terça-feira, 14 de agosto de 2018

Na ponta dos dedos com...Sofia Cortez

Sofia Cortez, fotografia gentilmente cedida pela autora

Sofia Cortez Fernandesnascida em Lisboa a 2 de maio de 1978 é residente na Rinchoa, Sintra. Licenciada em Comunicação Empresarial pela Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa, tem ainda um mestrado em Publicidade e Marketing sobre o tema: “As bandas como marcas que constroem os novos mitos: o caso dos THE DOORS e uma pós-graduação em Marketing Management pelo ISEG. Apaixonada pela leitura e por música, e munida de uma sensibilidade única na escrita, desde 2013 que publica o blog O meu Serendipity, no qual coloca emoções, questiona o como vivemos e traz o seu olhar sobre as várias janelas pelas quais vemos e sentimos a realidade. “Devemos voltar onde já fomos felizes” é o seu primeiro livro que reúne uma mistura de temas desde acasos, descobertas, reflexões e muita partilha.

Fonte: https://cordeldeprata.pt/








Letícia Brito: Tu encontraste a escrita ou foi a escrita que te encontrou?

Sofia Cortez: Acho que foi um bocadinho das duas! Eu comecei a escrever pequenas notas no facebook, sempre andei com um caderninho na mala de um lado para outro onde apontava notas, textos, citações essas coisas mas era essencialmente para desenhar. Com o tempo, as notas e os textos foram crescendo e ganhando vida própria e aí, acho que foi o momento em que a escrita me encontrou. Já andávamos a desenvolver esta relação, mas achei que era um hobby até os meus amigos me terem sugerido criar um blog, para lerem o que escrevo. Foi ai que percebi que isto podia ser mais do que apenas um hobby

LB: Qual o sentimento que te domina quando escreves?

SC: Esta pergunta é complicada de responder. Depende do tema do que estiver a escrever, pode ser apenas um impulso para registar uma emoção que pode ser de amor, paixão, raiva, dúvida… quando estou a desenvolver o texto, o sentimento que me domina é de entrega, dedico-me ao que estou a fazer. Preocupa-me que saia clara a ideia que estou a partilhar, que consiga expressar o que pretendo e que reflita o momento.

LB: Tens algum ritual de escrita?

SC: Não, escrevo por impulso e quando tenho vontade. Se tiver compromissos, como acontece com a página 7HINK no facebook onde escrevo semanalmente, penso em vários temas e vou desenvolvendo até perceber qual o que me desperta a atenção. É um processo natural vai acontecendo.

LB: A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?

SC: Começou como um passatempo e foi-se tornado um complemento, mais do que uma necessidade. Faz-me bem, gosto de escrever é como dizem: uma espécie de catarse… despejo tudo no papel, num texto, no computador e as coisas fluem naturalmente.

LB: Geres um blog, O meu serendipity, onde escreves regularmente. Que impacto tem esse espaço na tua vida?

SC: Sim, o blog é uma coisa que gosto de fazer. Tenho implementado melhorias e quero torna-lo mais dinâmico, fazer umas alterações estruturais. É o sítio onde nasce tudo, é ali que escrevo diretamente, é a origem, a base. Dali partem os textos para as restantes plataformas, facebook e instagram. Sinto-me em casa a escrever no blog, acabou por conquistar-me. Não tinha equacionado ter um blog e achei que iria ser complicado, conseguir estar sempre a publicar ou pelo menos com alguma regularidade, mas depois tudo começou a acontecer naturalmente. Neste momento, já não me imagino sem o blog, é uma extensão do meu processo criativo.

Publicado pela Cordel D' Prata, Março 2018

LB: O teu primeiro livro Devemos voltar onde já fomos felizes foi publicado este pela Cordel D’ Prata. Podes falar-nos um pouco da sua temática e do que poderão os leitores encontrar nas suas páginas?

SC: O livro é a compilação de alguns textos do meu blog. O desafio prendeu-se com a escolha de um conjunto de textos que tivessem de algum modo um fio condutor, publico no blog regularmente desde 2013, e o livro surgiu no final de 2017, por isso o volume de textos era grande! Selecionei os textos em que o leitor se pudesse imaginar como parte integrante da história, em que pudesse rever-se nas palavras ou dedica-las a outras pessoas. O leitor poderá encontrar um conjunto de textos que falam de amor, relacionamentos, a vida, amizade, família, laços, reflexões. No fundo são um conjunto de pensamentos e histórias que podem ser lidas individualmente ou no todo, é o leitor que constrói o encadeamento de leitura que quiser, o livro dá essa liberdade.

LB: Como surgiu a ideia para esse teu primeiro trabalho?

SC: Ao acaso! Como tudo o que tem surgido em relação à escrita! Participei num passatempo da Cordel D’Prata, para compilação de textos de vários autores…e nesse processo, não fiquei selecionada para esse conjunto mas sugeriram-me publicar em livro, o que lhes tinha enviado. Nunca tinha pensado publicar nada, por isso a ideia surgiu com a sugestão da editora, só começou a ganhar forma nessa altura.

LB: Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?

SC: Sempre fui muito criativa, gosto de tudo o que tenha a ver com arte. Gosto muito de desenhar, pintar, de fotografia e gosto de juntar isto tudo. Também gosto muito de trabalhos manuais e adoro a sensação de imaginar qualquer coisa e saber que consigo fazê-la com as minhas mãos.

LB: Quais os temas que gostas – e frequentemente abordas – quando escreves?

SC: Gosto muito de escrever sobre pessoas, são a minha principal fonte de inspiração. Com elas, sobre os temas que mexem: amor, relações, família, desafios, medos…esse tipo de coisas. Sou muito observadora, aprendo muito com as pessoas com quem me dou, com as que vou conhecendo, com o que leio, com as notícias e por isso, tenho sempre garantida a minha fonte de inspiração.

LB: Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?

SC: Só um é pouco! Aceitando o desafio e como seria apenas um para o resto da vida, acho que teria de optar por literatura fantástica, um livro que me fizesse viajar, imaginar, sonhar e que mexesse comigo, ficaria com o “Os Cem anos de Solidão” do Gabriel Garcia Marquez.

LB: Quais as tuas perspetivas para o teu futuro enquanto autora?

SC: Para já continuar a divulgação do meu primeiro livro, deixá-lo crescer e ganhar forma mais um bocadinho. Procurar formas de diversificar a minha escrita e materializar ideias. O futuro logo se vê, não quero fazer planos… quero deixar as coisas fluírem.

LB: Pensas em publicar um segundo livro?

SC: É uma hipótese, sim. Já tenho algumas ideias e tenho andado a dar-lhes forma, vamos ver no que dá.

LB: Apenas numa palavra, descreve-te: 

SC: Profunda.

Obrigada à autora pela sua disponibilidade, em nome do blog e de todos os seus leitores! Fazemos voto de que a sua caminhada pessoal e profissional, seja pautada por vitórias e alegrias! Um verdadeiro sucesso!


Saiba mais sobre a Sofia através das suas redes sociais!

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Na ponta dos dedos com... Catarina Rodrigues

Catarina Rodrigues
Catarina Rodrigues é autora do título «1001 Coisas que Nunca te Disse» publicado recentemente pela Oficina do Livro. 


O livro marcou-me pela intensidade da sua história e pela sua linguagem sem filtros, forte e direta.  

Na entrevista que se segue, a Catarina partilha algumas curiosidades sobre si e a sua vida enquanto escritora.


Como é que a escrita entrou na tua vida?

CR: A escrita entrou na minha vida muito cedo. Acho que, antes de saber escrever, já escrevia. Em pequena, tinha o hábito de ficar horas e horas sozinha a observar as pessoas, as ruas, o quotidiano e lembro-me que imaginava mil histórias e pensava como seriam as suas vidas, os seus sonhos. Tinha nove anos quando escrevi a primeira história. Era sobre amizade entre uma boneca japonesa e um pessegueiro do quintal dos meus avós. Comecei a escrever histórias para os entreter durante os serões. Depois, comecei a escrever na escola para os meus colegas e professores. Sentia que as minhas histórias os divertia e emocionava. Rapidamente percebi que escrever era o que me dava mais prazer. E comecei a escrever a toda a hora e em todos os lugares.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?

CR: Liberdade! Sem dúvida. A minha escrita é a minha voz. É o meu grito de liberdade. É a escrever que me sinto real. É o meu elemento. É onde há espaço para existir. Sem medo.

Tens algum ritual de escrita?

CR: Não tenho nenhum ritual específico. Como tenho uma vida profissional muito agitada tenho pouco tempo para escrever. Escrevo sempre que encontro um bloco livre: nas pausas de almoço, enquanto espero pelos transportes públicos, nos transportes públicos. Escrevo muito à noite. Até altas horas da madrugada. É o meu momento preferido: no silêncio da noite. É quando as ideias estão mais vivas e fervilham. Gosto de sentir o papel. Mas a maioria das vezes escrevo no computador ou no bloco de notas do telemóvel para o processo ser mais eficiente. Há dias em que estou tão cansada e em que escrevo deitada na minha cama. Mesmo cansada vale a pena. Escrever vale sempre a pena. Mesmo quando não produzimos nada brilhante. Escrever é o que vale mais a pena e é o meu momento preferido do dia. Um dia sem escrever – sabe a pouco.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?

CR: Uma necessidade, sem dúvida. É a fiel companheira de anos e anos. E foi ela que me manteve viva em momentos mais difíceis. A escrita mostrou-me sempre o caminho. Com a escrita sei que há sempre um caminho novo. Posso sempre escrevê-lo. ;)

1001 Coisas que Nunca te Disse, Junho 2018
COMPRAR AQUI

Durante a leitura do teu primeiro romance «1001 Coisas Que Nunca Te Disse», perdura no leitor, a sensação de que há ali algum cunho pessoal. É verdade? Ou meramente ficção?


CR: Há um grande cunho pessoal, sim. Tem muito de mim e da minha história. Comecei a escrever o meu livro em 2013 após a rutura de um relacionamento. Foi muito duro. Dos momentos mais difíceis da minha vida. Na altura, eram apenas cartas que escrevia para ele e que um dia pensava em entregar-lhe. Mas depois o livro ganhou outra dimensão. Deixou de ser a minha história e passou a ser a história de outras mulheres. De várias mulheres. Mulheres que conheci em várias viagens pelo Mundo e que me inspiraram. Quis dar-lhes voz na minha história e garantir que não eram esquecidas. Esta história poderia ser a minha história. Ou a tua história. Somos muito mais parecidos do que julgamos e estamos todos ligados. Partilhamos histórias diferentes na mesma narrativa.  

O que gostarias de partilhar sobre o teu primeiro romance?

CR: Foi uma experiência maravilhosa. Tudo. Desde a conceção da ideia, as longas noites a escrever, o primeiro contacto com a minha editora, o trabalho que fazemos em conjunto. É emocionante lembrar-me de tudo. Escrever um romance é um caminho árduo e solitário. Cheio de aventuras. Altos e baixos e questionamentos. Mas digo com a certeza absoluta que vale a pena. Vale a pena cada minuto. Sinto-me viva e muito feliz por ver o meu livro publicado e nas mãos de outras pessoas. É maravilhoso.

Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?

CR: Para além da escrita, tenho o meu emprego a full time que também adoro e me realiza. Trabalho como business analyst na área de tecnologias da informação. Também sou formadora de soft-skills. Dou formações na minha empresa e em NGOS. Adoro desenvolver pessoas e ajudá-las a tirar o máximo partido do seu potencial. É isto que as soft-skills fazem. São skills transversais a todas as áreas profissionais que permite as pessoas evoluírem, trabalharem em equipa (o que é cada vez mais importante) e brilharem também pessoalmente.  É isto que me apaixona. Dou formações em tópicos como: presentation skills, communication, feedback, time management, conflict solving.

Sou completamente viciada em artes aéreas e pratico Pole Dance e, ocasionalmente, outros aéreos como a lira e o trapézio. Adoro. Sinto-me livre e viva. A vida é muito mais interessante de cabeça para baixo. (risos)

Também gosto muito de teatro, música e cinema. Pratiquei teatro durante muitos anos. Quanto à música, sempre fui uma cana rachada. (risos)

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?

CR: O meu tema preferido é o universo feminino. Sem dúvida que é o que me apaixona mais. Comportamento humano é o que mais me atrai e estimula. Falar de emoções, sentimentos. Falar de dor como ferramenta de crescimento. De sonhos. Da coragem de lutar. De liberdade no seu sentido mais puro e verdadeiro. Falar de temas mais provocatórios e que, por vezes, nos incomodam como o perdão, a reconstrução. De propósito e escolhas.

Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?

CR: Considero fundamental. É uma ferramenta de trabalho e de puro prazer. A leitura inspira, abre portas para novas ideias e questionamentos. E é isso que um escritor precisa. Esse estímulo que a leitura dá é delicioso. Durante a edição do livro, estive muito tempo sem ler porque receei que pudesse ficar colada a outras ideias. Agora é o que tenho mais vontade de fazer. Já tenho uma lista de livros que me recomendaram ou chamaram a atenção para colocar em dia.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?

CR: Tão difícil. Só posso mesmo escolher um? Seria possivelmente “O retrato de Dorian Grey”, um dos meus livros preferidos. Se pudesse escolher um autor seria o Kundera, sem dúvida.

Quais as tuas perspetivas para o teu futuro enquanto autora?

CR: Quero continuar a escrever. Muito, a toda a hora. Em todos os lugares! Viajar e escrever é tudo o que eu preciso.

Pensas em publicar um segundo livro?

CR: Sim, espero vir a publicar muitos e muitos livros. Livros diferentes e ousados. Que provoquem uma verdadeira revolução. Já tenho ideias para os próximos e já comecei a escrever uns rascunhos para o segundo livro.

Apenas numa palavra, descreve-te:

CR: Coragem.

Obrigada à Catarina Rodrigues pela sua simpatia e disponibilidade
Faço votos de que venham mais livros e o sucesso merecido! 

Letícia Brito

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Amaury Barroso em entrevista sobre a sua carreira literária

Amaury Barroso

Amaury Silva, apresenta-se sob o pseudónimo Amaury Barroso. Tem 47 anos, é natural de Rio Casca/MG, Brasil. Graduado e especializado em Direito. Mestrado em Estudos Territoriais (Criminologia e Direitos Humanos). É poeta,  professor e magistrado em Minas Gerais.
Já publicou alguns poemas avulsos em revistas, jornais e colectâneas, bem como 12 obras na área jurídica.
A sua obra mais recente O Livro dos Folguedos, foi publicado em 2015 com a Chiado Editora.

✍ Como te iniciaste na escrita? 
Desde criança, ainda com 11 e 12 anos comecei a escrever poemas e contos, mobilizado pelas experiências literárias escolares e tendo como ponto de partida a liberdade infanto-juvenil.

✍ Ficcionas aquilo que escreves ou os teus escritos tem também conotação pessoal? 
Tem muita conotação pessoal, ao lado do lúdico, do fantástico e da elevação. Há o reflexo de situações vividas por mim e pelos integrantes do meu círculo de relações.

✍ O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Possibilitou um maior controlo com as pressas da vida. Uma desaceleração contemplativa que permite um olhar mais comprometido com o que pode ser transformado para o bem.

✍ O que sentes quando escreves?  
Uma convicção plena de que a humanidade é uma permanente busca pela superação da nossa insuficiência.

✍ O que é mais prazeroso na escrita? 
A probabilidade de ser lido.

✍ Qual é a maior dificuldade que sentes quando estás a escrever? 
A obtenção de respostas sem a mediação do leitor. O saber que o escrito é incompleto e depende da ação do leitor. Ao mesmo tempo essa situação é o desafio que move o interesse pela escrita.

✍ Tens algum ritual de escrita?
Busco sempre um ambiente de silêncio para a escrita.

✍ Consideras a escrita uma necessidade ou um passatempo?
Um oxigénio.

✍ Como encaras o processo de edição em Portugal?
Excepcional o trabalho da Chiado ao transcender a cena europeia e proporcionar uma verdadeira aproximação entre as nações que tem o português como idioma pátrio. Fortalece a integração, a cultura, a língua para os povos desses lugares como o Brasil e a África.

✍ Estás em constante contacto com o público, como vives isso?
Sempre busco a interacção com o público. Essa aproximação é fundamental para se entender a dimensão do próprio trabalho e é decisivo contributo para a autocrítica. As redes sociais tem permitido uma ampliação significativa desse processo..

✍ O feedback é positivo?
Tenho vivido algumas situações enriquecedoras. Ainda há dias, depois de publicar o poema O Choro de Obama (o poema é uma elegia ao desarmamento) em uma rede social, um dos leitores comentou que o mote e a organização dos versos já existiam em forma orgânica e eu consegui ser o artífice de fazê-los eclodir naquele momento. Isso me levou à conclusão de que o leitor estava absolutamente certo: toda escrita existe em estado potencial.

✍ Como encaras as criticas, de foro negativo ou positivo, quando elas surgem?
Entusiasmo com as positivas, mas sem deslumbramento. Reflexão e coragem com as negativas, para não desistir da utopia que é escrever.

✍ Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Busco questões existenciais, mas a partir de situações concretas. Por isso, os temas são bem eclécticos, mas os ingredientes do amor e ódio, paz e guerra, pátria e o eu, estão sempre presentes.

✍ Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?
Sou incessante leitor. A leitura é a prática que revela o sensorial do ser humano. É o mecanismo que autoriza a sua racionalidade e o diferencia no emocional dos outros seres vivos. Sem o conteúdo da leitura nos igualamos às coisas, com ela somos sujeitos.

✍ Que livro recomendarias?
Sugiro o romance de Chico Buarque: O Irmão Alemão. Terminei a leitura há alguns dias e achei que a articulação da realidade histórica com o elemento fantástico no enredo teve um resultado extraordinário.

✍ Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
Difícil... Talvez, Em Busca do Tempo Perdido, Proust.

O Livro dos Folguedos, Chiado 2015

✍ O que gostarias de partilhar sobre as tuas obras?
Meus escritos só almejam o reconhecimento de que é pela comunicação literária que os caminhos da cultura e da arte efectivamente servem ao homem e à vida.

✍ Como tem sido a tua experiência com a tua editora?
Construímos uma boa relação de apoio e solidariedade que resulta em segurança para a construção e desenvolvimento dos projectos. O diálogo é fácil e objectivo. O resultado é satisfatório para as expectativas iniciais e tende a ser permanentemente promissor.

✍ Quais as tuas perspectivas para o futuro?
Espero poder dedicar mais tempo à literatura. Atualmente minha actividade profissional como magistrado impõe uma redução do tempo dedicado à escrita. Lógico que os novos escritos sempre continuam a ser produzidos.

✍ Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
Família e o direito.

✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores?
Quero agradecer a atenção dos amigos e reafirmar propósitos bons no sentido do estreitamento dessa amizade e maior proximidade para uma rica vivência literária.

✍ Quais os teus objectivos enquanto escritor?
Colaborar para uma visão mais leve e positiva do mundo, pessoas e da vida, enfim, contribuir para a utopia boa.

✍ Apenas numa palavra, descreve-te:
Libertário.


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

"A Melodia da Minha Alma" promete ser uma injecção forte de emoções para o leitor, descobre a mulher por detrás das palavras | Joana Brito

Joana Brito, Julho 2016
Letícia Brito ©

Joana Brito tem 30 anos, prepara agora a sua primeira obra A Melodia da Minha Alma, cujo lançamento está para breve. Concluiu o 12º ano em Económico-Social, e à parte ainda realizou outros cursos. É uma jovem pacense que reside atualmente na Costa do Marfim com o marido e a filha. 
Mãe a tempo inteiro, esposa dedicada, cuida da casa e tem pela escrita uma grande paixão. 
Joana gosta de ouvir música e gosta de cantar, embora me tenha revelado que a voz não é tão dotada quanto a criatividade que lhe inunda as veias. Afirma que de todos os passatempos que possuí, tal como ler e manter-se atualizada sobre o mundo, a escrita é o seu preferido. Um refúgio e uma diversão, assim descreveria a escrita na sua vida. Joana gosta de estar entre a família e os amigos, gosta de assistir séries e filmes e ir ao cinema. 
Nutre um carinho especial pela arte dos doces, gosta de prepará-los, decorá-los e especializou-se em diversos cursos de Cake Design.
À parte de tudo isto, o gosto por apresentar esta escritora no meu blogue, é ainda maior, tendo em conta os laços de sangue que nos unem. Uma das suas respostas surpreendeu-me e hoje partilho convosco a entrevista que lhe realizei.

✍ Como te iniciaste na escrita?
Desde miúda que escrevo, desde a escola onde escrevia cartas para as minhas amigas e fazia aqueles versos que hoje ao ler me arrancam sorrisos simples.
Escrever para mim foi sempre uma forma de me expressar, um refúgio.
Já escrevi para um Jornal concelhio Tribuna Pacense, desde cartas a artigos de opinião.
Não sei de onde surgiu esta paixão, só sei que desde que me lembro adoro escrever, brincar com as palavras.

✍ Ficcionas aquilo que escreves ou os teus escritos tem também conotação pessoal? 
Os meus textos têm de tudo, desde ficção à realidade vivida por mim. Uns são puros outros levam uma boa dose de devaneios.

✍ O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Sou uma pessoa simples, que acredita no verdadeiro amor e no poder do amor na minha vida. Sonhar é algo que a escrita me provou ser maravilhoso, porque posso passar todos os sonhos para um papel e fazer deles o que realmente queria.
Escrever mostrou-me o que o melhor da vida não tem preço.
Sou dedicada e apaixonada, muito emotiva. Acho que escrever faz sobressair esse meu lado. Sou uma pessoa de fé e mesmo que a vida me ponha à prova eu nunca desisto pois acredito sempre num amanhã melhor.

✍ O que sentes quando escreves?
Quando escrevo sinto liberdade, posso ser eu sem ser. Posso fazer do mundo, da vida e dos sentimentos aquilo que quero e acho que não existe nada melhor do que fazeres algo que te oferece tamanha sensação de liberdade.

✍ O que é mais prazeroso na escrita?
Na escrita tudo é prazeroso, escrever dá-te uma infinidade de sentimentos, dá-te o poder de amassar o papel quando algo não está do jeito que querias, dá-te o poder de inventar, de exprimir a tua dor ou felicidade. Escrever é vida.

✍ Qual é a maior dificuldade que sentes quando estás a escrever?
A maior dificuldade é quando tentas escrever e não consegues dar sentido às palavras. Acho que para qualquer escritor o bloqueio é algo de muito triste.

✍ Tens algum ritual de escrita?
Ando sempre com papel e caneta para poder passar para o papel algo que surja do nada. Para mim isso é essencial.

✍ Consideras a escrita uma necessidade ou um passatempo?
Para mim escrever é conjugar as duas coisas. Sinto naturalmente uma enorme vontade de escrever e prazer ao fazê-lo.

✍ Como encaras o processo de edição em Portugal?
Não considero fácil, deveria haver mais ajuda para os escritores, não acho que escrever um livro em Portugal seja valorizado e apoiado como deveria.

✍ Em breve estarás em constante contacto com o público, como achas que viverás isso?
Acho que lidarei de forma muito natural, simples. Ao princípio talvez não seja fácil pois não estou habituada a isto mas penso que será muito especial e prazeroso e será uma forma de me enriquecer como pessoa.

✍ O feedback é positivo?
Penso que sim. Considero que tenho tido sorte. Agradeço a todos que gostam do que escrevo e todas as suas mensagens. Significam muito para mim, pois conseguir transmitir o que escrevo e ser tão bem recebido não tem preço.

✍ Como encaras as criticas, de foro negativo ou positivo, quando elas surgem? 
De uma maneira em geral encaro bem, pois tanto as boas quanto as más significam que de alguma forma toquei o coração daqueles que seguem o que escrevo. E isso é o que realmente importa.

✍ Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Abordo um pouco de tudo mas tenho tendência para escrever sobre o amor pois é o sentimento que me move.

✍ Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?
Tenho. Mas acho que deveria ler mais. Acho que ambas as coisas estão interligadas, mas sempre podem ser feitas em separado.

✍ Que livro recomendarias?
“O Segredo”, pois é simples e de fácil leitura e ainda funciona como um livro de auto-ajuda, para mim foi muito bom.

✍ Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
Nos Braços do Vagabundo de Letícia Brito, porque identifico-me com a história e acima de tudo pelo facto de abordar temas que para mim são especiais como o amor e a depressão. Além do mais é um excelente romance que terão o privilégio de ler.

A Melodia da Minha Alma, Joana Brito
Chiado Editora
✍ O que gostarias de partilhar sobre a tua primeira obra?
Já partilhei, a capa pois ela é o meu primeiro bebé, quando a vi pela primeira vez meu coração disparou, foi muito bom ver um sonho nascer e dar os seus primeiros passo. Espero que gostem tal como eu.

✍ Como tem sido a tua experiência com a tua editora?
Tem sido boa, é novidade para mim e quero tudo perfeito e temos trabalhado em conjunto para que isso seja possível e até agora tudo muito bem.

✍ Quais as tuas perspectivas para o futuro?
Eu penso muito no futuro, às vezes acho que um pouco de mais, mas faz parte da vida sonhar e planear o futuro, se assim não fosse qual seria o sentido da nossa caminhada cá. Espero apenas ter saúde e estar com a minha família, rodeados de muito amor e quem sabe a ler o meu livro aos meus netinhos, claro que ainda falta muito e até lá espero quem sabe encher a estante da sala com mais do que um exemplar dos meus. Sonhar faz bem.

✍ Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
Adoro fazer bolos, já fiz vários workshops e é uma grande paixão. Adoro embelezar as mesas e dar-lhes sabor. Quem sabe um dia terei a minha lojinha de bolos também.

✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores?
Que nunca desistam, pode estar difícil e tudo pode parecer não ter solução, mas nunca percam a fé e a esperança. Não se cansem de dar amor pois ele é a base de tudo. E claro como sempre digo, Sejam Felizes.

✍ Quais os teus objetivos enquanto escritora?
Por agora quero que este primeiro dê certo, que toque no coração de quem o ler, quero que sintam como se fosse parte de vós. E claro, já penso noutro, mas acho que faz parte da veia de escritora, sempre com a caneta e o papel na mão e uma mente cheia ideias para passar para o papel. Espero que gostem.

✍ Apenas numa palavra, descreve-te: 
Sonhadora!

O que dizem sobre o livro...

A Melodia da Minha Alma leva-nos numa escrita de puros sentimentos. Cada palavra é sinónima de sensações vividas na flor da pele pela escritora. Escrever é muito mais que desenhar símbolos. É transportar cruamente aquilo que somos, vemos e sentimos de forma harmoniosa. Joana Brito faz isso de forma espetacular.
- André Alves Pereira, autor da obra Simplesmente, Esperança

Uma escrita muito intimista, muito cheia de amor, muita sensibilidade que nos leva a lugares recônditos e idílicos onde muitos de nós não estivemos mas que gostaríamos muito de ter estado. Falamos de um amor maior correspondido onde sempre que a distância os afasta esse amor é ainda maior e mais intenso.
Uma escrita leve, repleta de emoção que nos faz acreditar que o amor existe e é possível.
Nos dias que correm, onde o individualismo e o narcisismo são uma constante depararmo-nos com um amor assim é uma bênção.
Parabéns Joana Brito por nos brindar com esta obra que para além de enriquecer a nossa literatura, nos abre novos horizontes.
- Maria Israel, autora d'A Redenção de Guadalest

A Melodia da Minha Alma não é apenas mais um livro... é uma narrativa comovente, composta por diversos poemas que retratam vivências pelas quais muitos de nós já passamos, ou quem sabe, passaremos.
É um livro profundo, cativante, mas sobretudo muito realista.
Um livro que me fez chorar, sorrir, pensar, sonhar... que me fez recordar o passado, lidar com o presente e encarar o futuro.
Não se tratam apenas de poemas, pois a autora à sua maneira, promove ensinamentos, para que possamos "aprender" a lidar com várias situações na vida. Com vitórias e adversidades, com alegrias, com perdas e conquistas... e muito mais...
Recomendo vivamente esta obra!
- Ana de Carvalho, autora d'O destino assim o quis e Sete dias - sete contos

“É tão simples o meu amor, amo-te porque te amo…” Joana Brito consegue mostrar-nos a essência da vida através do seu infindável carinho e amor. Para ela o amor é o caminho da felicidade mais sublime, com fortes laços que a prendem eternamente à família. Cada recanto deste livro está recheado de sonhos, alegrias, lembranças e esperanças, conseguindo captar a atenção do leitor da primeira à última página.
- Lí Marta, autora de dois romances

A bloguer,
Letícia Brito.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Ana de Carvalho, autora de duas obras, prepara agora a sua terceira! | Entrevista

Ana de Carvalho

Na entrevista que deu anteriormente para o blogue revelou estar a preparar uma obra numa vertente mais solidária e baseada numa história verídica. Depois de um romance e um livro de contos infantis, o que podemos esperar desta nova obra?
Bem, desta obra podemos esperar muita coisa. Como é um livro com uma vertente solidária, espero conseguir atingir um enorme volume de vendas para poder ajudar esta criança. Espero também conseguir tocar nos corações de todos os portugueses, que comprando ou não o livro, ajudem de alguma forma a Joana. Por outro lado, pretendo ainda alertar as pessoas para o facto de existirem um número enorme de crianças com problemas de saúde, cujos pais não têm posses monetários, e que todos nós devíamos sentir-nos um pouco na obrigação de ajudar. 

✍ E título? Teremos o gosto de o desvendar agora, ou ainda o manterá no “segredo dos deuses”?
Em breve deixará de ser segredo… por isso podemos divulgar. O título é “Nicajoaninha”.

✍ Para quando está previsto o lançamento desta sua terceira obra?
Nunca se conseguem prever as datas, mas quero acreditar que não demorará muito e em breve a obra estará nas bancas.

✍ Tendo em conta que já vai a caminho do terceiro livro, como se sente e define enquanto escritora?
A nível pessoal continuo a mesma pessoa. Mas claro que a “Ana” enquanto escritora cresceu muito desde o lançamento da primeira obra. As exigências aumentaram, eu própria sou cada vez mais exigente comigo e mais crítica em relação ao meu trabalho. Começo a acreditar cada vez mais nas minhas potencialidades enquanto escritora.

✍O contacto com o público é uma constante. Lembrando que referiu na entrevista anterior que esse mesmo contacto a cativava, como tem sido viver esse contacto?
Continuo a achar o contacto com o público cativante, mas somente quando as pessoas querem realmente saber do nosso trabalho e não da nossa vida pessoal. Não vou dizer que a vertente de sermos conhecidas têm apenas coisas positivas, pois há pessoas que de uma maneira ou outra acabam por ser inconvenientes, mas de um modo geral continuo apaixonada pela escrita e pelo público.

✍ No meio em que se encontra inserida atualmente, as criticas sempre surgem, sejam elas de foro negativo ou positivo, qual o proveito que tira de ambas?
Eu não ligo muito às críticas. Sinceramente acho que os que falam mal são aqueles que nunca escreveram nada na vida, por isso, ignoro. Se as críticas forem positivas ótimo, se forem negativas feitas por alguém do meio e com juízo de causa para falar, aceito muito bem e procuro melhorar. Se for daqueles que pouco ou nada percebem, não ligo… a inveja é tramada.

✍ A sua página oficial tem alcançado números bastante positivos, acha importante este meio de divulgação?
É verdade e agradeço a todos os que têm feito a minha página crescer. Esta divulgação é essencial, é através dela que basicamente as pessoas conhecem os nossos trabalhos, as nossas conquistas e derrotas e os nossos desabafos. 

✍ “Um dia disse: vou escrever um livro.” Foi esta frase que na entrevista anterior revelou e foi essa mesma frase que lhe deu incentivo e mostrou que era capaz de tal, imaginar-se-ia já nessa altura, a escrever outros dois?
Nesta vida aprendi que não há impossíveis. Sou uma lutadora e enquanto for viva continuarei a escrever.

✍ Como tem sido a relação com a sua editora? Recomendaria a outros autores?
A minha relação com a editora é uma relação saudável. É uma grande Editora que eu respeito, mas em que sinto que sou respeitada. Óbvio que recomendo a futuros autores, por isso, é que iniciei o meu percurso na Chiado e onde espero continuar por muitos e longos anos.

✍ Qual a mensagem que gostaria de deixar aos seus amigos, conhecidos e seguidores?
Amigos e família obrigada por tudo. Para vocês também foi uma aventura descobrir que a vossa amiga era escritora, mas eu sou assim… uma caixinha de surpresas. Aos meus seguidores, adoro-vos. O vosso apoio tem sido fundamental. As vossas palavras de carinho são a minha maior motivação. Continuem a gostar de mim, porquê eu nunca deixarei de gostar de vós.