segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Na ponta dos dedos com... Jorge Pereira


Jorge Pereira nasceu em 1974 em Bico, freguesia de Paredes de Coura. Embora não tenha concluído os estudos em tempo útil, devido ao facto de ter nascido no seio de uma família numerosa, só conseguiu completar o 12º ano mais tarde, num programa de novas oportunidades.
Isso não o impediu de concretizar o seu sonho de ser escritor e já publicou dois romances, em 2015, Amar Perdoar e Voltar a Amar, e em julho transato, a continuação, O Sonho Continua, Eu Sei que te Vou Encontrar.  
De bem com a vida e com o mundo que o rodeia, mantém um casamento feliz que o motiva e inspira.
Trabalha numa multinacional do ramo automóvel, onde assume um cargo de responsabilidade e se desafia diariamente a ser um profissional de excelência.
Para além da escrita, gosta de fazer experiências com plantas medicinais e tem conhecimentos na área da saúde alternativa, tais como Reiki, Massagem e Aromaterapia.  
Estas terapias aliadas ao seu trabalho e ao seu desejo de ser escritor, dão-lhe equilíbrio emocional, fazendo de si, um homem optimista e crente na ligação entre este mundo e o mundo celestial.

Hoje, vamos desvendar melhor este homem e escritor, através de uma conversa descontraída, agradecendo ao Jorge, desde já, por aceitar este desafio de se dar a conhecer aos meus seguidores!

Letícia Brito: Bom dia, Jorge, antes de mais, é um gosto enorme poder conhecê-lo melhor e apresentá-lo aos seguidores deste espaço, para começar, a questão que se impõe: Como é que o Jorge se iniciou no mundo das artes literárias? 
Jorge Pereira: Bom dia, Letícia, o gosto é meu e dar a conhecer a minha obra a um público desconhecido torna a minha tarefa muito mais gratificante…. Para que todos saibam eu comecei por escrever em verso, como tinha alguma criatividade fui convidado pela Chiado Editora a escrever em prosa dado que o meu conhecimento ia para além do Mundo dos versos… Aceite o desafio consegui com a minha História de vida encaixar pequenos versos, que no desenrolar do 1º livro Amar, Perdoar e Voltar a Amar deram vida um romance fictício baseado em fatos reais, onde o Ricardo e a Solange descreveram parte de um romance que desenrolou toda esta aventura…

Letícia Brito: O que é que a escrita mudou em si, enquanto pessoa? 
Jorge Pereira: Eu sou um apaixonado pela vida, já o era antes desta aventura, hoje dou valor a pequenos detalhes que até então desconhecia, com a escrita consegui aproximar-me de pessoas que vêem o MUNDO da mesma forma que eu…

Letícia Brito: E enquanto escritor, o quem tem aprendido? 
Jorge Pereira: Como escritor aprendi que a vida é uma oportunidade de aprendizagem e a escrita completa essa mesma aprendizagem. O MUNDO sem arte é pobre, e pobre é o MUNDO se não vê nele a ARTE do CRIADOR…

Letícia Brito: Em 2015 publicou o seu primeiro romance “Amar, Perdoar e Voltar a Amar”, pode falar-nos um pouco sobre ele? 
Jorge Pereira: Como falei anteriormente o meu primeiro livro, é baseado na minha História de vida, sou oriundo de uma família pobre e numerosa, onde certos valores que me foram transmitidos desde criança, fizeram de mim um cidadão atento ao MUNDO que me rodeia, fazendo da minha história, a história de muitos leitores, um romance vivido entre a Solange e o Ricardo acontece entre duas famílias de diferentes classes sociais, sendo a família do Ricardo pobre e a família da Solange uma família nobre, um romance que resiste a tudo desde mentiras, ódios, conflitos e muita paixão….

Letícia Brito: Segundo a sinopse do seu primeiro romance, julgámos estar perante uma história com cunho verídico, confirma? 
Jorge Pereira: Sim tudo acontece baseado na minha História de vida, com passagens relatadas em personagens fictícias…

Letícia Brito: Em julho publicou a continuação do seu primeiro romance, o que o motivou a dar continuidade a essa história? 
Jorge Pereira: Foi a pedido dos meus seguidores, as personagens desta minha História tinham deixado água na boca, daí que este romance pede que muita tinta seja derramada em seu nome…

Letícia Brito: Que dificuldades encontrou no processo de escrita? 
Jorge Pereira: Encontrei alguma dificuldade, já que concluí o 12º ano num programa de novas oportunidades, porque no meu tempo útil de escola tal não me foi possível, por pertencer a uma família pobre e numerosa…

Letícia Brito: Jorge, falemos um pouco da escrita a nível mais emocional, o que sente quando escreve? 
Jorge Pereira: É difícil descrever o que me pergunta, contudo sei que a escrita é um MUNDO onde eu me vou encontrar lado a lado com a realidade e o desconhecido ainda por descobrir…

Letícia Brito: O que é mais prazeroso na escrita? 
Jorge Pereira: Sem dúvida a conversa entre o desconhecido que nos entende como sendo parte daquilo que nós desconhecemos…

Letícia Brito: Tem algum ritual de escrita? 
Jorge Pereira: Sim, e ainda bem, que me faz esta pergunta, sou terapeuta de Reiki, Massagem, Fitoterapia, Aromaterapia e Massoterapia todas elas medicinas NATURAIS, por ter ficado doente e a medicina convencional não conseguiu acompanhar favoravelmente a minha recuperação, recorri à fitoterapia para curar um esgotamento seguido de uma depressão que para os médicos não tinha solução à vista, nem cura, para tal enfermidade, as ervas milagrosas fizeram de mim um cidadão apaixonado pela vida e devolveram-me não só a vontade de viver como a esperança num MUNDO onde eu me sinto cada vez mais integrado e comprometido a transformá-lo num MUNDO Muito melhor… E claro faço da minha experiência de vida um ritual  para a escrita…

Letícia Brito: Como definiria esta arte na sua vida? 
Jorge Pereira: Só tenho uma palavra para a definir (GRATIDÃO)

Letícia Brito: Tem hábitos de leitura? Considera importante ler para escrever bem? 
Jorge Pereira: Sim eu leio um pouco de tudo, desde romances, livros de história e claro livros ligados a minha área da medicina Natural, defendo que devemos ler para conhecer melhor este Mundo da arte da escrita, onde a leitura faz do leitor um crítico e conhecedor deste mesmo Mundo…

Letícia Brito: Se só pudesse ler um único livro para o resto da sua vida, qual seria o privilegiado? 
Jorge Pereira: Seria um livro que falasse de AMOR, pois o AMOR fala-nos de toda obra…

Letícia Brito: Além da escrita, que outras paixões, nutre que o completam enquanto pessoa? 
Jorge Pereira: Sem querer já respondi à sua pergunta anteriormente, contudo há algo que me falta falar, as associações e centros recreativos e culturais que fazem parte das nossas Localidades e Freguesias são para mim paixões que o tempo ainda não conseguiu apagar e que me completam como pessoa, onde sou agradecido a todos aqueles que fazem possível estas atividades mostrarem quem realmente somos…

Letícia Brito: Que temas gosta de abordar quando escreve? 
Jorge Pereira: Aquele que ler, as minhas duas obras percebe que as paixões, aventuras e o desconhecido são temas que gosto de falar, onde a relação entre este MUNDO o Desconhecido é talvez a razão principal desta nossa conversa…

Letícia Brito: Como vive o contato com o público? 
Jorge Pereira: No inicio foi complicado, foi difícil encarar o Público e falar de algo que me intimidava, a minha própria vida, depois de ver no público manifestações de respeito e carinho, tudo se tornou mais fácil e hoje sinto que pisar um palco é para mim a visão perfeita daquilo que eu havia sonhado como mensageiro.

Letícia Brito: Como encara o processo de edição em Portugal? 
Jorge Pereira: Como tudo na vida o começo é difícil, eu reconheço que foi difícil chegar até aqui, porque os principais galardões são e serão sempre para aqueles que vivem destas oportunidades de quem começa algo e os suspeitos do costume estão e estarão sempre à nossa frente…

Letícia Brito: Quais as suas perspetivas para o futuro? 
Jorge Pereira: Na verdade, tenho três paixões que me dividem e me completam, a Escrita, a Medicina Alternativa e claro a vida… eu vou tirar o máximo partido delas para ser merecedor de tal conhecimento…

Letícia Brito: Quais trabalhos já realizou no âmbito da escrita para além destes dois títulos? 
Jorge Pereira: Estes são os meus únicos trabalhos literários, contudo já cheguei a registar versos e quadras na esperança de fazer deles notas musicais, o que ainda não aconteceu…

Letícia Brito: Pretende escrever um terceiro? 
Jorge Pereira: Sim, digamos que a terceira obra está em laboratório e na devida altura irei falar dela…

Letícia Brito: Enquanto escritor, quais os objetivos que o dominam? 
Jorge Pereira: Sem dúvida tenho como missão ser um mensageiro, esse é sem duvida o meu grande objetivo…

Letícia Brito: Tal como sugere o seu mais recente romance «O sonho continua», que sonhos o movem? 
Jorge Pereira: Pela nossa conversa deu para perceber que tenho vários sonhos, mas sem dúvida a vontade em melhorar a qualidade de vida daqueles que já perderam a esperança e que esperam de nós o único suporte para voltarem a acreditar no Amor e na Felicidade vivida em cada sonho…

Letícia Brito: E para finalizar, que mensagem gostaria de passar aos seus leitores e seguidores deste espaço? 
Jorge Pereira: Apenas gostava de frisar, que cada um olhasse à sua volta e visse na pessoa que está a seu lado, seja quando trabalha, seja em momentos de lazer ou socialmente, veja nessa pessoa a sua própria pessoa dando-lhe as mesmas oportunidades que gostaria para si… A vida temos de vivê-la ao máximo, nunca esquecendo que aquele que vive seguro de si próprio, não sabe quem é, porque a vida não é de quem tem tudo, a vida é de quem nada tem…

A vida não é de graça
Com ela te vais libertar
Vê nela a esperança, onde tudo passa
Vendo nela um espírito de Amar
Quando o Sonho continua
É certo que tens vida, para não mais terminar
Ama Perdoa e Volta a Amar,
E a felicidade vais encontrar…


Letícia Brito: Agradeço a sua disponibilidade, fazendo votos de muitos sucessos para a sua carreira e vida pessoal.

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Sinopse
Esta história é inspirada no primeiro livro Amar, Perdoar e Voltar a Amar, O Ricardo e a Solange as personagens que deram vida ao meu primeiro livro numa visão daquilo que é o verdadeiro Amor conseguiram manter essa chama acesa e dar motivação para continuar um romance no qual muitos leitores se identificaram, neste 2º livro encontrei motivos de sobra para dar continuidade a um romance que irá surpreender em todos os campos, nos afectos, nos desencontros, nas traições, na família, com os amigos, na poesia dando assim razões de sobra para uma conversa entre tu que estás desse lado e alguém que vê em ti a pessoa ideal para partilhar um sonho que tu vais ajudar a encontrar...
Na continuação desta história haverá um casamento, um batizado e alguma maldade para por à prova um Amor que resiste a tudo até mesmo a uma traição armadilhada para separar dois amantes que teimam em ficar juntos lutando contra mentiras, jogos de sedução, traições difíceis de explicar onde nem a distância conseguiu separar aquilo que parecia ter um fim triste, contudo e apesar das dificuldades vividas sempre motivadas pelas desigualdades entre as duas famílias havia uma esperança de que tudo pudesse acabar bem para fazer a diferença entre as paixões que muitas histórias vividas acabam sempre em sofrimento dando razão a muitos conflitos e mentalidades do mundo que nos rodeia.
No desenrolar da história, o Ricardo tenta transmitir através dos seus actos e crenças a forma de encontrar o verdadeiro sentido da vida, trabalhando para uma vida onde a relação entre este mundo e o desconhecido pode mudar a forma de pensar de muitos leitores que procuram tal como o Ricardo o título deste livro: o sonho continua, eu sei que te vou encontrar...
Sabendo pedir, sabendo procurar e sabendo bater, ireis encontrar tudo o que precisardes, talvez o vosso querer, vos possa surpreender...

Na ponta dos dedos com... Carolina Cruz

Carolina Cruz, foto retirada da sua página no Facebook

A Carolina Cruz é uma jovem escritora, que esta arte me deu a conhecer quando me iniciei. Agora, a Carolina está prestes a publicar o seu primeiro romance, O coração vive de sorrisos, e eu tomei a iniciativa de lhe fazer algumas perguntas e apresentar-vos esta fabulosa escritora.


Letícia Brito: Como é que a escrita entrou na tua vida?
Carolina Cruz: É uma boa pergunta, uma ótima pergunta! Desde que me lembro, que escrevo e, quando digo que escrevo desde que me lembro, é verdade, lembro-me de ter 6/7 anos, mal sabia escrever e já criava livrinhos pequeninos com uma história para oferecer à minha mãe, em que eu escrevia frases e ilustrava-as, estou prestes a editar o meu primeiro livro, mas o meu primeiríssimo chamava-se “a mamã e o bebé”. É tão giro recordar isto!

L.B.: Qual o sentimento que te domina quando escreves?
C.C.: Felicidade plena! Sei que não sou a melhor escritora do mundo, que nem estou lá perto, mas sinto-me feliz por saber dominar os meus sentimentos e transformá-los em palavras!

L.B.: Tens algum ritual de escrita?
C.C.: Creio que não. A escrita surge-me e eu vou apontando as minhas inspirações (sempre que posso, a maioria das vezes surgem no carro, no trabalho também já me aconteceu e é possível parar!), irrita-me às vezes quando tantas ideias surgem, não é que isso seja de todo mau, mas a pior parte é quando não as consigo apanhar todas.

L.B.: A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?
C.C.: Necessidade, completamente. Como precisamos de água, oxigénio, também eu preciso da escrita!

L.B.: O teu primeiro romance «O coração vive de sorrisos» está quase a ser publicado! Podes desvendar-nos um pouco do que iremos encontrar nas suas páginas?
C.C.: Sim, claro que sim! Então posso dizer que não tenho apenas uma personagem principal, e não apenas uma história, mas cinco, cinco romances, cinco personagens principais, naturalmente! Aborda assuntos que, na minha opinião, são pertinentes para discutir na nossa sociedade: a deficiência, o bullying, doença mental, violência doméstica. Encontramos amor, muito amor, entre casais, família, amigos. Temos lágrimas, perdão, aventura... Prometo pôr-vos a chorar e a sorrir ao mesmo tempo!

L.B.: Como foi o processo de escrita deste teu primeiro trabalho?
C.C.: O processo deste livro foi muito interessante, porque surgiu numa altura em que estava desempregada e era voluntária num projeto de uma amiga minha (Projecto In My Shoes), em que a missão era alertar para a acessibilidade e inclusão e o meu trabalho era fazer críticas de filmes com personagens com alguma deficiência/doença mental e foi nesse momento que me despertou o sentimento de que precisamos abordar estes temas, porque por mais que vivamos numa sociedade que tem vindo a evoluir, a deficiência ainda é pouco abordada nos romances. Decidi assim, começar a escrever pequenas histórias com personagens diferentes e ia escrevendo conforme as inspirações surgissem e surgiu a ideia de criar este livro! Nunca tenho um processo estruturado, tal como não tenho nenhum ritual.

L.B.: Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
C.C.: Gosto do outro lado da moeda, também sou uma leitora voraz! Adoro música, cinema, teatro, sou apaixonada pelas artes!

L.B.: Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
C.C.: Gosto de abordar de tudo um pouco, mas o amor é a minha praia.

L.B.: Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
C.C.: O Principezinho

L.B.: Quais as tuas perspetivas para o teu futuro enquanto autora?
C.C.: Como costumo dizer não gosto de criar muitas expectativas para que elas não saiam de todo furadas, sei que é uma área difícil de singrar no nosso país, mas não perco a minha esperança de que um dia eu possa fazer isto um pouco mais “a sério”, se é que me entendes. De uma certeza tenho, não vou parar de escrever nunca!

L.B.: Pensas em publicar um segundo livro?
C.C.: Ele está a ser escrito, desejo que sim, que as minhas novas personagens ganhem vida!

L.B.: Apenas numa palavra, descreve-te:
C.C.: (Esta é difícil!) Emotiva, talvez. Emotiva, envolve muita coisa. Emotiva!

Obrigada por aceitares este desafio, Carolina. Desejo-te todo o sucesso do mundo nesta nova fase da tua vida!
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terça-feira, 14 de agosto de 2018

Na ponta dos dedos com...Sofia Cortez

Sofia Cortez, fotografia gentilmente cedida pela autora

Sofia Cortez Fernandesnascida em Lisboa a 2 de maio de 1978 é residente na Rinchoa, Sintra. Licenciada em Comunicação Empresarial pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, tem ainda um mestrado em Publicidade e Marketing sobre o tema: “As bandas como marcas que constroem os novos mitos: o caso dos THE DOORS e uma pós-graduação em Marketing Management pelo ISEG. Apaixonada pela leitura e por música, e munida de uma sensibilidade única na escrita, desde 2013 que publica o blog O meu Serendipity, no qual coloca emoções, questiona o como vivemos e traz o seu olhar sobre as várias janelas pelas quais vemos e sentimos a realidade. “Devemos voltar onde já fomos felizes” é o seu primeiro livro que reúne uma mistura de temas desde acasos, descobertas, reflexões e muita partilha.

Fonte: https://cordeldeprata.pt/








Letícia Brito: Tu encontraste a escrita ou foi a escrita que te encontrou?

Sofia Cortez: Acho que foi um bocadinho das duas! Eu comecei a escrever pequenas notas no facebook, sempre andei com um caderninho na mala de um lado para outro onde apontava notas, textos, citações essas coisas mas era essencialmente para desenhar. Com o tempo, as notas e os textos foram crescendo e ganhando vida própria e aí, acho que foi o momento em que a escrita me encontrou. Já andávamos a desenvolver esta relação, mas achei que era um hobby até os meus amigos me terem sugerido criar um blog, para lerem o que escrevo. Foi ai que percebi que isto podia ser mais do que apenas um hobby

LB: Qual o sentimento que te domina quando escreves?

SC: Esta pergunta é complicada de responder. Depende do tema do que estiver a escrever, pode ser apenas um impulso para registar uma emoção que pode ser de amor, paixão, raiva, dúvida… quando estou a desenvolver o texto, o sentimento que me domina é de entrega, dedico-me ao que estou a fazer. Preocupa-me que saia clara a ideia que estou a partilhar, que consiga expressar o que pretendo e que reflita o momento.

LB: Tens algum ritual de escrita?

SC: Não, escrevo por impulso e quando tenho vontade. Se tiver compromissos, como acontece com a página 7HINK no facebook onde escrevo semanalmente, penso em vários temas e vou desenvolvendo até perceber qual o que me desperta a atenção. É um processo natural vai acontecendo.

LB: A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?

SC: Começou como um passatempo e foi-se tornado um complemento, mais do que uma necessidade. Faz-me bem, gosto de escrever é como dizem: uma espécie de catarse… despejo tudo no papel, num texto, no computador e as coisas fluem naturalmente.

LB: Geres um blog, O meu serendipity, onde escreves regularmente. Que impacto tem esse espaço na tua vida?

SC: Sim, o blog é uma coisa que gosto de fazer. Tenho implementado melhorias e quero torna-lo mais dinâmico, fazer umas alterações estruturais. É o sítio onde nasce tudo, é ali que escrevo diretamente, é a origem, a base. Dali partem os textos para as restantes plataformas, facebook e instagram. Sinto-me em casa a escrever no blog, acabou por conquistar-me. Não tinha equacionado ter um blog e achei que iria ser complicado, conseguir estar sempre a publicar ou pelo menos com alguma regularidade, mas depois tudo começou a acontecer naturalmente. Neste momento, já não me imagino sem o blog, é uma extensão do meu processo criativo.

Publicado pela Cordel D' Prata, Março 2018

LB: O teu primeiro livro Devemos voltar onde já fomos felizes foi publicado este pela Cordel D’ Prata. Podes falar-nos um pouco da sua temática e do que poderão os leitores encontrar nas suas páginas?

SC: O livro é a compilação de alguns textos do meu blog. O desafio prendeu-se com a escolha de um conjunto de textos que tivessem de algum modo um fio condutor, publico no blog regularmente desde 2013, e o livro surgiu no final de 2017, por isso o volume de textos era grande! Selecionei os textos em que o leitor se pudesse imaginar como parte integrante da história, em que pudesse rever-se nas palavras ou dedica-las a outras pessoas. O leitor poderá encontrar um conjunto de textos que falam de amor, relacionamentos, a vida, amizade, família, laços, reflexões. No fundo são um conjunto de pensamentos e histórias que podem ser lidas individualmente ou no todo, é o leitor que constrói o encadeamento de leitura que quiser, o livro dá essa liberdade.

LB: Como surgiu a ideia para esse teu primeiro trabalho?

SC: Ao acaso! Como tudo o que tem surgido em relação à escrita! Participei num passatempo da Cordel D’Prata, para compilação de textos de vários autores…e nesse processo, não fiquei selecionada para esse conjunto mas sugeriram-me publicar em livro, o que lhes tinha enviado. Nunca tinha pensado publicar nada, por isso a ideia surgiu com a sugestão da editora, só começou a ganhar forma nessa altura.

LB: Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?

SC: Sempre fui muito criativa, gosto de tudo o que tenha a ver com arte. Gosto muito de desenhar, pintar, de fotografia e gosto de juntar isto tudo. Também gosto muito de trabalhos manuais e adoro a sensação de imaginar qualquer coisa e saber que consigo fazê-la com as minhas mãos.

LB: Quais os temas que gostas – e frequentemente abordas – quando escreves?

SC: Gosto muito de escrever sobre pessoas, são a minha principal fonte de inspiração. Com elas, sobre os temas que mexem: amor, relações, família, desafios, medos…esse tipo de coisas. Sou muito observadora, aprendo muito com as pessoas com quem me dou, com as que vou conhecendo, com o que leio, com as notícias e por isso, tenho sempre garantida a minha fonte de inspiração.

LB: Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?

SC: Só um é pouco! Aceitando o desafio e como seria apenas um para o resto da vida, acho que teria de optar por literatura fantástica, um livro que me fizesse viajar, imaginar, sonhar e que mexesse comigo, ficaria com o “Os Cem anos de Solidão” do Gabriel Garcia Marquez.

LB: Quais as tuas perspetivas para o teu futuro enquanto autora?

SC: Para já continuar a divulgação do meu primeiro livro, deixá-lo crescer e ganhar forma mais um bocadinho. Procurar formas de diversificar a minha escrita e materializar ideias. O futuro logo se vê, não quero fazer planos… quero deixar as coisas fluírem.

LB: Pensas em publicar um segundo livro?

SC: É uma hipótese, sim. Já tenho algumas ideias e tenho andado a dar-lhes forma, vamos ver no que dá.

LB: Apenas numa palavra, descreve-te: 

SC: Profunda.

Obrigada à autora pela sua disponibilidade, em nome do blog e de todos os seus leitores! Fazemos voto de que a sua caminhada pessoal e profissional, seja pautada por vitórias e alegrias! Um verdadeiro sucesso!


Saiba mais sobre a Sofia através das suas redes sociais!

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Na ponta dos dedos com... Catarina Rodrigues

Catarina Rodrigues
Catarina Rodrigues é autora do título «1001 Coisas que Nunca te Disse» publicado recentemente pela Oficina do Livro. 


O livro marcou-me pela intensidade da sua história e pela sua linguagem sem filtros, forte e direta.  

Na entrevista que se segue, a Catarina partilha algumas curiosidades sobre si e a sua vida enquanto escritora.


Como é que a escrita entrou na tua vida?

CR: A escrita entrou na minha vida muito cedo. Acho que, antes de saber escrever, já escrevia. Em pequena, tinha o hábito de ficar horas e horas sozinha a observar as pessoas, as ruas, o quotidiano e lembro-me que imaginava mil histórias e pensava como seriam as suas vidas, os seus sonhos. Tinha nove anos quando escrevi a primeira história. Era sobre amizade entre uma boneca japonesa e um pessegueiro do quintal dos meus avós. Comecei a escrever histórias para os entreter durante os serões. Depois, comecei a escrever na escola para os meus colegas e professores. Sentia que as minhas histórias os divertia e emocionava. Rapidamente percebi que escrever era o que me dava mais prazer. E comecei a escrever a toda a hora e em todos os lugares.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?

CR: Liberdade! Sem dúvida. A minha escrita é a minha voz. É o meu grito de liberdade. É a escrever que me sinto real. É o meu elemento. É onde há espaço para existir. Sem medo.

Tens algum ritual de escrita?

CR: Não tenho nenhum ritual específico. Como tenho uma vida profissional muito agitada tenho pouco tempo para escrever. Escrevo sempre que encontro um bloco livre: nas pausas de almoço, enquanto espero pelos transportes públicos, nos transportes públicos. Escrevo muito à noite. Até altas horas da madrugada. É o meu momento preferido: no silêncio da noite. É quando as ideias estão mais vivas e fervilham. Gosto de sentir o papel. Mas a maioria das vezes escrevo no computador ou no bloco de notas do telemóvel para o processo ser mais eficiente. Há dias em que estou tão cansada e em que escrevo deitada na minha cama. Mesmo cansada vale a pena. Escrever vale sempre a pena. Mesmo quando não produzimos nada brilhante. Escrever é o que vale mais a pena e é o meu momento preferido do dia. Um dia sem escrever – sabe a pouco.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?

CR: Uma necessidade, sem dúvida. É a fiel companheira de anos e anos. E foi ela que me manteve viva em momentos mais difíceis. A escrita mostrou-me sempre o caminho. Com a escrita sei que há sempre um caminho novo. Posso sempre escrevê-lo. ;)

1001 Coisas que Nunca te Disse, Junho 2018
COMPRAR AQUI

Durante a leitura do teu primeiro romance «1001 Coisas Que Nunca Te Disse», perdura no leitor, a sensação de que há ali algum cunho pessoal. É verdade? Ou meramente ficção?


CR: Há um grande cunho pessoal, sim. Tem muito de mim e da minha história. Comecei a escrever o meu livro em 2013 após a rutura de um relacionamento. Foi muito duro. Dos momentos mais difíceis da minha vida. Na altura, eram apenas cartas que escrevia para ele e que um dia pensava em entregar-lhe. Mas depois o livro ganhou outra dimensão. Deixou de ser a minha história e passou a ser a história de outras mulheres. De várias mulheres. Mulheres que conheci em várias viagens pelo Mundo e que me inspiraram. Quis dar-lhes voz na minha história e garantir que não eram esquecidas. Esta história poderia ser a minha história. Ou a tua história. Somos muito mais parecidos do que julgamos e estamos todos ligados. Partilhamos histórias diferentes na mesma narrativa.  

O que gostarias de partilhar sobre o teu primeiro romance?

CR: Foi uma experiência maravilhosa. Tudo. Desde a conceção da ideia, as longas noites a escrever, o primeiro contacto com a minha editora, o trabalho que fazemos em conjunto. É emocionante lembrar-me de tudo. Escrever um romance é um caminho árduo e solitário. Cheio de aventuras. Altos e baixos e questionamentos. Mas digo com a certeza absoluta que vale a pena. Vale a pena cada minuto. Sinto-me viva e muito feliz por ver o meu livro publicado e nas mãos de outras pessoas. É maravilhoso.

Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?

CR: Para além da escrita, tenho o meu emprego a full time que também adoro e me realiza. Trabalho como business analyst na área de tecnologias da informação. Também sou formadora de soft-skills. Dou formações na minha empresa e em NGOS. Adoro desenvolver pessoas e ajudá-las a tirar o máximo partido do seu potencial. É isto que as soft-skills fazem. São skills transversais a todas as áreas profissionais que permite as pessoas evoluírem, trabalharem em equipa (o que é cada vez mais importante) e brilharem também pessoalmente.  É isto que me apaixona. Dou formações em tópicos como: presentation skills, communication, feedback, time management, conflict solving.

Sou completamente viciada em artes aéreas e pratico Pole Dance e, ocasionalmente, outros aéreos como a lira e o trapézio. Adoro. Sinto-me livre e viva. A vida é muito mais interessante de cabeça para baixo. (risos)

Também gosto muito de teatro, música e cinema. Pratiquei teatro durante muitos anos. Quanto à música, sempre fui uma cana rachada. (risos)

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?

CR: O meu tema preferido é o universo feminino. Sem dúvida que é o que me apaixona mais. Comportamento humano é o que mais me atrai e estimula. Falar de emoções, sentimentos. Falar de dor como ferramenta de crescimento. De sonhos. Da coragem de lutar. De liberdade no seu sentido mais puro e verdadeiro. Falar de temas mais provocatórios e que, por vezes, nos incomodam como o perdão, a reconstrução. De propósito e escolhas.

Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?

CR: Considero fundamental. É uma ferramenta de trabalho e de puro prazer. A leitura inspira, abre portas para novas ideias e questionamentos. E é isso que um escritor precisa. Esse estímulo que a leitura dá é delicioso. Durante a edição do livro, estive muito tempo sem ler porque receei que pudesse ficar colada a outras ideias. Agora é o que tenho mais vontade de fazer. Já tenho uma lista de livros que me recomendaram ou chamaram a atenção para colocar em dia.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?

CR: Tão difícil. Só posso mesmo escolher um? Seria possivelmente “O retrato de Dorian Grey”, um dos meus livros preferidos. Se pudesse escolher um autor seria o Kundera, sem dúvida.

Quais as tuas perspetivas para o teu futuro enquanto autora?

CR: Quero continuar a escrever. Muito, a toda a hora. Em todos os lugares! Viajar e escrever é tudo o que eu preciso.

Pensas em publicar um segundo livro?

CR: Sim, espero vir a publicar muitos e muitos livros. Livros diferentes e ousados. Que provoquem uma verdadeira revolução. Já tenho ideias para os próximos e já comecei a escrever uns rascunhos para o segundo livro.

Apenas numa palavra, descreve-te:

CR: Coragem.

Obrigada à Catarina Rodrigues pela sua simpatia e disponibilidade
Faço votos de que venham mais livros e o sucesso merecido! 

Letícia Brito

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Amaury Barroso em entrevista sobre a sua carreira literária

Amaury Barroso

Amaury Silva, apresenta-se sob o pseudónimo Amaury Barroso. Tem 47 anos, é natural de Rio Casca/MG, Brasil. Graduado e especializado em Direito. Mestrado em Estudos Territoriais (Criminologia e Direitos Humanos). É poeta,  professor e magistrado em Minas Gerais.
Já publicou alguns poemas avulsos em revistas, jornais e colectâneas, bem como 12 obras na área jurídica.
A sua obra mais recente O Livro dos Folguedos, foi publicado em 2015 com a Chiado Editora.

✍ Como te iniciaste na escrita? 
Desde criança, ainda com 11 e 12 anos comecei a escrever poemas e contos, mobilizado pelas experiências literárias escolares e tendo como ponto de partida a liberdade infanto-juvenil.

✍ Ficcionas aquilo que escreves ou os teus escritos tem também conotação pessoal? 
Tem muita conotação pessoal, ao lado do lúdico, do fantástico e da elevação. Há o reflexo de situações vividas por mim e pelos integrantes do meu círculo de relações.

✍ O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Possibilitou um maior controlo com as pressas da vida. Uma desaceleração contemplativa que permite um olhar mais comprometido com o que pode ser transformado para o bem.

✍ O que sentes quando escreves?  
Uma convicção plena de que a humanidade é uma permanente busca pela superação da nossa insuficiência.

✍ O que é mais prazeroso na escrita? 
A probabilidade de ser lido.

✍ Qual é a maior dificuldade que sentes quando estás a escrever? 
A obtenção de respostas sem a mediação do leitor. O saber que o escrito é incompleto e depende da ação do leitor. Ao mesmo tempo essa situação é o desafio que move o interesse pela escrita.

✍ Tens algum ritual de escrita?
Busco sempre um ambiente de silêncio para a escrita.

✍ Consideras a escrita uma necessidade ou um passatempo?
Um oxigénio.

✍ Como encaras o processo de edição em Portugal?
Excepcional o trabalho da Chiado ao transcender a cena europeia e proporcionar uma verdadeira aproximação entre as nações que tem o português como idioma pátrio. Fortalece a integração, a cultura, a língua para os povos desses lugares como o Brasil e a África.

✍ Estás em constante contacto com o público, como vives isso?
Sempre busco a interacção com o público. Essa aproximação é fundamental para se entender a dimensão do próprio trabalho e é decisivo contributo para a autocrítica. As redes sociais tem permitido uma ampliação significativa desse processo..

✍ O feedback é positivo?
Tenho vivido algumas situações enriquecedoras. Ainda há dias, depois de publicar o poema O Choro de Obama (o poema é uma elegia ao desarmamento) em uma rede social, um dos leitores comentou que o mote e a organização dos versos já existiam em forma orgânica e eu consegui ser o artífice de fazê-los eclodir naquele momento. Isso me levou à conclusão de que o leitor estava absolutamente certo: toda escrita existe em estado potencial.

✍ Como encaras as criticas, de foro negativo ou positivo, quando elas surgem?
Entusiasmo com as positivas, mas sem deslumbramento. Reflexão e coragem com as negativas, para não desistir da utopia que é escrever.

✍ Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Busco questões existenciais, mas a partir de situações concretas. Por isso, os temas são bem eclécticos, mas os ingredientes do amor e ódio, paz e guerra, pátria e o eu, estão sempre presentes.

✍ Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?
Sou incessante leitor. A leitura é a prática que revela o sensorial do ser humano. É o mecanismo que autoriza a sua racionalidade e o diferencia no emocional dos outros seres vivos. Sem o conteúdo da leitura nos igualamos às coisas, com ela somos sujeitos.

✍ Que livro recomendarias?
Sugiro o romance de Chico Buarque: O Irmão Alemão. Terminei a leitura há alguns dias e achei que a articulação da realidade histórica com o elemento fantástico no enredo teve um resultado extraordinário.

✍ Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
Difícil... Talvez, Em Busca do Tempo Perdido, Proust.

O Livro dos Folguedos, Chiado 2015

✍ O que gostarias de partilhar sobre as tuas obras?
Meus escritos só almejam o reconhecimento de que é pela comunicação literária que os caminhos da cultura e da arte efectivamente servem ao homem e à vida.

✍ Como tem sido a tua experiência com a tua editora?
Construímos uma boa relação de apoio e solidariedade que resulta em segurança para a construção e desenvolvimento dos projectos. O diálogo é fácil e objectivo. O resultado é satisfatório para as expectativas iniciais e tende a ser permanentemente promissor.

✍ Quais as tuas perspectivas para o futuro?
Espero poder dedicar mais tempo à literatura. Atualmente minha actividade profissional como magistrado impõe uma redução do tempo dedicado à escrita. Lógico que os novos escritos sempre continuam a ser produzidos.

✍ Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
Família e o direito.

✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores?
Quero agradecer a atenção dos amigos e reafirmar propósitos bons no sentido do estreitamento dessa amizade e maior proximidade para uma rica vivência literária.

✍ Quais os teus objectivos enquanto escritor?
Colaborar para uma visão mais leve e positiva do mundo, pessoas e da vida, enfim, contribuir para a utopia boa.

✍ Apenas numa palavra, descreve-te:
Libertário.