quinta-feira, 28 de novembro de 2019

AVISO

Informamos os nossos seguidores que estamos a reformar o blogue, estaremos disponíveis e com uma nova imagem a partir do dia 1 de dezembro de 2019.

Atenciosamente,
A equipa 
Oficina da Escrita

Não Há Luz Neste Quarto, de Helga Lima

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Não Há Luz Neste Quarto é um pequeno livro de poesia da autora portuguesa, Helga Lima, publicado este mês pela Chiado Books.

Este é o primeiro livro da autora, que dá assim a conhecer o seu trabalho literário pela primeira vez, mas com a promessa de que consquitar o leitor.

Só o título já é bastante sugestivo, e a sua poesia é uma mistura de sentimentos profundos com sombras, com a tristeza que nos inunda, com a morte, a podridão, as drogas e o medo.

Mas se não há luz neste quarto, a verdade é que toda a aura sombria que povoa este livro é, paradoxalmente, recheada de uma luz que a alcança e absorve o leitor, levando-o numa viagem ao mundo interior da autora.

A sua escrita é intensa, pejada de emoção, com laivos de dor e amor, sentimentos tão díspares que nada são um sem o outro, e a autora com a mestria própria dos poetas, faz com que as suas palavras se entranhem em quem as lê.

O único defeito deste livro? Demasiado pequeno.

Senti que poderia ler mais e mais da autora, que não me iria fartar. Já expetante que estou pelo que virá depois. 

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Do Outro Lado da Ponte, de Eder Marcon

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Do Outro Lado da Ponte é um livro publicado pela Chiado Books, do autor brasileiro, Eder Marcon.

Esta obra trata-se de um romance, cuja ação decorre na segunda metade do século dezanove, numa cidade a Noroeste da Sicília.

Nesta narrativa acompanhamos o pequeno Gino, um menino que após ficar órfão é criado com pais adotivos que tudo fazem para o proteger.

Através de uma narrativa coesa, bem construída e de uma profundidade incrível somos levados por Gino numa viagem ao nosso próprio subconsciente, quando o subconsciente do protagonista é colocado à prova nesta obra.

Assim, ao encontrar o ser do outro lado da ponte que o vai guiando numa descoberta interior, aflorando os seus sentidos, a busca pela maturidade e o moldar do seu caráter ainda jovem, é colocada a questão: quem é a pessoa do outro lado da ponte?

Com uma linguagem muito polida e clara, com uma história poderosa sobre o amor, a amizade e o autoconhecimento, este livro segue para um nível mais profundo, absorvendo o leitor, fazendo-o refletir e até sonhar.

Gostei da obra, de um modo geral, e fica aqui a recomendação de leitura. Parabéns ao autor pelo trabalho que conseguiu cumprir com mestria através da sua escrita.


domingo, 24 de novembro de 2019

O Que Faria Se Ganhasse O Euromilhões?, de Eduardo Figueiredo

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O Que Faria Se Ganhasse O Euromilhões? é um livro do autor português, Eduardo Figueiredo, publicado em fevereiro pela Emporium Editora

Trata-se de uma obra pioneira em Portugal, onde o autor reúne uma série de pesquisas feitas ao Euromilhões desde que o mesmo apareceu em Portugal. 

Através dessas pesquisas, Eduardo apresenta-nos numa espécie de "guia prático", dicas e combinações para conseguirmos alcançar um prémio no Euromilhões. 

Não se trata de uma fórmula mágica que garantirá o futuro prémio do leitor, contudo, ao aliar um conjunto de ideias às quais o autor chegou através da sua pesquisa, temos a possibilidade de aceder a ficheiros inéditos que nos permitirão saber o histórico de todas as chaves do Euromilhões. O autor disponibiliza também uma macro para calcular potenciais combinações. 

Ao longo da obra que, por sinal, não é longa, Eduardo vai mostrando chaves, mostrando a quantidade de vezes que saíram, os números que não saem há mais tempo, e dá-nos assim várias dicas para jogar e apostar.

A linguagem do autor é simples e direta, quase que parece que o mesmo conversa com o leitor ao longo das páginas. Por fim, a verdade é que o Euromilhões será sempre uma questão de persistência combinada, é claro, com a sorte. 

Achei que o livro levantaria de facto questões ao leitor, fazendo-o pensar sobre o que faria se ganhasse o Euromilhões e esta pequena e simples questão não foi aprofundada tal como julguei que seria, sobretudo se tivermos em conta o título da obra. 

No entanto, trata-se de uma obra interessante, com uma abordagem diferente, pioneira no nosso país e com um toque leve de humor do autor, que confere um tom muito natural à leitura, e que não maça o leitor, tratando-se pois, de um livro de poucas páginas.

Porque, efetivamente, o que faria o leitor deste post se ganhasse o Euromilhões?

Aproveita e saiba como fazer parte da maior Sociedade de Apostas Portuguesa, acedendo ao post "E se tivesse o segredo para ganhar o Euromilhões?" ou contacte o autor para mais informações AQUI

Na ponta dos dedos com... Helga Lima

Helga, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Antes de mais, agradeço o convite para esta entrevista.  
Comecei a escrever desde que aprendi a escrever corretamente. Por volta dos 7 ou 8 anos, comecei a compor poesia, ainda com um caráter bastante pueril. Apenas escrevia quadras e pouco mais. No entanto, um poema que escrevi, dedicado à minha professora primária, foi exposto na escola, ficando na parede da entrada por vários anos. Na adolescência continuei a escrever, ao ponto de tornar-se uma adição. Escrevia poesia, mas também, a toda a hora, uma espécie de vida paralela à que eu vivia – eram narrativas e diálogos ínfimos, que me fizeram perder a noção da realidade. Na época, durante os anos do liceu, os professores pensavam que eu tirava apontamentos, quando na realidade eu estava a escrever o que eu apelidei de “a minha outra vida”. No fundo era uma vida que eu fantasiava ter. Escrevia em qualquer papel que apanhasse, em cadernos, a ponto de ter junto caixas pesadas, carregadas com a “minha outra vida”. Nunca ninguém viu ou verá esses escritos. Destruí-os, anos mais tarde, já quando eu tinha cerca de 30 anos de idade.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Depende muito do estado de espírito, já que tenho alterações de humor, como muitas pessoas. Mas tenho tendência para escrever nos meus momentos de maior melancolia, tristeza, raiva e desolação. O inconformismo também é um sentimento bem presente na minha escrita, assim como a morte.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Não consigo ter a perceção de mudança em mim, enquanto produtora de escrita, já que escrevo desde que o sei fazer. No imediato, a escrita é, basicamente, terapêutica. É uma necessidade, tal como respirar o é – de isso estou segura.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Enquanto escritora, tenho aprendido que existe um público bastante restrito para o meu tipo de escrita. Não é de fácil compreensão - não porque recorra a vocabulário demasiado erudito, pelo contrário, mas sim porque sinto que o que escrevo é bastante ambíguo.  Enquanto leitora, aprendi muito mais além disso, mas isso já se trata de adquirir conhecimento e viagens mentais que, por vezes, são apenas viagens só de ida. 

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Como já referi, a escrita é, realmente, uma necessidade. É com as palavras e sons que exorcizo os meus demónios. Para eu ter o mínimo de sanidade mental, sou obrigada a escrever. E como dizia Rainer Maria Rilke, um dos meus poetas de eleição, “Basta sentir que se poderia viver sem escrever, para já não ter o direito de o fazer”.

Estudaste Línguas e Literaturas Europeias. Esta formação teve algum impacto na tua escrita?Definitivamente, sim. Na Licenciatura de Línguas e Literaturas Europeias, tive acesso a escritores e obras que, provavelmente, nunca iria conhecer se não frequentasse o curso. E, com este, veio a paixão pela linguística, pela fonética, pelas ciências da linguagem – coisa que originou uma outra musicalidade à minha escrita. E claro, estudando aprofundadamente certos autores, fez com que a minha escrita recebesse algumas influências, o que considero normal.

Contudo, a par da escrita também fazes traduções e legendagens, além de outros projetos pessoais de áreas dispares, segundo a tua biografia. Como relacionas estas áreas entre si?
As traduções, as legendagens, a produção de música, as aulas que já dei… – tudo está relacionado com a escrita e com o conhecimento. Neste momento, por exemplo, trabalho com um canal de TV, de desportos radicais. Até isso me pode inspirar para contar uma história, elaborar um poema ou, simplesmente, divagações noturnas, como eu gosto de chamar. Resumindo, todos os meus projetos e trabalhos estão relacionados com a escrita, com a linguagem. Aliás, o ser humano não vive sem a linguagem, seja ela na escrita ou outros códigos de linguagem, como os gestos, o vestir, sinais de trânsito, música… tudo é linguagem!

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Este mês é publicado o teu primeiro livro de poesia com um título bastante sugestivo,
Não Há Luz Neste Quarto. Podes falar-nos um pouco sobre ele?

O “Não há Luz neste Quarto” foi escrito em muitos quartos, onde eu já não via a chamada “luz ao fundo túnel”. É um livro misto, onde se pode encontrar poesias, crónicas e prosa poética. São gritos meus, em busca de respostas que não existirão nunca. São contemplações do mundano, da decadência, dos meus estados de ansiedade e depressão, e da forma como lido com o amor e com a sexualidade. É um livro carregado de sentimentos obscuros, ainda que contenha homenagens, de caráter mais límpido e alegre, aos lugares onde vivi – nomeadamente, em Andaluzia. Irei considerar, sempre, o Sul de Espanha como minha segunda casa. Mas, maioritariamente, é um livro sobre os meus estados mais decadentes, com uma originalidade e musicalidade diferentes do habitual.

O que te motivou a seguir este registo literário?
Este registo literário é parte de mim. Não poderia tê-lo feito de outra forma, pois esta mesma forma é que tomou controlo sobre mim, e não ao contrário. A poesia, seja ela em prosa, em sonetos, em desenhos até, é intrínseca à minha pessoa. Os sons, os fonemas, a estrutura de uma obra literária… tudo isso me atraí e gosto de compor baseada nesses conceitos. É algo incontrolável e autómato. 

Como achas que será a reação dos teus leitores face a este trabalho?
A reação das pessoas, face a esta obra, pode ser uma surpresa ou não. Há pessoas que irão adorar, outras que irão odiar, como com todo o tipo de produção artística. Quando escrevo não o faço para outros, senão para mim mesma. Assim que, esperemos para ver.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Essa hipótese é quase dolorosa! Consigo desfazer-me de tudo, menos de livros! Mas, a ter que ser, e nesta fase da minha vida, escolheria um clássico – “O Monte dos Vendavais” de Emily Brontë -  por razões pessoais, porque considero ser uma das mais belas histórias da época vitoriana, e por interesse académico na vida das irmãs Brontë.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Gostaria muito de escrever peças de teatro, já que também é um género literário ao qual recorro, muitas vezes, para leitura e deleite. 

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Os meus leitores poderão esperar muitas mais publicações minhas, enquanto eu puder. Tenho já um conto escrito, ainda em fase de avaliação de uma editora. É um conto realista, que aborda a promiscuidade, a realidade de bastantes mulheres que se escondem na sombra de um ser que não querem ser. O conto tem um fim surpreendente e cáustico. A par disso, tenho também um conto de Natal a ser publicado numa Antologia de Natal, ainda este ano. 

Descreve-te numa palavra:
Sensível. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Marte morreu porque os Marcianos quiseram!, de Alper Pereira

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Marte morreu porque os Marcianos quiseram! é um livro do autor brasileiro, Alper Tadeu Alves Pereira, que foi entrevistado aqui no blogue, recentemente.

A narrativa começa de uma forma extremamente apelativa, questionando a vida, os Marcianos e a nossa existência enquanto Ricardo, o protagonista, bebe um copo com o amigo António, que chora e questiona o facto da vida ser uma "merda".

Logo depois, Ricardo começa a apresentar-se e a introduzir o leitor à sua família, à sua infância, ao seu crescimento e ao meio onde este se encontra inserido. 

O livro é, na verdade, uma metáfora. O próprio título pode enganar o leitor, mas a verdadeira descoberta é feita durante a leitura da obra: os Marcianos somos nós. 

Este é um livro complexo, que requer atenção durante a leitura para que não percamos "o fio à meada", contudo, trata-se de uma obra muito interessante, com uma escrita diferente, apelativa e repleta de humor, que agrada ao leitor e o faz rir, questionar e refletir.

Ao acompanharmos o Ricardo, protagonista que narra a história em primeira pessoa, vamos conhecendo a sua vida, vivendo as suas aventuras e desventuras, não apenas no meio familiar, mas também social e profissional, acredito que seja importante referir que Ricardo é um advogado, e as suas vivências acabam por se relacionar diretamente ao meio com o qual priva diariamente.

Um livro com uma narrativa descontraída, embora complexa, que incita à reflexão de uma forma agradável e bem-humorada.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Sonhos da Noite, de Jorge Guimarães

Sonhos da Noite (COMPRAR) é um romance da autoria de Jorge Guimarães, autor que já foi entrevistado cá no blogue e cujas obras têm sido muito acarinhadas pelos seus leitores.

Sonhos da Noite acompanha a história do jovem Ramiro, que trabalha numa fábrica de colas. Ramiro gosta de se divertir, de sair à noite, de dançar, de aproveitar a vida. 

Numa dessas saídas para a discoteca "La Paloma", derramou cerveja sobre uma rapariga, a Mara, que devido aos estudos se encontrava na sua cidade temporariamente.

Foi através deste encontro casual que Ramiro e Mara se apaixonam e é assim que vamos acompanhando a sua relação amorosa, que embora tenha começado de uma forma um pouco precipitada, parece ter tudo para funcionar e os manter juntos.

A obra do Jorge fala de temas bastante pertinentes à nossa sociedade, foca, sobretudo, as relações na juventude, a vida que os jovens levam, a forma como se divertem e interagem entre si.

Gostei particularmente da linguagem do autor, extremamente acessível, simples e direta, que aliada a uma narrativa concisa e bem delineada, demonstra não apenas o talento do autor, como a sua incrível imaginação.

A obra está disponível na Amazon, e recomendo-a por estas razões. Acredito que é importante a leitura de autores nacionais, porque temos bons autores por cá também e não há dúvida de que o Jorge Guimarães é um deles.


Na ponta dos dedos com... Layde Valério

Layde, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Desde pequena que tenho o gosto pela leitura. Sempre me fascinou as diversas formas de como as pessoas reagem há vida e, mostram ao mundo aquilo que são quando estão sós. Desde que comecei a rabiscar nunca mais senti solidão. Então descobri que talvez fosse esse o caminho mais prazeroso para ter uma boa passagem pela terra, para um dia mais tarde quando estiver de partida poder dizer: Céus, valeu a pena.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Um sentimento de gratidão de liberdade. Encontro na escrita uma forma de expressar a minha vida interior, uma forma de mostrar ao mundo que dentro de mim existe um cantinho cheio de vida que nunca ninguém conhecerá.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Com a escrita comecei a ver o mundo de uma forma um pouco diferente. Comecei a ver o mundo tal como ele é e, como eu gostava que fosse. Isso faz-me sentir uma pessoa mais otimista e, mais segura, Fico mais próxima da minha verdade.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Aprendi a ser mais observadora, a ver, a ouvir e, a interpretar, as pessoas e as coisas de uma forma mais paciente, é muito gratificante. Acabo por ir buscar a essência de cada um. Afinal caminhamos por os mesmos caminhos, mas que na sua essência nunca se cruzaram. 

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Diria mais que foi um achado, uma descoberta que, com o tempo se tornou necessidade. Necessidade de ir cada vez mais dentro de mim.

É facto que o romance é o género literário ao qual se dedica. O que a inspira a escrever neste género?
Não escolhi género, apenas escrevo pedaços de vidas que se cruzam no meu caminho. Todos os meus romances são baseados em factos de vidas reais.

COMPRAR LIVROS

Rosas Amarelas
, Moça do Violino, A Mansão do Lago e O Reencontro são algumas das obras que já publicaste. Podes falar-nos um pouco sobre estas experiências?
Roas amarelas é o meu primeiro livro. Nunca imaginei publicar. Precisei de muita persistência por parte de familiares e amigos. É um livro sobre a amizade, o amor e, de como a família é importante na nossa vida.
A Moça do Violino: É uma homenagem ao meu pai. Um pai desesperado que procura a filha e um certo dia encontra-a na rua a tocar violino. Só a reconheceu por esse violino ser da sua família. 
A Mansão do lago: Uma menina que vai parar a um colégio depois de ter perdido os pais. Anos mais tarde descobre que afinal a sua história não era a que lhe contaram.
O Reencontro: A forma como a violência doméstica destrói os sonhos de uma jovem. Afinal nem tudo se vive na juventude.
Experiências muito enriquecedoras. Descobri a ponta do fio do novelo que me levou até ao mais íntimo de mim.

O Uivo da Loba é, contudo, a obra mais recente, lançada em setembro. Podes desvendar-nos um pouco da sua história?
O Uivo da Loba é uma história de amor e medo. Uma pessoa que tem medo de amar porque já amou muito no passado e, tem medo de voltar a amar porque teme esquecer esse amor. Até que um dia encontra a pessoa certa que o ensina a amar. Que o ensina que amar é sempre no presente. Se amou nunca deixará de amar. E vai ainda mais longe ao ponto de lhe mostrar que o amor está dentro de nós, que só o vemos nos outros porque existe em nós.

Como foi a reação dos leitores face a este projeto?
Muito boa. É muito gratificante, as pessoas procuram-me e, dizem com satisfação que se encontraram na história.

O que te motivou a escrever este livro?
Conversas do dia a dia. Pessoas que gritam desesperadas com vidas desfeitas que não sabem o que fazer. Pessoas que não aguentam mais os gritos da loba que têm dentro de si.

Continuas a trabalhar noutras obras, como é que vives a escrita?
Sim, continuo a escrever. Vivo a escrita como parte de mim.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Prefiro pedir que não me roubem esse privilégio, adoro ler. 
Só o amor é real, de Brian Weiss.

Se tivesses de escrever num género diferente do teu registo atual, a qual desafio te proporias?
Histórias infantis.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Continuar a deliciar-se a ler os meus novos romances. Pois continuo a escrever.

Descreve-te numa palavra: 
Sincera 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A Musa Pede Um Soneto, de Ramalho

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A Musa Pede Um Soneto é uma obra poética escrita pelo autor brasileiro, Ramalho, e publicada sob a chancela da Chiado Books. 

Este não é um livro muito grande, mas a sua essência é bela e absorvente, arrasta o leitor para o seu âmago e fá-lo desfrutar de uma poesia rica e marcada pelas rimas.

O autor, por sua vez, apresenta-nos a Musa, uma entidade que, segundo o mesmo, transforma e inspira os poetas, levando-os a escrever e a fazer poesia.

A obra está dividida em oitenta e cinco sonetos que o autor reuniu e partilhou com o leitor.

Os sonetos versam sobre os mais diversos temas, sendo que se focam, essencialmente, nos sentimentos, sobretudo naqueles diretamente relacionados à musa. Porém, de forma geral, toda a poesia contida nesta obra passa uma mensagem, ainda que ténue, sobre valores, sobre a beleza, sobre a paixão e a vida.

Partilho convosco um dos meus sonetos preferidos:

XXXIV
Sereno olhar, nos olhos teus existe; 
E por ser meigo, doce, sedutor, 
Poder de encantamento, assim, consiste, 
Benfazejo, formoso, com primor!

Ainda mais… nos olhos teus insiste 
A proclamar, com júbilo e louvor, 
Sincera dádiva – pra quem te assiste – 
Teu mel, que é brilho rico de valor!

Riqueza tão sublime que se aviva, 
Inovando e tornando‑se, por vez, 
Ainda mais suave… mais cativa!

A luz que vem de ti, com altivez, 
No teu olhar, (que é seiva que motiva!…), 
Ativa em mim, do sonho, todas as leis!

Este é um livro diferente, mas muito interessante, com um toque de magia, para ler e reler.

Na ponta dos dedos com... Lizia Azevedo

Lizia, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: 
Como é que te iniciaste na escrita?
A escrita entrou na minha vida inesperadamente. Meu primeiro livro foi O Poder de Domar do Grande, onde conto como fui aceita como discípula de Paulo Coelho. Ele me ensinava através de tarefas que deveriam ser cumpridas num tempo determinado, assim eram os conceitos da ordem de RAM. Todas as provas foram bem desafiadoras, exigindo de mim coragem e uma dose extra de fé. Uma delas foi fazer a peregrinação ao caminho de Santiago de Compostela. E a última tarefa, dentro daquele primeiro estágio de ensinamento, foi escrever um livro sobre minha experiência e vivência no caminho da magia e o quanto isso mudou a minha vida. A ideia era estimular e apoiar as pessoas, especialmente mulheres donas de casa e mães assim como eu, a seguirem um caminho não ortodoxo e desconhecido. A terem coragem de seguir seus sonhos!

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
A princípio me dá um pouco de angústia ao ver a página em branco. Mas depois da primeira frase, as palavras vão se formando como desenhos na minha mente, e uma sensação de plenitude me toma quando o processo criativo começa a acontecer. 

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A minha vida!!! Minha maneira de olhar as coisas do mundo e as coisas que se passam dentro de mim. Todos os fatos que acontecem comigo, em minha mente viram uma página do livro da minha vida. É fascinante o universo da criação! É transformador ser observadora de si mesma e de tudo que ocorre ao redor. É a vida na quinta dimensão de consciência!

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
A viver intensamente meu propósito de vida.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Um bem-vindo acaso, um presente de Deus! Para me tornar uma pessoa melhor.

O Caminho dos Dons é o teu terceiro livro, surgiu depois da peregrinação a Santiago de Compostela. O que te levou a escrever essa obra?
O Caminho dos Dons foi meu terceiro livro. Nele narro minha segunda grande peregrinação a Lourdes, no sul da França, onde fui em busca dos dons!

Seguiu-se um livro infantojuvenil. Como correu essa experiência?
Esse caminho me levou a conhecer um homem que fora contatado pelos nossos irmãos de outra dimensão. A partir desse contato, ele passou a ter poderes sobrenaturais. Nesse tempo que convivi com ele,  a história do livro veio pronta á minha mente. Depois, foi só colocar no papel. 

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Em julho reeditaste o primeiro, O Poder de Domar do Grande. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Ele foi editado no Brasil há tempos atrás e agora reeditado pela Chiado Books. O livro narra todos os ensinamentos que recebi de Paulo Coelho. Meu ritual de iniciação, e minha peregrinação ao caminho de Santiago,  que transformou toda a minha vida!

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
O livro é muito procurado por pessoas que tem essa mesma busca espiritual. Recebi muitas cartas pedindo aconselhamento e entrevistas para participar da ordem de RAM. Assim como também, muitas cartas de agradecimento e me parabenizando minha coragem e ousadia. 

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Além da Bíblia, o diário de um mago, que mudou minha vida!

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Um livro mais técnico de auto-ajuda, explicando o poder dos arquétipos e de magia quântica, direcionado ao despertar da consciência feminina. Para curar as feridas que o machismo nos causou.  

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
O Poder de Domar do Grande foi editado em portugal, por conta de vários pedidos de leitores portugueses. Vi nisso um sinal de que era preciso retornar à antiga tarefa. Como sou obediente a uma vontade maior, assim o fiz. 
Mencionei antes que recebo muitos pedidos de orientação de leitores que estão buscando a espiritualidade. Aviso que estarei disponibilizando meu tempo para todos que, após lerem o livro, sentirem em seus corações uma ressonância com minha energia e com esse caminho. Peço que entrem em contato pelos endereços que estão no livro.  

Descreve-te em uma palavra:  
Fé!

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Vinny Ferreira

Vinny, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: 
Como é que te iniciaste na escrita?
Bom, por conta de eu ter nascido com uma deficiência física (Paralisia Cerebral), minha infância e juventude não foi “normal”. Enquanto meus amigos brincavam, corriam e faziam coisas de criança, eu desde muito cedo, iniciei pelo caminho da leitura, que foi primordial para que me enveredasse posteriormente para a escrita. Desde pequeno escrevia cartinhas aos parentes, em datas comemorativas, algumas pequenas histórias que até participavam de concursos no colégio. E assim peguei gosto de escrever, como distração.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Um sentimento libertador. A escrita me permite que eu me faça ser ouvido. Como sou um tanto tímido para me expressar falando, encontrei na escrita uma forma segura e sólida para passar minha mensagem. Seja do que penso, ou do que sinto. Além disso, posso ser quem eu quiser ser, enquanto escrevo. Então, em uma palavra, gosto de dizer que a LIBERDADE me domina enquanto escrevo.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Bom, a escrita tem me trazido segurança, confiança e otimismo. Com ela tenho visto dia após dia, que posso alcançar qualquer objetivo que eu venha a traçar para mim. E mais, tem me permitido falar para conhecidos e anônimos, sobre como eu vejo o mundo, como me enxergo como pessoa. Em suma, a escrita me trouxe e trás esperança em conquistar meu espaço no meio em que vivo e além. 

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Como escritor tenho aprendido diariamente. É um universo muito novo para mim, já que minha primeira obra é recente. Como dito anteriormente, cresci lendo, escrevendo... admirando grandes nomes da literatura nacional como Monteiro Lobato, Machado de Assis, Pedro Bandeira, entre outros; além de internacionais, sendo o meu preferido Ken Follett. Sempre tive o papel de ir na livraria, comprar o livro, abrir e mergulhar no universo da história. Agora como escritor, tenho enveredado por decisões que jamais imaginaria um dia estar tomando. Opiniões sobre edição, divulgação de eventos, entrevistas (risos) entre outras. É um aprendizado diário e constante de tudo que se é necessário para “dar vida a um livro”. Tenho gostado muito

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Não acredito em acaso, posso dizer então que foi um hobby que passou a ser necessidade. Necessidade de deixar minha marca, entre as pessoas que me cercam e quem sabe ao mundo. 
Licenciaste-te em História. Esta formação teve algum impacto na tua escrita?
Certamente. Não só por se tratar de um curso que exige muita leitura e escrita na realização de trabalhos e provas, mas principalmente na questão de incentivar-me a escrever. Afinal, a própria história em si nasceu quando Heródoto decidiu documentar os fatos que julgava importante, da sua nação, do seu tempo. E é o que decidi fazer. Registar “meu eu” no papel.  

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Este mês publicas a tua primeira obra,
Versos ao Amanhecer. Podes falar-nos um pouco sobre este trabalho?
O “Versos ao Amanhecer” está intrinsecamente ligado a minha vida, a minha superação diária. Quando nasceu a ideia, eu tinha comigo que ninguém levaria a sério, que seria mais uma das tantas coisas que escrevi que ficariam engavetadas. Mas, como diz parte do nome da obra, foi o amanhecer, e o amanhecer sempre está ligado a um dia novo, uma nova chance de recomeçar e buscar o seu objetivo. A obra em essência é isso. São sentimentos que carrego comigo, ao nascer de um dia, pensamentos que me vem, sobre a vida, sobre pessoas, lugares que de alguma forma me marcaram positivamente ou negativamente. E isso se aplica a uma forma genérica a praticamente qualquer um que venha a ler, afinal, o nascer do dia sempre nos trás muitas reflexões, sensações...

Como nasceu a ideia para este livro?
É até engraçado a forma que nasceu. Escrevi um poema para uma garota, onde a descrevia, a forma que a via, que a sentia. Ela por sua vez gostou bastante e me lançou um desafio de escrever mais poemas, com variados assuntos. Foi o empurrão que eu precisava. A partir daí dediquei-me a escrever, sempre num tom reflexivo sobre sentimentos, sensações, a forma que enxergo a vida. Quando me dei conta tinha mais de vinte poemas prontos, e que tinham qualidade digna de serem publicados. Nasceu num primeiro momento no “susto”; mas rapidamente ganhou força a ideia. E cá estamos com o livro idealizado e publicado.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este projeto?
Pouca gente teve acesso a obra completa ainda. Apresentei alguns dos poemas para amigos e familiares próximos. A maioria foi bem receptiva e de forma até surpresa com essa minha habilidade. Tenho tido muito feedback positivo e já estímulos para novas obras. E claro que sempre há as críticas construtivas também. Preciso delas para melhorar continuamente.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Pergunta dificílima para um devorador de livros (risos)... Mas creio que Pilares da Terra de Ken Follett seria o privilegiado. 

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Talvez ao género ficção, já que é o que mais gosto de ler, e tenho mais contacto. 

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Certamente podem e devem esperar muitas, muitas poesias mais, além de possivelmente um desafio diferente num novo género literário. Gosto de me desafiar e desbravar oportunidades em algo que eu domine. No caso a escrita. E podem esperar também uma constante evolução no que escrevo. Como todo artista, nunca estamos satisfeitos com a obra. Quando isso ocorre, você perdeu o foco. 

Descreve-te numa palavra: SUPERAÇÃO

sábado, 16 de novembro de 2019

E se tivesse o segredo para ganhar o Euromilhões?

E se tivesse o segredo para ganhar o Euromilhões?

Talvez este título lhe soe um pouco sensacionalista, mas a verdade é que Eduardo Figueiredo, autor da obra, O que faria se ganhasse o Euromilhões?, dá-lhe algumas dicas para ficar mais perto do grande prémio, através da sua obra, pioneira em Portugal. 

Já pensou em fazer parte de uma das maiores sociedades do Euromilhões?


Foi com o lançamento deste livro que nasceu também a Sociedade Portuguesa de Apostas, que conta já com cerca de 100 participantes.

Para tal, só é necessário um endereço de e-mail!

• Total transparência;
• Apenas 2,75€ por sorteio;
• Divulgação prévia das apostas e da lista de participantes;
• Envio dos resultados;
• Possibilidade de sair da sociedade a qualquer momento.

O objetivo é fazer a força através da união e da persistência e tentar chegar o maior número de vezes possível aos prémios que valem a pena.

São privilegiadas as seguintes apostas:

• Com base nos critérios do livro;
• Apostas múltiplas;
• Apostas em formatos que historicamente saem mais, mas estão há mais tempo sem sair.

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sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Ramalho

Ramalho, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Desde muito cedo, quando ingressei nos primeiros anos escolares, que passei a ter contatos com cadernos, lápis e livros, e descobri que a leitura tem a capacidade de nos transportar para outro mundo, passei também a querer recriar o meu mundo através da escrita. Certo é que não tinha ainda a concepção de recriação de mundo, mas, sim, uma vontade de rabiscar palavras nas linhas de meu caderno para formar frases que falassem das pessoas que me eram próximas (mãe, irmãs e irmão, tios e tias e amigos e amigas). Éramos de família pobre, com poucos recursos, mas sempre conseguimos comprar alguns gibis – A turma da Mônica, O Tio Patinhas e outros – que depois de lidos eram trocados com colegas da escola. Mais tarde, por influência de um tio marteno que até hoje é colecionador, passei a ler as sagas de Tex Willer e de Zagor, histórias em quadrinhos na forma de gibi de origem italiana, mas que retratam o faroeste amaricano. Depois, já na adolescência, passei a ler histórias como Sabrina, Bianca, Romance com coração e outras que minha irmã mais velha lia. Na escola passei a ter contato com os poemas de Cecília Meireles e de Carlos Drummond de Andrade. Também tive contato, através da escola, com a série Vagalume, uma coleção de livros infanto-juvenis de diversos autores, que retratavam avanturas variadas. Foi nesse contexto que peguei o gosto pela escrita. Foi a partir daí que comecei a me apaixonar pelos versos e pelos poemas. De certo que, por volta dos meus oito anos foi que comecei a rabiscar meus primeiros acrósticos, mesmo sem saber o que era realmente um acróstico; apenas rabiscava o nome de minha mãe ou de alguma pessoa que me era próxima numa folha de papel, de forma vertical, e ficava tentando encontrar palavras com aquelas letras para formar meus versos. Que pena que aqueles poemas simples não resistiram ao tempo, se perderam nos anos de minha vida. Como aconteceram com outros poemas, compostos bem mais tarde, de forma bem mais elaborada, mas que também não resistiram aos anos que foram passando, perdendo-se pelos caminhos de minha vida.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando estou a escrever penso numa forma de tornar meu escrito em algo que seja capaz de ser lido pelas pessoas; mas, muito mais do que uma simples leitura, desejo que aquilo que estou produzindo possa impactar as pessoas que lerem. Escrever poema é trabalhar a poesia que existe em nossa volta. Para tanto, exige-se de quem se dispõe a tal ofício muita percepção. Observação, percepção, moderação e equilíbrio mental são qualidades que precisam estar atreladas ao sentimento do poeta na hora que ele está escrevendo. Assim, o sentimento que me domina quando escrevo é a calma, a tranquilidade, a paciência. Na verdade, sou calmo por natureza; e procuro agir dessa forma quando estou a escrever.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Sou um apaixonado pela leitura. Sempre estou lendo sobre diversos temas e muitos autores. E sempre procurei incentivar as pessoas que me cercam para o gosto pela leitura. Acredito que este hábito tem transformado a minha vida. A leitura tem feito que eu me torne uma pessoa melhor. E, através da leitura, também passei a escrever melhor, com mais qualidade. Mas, escrevendo é possível fazer uma reflexão da vida. Na minha forma de olhar o ato de escrever, penso que quando colocamos sentimentos no papel – seja através de um diário, de um poema ou de um texto em prosa – estamos nos expondo para determinado público, mas também para nós mesmos. E essa reflexão faz que nos tornemos seres melhores. Eu aprendo também relendo os meus escritos.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
A vida é um aprendizado diário. Estamos sempre aprendendo com os outros, e nos aprendendo, nos renovando. Partindo desse ponto de vista e comparando o que eu escrevia no passado com o que escrevo agora, verifico que passei por um processo de evolução. Ainda tenho muito a melhorar, mas estou bem melhor que antes. 

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Escrevo por necessidade. Muitas vezes já pensei em desistir de escrever, mas logo vem aquele desejo impulsivo que faz com que eu volte a escrever. Não é a necessidade de estar todo dia a escrever e depender da escrita para a minha sobrevivência; isso, não. Olhando por esse foco, a escrita em minha vida passa a ser um passatempo. Sim, escrevo com objetivo principal de agradar a mim mesmo, aos familiares e aos amigos e amigas; escrevendo sempre as horas vagas, sem aquele compromisso de ter que aprontar este ou aquele texto para ser avaliado.

Ainda jovem ingressaste na Polícia Militar. Este trabalho teve algum impacto na tua escrita?
Acredito que estamos sempre em formação, nos transformando por meio das pessoas que passam em nossas vidas. E nos vinte e cinco anos que trabalhei na Polícia Militar do Paraná tive o privilégio de conviver com muitas pessoas dentro e fora da caserna; muitas amizades que são conservadas até hoje. A Polícia Militar me deu a oportunidade de conhecer boa parte do território do Estado do Paraná. Tudo isso, mesmo que de forma imperceptível, ajudou na formação da pessoa que sou agora. Com isso, ajudou também na minha escrita, na minha forma de pensar, na minha maneira de olhar para o horizonte. Escrevi poucos textos relacionando a minha vida com a Polícia Militar; apenas dois poemas póstumos: o primeiro com o título de “ROGO”, escrito em 1995, que fala da morte em serviço de um amigo policial, este poema sendo publicado no livro “SONHOS E INSPIRAÇÕES DE UM POETA”, e o segundo, com o título de “O NOSSO DEVER”, também falando da morte de um amigo policial que faleceu em serviço, escrito em 2011. Este segundo é um acróstico. Tanto o primeiro como o segundo foram escritos no dia exato do falecimento dos policiais e foram distribuídos, em cópia, para as pessoas que participaram das cerimônias fúnebres.
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Publicaste o teu primeiro livro em 1995. Podes falar-nos um pouco sobre essa experiência?
Em 1995, trabalhava na capital do Estado do Paraná, Curitiba, e quando estava de folga, por gostar de arte, andava pela Boca Maldita a apreciar os quadros que pintores diversos ali iam para expor. (A Boca Maldita é um local na capital paranaense onde todo tipo de artista, artesãos de um modo geral, expõe seus trabalhos). Ali fiz amizade com um dos pintores, CARLOS ALFREDO BRITO, com o qual conversamos muito sobre poesia e tive a oportunidade de lhe apresentar alguns dos meus textos. Ele se interessou muito pelos meus poemas e se encarregou de organizar os poemas para o livro. Foi ele também o responsável pela ilustração. O livro foi publicado pela gráfica Quetão de Opinião, órgão que fazia parte do movimento artístico chamado Beco da Arte. Na época, escrevia sem pretensão alguma de publicar algo, mas foi uma experiência inusitada. Ver alguém folheando o seu trabalho reunido em um livro é algo de uma emoção sem conta. Na época, o Carlos organizou também uma noite de autógrafo que foi muito emocionante. 

Este mês publicas a tua terceira obra, A musa pede um soneto. O que te levou a esta nova publicação?
Então, depois da primeira publicação, voltei a trabalhar na cidade de Foz do Iguaçu. Em Foz, mantive contato com escritores locais e criamos um movimento literário na cidade – criamos a UNIÃO DOS POETAS E ESCRITORES DE FOZ DO IGUAÇU, UPEFI – Dentro desse movimento fizemos várias publicações, dentre elas, o livreto NÃO TE ESQUECEREI, de minha autoria. Isso, no ano de 1997. Em 1999, o movimento literário se desfez, e os participantes se dispersaram. Continuei a escrever; porém, sem pretensões de publicação. Mas, à medida que você vai mostrando aos familiares, amigos e amigas os seus textos, cresce o clamor para que saia uma nova publicação. Partindo desse ponto, em 2015, aproveitando o incentivo da Fundação Cultural da cidade de Foz do Iguaçu, cheguei a organizar um grupo de poemas para formar um livro que teria o título de INSTANTES SEM FIM. Nesse livreto teria sonetos, trovas, acrósticos, poemas de formas livres e um poemeto. Durante o processo para a publicação desisti de realizá-la por uma questão pessoal e de foro intimo. Enfim, chegamos à publicação dos sonetos. Sou um apaixonado por soneto. Sou apreciador da obra de Florbela Espanca – inclusive faço uma brincadeira, neste meu livro, com um de seus sonetos –, da obra de Camões, da obra de Bocage, dos brasileiros Cruz e Sousa, Bilac, Vinícius. E tento, dia após dia, a aprender escrever soneto. Com isso, pela insistência, resolvi reunir alguns dos meus sonetos para transformar em realidade o caderno A MUSA PEDE UM SONETO.

Como nasceu a ideia para este livro?
Na verdade, quis reunir alguns de meus sonetos. Como o próprio subtítulo diz: SONETOS QUE NASCERAM COM O TEMPO, eles não nasceram em um mesmo contexto, nem na mesma época. Dentro dos 85 poemas que compõem o livro, alguns foram compostos a mais de vinte anos; outros, agora recentemente. Eles foram nascendo aos poucos. O título surgiu da ideia de que o construir soneto nos remete para a poesia tradicional, a poesia inspirada pelas Musas; aquela poesia que nos remete ao passado.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
As amigas e amigos, bem como os familiares, estão bastante ansiosos para ter nas mãos o livro em si. Muitas dessas pessoas já leram a maioria dos poemas. De minha parte vou organizar, juntamente com a equipe da CHIADO BOOKS, o lançamento do livro aqui na cidade de Foz do Iguaçu, no restaurante de uma amiga, que provavelmente acontecerá no dia 7 de dezembro deste ano. Quanto ao público externo, minha expectativa é a melhor possível. Acredito que vai ter uma boa aceitação, pois são poemas de leitura fácil. São poemas que falam de amor, de beleza, de sentimento.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
A Bíblia. Para além do contexto religioso, a Bíblia é um livro histórico que narra a saga de um povo, contando suas vitórias e suas derrotas. Ela é escrita por vários autores num período de tempo de mais de 1800 anos. É uma mescla de livros poéticos, alegóricos, proféticos e narrativos. Dela é possível tirarmos uma série de ensinamentos.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
A narrativa curta; o conto propriamente dito. Já escrevi alguns, não com a mesma determinação que escrevo poemas. Mas teria coragem de me aventurar por esses caminhos.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Tenho outros poemas a serem publicados. Além de soneto, gosto de escrever trovas, acrósticos e poemas de versos livres. Também, às vezes, me aventuro na escrita de alguns contos. Quem sabe tudo isso pode ser publicado algum dia. Ah, pretendo ainda republicar o livro SONHOS E INSPIRAÇÕES DE UM POETA.

Descreve-te numa palavra:
PACIENCIOSO.


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

A Princesa do Índico, de Pedro Inocêncio

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A Princesa do Índico é o terceiro romance do autor português, Pedro Inocêncio, cuja primeira obra, Tudo Acontece Por Uma Razão, é até hoje um sucesso e um livro procurado pelos leitores.

Neste seu novo livro acompanhamos a história do amor proibido entre Pedro Tomás, herdeiro de uma das maiores fortunas do mundo e Bahira, uma jovem muçulmana, que com os dois irmãos são apontados como possíveis culpados do atentado bombista à Assembleia da República Portuguesa.

É fácil criarmos empatia com os protagonistas deste romance, o jovem Pedro, de boa índole, cuja relação conflituosa com a figura paterna é um ponto bastante desenvolvido na obra, aliás, denota-se uma pesquisa e um cuidado na apresentação das personagens e das suas relações durante toda a narrativa.

A obra é marcada por um suspense intenso, que absorve o leitor. Apesar da obra ter mais de seiscentas páginas, não maça o leitor, pelo contrário, mantém-no agarrado e ansioso até ao derradeiro final. Surpreendente, diga-se.

Gostei muito de conhecer a escrita do autor, que apenas me era conhecida pelas suas publicações nas redes sociais, quando o seu primeiro romance chegou ao público, mas que agora se revela, acessível, simples e marcada por sentimentos, que aguçam a emoção do leitor.

Uma obra à qual nenhum leitor ficará indiferente.

terça-feira, 12 de novembro de 2019

Definições Vol. I, de Carlos Alberto Dias

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Definições Vol. I é o primeiro livro publicado pelo autor, Carlos Alberto Dias, através da Chiado Books.
Gostei particularmente do facto do autor usar a introdução da obra para se apresentar aos leitores e usar também o prefácio para explicar ao leitor o porquê do título que marca a sua obra.
Ao longo das quatrocentas páginas que compõe este livro, encontramos uma compilação de diversos trabalhos poéticos que o autor reuniu ao longo dos anos e que, de certo modo, ajudaram a definir o próprio.
É na escrita que muitos de nós nos encontramos e, certamente, também o Carlos se encontra nela. Partilhá-la em livro é ser-se ousado o suficiente para assumirmos o nosso mundo interior perante o mundo que nos rodeia, por isso, parabéns ao autor!
O autor debruça-se bastante sobre a escrita, sobre as emoções a ela inerentes, um dos poemas que elejo é até o “Escrever”, porque todo o escritor que se preze identifica-se com a emoção que a escrita implica em nós e sabe que mais do que um passatempo, é uma necessidade.
Apesar disso, o autor escreve um pouco sobre tudo, sobre a vida, os sentimentos, as rotinas, os lugares e as pessoas, escreve de uma forma acessível e direta, que sempre nos marca.
O livro tem também algumas ilustrações, o que torna esta mistura de poesia com imagem, bastante agradável. Um livro simples e descontraído para ler em qualquer circunstância e para entender melhor a emoção que é escrever.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Na ponta dos dedos com... Eduardo Figueiredo

Eduardo, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
No decurso da minha atividade profissional, tenho o hábito de criar manuais de procedimentos, com bastante detalhe. Quando comecei a explorar o tema “Euromilhões”, fiz algo semelhante e quando ía para aí na 5ª página, lembrei-me: - “Será que isto pode dar um livro?”. E deu!

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
É uma sensação agradável de sentir a inspiração a fluir e a escrita a dar-lhe sequência.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Diretamente não mudou grande coisa, a não ser a maior facilidade em visualizar, no dia-a-dia, livros potenciais e quando isso acontece crio um diretório novo no meu computador, com algumas anotações. Indiretamente mudou com a criação de uma sociedade de Euromilhões, em simultâneo com o lançamento do livro, cuja gestão me ocupa algum tempo.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Que apesar de não ser impossível, não é fácil viver só da escrita.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso? 
Acabou por ser um acaso, decorrente da facilidade em lidar com números e do gosto pela escrita.

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Formaste-te em Contabilidade e é evidente que esta formação teve impacto na tua escrita, assim surgiu, O que faria se ganhasse o Euromilhões. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Para além dos critérios mencionados ao longo do livro, é um convite às pessoas para criarem critérios nas suas apostas, manterem-se fiéis a esses critérios e esperarem que mais tarde ou mais cedo resultem. Explica alguns fundamentos do Euromilhões e tem uma componente solidária, relacionado com os Sem-abrigo, que me diz muito e espero que um dia venha a ser possível de concretizar. Seria um enorme legado!

Como nasceu a ideia para este livro?
Nasceu quando um dia, como toda a gente a fazer apostas, criei um folha de excel, para anotar os resultados dos últimos sorteios e apercebi-me de algumas curiosidades. Era um ficheiro com os 50 números e com as 12 estrelas, da esquerda para a direita, e os números que tinham saído estavam a amarelo, para terem maior visibilidade.

É, sem dúvida, um livro pioneiro em Portugal. O que te levou a escrever esta obra?
Foi todo o conjunto de circunstâncias já mencionadas, que depois foi sendo complementado com algumas descobertas, que teve aceitação de algumas editoras e veio a concretizar-se no livro, em colaboração com a Emporium Editora.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
As reações que tenho não são muitas, mas são muito positivas e aparentemente sinceras. É mais fácil convencer alguém a entrar para a sociedade do Euromilhões, do que a comprar o livro ou dar uma opinião. Espero que com esta divulgação possa contar com mais reações, incluindo também a da Oficina da Escrita.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
É estranho que eu gosto imenso de escrever, mas leio muito pouco. Apesar de não ser praticante, talvez escolhesse a Bíblia.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias? 
Escrever um género literário diferente é sempre um desafio à inspiração. Já tive uma experiência com um pequeno conto, ainda não editado, em que tive que me esforçar bastante, para tentar corresponder às expetativas. Talvez tentasse literatura infantil, romance ou aventura.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro? 
Muita persistência atrás de 5 números e 2 estrelas! E talvez novos livros, daqueles que já anotei, ou outros.

Descreve-te numa palavra: 
Persistência.

sábado, 9 de novembro de 2019

A Vingança dos Sentidos, de Sérgio Carvalho

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A Vingança dos Sentidos é uma obra do autor, Sérgio Carvalho, e foi publicada em agosto passado, pela Chiado Books.

Este livro compila vários trabalhos do autor, de diversos géneros, desde a poesia, às reflexões e aos contos, o que o torna bastante apelativo.

Foi muito interessante descobrir as várias faces literárias do autor, que com facilidade se adapta a diferentes géneros.

A poesia e a prosa são descomplicadas e de leitura fácil, versam sobre a vida e sobre o mundo que o rodeia.

Os contos podem, inclusive, serem lidos pelo público mais jovem, devido à sua simplicidade e cariz jovial.

O livro lê-se rapidamente, é curto e não aborrece o leitor, podendo até ser lido de forma aleatória. Uma leitura diferente, agradável e bem-humorada, ideal para estes dias chuvosos.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Perdido (S)em Ti, de Lindolfo Cunha

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Perdido (S)em Ti é uma obra do autor português, Lindolfo Cunha, cujo trabalho é bastante conhecido nas redes sociais, onde mais de 18 mil pessoas o seguem atentamente.
Nesta sua primeira obra publicada, cujo nome surgiu a propósito do título da página que gere no Facebook, podemos encontrar muito do que encontramos nas redes sociais e outros tantos trabalhos inéditos.
A leitura deste seu livro faz-se com facilidade e é agradável, fluída.
Os seus textos são pejados de emoção, com mensagens simples e ternas que podem – e devem – ser levadas para a vida.
É fácil identificarmo-nos com as palavras do autor, tão marcadas por múltiplos sentimentos, tão iguais e, simultaneamente, tão distintos, mas que todos vivenciamos em algum momento das nossas vidas.
À semelhança de alguns autores muito conhecidos do público, Lindolfo apresenta-nos uma escrita simples e direta, que conquista o leitor.