importante sensibilizar as pessoas, e principalmente os nossos jovens, para estes assuntos, porque estamos a criar uma geração de jovens frustrados e infelizes...e depois recorrem a este tipo de problemas para aliviar as suas frustrações, os seus conflitos pessoais, as suas dúvidas e depois ficam ligados a este ciclo vicioso, e é importante os pais lerem este livro, para perceberem os sinais que os filhos vão deixando de que algo não está bem!

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Sinopse do livro “Borboletas ao Luar” :

Porque a poesia pode ser amiga, confidente e transformadora, um refúgio de portas abertas para a liberdade, “Borboletas ao Luar” são textos poéticos que Sandra Silva deixa emergir do fundo da sua alma, de forma corajosa e genuína.

Fazendo da poesia um escudo para enfrentar estados de caos e desordem interior, a autora partilha sentimentos destrutivos de dor e de ansiedade, mas também a descoberta de momentos de esperança e de superação de episódios traumáticos! 🦋

É um livro de poesia. O que te motiva a escrever neste género?
Boa pergunta! Nem eu sei explicar o que motiva a escrever poesia!
Talvez se eu soubesse a resposta a essa pergunta eu hoje em dia não fosse poetiza.
Quando eu penso em escrever algo na minha cabeça começam a surgir palavras e letras todas baralhadas que começam a constituir frases resultado final sai tudo a rimar tudo em poesia

Sandra, falemos um pouco da escrita a nível emocional, o que sentes quando escreve?
Posso sentir muitas coisas quando escrevo. Por vezes sinto tristeza, e outras vezes sinto euforia, outras vezes sinto raiva, outras vezes sinto frustração, outras sinto desilusão, outras vezes sinto Liberdade, outras vezes sinto amor, depende do meu estado de espírito, e dos acontecimentos que estão a decorrer na minha vida naquele momento

Tens algum ritual de escrita?
Quando escrevo tento ouvir música instrumental calma para conseguir aqui liberar as minhas energias e para dar voz aos meus sentimentos e pensamentos.

Se só pudesses ler um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Não sei responder a essa pergunta. No entanto existe um livro que li e reli e que me prendeu durante meses o pensamento, um livro que se chama a Lua de Joana é uma história muito profunda e sentimental, e infelizmente a personagem principal morre no fim é um livro muito interessante que todas as pessoas deviam ler! Principalmente as pessoas que têm filhos adolescentes

Que outros trabalhos já realizaste no âmbito da escrita?
Já tenho mais 2 livros terminados. 2 de poesia mas neste momento estou a escrever um livro infantil. Estou a iniciar o outro livro de poesia e ainda outro de frases.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?
Infelizmente ou felizmente a escrita para mim é uma grande necessidade porque é a única forma de muitas vezes eu exteriorizar os sentimentos que não consigo verbalizar que me fazem doer o peito e Me causam muitas dores e lágrimas.

Quais as tuas perspetivas para o futuro?
As minhas perspectivas para o futuro são ser uma grande escritora, ver o meu trabalho reconhecido. E através da minha escrita poder sobretudo ajudar muitas pessoas a saírem de problemas que acham que não conseguem ultrapassar.
Um dia mais tarde gostava muito de poder fazer voluntariado com pessoas toxicodependentes, sem-abrigo, desalojados, crianças em risco, vítimas de violência doméstica.

Se tivesses de escrever noutro género literário, qual o desafio ao qual te proporias?
Boa pergunta, não me vejo escrever outro Género literário a não ser poesia mas penso, talvez um dia experimente escrever em prosa a vida é cheia de desafios, se não tentarmos não sabemos se somos capazes.

Descreve-te numa palavra:
Humilde

O Filho Daquela Que Mais Brilha, de Jp Santsil

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O Filho Daquela Que Mais Brilha é um livro do autor brasileiro Jp Santsil, que atualmente reside em Israel. Contudo, neste primeiro livro da Saga Quilombo dos Palmares no Novo Mundo é marcado pelas suas origens nordestinas, às quais o leitor não fica indiferente.
Na narrativa, o autor apresenta-nos a história de Djeli, um ancião africano que se torna guia espiritual de N'zambi, o protagonista desta história, um jovem príncipe, líder Zumbi dos Palmares.
A história foca-se na vida deste protagonista e acompanha o seu crescimento, físico e psicológico, desde o nascimento até ao fim da sua vida.
A leitura desta obra torna-se interessante sobretudo pelo facto de que a mesma é baseada em factos reais, mas extraordinariamente escrita aliada à imaginação do autor que a tornou forte e rebuscada.
É uma história sobre esperança, sobre amor, mas também sobre a força de um povo e de protagonistas que nos impressionam pela sua resiliência.
Com uma linguagem simples, uma narrativa bem construída e vários anos de pesquisa, eis que todos estes fatores reunidos culminaram no nascimento desta obra que impressiona o leitor e o absorvem, e embora seja um livro longo, que requer tempo e cuidado na leitura, é um livro agradável.

Na ponta dos dedos com... Verónica Marques


Verónica, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Nunca pensei que algum dia escrevesse um livro, confesso! No entanto, os incêndios de 2017 e a forma traumática como a minha filha mais velha vivenciou o de Pedrogão Grande ( em junho)  e depois, em outubro a destruição da sua aldeia e de parte do Concelho de Pampilhosa da Serra, despertaram em mim a vontade de passar uma mensagem positiva a todas as crianças que viveram acontecimento idêntico.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Escrever este livro terá funcionado como catarse do acontecimento experienciado! Eu estava ausente de casa quando o fogo devastou a aldeia onde vivo, a 5 quilómetros da Vila de Pampilhosa da Serra! As minhas filhas de 6 e 3 anos estavam em casa com o pai e avós. Mas passaram o momento da devastação apenas na companhia da avó. O pai estava a apoiar a comunidade. A mãe na Vila a ajudar no acolhimento da população evacuada!

Quando dei conta que o fogo ia em direção à nossa aldeia já era tarde demais para avisar alguém!
Julgo que só na apresentação do mesmo, que decorreu em Pampilhosa da Serra, no dia 15 de dezembro é que dei conta de que tinha vivido também, pessoalmente,  uma situação traumática!  

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Apenas escrevi este livro e não sei se algum dia embarcarei na aventura de escrever um novo livro! Se o fizer terá de ser nesta lógica: um livro que conta uma história real e que transmita mensagens positivas!


E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Não me considero escritora, mas sim autora de um livro que surgiu de um acontecimento difícil comum a muitos portugueses!  Este livro é também um projeto familiar! Antes de pensar em publicá-lo, li-o à minha filha, que é protagonista do mesmo, para saber qual seria a sua opinião. Hesitei quando a vi chorar ao longo da leitura do mesmo. No final, a decisão foi dela!  

E depois contei com o apoio de amigos mais próximos com quem partilhei as primeiras versões, do Município de Pampilhosa da Serra que apoiou as ilustrações feitas pelo Marco Silva, Professor  no  Agrupamento de Escolas de Pampilhosa da Serra que quis o acaso que eu viesse a conhecer e ele aceitasse fazer parte desta história ilustrando o livro.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade, um acaso?
Foi mesmo um acaso! Após este acontecimento a  minha filha e outras crianças Pampilhosenses foram  apoiadas por um Psicólogo na Escola, o Dr. Marco Martins,  para avaliar o seu estado psicológico e fiquei aliviada quando soube que a Camila estava bem! Pensei em tudo o que tinha passado com ela após os incêndios de junho. A minha filha ficou mesmo traumatizada porque se apercebeu de tudo, das mortes inclusivé. Para além do facto da aldeia onde vive ter sido evacuada nessa altura e de eu ter estado a trabalhar quase em contínuo sem possibilidade de estar com ela. Durante os meses que se seguiram a minha filha ficava alarmada e em pânico sempre que ouvia falar num fogo. Generalizou o medo, faltou nos dias em que o programa de tempos livres tinha visita aos Bombeiros, e até uma falha de eletricidade era um problema! Mas eu não desisti e também nunca escondi a possibilidade do fogo destruir a sua aldeia. Mas dei-he a segurança que os adultos tudo farão para a proteger,  em especial o pai que já tinha sido Bombeiro. Tudo iria correr bem!

És assistente social e, portanto, lidas com inúmeras realidades, muitas vezes desconhecidas da maioria da população. Esta formação tem algum impacto na tua escrita?
Teve muito impacto! A minha primeira ideia era fazer um livro de memórias! Ouvir as pessoas e contar em discurso direto a Sua história! Dar um rosto e vida às histórias que fui ouvindo após o incêndio! E o mais curioso é que todos achavam que o seu sofrimento tinha sido pior que os da aldeia vizinha! Foi difícil para todos no coletivo! Mas a nível individual foi deveras difícil!
Se algum dia voltar a escrever será para voltar a contar um história real! E talvez em co-autoria com a minha colega de trabalho e amiga, Cláudia Almeida,  que também colaborou com algumas ideias para este livro!

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Publicaste em dezembro o teu primeiro livro infantil, “Mamã, Tenho Medo do Fogo”, um livro baseado na história real de uma menina que viveu os incêndios de outubro de 2017, em Pampilhosa da Serra. Podes falar-nos um pouco sobre este livro?

Já fui falando sobre o mesmo nas questões anteriores! Afinal de contas este é o único livro que tenho publicado! É um livro muito pessoal, um projeto familiar, mas com uma história que, infelizmente, é cada vez  mais comum aos Portugueses, em especial às crianças que são obrigadas a viver acontecimentos, cuja natureza e dimensão, não é possível evitar (ainda que possam ser prevenidos). Então, porque não falar sobre eles (‘?) e sobre as emoções que resultam deles (?) e sobre os cuidados a ter com eles (?) e as consequências que podem ter nas vidas das pessoas(?). Pessoas essas  que são os verdadeiros heróis das nossas crianças, em “contos”que de “Fada” nada têm, mas que têm um pai, uma mãe, um avô, uma avó, muitos vizinhos e amigos para partilhar e ajudar!
Foi esta a principal descrição do livro feita no dia da apresentação do livro pela minha convidada especial, a Professora Dulce Simões, do Instituto Superior Miguel Torga, com quem partilhei uma das primeiras versões do livro!

O que te motivou a escrever sobre uma tragédia que recentemente assolou o nosso país?
A complexidade socioemocional  do tema e o facto de ser tabu  falar sobre ele, em especial a crianças.

E o que te motivou a escrever para o público mais pequeno?
A protagonista da história é a minha filha mais velha, na altura com 6 anos de idade! Queria mostrar a todas as crianças a dureza deste acontecimento numa perspetiva positiva abordando valores como: amizade, solidariedade e generosidade e lembrando alguns cuidados a ter com o fogo, fazendo, também, alusão aos heróis de verdade! Por isso a Camila apresenta, no final da história, os seus heróis e convida os pequenos leitores a desenharem o(s) seu(s) herói(s).  Acredito que este livro possa ser usado de forma pedagógica por pais, encarregados de educação, educadores e professores! Tive a experiência da Escola EB1 da Caxieira do Agrupamento de Escolas Caranguejeira-Santa Catarina da Serra (Leiria) onde as Professoras do 1.º ciclo trabalharam a história a partir de imagens levando os alunos a escreverem uma história que confrontaram com a verdadeira, aquando a minha ida à Escola, na efeméride do 5 de junho - Dia Mundial do Ambiente- tendo sido também trabalhado o tema do ambiente com a história! Estas Professoras, a quem agradeço o acolhimento, em especial à Professora Ilda Sousa, mostraram uma forma criativa e pedagógica de trabalhar o tema dos incêndios através do livro “Mamã, tenho medo do Fogo!”.

Como tem sido a reação dos leitores face a este projeto?
Tem sido muito positiva! Tenho proposto levar o livro às Bibliotecas Municipais, em especial aos municípios que foram atingidos pelos incêndios de outubro! Já houve Câmaras que aderiram à minha proposta de Hora do Conto com projeção das imagens seguida de atividade lúdica e sessão de autógrafos. Mas ainda há alguns receios face à temática!
Tenciono fazer um evento com o apoio da Casa de Turismo Rural – Casa de Santo Antão sita em Padrões ( Pampilhosa da Serra) onde convidarei os Bibliotecários e os Vereadores da Educação, Cultura e Ação Social para apresentar o livro e a história que está por detrás bem como o seu carácter social e pedagógico, desmitificando algumas ideias que possam ficar com a leitura apenas do título e sinopse.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?

Talvez um livro de Memórias quando deixar de ser Assistente Social! Mas exigiria ter já começado a registar algumas histórias, o que  ainda não fiz! Mas já foi pensado! Considerando a idade da reforma a que somos sujeitos, atualmente,  julgo que se começar para o ano a fazer registos ainda conseguirei um bom volume! (risos)

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?

Talvez outro livro infantil.

Descreve-te numa palavra: REBELDE! Como diz a Psicóloga Vera de Melo no seu artigo “SER rebelde: no trabalho e na vida”  publicado na Revista RUA são rebeldes as pessoas quedizem o que acham, mesmo quando é impopular, não tendo receio de expressar as suas ideias e pontos de vista, mesmo quando são os únicos a fazê-lo. A sua energia é desconcertante, mas orientada para a busca da inovação e da produtividade, visando a evolução e prosperidade (…)”