sexta-feira, 10 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Francisco Mellão Laraya


Francisco Mellão Laraya é natural de São Paulo, Brasil. É formado em Direito. Músico, iniciou o curso de violão clássico no Conservatório Beethoven, onde se formou e fez pós em interpretação no Mozarteum. Francisco cruzou o oceano e trouxe a sua literatura para as terras dos seus antepassados, em Lisboa, e hoje responde a algumas perguntas no blogue.

Olá, Francisco. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita? Escrever para mim era uma necessidade, com poucos anos fiquei surdo e voltei a escutar, parcialmente, aos 15 anos graças a uma cirurgia. Então, meus melhores amigos eram os livros, e a escrita uma forma de expressão que sempre valorizei.

Qual o sentimento que te domina quando escreves? Paz.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? Escrever é como uma psicoterapia, e este processo de auto-conhecimento me trouxe paz, que procuro transmitir a quem me lê.

E enquanto escritor, o que tens aprendido? A deixar a alma solta, a acreditar mais que Deus mora dentro de cada um.

Tens algum ritual de escrita? Ser sincero com meu leitor e comigo.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo? Escrever é uma necessidade psíquica, se procuras o sustento com literatura no Brasil, mude de ramo.

Licenciaste-te em Direito. Qual a importância que esta área têm na tua vida? Enorme, foi em Direito que aprendi a questionar entre o certo e o errado, o bem e o mal.

Esta formação teve impacto no teu trabalho enquanto escritor? Teve e tem, a faculdade tem um recreio onde os alunos expõem para os outros suas dúvidas, sobre aulas cheia de dúvidas, além de ser cultuada na faculdade que fiz, a profissão do escritor em outros cantos no Brasil é um marginal.

Mesmo sendo natural de São Paulo, Brasil, foi em Lisboa que deste os primeiros passos na publicação das tuas obras. Como está a correr essa experiência? Minha primeira obra foi “Textos Barrocos”, lançado no Brasil, primeiro, e com a análise do julgamento de nosso senhor Jesus Cristo, livro que causou polémica, e passei a ser maldito. O brasileiro quando perseguido pede asilo a Portugal, foi o que fiz.

O seu título mais recente, publicado em 2018.
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Já publicaste alguns livros, dentre os quais, “Tito e o Pé de Sonho", "Exames", "A Descoberta, o não tempo", "Um Sonho Dentro de um Sonho" e "Textos Barrocos". Podes falar-nos um pouco sobre estas obras?
“Tito e o pé de sonho” fala sobre a crise e conclui-se que a maior crise é moral e psíquica para cada um, o que leva à crise global. “Exames” é o primeiro rascunho desta obra que sai agora em inglês, depois ela foi melhorada, aumentada, distendida, revista e deu no que deu, o que era um desabafo sobre um tratamento de psicoterapia, virou um tratado de filosofia; “A Descoberta o não tempo” trata da procura e da descoberta de Deus;  “Um sonho dentro de um sonho”, é na verdade uma recontagem de um poema de Poe, “A Dream into a dream”, só que não é tétrico, é alegre e se revê o perdão, para os padrões cristãos, é um confronte do ser e do querer ser, são poucas linhas cheias de muito conteúdo; e por fim “Textos Barrocos”, um resumo de uma discussão jurídica sobre o julgamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, com textos sobre o Brasil no fim do militarismo, desnudo das ilusões criadas pela imprensa dos poderosos.

Estás a preparar uma edição em inglês. Podes desvendar-nos um pouco desse processo? Eu, como já disse, leio muito, e sei que mesmo o Fernando Pessoa começou a fazer sucesso quando teve um livro editado em inglês e lançado no Reino Unido. O que fiz, traduzi um livro, o mais filosófico deles e resolvi lançá-lo em inglês o que aumenta o número de leitores da minha obra.

Sobre que temas te debruças para criares os teus livros? Eu me debruço sobre a vida tanto interior, quanto exterior, o que nos remete a filosofia, religião e psicologia.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho? Não sou difícil de ler, o que ajuda na penetração do trabalho.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais? Sim, “Uma Revolução no inferno”, “O Grão de Areia”, “Em busca no tempo perdido”, “Muito Barulho por nada”, “Meu mundo e nada mais” e “L’essenza dell’anima”, na Itália, além do livro em inglês que agora lanço.

Gostas de ler? Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado? Evangelho de Jesus Cristo segundo São João.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? Filosofia.

Pensas em publicar novamente? Sim, um agora em inglês, aí tudo é uma incógnita.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias? Nunca pensei nisso.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro? Sinceridade, sempre!

Descreve-te numa palavra: Sinceridade.

Descobre mais sobre o autor no seu website (AQUI)


terça-feira, 30 de abril de 2019

Na ponta dos dedos com... Mónica Guerra

Nasceu em Lisboa mas considerase Ribatejana. É licenciada em Sociologia, curiosa e observadora. Aprendeu a ler e a escrever ainda antes de entrar para a escola primária e ler sempre foi uma das suas paixões. Sempre gostou de escrever, começando por pequenos textos e publicando as suas primeiras histórias nos jornais escolares e no DN Jovem. 

Publicou o seu primeiro livro “De manhã já te esqueci” (2007), baseado na sua tese de licenciatura, e “A Prometida” (2015). “Inverno” é o primeiro volume de uma coleção que acaba de nascer sob a chancela da Emporium Editora.


Olá, Mónica. É um gosto enorme poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar, coloco-te esta questão: Como é que a escrita entrou na tua vida? 
Não me recordo de ter havido um momento concreto. Algo que tenha despoletado o gosto. Eu sempre gostei de escrever. Desde sempre. A minha avó paterna comprou-me os livros de exercícios do Papu (que ainda guardo) e ensinou-me a ler e a escrever, ainda antes de entrar para a escola primária. Passava todo o tempo livre a ler e a escrevinhar qualquer coisa. Lembro-me de escrever diários, diários de viagens, de férias. De fazer cópias. Só pelo prazer de escrever. Não havia prenda melhor que um caderno bonito e um lápis ou caneta nova. Depois comecei a escrever pequenas histórias e contos. 

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita moldou-me enquanto pessoa. Tornou-me atenta ao que me rodeia. Fez-me estudar, investigar, descobrir. Querer saber sempre mais. Quando quero escrever sobre determinado assunto, passo muito tempo a estudar, a investigar, pesquisar. Quando escrevemos entramos num mundo muito amplo onde o tempo deixa de existir.  

E enquanto escritora, o que mudou?
Eu sempre fui muito “bicho do mato” e a grande mudança na minha personalidade desde que comecei a editar e me “assumi” como escritora foi o ter-me obrigado a perder o medo e a timidez. A enfrentar as pessoas, as criticas e os elogios. 
Inverno, Nov 2018 (Opinião em breve no blogue)

O teu primeiro livro “De Manhã Já Te Esqueci” foi publicado em 2007. Em 2015, “A Prometida”. E agora sob a chancela da Emporium Editora nasce “Inverno” (COMPRAR AQUI) . Podes falar-nos um pouco sobre ele? 
“Inverno” foi a viragem no meu processo de escrita. Foi um desafio a todos os níveis. Primeiro porque é um romance, é um livro mais extenso, completamente diferente dos contos e histórias que escrevia. envolvi-me muito nele, foram muitas horas, muitos dias. Muitos cenários. Muito escreve/apaga. Quando ia a meio olhei para trás e reli tudo o que tinha escrito. Odiei. Parecia-me um disparate pegado. E reescrevi tudo de novo. Depois pareceu-me muito romance, muito chato e resolvi dar-lhe outra volta e começar a transforma-lo numa espécie de romance de aventuras, mais movimentado, mais dinâmico. E surgiu então a ideia de começar a entrar num ritmo de espionagem, de missões, de espiões de sociedades secretas, de ordens militares. Veio-me tudo á cabeça. E ai as coisas tomaram um rumo completamente diferente onde me senti muito bem e com muito á-vontade no processo de escrita. A partir do momento em que descobri o que realmente queria, o processo criativo tornou-se muito mais rápido e muito mais fácil. E as criticas ao manuscrito, o apoio que tive, transformaram aquilo que ia ser apenas um livro no inicio de uma série de quatro livros: “Inverno”, “Primavera”, “Verão” e “Outono”. O fio condutor das histórias é o mesmo, mas cada livro irá desenvolver uma aventura própria, com personagens próprias.  Do livro anterior saltarão no máximo duas a três personagens que serão as protagonistas desse livro e cada historia começa num dia dessa estação e avança ao longo dos anos. O que vai ser muito desafiante porque vai permitir-me envolver as minhas personagens em factos históricos. 

Como surgiu a ideia para escrever este livro?
Não surgiu. Eu não acordei de manhã e decidi que ia escrever este livro. Na realidade nem me lembro de quando comecei a escrevinhar o inicio da história nem porquê nem onde. Simplesmente comecei a escrever uma história ( mais uma ) e o novelo foi crescendo, crescendo até que fiquei completamente envolvida nele. E não conseguia parar de escrever. Na noite em que terminei o livro, em que escrevi a ultima palavra e gravei senti-me muito feliz, orgulhosa deste trabalho. Senti que tinha feito algo bom, bonito e pelo qual valia pena arriscar a minha comodidade e sair da minha zona de conforto, expor-me ao mundo literário, ás criticas, as pessoas. 

Que dificuldades encontraste no processo de escrita?
Como já referi, a principal dificuldade foi o encontrar o ritmo certo, aquilo que eu queria. Não queria um romance chato nem monótono, previsível, onde uma pessoa quando vira a página já sabe o que vai ler a seguir. O que eu pretendia e espero ter conseguido, é fazer o leitor virar a página em espectativa a pensar “o que vai acontecer a seguir? “

A tua história é inteiramente ficcional ou tem conotação pessoal?
É inteiramente ficcional. Saiu tudo de dentro da minha cabeça. Nada de experiências pessoais, nada biográfico. Tudo ficção. Até porque eu não acredito em romances nem no “felizes para sempre”. 

Mónica, falemos um pouco da escrita a nível emocional, o que sentes quando escreves?
Tudo. Felicidade, paz, angustia, nervosismo. É um turbilhão de emoções. Eu construo a personagem, dou-lhe um nome uma personalidade e depois é como se ela vivesse dentro da minha cabeça ou encarnasse em mim. Dou comigo a falar com elas a pensar e a sentir as coisas como elas as deveriam sentir. Tenho diálogos com elas. De repente a minha casa enche-se de pessoas. Durante o processo de escrita as personagens tornam-se tão reais que até parece que vou esbarrar com elas no corredor. Já aconteceu eu trocar o nome da gata. Em vez de chama-la pelo nome dela, chama-la pelo nome de uma personagem. Quando escrevo à noite e tenho de desligar e dormir porque no dia seguinte tenho de acordar cedo, a história fica no notebook mas as personagens vão comigo para o quarto. Ficam ali em cima da cama aos pulos. Não me saem da cabeça. 

O que é mais prazeroso na escrita?
A liberdade. 

Tens algum ritual de escrita?
Não. Nem por isso. Por norma escrevo durante a noite. Quando á silencio. E para cada história nova compro um caderno novo, bonito, onde tomo as minhas notas, faço apontamentos, como se fosse um road book daquele trabalho. 

Como definirias esta arte na tua vida?
Felicidade. Escrever faz-me feliz. 

Se só pudesses ler um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
“Verónica decide morrer” de Paulo Coelho. 

Além da escrita, que outras paixões, nutres que te completam enquanto pessoa?
Família. Amo a minha família acima de tudo. E quando digo família não falo apenas dos laços de sangue. Falo também dos amigos que se tornaram família. 
Viajar. 
Livros. 
Fé.

Que outros trabalhos, já realizaste, no âmbito da escrita?
Editados: “De manhã já esqueci” foi o primeiro que editei, um trabalho ficcional baseado na minha tese de licenciatura e “A Prometida” que foi escrito durante a minha adolescência e resolvi editar como ebook para “ver como corria”.  Neste percurso também já escrevi cronicas para jornais regionais, opiniões e fiz pequenos textos para o extinto DN Jovem. 

Como vives o contato com o público?
Acho que estou a melhorar, mas ainda me sinto envergonhada.

Já pensas no próximo livro?
Já estou a escrever o próximo livro.

Enquanto escritora quais os objetivos que mantens?
O meu principal objetivo é que quem leia o meu trabalho, o faça com gosto, que goste do que está a ler, que durante aquele tempo esteja descontraído, se sinta bem. Que seja um prazer mergulhar no meu mundo literário.

Se tivesses de escrever noutro género literário, qual o desafio ao qual te proporias? 
Talvez escrever poesia. Não me sinto nada confortável a escrever poesia. Gosto muito de ler poesia, mas escrever não consigo.

E para finalizar, que mensagem gostarias de passar aos teus leitores e seguidores deste espaço?
Agradecer. Agradecer por lerem aquilo que eu escrevo. Espero sinceramente que gostem.  

Agradeço a tua disponibilidade, fazendo votos de muitos sucessos para a tua carreira e vida pessoal.
Eu é que agradeço a oportunidade de dar a conhecer o meu trabalho.

Podem conhecer mais sobre a autora na sua página do Facebook (AQUI)

terça-feira, 23 de abril de 2019

Na ponta dos dedos com... António Manuel Palhinha

António Manuel Palhinha
Hoje, dia 23 de abril, celebra-se o Dia Mundial do Livro e eu trago aos seguidores do blogue uma entrevista realizada ao autor de "No Silêncio das Palavras", António Manuel Palhinha.


Olá, António. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
- Olá! Eu diria que me iniciei na escrita pela mão de minha mãe, quando ela me ajudava com as suas delicadas mãos a desenhar as letras e a suportar o peso do lápis. Logo nessa altura, sem perceber, comecei a interiorizar a importância das letras e das palavras que deixamos aos outros. Aos 10 anos aventurei-me a escrever versos e poemas. A partir dos 28 aventurei-me noutros géneros literários: conto infantil, romance, prosa poética, ficção. Hoje já na ternura dos 50, acrescentei a crónica e o conto para adultos.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
- Não se trata apenas de um sentimento, mas sim, de vários sentimentos e emoções que me envolvem quando escrevo. Dizer que só um sentimento me domina seria muito redutor, penso que na minha escrita está bem patente essa mistura de sentimentos e emoções que me elevam no momento da minha criação literária. Mas, escrever na língua Portuguesa é para mim motivo de muito orgulho. Muitas pessoas não imaginam sequer, mas trata-se da quarta língua mais falada no mundo, a mais falada no hemisfério sul. Muitas Universidades por todo o mundo possuem cursos de língua portuguesa: Rússia, Hungria, Japão, China, são apenas alguns exemplos. A língua portuguesa é falada em todos os continentes. Existe uma pequena cidade no médio-oriente onde só se fala a língua portuguesa. Isto é extraordinário e os nossos jovens precisam saber do valor e importância da nossa língua no mundo.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
- A escrita mudou em mim a perceção do meio que me envolve e a sensibilidade com que interajo com esse mesmo meio e pessoas. Se já era observador, passei a ser ainda mais observador; se já era exigente comigo mesmo, passei a ser ainda mais exigente, mais seletivo. Mas acima de tudo, passei a estar mais atento ao pormenor das coisas, a ser um melhor leitor, a ter mais conhecimento, a pensar e a ser mais crítico. Não apenas e somente pela crítica em si mas pela crítica com substância e de forma construtiva. A escrita fez de mim um ser humano mais forte, menos vulnerável.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
- Enquanto escritor tenho aprendido muito! Um escritor tem de ler muito, pesquisar, observar, aprender, evoluir, estar atento ao pormenor. Não se contentar somente com o superficial. Tem de aprender a conhecer e adaptar-se a novos meios e novas realidades. Enfim, aprendi o valor das palavras, o silêncio que elas possuem e o poder que encerram. Uma simples palavra pode desencadear uma guerra, assim como, pode trazer paz ao mundo. Hoje, as palavras, apesar do poder que possuem, ao serem proferidas por pessoas sem ética, honestidade e sinceridade são inúteis, desprovidas de valor, deixam de fazer sentido, provocam o caos, a incerteza, o desamor, propagam a fome, quando assim é revestem-se de perigosidade. Como escritor tenho de ter sempre presente um universo de complexidades e de entendimentos que as palavras que deixamos aos outros podem ter. Podem marcar a diferença do tudo ou nada para um leitor seja ele adulto ou criança em qualquer parte do mundo.

Tens algum ritual de escrita?
- Não considero ter um ritual de escrita. Nunca me preocupei com rituais, formalidades ou o que quer que seja nesse âmbito, sou desprendido dessas coisas. Apenas gosto de estar só com a minha escrita, não gosto que leiam o que escrevo antes de ter terminado, escrevo em papel ou no computador. A mesa está sempre um caos “organizado” que só eu entendo, com muitos livros, papéis rabiscados, apontamentos, muitas canetas e de preferência de cor preta.

Como definirias esta arte na tua vida?
- A arte da escrita na minha vida é como um dos meus sentidos! Não me vejo sem escrever, mesmo que seja só em pensamento e não no plano real. Esta é uma pergunta a que respondo no meu último livro de uma forma diria poética.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?
- A escrita para mim é uma necessidade e um passatempo, as duas coisas interligam-se para a composição dos meus textos. Como uma necessidade para refletir, conter a ansiedade, sonhar, alimentar o meu ser ávido de conhecimento, porque a escrita obriga-me a pesquisar, a ler, refletir; e como passatempo para preencher momentos de vazio.

Começaste por publicar dois contos infantis e seguiram-se, entretanto, duas obras de cariz poético e onde a prosa também está patente. O que te levou a enveredar por géneros tão distintos?
- Comecei por publicar conto infantil, por sugestão de um expert de uma editora. Poderia ter começado pelo romance, ou crónicas, ou ainda poesia. Tenho várias obras escritas não publicadas, foi uma opção no momento. Se soubesse o que sei hoje teria começado a publicar mais cedo e a dar ouvidos a sugestões de alguns amigos. Mas, muito poucos sabiam que eu escrevia até mesmo na família, e a minha timidez em expor-me ao mundo através da escrita também me tolheu nessa vontade. Acho que ainda vou a tempo de dar a conhecer a minha obra à humanidade. Quero viver até aos 120 anos (risos) para continuar a escrever e ter tempo para ainda receber a “reforma” ou uma “pensão”, pelo andar das coisas só me vou conseguir “reformar” ou “aposentar” aos 80 anos, fico com ainda 40 anos para usufruir da “fortuna mensal” que irei receber (Muitos risos). Este último livro publicado, embora o título possa sugerir ser uma obra poética, é um trabalho de uma forte intensidade literária, algo intimista, que contém um universo de emoções e sentimentos muito profundos. É um apelo à reflexão, ao despertar de consciências nos leitores, é um estimular dos sentidos.

Podes falar-nos um pouco sobre essas obras voltadas para os mais pequenos?
- Foram dois os livros para os mais pequenos já publicados. O primeiro cujo título é “O Menino que Sonhava com as Letras” foi publicado em 2014. Foi adaptado ao teatro no Brasil e recebeu uma carta de elogio de Sua Santidade o Papa Francisco. Este livro “surge” depois de contar uma história ao meu filho mais novo quando se foi deitar. Após terminar a história ele ajoelha-se na cama, coloca as suas mãos no meu rosto, e olhando nos meus olhos diz o seguinte: «Pai, quando tu fores velhinho e eu já souber bem as letras, também te vou contar histórias quando te fores deitar…» Esta frase ficou a agitar-se na minha memória. Pensei que o meu filho nessa noite iria sonhar com as letras e aprender a ler e a escrever nos sonhos. Essa ideia foi o fio condutor para o enredo do livro. O segundo livro “O Espantalho Espanta Milharucos” embora a sua publicação seja em 2015, já tinha sido escrito para uma atividade no jardim-de-infância onde a minha filha estava no ano de 2000. Portanto, já faz 19 anos. É um livro que aborda a temática do bulying, do preconceito, da indiferença, racismo, etc. Sublinho que foi há 19 anos atrás ainda não se falava de bulying em Portugal. Este livro foi também adaptado ao teatro no Brasil. Em Portugal, está a ser utilizado este ano lectivo de 2018/19 numa escola em Massamá - concelho de Sintra - pelo gabinete de psicologia dessa escola. Propõe-se sensibilizar os mais jovens para estas problemáticas sociais e incutir nas crianças algumas competências comportamentais. É um livro em prosa poética cujos diálogos dos personagens são em verso. Tem ainda, uma atividade associada que me proponho a ensinar aos professores e a realizar com as crianças. Estas duas obras literárias foram a base de apreciação do meu trabalho literário no género infantil, que me valeram o prémio de melhor autor de livro infantil no Estado de Santa Catarina no Brasil, atribuído pela Associação Internacional de Escritores e Artistas. São dois livros que, para além das várias vertentes didáticas que se lhe podem atribuir, possuem ainda a particularidade de lhes ter acrescentado páginas em branco, onde convido as crianças a ilustrar ou a realizar outras ações nessas páginas, como forma das incentivar a interagir com o livro e a estimular o gosto pela leitura. Infelizmente, nunca integraram o Plano Nacional de Leitura. Nem tenho provas apresentadas pela editora que alguma vez tenham sido propostos ao júri do mesmo. Lamento também que a editora não tenha efetuado um trabalho de divulgação alargado dos livros.

Realizas projetos também relacionados com esse público. Quais são eles?
- Um projeto que realizei para as crianças, mas que também se pode adaptar a jovens e adultos com grau de analfabetismo chama-se «SONHAR COM AS LETRAS» Foi implementado no Brasil através da Associação Cultural Barão de Ayuruoca, numa cidade do interior do estado do Rio de Janeiro que, integrou a peça de teatro infantil do livro O Menino que Sonhava com as Letras. Infelizmente, com o falecimento da Presidente da associação, e simultaneamente diretora e produtora da peça o projeto está parado por falta de apoios. No entanto, ainda percorreu 4 cidades das 10 cidades previstas do interior do Rio de Janeiro tendo alcançado mais de 800 crianças, jovens e adultos no ano de 2017. Em Portugal nunca recebeu apoios.

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Recentemente publicaste “No Silêncio das Palavras”. Podes falar-nos um pouco sobre este livro?
- No Silêncio das Palavras – Fragmentos de Mim é o meu mais recente trabalho literário. É um livro, como já referi anteriormente, embora o título possa sugerir ser uma obra poética, é um trabalho de uma forte intensidade literária, algo intimista, que contém um universo de emoções e sentimentos muito profundos. É um apelo à reflexão, ao despertar de consciências nos leitores, é um estimular dos sentidos. É um livro onde faço exercícios de contemplação de reflexão sobre as ações humanas. É composto por crónicas que nos fazem refletir sobre a necessidade em despertar para os sentidos, um apelo à consciência humana, para o papel que o livro enquanto objeto pode ter no presente e no futuro. É uma crítica a praticas menos éticas, à hipocrisia social e institucional. Um livro em que as palavras escondem silêncios do autor, desperta memórias, sentimentos e sentires nos leitores. Um livro para fazer pensar, algo a que estamos a ficar desabituados de fazer – pensar por nós próprios.

De todas as pessoas que leram a tua obra, qual aquela que mais te marcou? Porquê?
- De todas as pessoas que leram a minha obra as que mais me marcaram foram três. A minha mãe, que me metamorfoseou de “escrevinhador de palavras” para escritor. O meu pai, que com apenas a 2º ano (antiga 2ª classe) compunha versos e poemas de memória com uma facilidade estonteante, e pouco sabia ler ou escrever; e uma menina que um dia conheci numa livraria, cujo nome apenas fiquei a saber chamar-se Leonor, a quem ofereci o livro “O Menino que Sonhava com as Letras”. Esta criança, de cabelo castanho, olhos igualmente castanhos de um brilho enternecedor, teria na altura cerca de 7 anos, um dia sentou-se no chão ao meu lado e começou a ler um livro, após alguns minutos o pai chamou por ela para saírem da livraria. Via-se que aquela criança adorava os livros, tinha sede de conhecimento e subitamente pediu ao pai para lhe comprar um livro. O pai recusou argumentando que não tinha dinheiro, ao que ela retorquiu dizendo «o pai não tem dinheiro par me comprar um livro mas para tabaco tem…» Aquele queixume caiu sobre mim como uma bomba. Abordei então aquele pai e perguntei se me autorizava a que oferece-se um livro à Leonor, inicialmente o senhor recusou, julgando, certamente, que me propunha a comprar o livro. No entanto, disse que era o meu livro que pretendia oferecer e que tinha comigo dentro de um pequeno saco. As pessoas ali presentes tal como eu ficámos expectantes a aguardar qual iria ser a resposta, e o senhor aceitou. Foi então que autografei o livro e entreguei à Leonor. Aqueles pequeninos braços envolveram o meu pescoço e fui premiado com um abraço e um beijinho. Até hoje nunca mais tive o prazer de reencontrar essa menina e o pai naquele local. Este episódio está relatado neste meu mais recente livro O Silêncio das Palavras – Fragmentos de Mim.

Quais os trabalhos que já realizaste no âmbito da escrita, para além destas obras?
- Para além destes meus quatro livros publicados já participei em cinco antologias poéticas Luso-Brasileiras, uma enciclopédia bilingue de autores Luso-Francesa, duas obras poéticas com vários autores em Portugal, entre várias crónicas e artigos publicados em revistas literárias e culturais no Brasil e Suíça.

A tua escrita é ficcional ou tem conotação pessoal?
- A minha escrita, até ao momento, para além de ter uma conotação com factos reais tem também com experiências pessoais. No entanto tenho alguns dos meus textos onde a ficção e a realidade se entrecruzam convidando o leitor a partir à descoberta do que é real ou ficcional, podendo uma e outra coisa serem a mesma. Mas, é como já referi, sendo o escritor, obrigatoriamente, um espirito observador e atento, um acontecimento real pode ser ficcionado ou não e vice-versa.

Como encaras o processo de edição em Portugal?
- Pergunta perigosa (risos). O processo editorial em Portugal evoluiu muito nos últimos anos, Porém, com ele também evoluiu muito oportunismo, falta de ética e respeito para com o trabalho do autor. É um tema que, por si só, é delicado. Não só porque tem muitos profissionais que são honestos, íntegros, trabalham com ética e amor à arte da escrita, mas também tem muitos que só pensam em enriquecer e fazer dinheiro com o talento dos autores. É como em todas as profissões. Por exemplo: Uma editora que simplesmente não acusa o recebimento do original de um autor, mesmo que este seja de fraca qualidade literária ou não se enquadre na sua linha editorial, demonstra uma atitude reprovável e pouco ética. Podem argumentar que recebem milhares de originais para avaliar, mas, com a atitude do silêncio só demonstra desrespeito, indiferença, abre portas a que, outras editoras se aproveitem e iludam o autor sobre a qualidade do seu trabalho. Temos também situações de extraordinários autores ainda desconhecidos com obras soberbas de excecional qualidade literária que, são publicadas, e bem, por pequenas editoras mas depois não têm a devida visibilidade no mercado livreiro. Então caímos no absurdo de ter autores conhecidos que o marketing “fabrica” com qualidade duvidosa a vender muito, e outros autores desconhecidos de extraordinária valia que não conseguem ter os seus livros nas montras das livrarias. É evidente que tudo se move em torno do lucro, do dinheiro, de interesses e lobbies do mercado. Mas, quanto a esta questão fico-me por aqui, para não ferir suscetibilidades de gente com egos inflamados. Um livro até chegar às mãos de um leitor passa por um processo de elaboração muito complexa. Começa logo pelo tempo, o processo criativo, a pesquisa, a reflexão, o estudo e talento do autor para produzir escrita, o registo da obra para a proteção dos direitos autorais que é um valor que nem vou divulgar, é absurdo! O processo de revisão, paginação, capa, etc., impostos, divulgação, distribuição, enfim, tudo isto, para ser feito com rigor e profissionalismo demora meses ou mesmo anos. Já para não falar do orçamento que é atribuído pelo estado à cultura que, diria é anedótico, ofensivo de tão diminuto que é. E se levar-mos em conta que muitos dos turistas que visitam Portugal cruzam as nossas fronteiras para conhecerem a nossa cultura, então, deixa de ser ofensivo para ser vergonhoso. Mas vamos a outro aspeto. Na maioria dos casos o escritor só vê ressarcido o valor do seu trabalho anos depois. Se os leitores soubessem que, dependendo do livro que escreve, o escritor (não todos) em média recebe por cada livro um euro, já podem imaginar quem faz fortuna com a criatividade e o talento dos Escritores/Poetas/Romancistas/Novelistas. Acho que já falei demais e muito ainda fica por dizer. Aos que lerem esta entrevista desculpem a minha frontalidade. Não posso faltar à verdade numa matéria que é tão sensível.

Além da escrita, que outras paixões, nutres que te completam enquanto pessoa?
- As outras paixões que me preenchem enquanto pessoa é acompanhar o crescimento e evolução dos meus filhos, estar em família, viajar, conhecer outros locais outras culturas, conhecer trabalhos de outros colegas, ajudar o meu semelhante dentro das minhas possibilidades, honrar os meus compromissos, sonhar, amar, escutar o silêncio e o que ele tem para me dizer, observar a natureza, ouvir o mar, sentir o cheiro da terra molhada, não esquecer que um dia fui criança e, embora não seja apenas estas as coisas que me preenchem, manter bem viva a minha consciência humana.

Já foste condecorado com diversos prémios nacional e internacionalmente. Quais foram eles?
- Já fui condecorado e homenageado no estrangeiro! Em Portugal ainda não. Talvez, um dia, quando for quase, quase, quase… prémio Nobel de Literatura isso desperte a consciência nacional para o meu trabalho literário (Muitos risos). Das condecorações que recebi destaco A medalha de Mérito Cultural Austregésilo de Atayde - Em prol do engrandecimento da Cultura Luso – Brasileira – no Rio de Janeiro; Condecorado com a Comenda Honorifica Barão de Ayuruoca - Instituto Cultural Barão de Ayuruoca pelos relevantes serviços prestados à Cultura e bem-estar de toda a Sociedade Luso-Brasileira; Condecorado com a Comenda da Paz Nelson Mandela - Por Serviços Prestados à Humanidade, através da INFLUÊNCIA INTELECTUAL, CIENTÍFICA E ARTÍSTICA – em São Paulo; Condecorado com a Comenda Honorifica Conde Phellipe Cheverny - França – em Honra e Reconhecimento de Valor Artístico; Agraciado com a medalha e diploma no Grau de Embaixador Cultural da Divine Académie Française des Arts Lettres ets Culture – Paris. Tenho a honra e o privilégio de ser membro em algumas academias de letras e organizações culturais em Portugal, Brasil e França.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
- Gosto de abordar quase todos os temas exceto temas de ordem politica e religiosa. Tenho obviamente as minhas convicções mas não faço na minha escrita, por agora, abordagens nessas vertentes.

Para quando, os teus leitores, poderão esperar um novo livro?
- Uiii…! Para quando um novo livro?! Por agora estarei a trabalhar na divulgação e promoção deste meu último livro «No Silêncio das Palavras – Fragmentos de Mim». Estarei presente num painel de escritores na VII Edição da Bienal de Culturas Lusófonas em Odivelas no dia 24 de Maio. Dia 25 farei a apresentação deste meu trabalho literário com sessão de autógrafos também no mesmo evento. Depois, embora ainda careça de confirmação, estarei na Feira do Livro de Lisboa. Mas posso adiantar que, estou a preparar mais uma surpresa. Embora já tenha várias obras escritas de alguns anos que ainda não foram publicadas, esta necessidade e prazer da escrita, o ocupar algum do meu tempo como um passatempo a escrever, obriga-me a ter sempre por perto caneta e papel.

Imagina a tua vida sem a escrita, como seria?
- A minha vida sem a escrita simplesmente não seria! Não me imagino sem escrever e não imagino o mundo sem livros. Neste meu livro «No Silêncio das Palavras- Fragmentos de Mim deixo bem claro essa minha disposição quando digo em alguns textos, e passo a transcrever: «Em tudo o mais que agora artesão das letras deixo por aventurar ao mundo, perdura o lamento do que o esquecimento me roubou.» Ou esta frase «Escolho ser escritor, mesmo que à fome isso me obrigue».

Apenas numa palavra, descreve-te:
- Pedir a um escritor e poeta para se descrever numa só palavra é amordaçar o seu grito. É como pedir ao universo que se represente numa só partícula. Eu diria que me descrevo como um ser único e irrepetível nesta complexa imensidão do universo que nos comporta, nesta infinidade de matérias e não matérias. 


Podes conhecer melhor autor através da sua página no Facebook (AQUI) e lê a crítica ao livro "No Silêncio das Palavras" publicada pelo blogue (AQUI)

domingo, 24 de fevereiro de 2019

O Valor da Vida de Litas Ricardo

“O Valor da Vida” (COMPRAR AQUI) é um livro da autoria de Litas Ricardo. Nele,
acompanhamos Sílvia, uma mulher, bonita e com grande sentido de perseverança, ao longo da sua vida. 

Nas primeiras páginas conhecemos Sílvia, ainda muito jovem e grávida do primeiro filho, no entanto, Sílvia ainda não casou, e o choque de realidade que é uma mãe solteira, numa sociedade ainda muito conservadora é o mote pelo qual se inicia este romance.

Com o apoio de Nando, o seu amor, ultrapassam aquela que seria, aos olhos alheios, uma dificuldade, e assim prosseguem a sua vida.

Através de um relato bastante intimo e pautado por vários diálogos, esta história é narrada em primeira pessoa pela própria Sílvia.

Não me vou alongar nesta critica porque, de contrario, teria de dar pormenores sobre a história que acredito que tenham mais impacto para o leitor que se atreve a lê-la, sem os saber antecipadamente.

A escrita da autora é muito simples e direta, marcada por sentimentos e emoções que nos transmite através das suas palavras. 

Esta história é a de Sílvia, mas poderia ser a de qualquer outra mulher, e é isso que a torna interessante. 



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Na ponta dos dedos com... Catarina Fernandes Oliveira


Catarina Oliveira
Catarina Fernandes de Oliveira nasceu em 2002, em Viana do Castelo e reside em Caminha com os pais e irmã. Frequenta atualmente o 10.º ano de escolaridade do Curso de Ciências e Tecnologias, assim como, em regime supletivo, o 6.º grau do Curso Secundário de Música, do Ensino Artístico Especializado. Desde os 7 anos que toca piano, tendo participado em diversos concursos internacionais e masterclasses. É uma apaixonada por livros e uma leitora compulsiva. Nos tempos livres, para além de tocar piano e ler, gosta de escrever e é atraída por tudo o que lhe traz conhecimento. Um Lobo Nunca Abandona a Sua Alcateia é o seu primeiro livro, sendo também o início de uma saga cuja autora dará continuidade.

(fonte: Cordel d' Prata)  



Olá, Catarina. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Desde sempre adorei livros e histórias e houve um dia em que senti a necessidade de experimentar a escrita, de criar o meu próprio mundo, nos meus próprios termos. O meu próprio livro. A minha própria história.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando escrevo, sinto que o mundo para. Fico completamente sozinha com as minhas personagens. Fico extasiada com o poder que tenho sobre elas. Tal como um Deus, decido o destino de cada uma delas: se perdem, se ganham, se amam, se detestam, se vivem, se morrem… Há tantas opções e o único limite é a minha imaginação.

És ainda muito jovem. Estás agora a dar os primeiros passos nesta grande aventura que é o mundo literário. O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Desde que comecei a escrever que leio de outra forma. Tento perceber o que é que os autores fazem para tornar os seus livros especiais. À medida que aprendo com os meus autores preferidos, a compilação de opções que farei nos meus livros cresce.
Fora dos livros, a minha visão da realidade também mudou. Decoro rostos de pessoas interessantes, decoro situações que poderei transformar e fazer minhas, decoro frases espirituosas que me dizem. Mesmo aquilo que parece banal a um primeiro olhar, poderá ser especial se eu assim quiser.

Tens algum ritual de escrita?
Nem por isso. A qualquer momento e em qualquer lado posso sentar-me com o meu computador e começar a escrever.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?
Um pouco dos dois. Funciona como um passatempo na medida em que me descontraio enquanto escrevo. Sei também que provavelmente não vou ser escritora. Eu escrevo por diversão, poderá não ser o meu futuro.
No entanto, nunca passo muito tempo sem pegar no computador e sei que nunca irei deixar de escrever, por isso, também pode ser visto como uma necessidade.

Frequentas atualmente um Curso de Ciências e Tecnologias. O que te levou a enveredar por esta vertente, tão díspar das letras?
Quando escolhi enveredar pelas ciências ainda não sabia o que queria. Este curso é o que oferece mais oportunidades. Para além disso, estou também a fazer o ensino supletivo de música. Deste modo, posso escolher entre muitas áreas distintas.
Relativamente à escrita, como já referi atrás, escrevo apenas por diversão e não penso fazer disso uma carreira.

A ciência tem algum impacto no teu trabalho enquanto jovem escritora?
Claro. Sempre adorei as ciências, assim como as letras. Umas davam-me as bases para compreender a realidade, as outras deixavam-me espaço para mudá-la.
Mesmo os meus livros de fantasia têm de fazer sentido, cientificamente. Principalmente, nas cenas de ação tenho de verificar se tudo bate certo. Para além disso, o meu pai está sempre pronto a atirar-me as leis de Newton à cara quando eu ponho a minha heroína super-veloz e super-desastrada a cair para o lado errado.

Um Lobo Nunca Abandona A Sua Alcateia
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O teu primeiro livro publicado chama-se “Um Lobo Nunca Abandona a Sua Alcateia”. É o primeiro de uma saga. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
“Um Lobo Nunca Abandona a Sua Alcateia” é um livro sobre heróis e uma heroína em especial, chamada Catarina.
Ela era uma rapariga normal até ao dia em que encontrou a pulseira de safira que a arrastou para um mundo cheio de heróis, monstros, lutas e perigos.
Na sua nova escola de heróis, a UWA, ela aprendeu o que era ser uma heroína e conheceu pessoas fantásticas. No entanto, ela não era apenas uma heroína, era a descendente de Alice, e um novo inimigo vigiava-a pronto a atacar…
É um livro com muitas cenas de ação e de luta conjugadas com as situações engraçadas que uma rapariga do quinto ano especialmente desastrada tem de enfrentar.
Não percam o privilégio de conhecer a Catarina, o Noah, a Maria João e todas as outras personagens, cuja essência se encerra nas páginas do meu livro.

Como surgiram as ideias para compor o teu primeiro livro?
Não sei dizer o momento exato em que me ocorreu. Eu sempre adorei fantasia e sabia que o meu primeiro livro tinha de pertencer a esse género. Criei as primeiras personagens e a partir daí, a história foi evoluindo enquanto eu escrevia. Tenho um plano geral para a saga toda, mas o enredo de cada livro é praticamente improvisado.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Tenho recebido muitos elogios e algumas críticas construtivas em relação ao livro. Mas as minhas fãs incondicionais são miúdas do quinto ano, que se sentiram completamente identificadas com a personagem principal.

Sendo o primeiro de uma saga, podemos saber se já estás a trabalhar nos seguintes?
Quando publiquei o primeiro, já estava a fazer o segundo e atualmente, dedico-me ao terceiro. Não consigo parar. Após dois livros e meio, as minhas personagens já são como amigos de longa data e eu não estou disposta a abdicar deles tão cedo.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Se sim, quais?
Apenas pequenos projetos para a escola e workshops de escrita criativa.

Tens uma página de autor no Facebook. Consideras importante o contato com o público?
Para dizer a verdade, podia ser mais preocupada. É óbvio que considero importante o contato com o público. Afinal, eu escrevo para o público. Mas sempre me aborreci com as redes sociais e, sinceramente, sobra-me muito pouco tempo para me dedicar a isso. Normalmente, a minha mãe e a minha irmã tratam das relações públicas e deixam para mim a tarefa de escrever.

Gostas de ler? É preciso ler para escrever bem?
Ler é e sempre será a coisa que eu mais gosto de fazer. Desde que tenho memórias que me lembro de mim mesma com um livro na mão, ou a ouvir a minha mãe a ler-me histórias antes de dormir.
Sim, é preciso ler para escrever bem. Não conheço nenhum bom escritor que não tenha sido primeiro um leitor. Se não nos afeiçoarmos aos livros, porque haveremos de tentar fazê-los?

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Gosto de abordar todos os que me lembrar. Para além da minha obsessão por mudar a realidade, gosto de diversificar os meus livros. Humor, perda, luta, egoísmo, arrogância, tenho também um fraquinho por revoluções devido ao meu filme preferido (Les Miserables)…
Gosto principalmente de ser imprevisível.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Isso seria uma tortura! Não iria conseguir escolher apenas um da saga Harry Potter, a minha saga preferida. Seria como pedir a uma mãe para escolher o seu filho favorito: impossível.
Se só pudesse ler um livro para o resto da minha vida eu arranjaria uma forma de contornar as regras para levar os sete livros da saga comigo.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Apesar de os meus livros favoritos serem fantasia, eu gosto de livros de todos os géneros (menos terror). Talvez escreva ficção científica, distopia, ou ficção histórica. Sempre adorei ficção  e história e aprender sobre outros tempos. “Orgulho e Preconceito” da Jane Austen é um dos meus livros preferidos de sempre.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Mais livros. É a única coisa que prometo. Podem esperar muita ação, suspense e mistério no meu segundo livro. Quanto aos livros futuros na saga, nem eu sei o que esperar. Vou apenas continuar a improvisar.

Podes conhecer melhor a autora através da sua página de Facebook