quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Na ponta dos dedos com... Carlos Alberto Dias

Carlos, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
A escrita para mim sempre foi um gosto antigo, começou pela leitura dos livros que tinha em casa, as obras que a minha mãe trazia para casa e incentivava essa minha iniciativa, já que ela própria é professora. Agora a escrita surgiu mais na altura do meu sétimo ano, e sei disso porque, na altura, tínhamos intervalos curtíssimos e o edifício do meu colégio tinha vários andares, sendo que, em perspetiva, não daria para aproveitar em pleno esse período de tempo, só daria mesmo para descer e subir escadas. Mas como também não daria para estar na sala durante essa pausa, em vez de descer, preferia pegar num caderno e sentar-me próximo da sala e escrever histórias que me lembrava de antemão. Como não era muito original com as personagens, punha pessoas reais da minha turma e adaptava-os para os eventos da minha história. De certa forma, o meu gosto pela escrita surgiu de uma forma inerente, sendo que o espaço de tempo até esta obra [Definições] serviu para me melhorar enquanto profissional até que me sentisse preparado para avançar.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
É um bocado paradoxal enquanto escritor, mas muitas vezes não consigo definir o sentimento que me surge nas alturas em que escrevo. Umas vezes sinto-me numa espécie de transe, outras vezes numa solidão virtual, ou seja, como se fosse só eu e o meu computador ou caderno, num sentimento solitário de desabafo, independentemente do espaço ou do número de pessoas presentes no espaço onde escrevo, o que acontece quando escrevo na loja do meu pai ou num café. Mas o sentimento que sobressai mais frequentemente na minha escrita, é um bocado complicado de explicar mas vou tentar, é um sentimento de ânsia ou sufoco, um bocado como se estivesse a afogar-me numa zona profunda e escura, que é a zona onde posso conhecer elementos que nunca pensaria de outra forma. E, quando termino o processo, ou o ato da escrita começa a ser mais forçado, sinto o meu corpo a elevar-se para a superfície, indicando o final desse processo sentimental. Acredito que seja complicado de entender, mas é assim que me sinto a escrever.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Definitivamente deu-me um maior sentido à vida. Criou em mim uma ambição tão enorme que muitas vezes acho que o que as minhas criações serão maiores do que eu, e que terei de sacrificar a minha vida, sendo um escriba das personagens que sei que não são verdadeiros, mas dentro de mim acabam por ser cada vez mais reais. Esse sentimento cresceu tanto em mim que a melhor expressão para definir esta minha paixão é uma das frases mais conhecidas de Charles Bukowski: “Encontra algo que ames e deixa isso matar-te”.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Que fiz bem aguardar um espaço de tempo de mais uma década até libertar uma primeira obra. Digo isto porque, apesar da minha crescente paixão pela escrita, reconhecia que não tinha profundidade ou conhecimento suficiente para tornar cada conteúdo meu em algo rico, produtivo ou desafiante para o público que ainda terei de conquistar. Senti que ainda teria de criar a minha voz, um timbre único que não só seja autêntica e sincera, como também resulte como uma referência para qualquer seguidor do meu trabalho, porque, para mim, nada é mais interessante uma pessoa ver uma conjunção de palavras, palavras essas que são de todos e ditas por todos, e conseguir entender essas mesmas como algo que eu escrevi na minha obra, quase como se fosse uma marca registada da minha escrita. E é isso que tenho aprendido, e que ainda continuarei a aprender.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Certamente uma necessidade. Se conseguir viver unicamente da escrita, tanto na música, cinema, televisão ou teatro, serei uma pessoa completa.

Licenciaste-te em Comunicação e neste momento estás a tirar o mestrado em Desenvolvimento de Projeto de Cinema. Esta formação tem algum impacto na tua escrita?
Neste momento irei alterar o meu mestrado para pós-graduação e estou a dias de receber o certificado de finalização desses mesmos estudos. A escolha da minha licenciatura surgiu mais por ser um curso amplo que abre portas a várias áreas que aprecio, já a pós-graduação surgiu mais no facto de querer algo mais direto no que desejo, procurando consagrar-me num meio à qual não teria contactos que me providenciassem essa experiência, ao contrário do resto, que tive sempre amigos ou familiares ligados ao jornalismo e entretenimento. Mas sim, esses cursos surgiram como um meio para atingir um fim, fim esse o meu gosto pela criação.

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Publicaste o teu primeiro livro em janeiro, Definições. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Uma coisa engraçada sobre a minha obra é que, por mais eventos que eu fale dela, sinto sempre que haverá algo que ficou por contar. É uma coisa que não consigo evitar. Definições trata-se de uma obra poética focada em definir cada tema conhecido de forma universal, temas que vai de mãe a banana, por exemplo, e definir cada uma delas com a lógica e filosófica, como um dicionário, balanceando com o sentimento e o existencialismo proveniente de um poema. A partir deste pensamento, o leitor não só irão ver cada tema numa perspetiva diferente, bem como incentiva o fator inerente do ser humano que consiste no processo de ler o que escrevi, buscar dentro de si as suas próprias definições e analisar os versos que escrevi, concordando comigo ou não. Ou seja, não surge como um ato de manipulação, mas sim como um incentivo ao autoconhecimento. A partir daí, a obra pode resultar em muitos aspetos simbólicos, como uma introdução a mim enquanto escritor, ao que sou e ao que poderei ser, as minhas ideologias, o meu estilo de escrita, vários elementos que fazem da minha obra tão rica que ainda hoje me surpreendo com o resultado final.

Como nasceu a ideia para este livro?
Tal como mencionei, esta obra de poesia surgiu como mero acaso. Numa altura em que me sentia bloqueado criativamente com algumas das histórias que agora entendo que exigem uma maior complexidade e profundidade. Nisto, fui incentivado a participar num prémio literário de um autor que, para mim, é um dos melhores autores portugueses da atualidade, o José Luís Peixoto. O concurso consistia em criar apenas vinte poemas com um determinado tema. Eu escrevi os tais vinte poemas, mas os temas eram tão divergentes entre si que o único fator que os poderia interligar era, de facto, cada poema ser uma definição de cada tema. Acabei por não vencer, também soube umas semanas antes e não tive tanto tempo para aprofundar os poemas devidamente. Mas uma coisa aconteceu, que foi a naturalidade criativa com que esta temática me surgiu. E nisto surgiu uma questão que alterou a minha vontade de querer iniciar com uma ficção, que foi “Como deveria iniciar um mundo de histórias divergentes a um público sem eles primeiro saberem que eu sou?”, a partir daí peguei nesses vinte poemas, reescrevi-as, escrevi outras cento e oitenta e formulei o trabalho final que agora as pessoas podem ler.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Tem sido ótima. Aliás, tem sido a melhor vertente desta jornada. Todas as pessoas que compraram, mesmo pessoas que são rígidas e exigentes com a leitura, elogiaram a minha obra como diferente, original e com boas e novas ideias. Até em apresentações, mesmo aquele público que acaba por não comprar o livro, acabam por elogiar a minha ideia e as coisas que ofereço ao vender a minha obra. Toda esta ideia positiva é o que me tem dado mais vontade de continuar.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Esse tipo de perguntas são extremamente complicadas para mim, porque não gosto de sustentar a minha vida a uma obra, porque, no final de tudo, trata-se de uma ideologia do autor em questão, e uma ideologia não é a de todos, as verdades são de cada um, e isso não traria diversidade para ninguém, o que não seria frutuoso para mim. Se essa hipótese fosse real, provavelmente viveria sem nenhum livro, e seria eu a criar as minhas próprias histórias para eu ler para o resto da minha vida, sacrificando o conhecimento para lá dos mundos em que vivo.

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Como um autor que procura abranger histórias aos mais variados géneros, a minha carreira será focada na sua própria diversidade. Tenho um mundo de histórias, um mundo de personagens, cada um deles pronto para contarem a sua história. Talvez as que exigirão mais esforço da minha parte serão as áreas de fantasia ou de ficção científica, porque exigem um mundo credível e abrangente. Mas histórias não me faltam, o que falta é abordá-las e lançá-las aos leitores, para experienciarem o mundo dentro de mim.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Podem esperar pelo menos uma história a cada ano. O do próximo ano será um romance e tenho pretensões de lançar na segunda metade do ano, talvez setembro. Podem esperar histórias infantis, de terror, policiais, histórias de fazer pensar em nós e na sociedade em geral. Podem esperar curtas e longas-metragens cinematográficas, séries e programas, podem esperar colaborações musicais, caso a oportunidade surja, podem esperar peças de teatro originais. Podem esperar uma carreira com mil e uma histórias por contar, pois é assim que pretendo sair da minha vida.

Descreve-te numa palavra:
Considero-me uma pessoa criativa, ambiciosa, mas ao mesmo tempo ansiosa por cada trabalho meu. Considero-me um orador de todas as vozes que se inserem em cada história que irei contar. E acima de tudo considero-me uma pessoa abrangente, com vontade de experimentar tudo, querendo não só fazer tudo o que é focado nas letras, mas experienciar todas as artes, como música, direção, ator, voz-off de animação, todo um aglomerado de trabalhos para preencher a minha vida com mais conteúdo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Na ponta dos dedos com... Lindolfo Cunha

Lindolfo, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Olá, antes de mais é um gosto enorme poder fazer parte deste espaço e sobretudo o poder partilhar com novos e promissores autores.
Desde cedo tive um gosto especial pela escrita. Foi-me sempre mais fácil exprimir numa folha. Nunca imaginei um dia poder escrever um livro, como escrevia tão naturalmente nunca achei que fosse algo de interessante.
Foi há sete anos que comecei a escrever de uma forma mais regular. Começa tudo num bloco A4 na mesa da cozinha com a seguinte frase: “Odeio ter que sorrir quando o que quero é chorar.”

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando escrevo sinto-me livre, sinto-me eu. Sem máscaras ou clichés.
Depois a parte do criar, do imaginar, do sentir, faz-me transportar para um universo paralelo só meu. Lá sinto-me confortável e seguro.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita é o meu refúgio. Tento sempre converter os sentimentos em criatividade.
Se tiver em dias maus escrevo sobre coisas positivas, se estiver bem deixo à mercê da minha mente. Mas acabo sempre por tentar encontrar o meu equilíbrio nas linhas que escrevo.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Com o tempo aprendi a trabalhar melhor as palavras. Tento sempre escrever de uma forma transversal de forma aos meus leitores poderem imaginar a história à sua maneira.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
São as três bem misturadas. Mas como já referi na pergunta anterior acaba por ser uma necessidade, é o meu refúgio.

Assumes que nasceste fruto do amor e que esse amor te corre nas veias. O amor tem um grande impacto na tua escrita, é verdade?
Sim, sem dúvida. Todos nós vivemos de amor, não importa que amor seja. O que era de nós sem esse nobre sentimento? Acho que eu seria vazio. 

O que te motiva a escrever sobre sentimentos?
Inicialmente era onde me conseguia explorar mais. Iniciei novos projetos com registos diferentes mas não pude deixar de alimentar quem já conhecia o minha escrita mais sentimental.

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Publicaste o teu primeiro livro em agosto, Perdido (S)em Ti. Podes falar-nos um pouco sobre esta obra?
Durante dois anos alimentei um blog e uma página de facebook com os meus textos.
O livro nasce da compilação desses textos e de alguns que ficaram na gaveta.

Como nasceu a ideia para este livro?
Foi um acaso. Um acaso conhecer pessoas fantásticas que me incentivaram e ajudaram a concretizar esta obra.
Há coisas que nos estão destinadas e talvez esta fosse uma delas no meu caso.

Qual tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
A crítica tem sido muito boa. Nunca imaginei um cenário assim.
Por vezes sou demasiado crítico no que escrevo e acabo por me inferiorizar.
Agora sinto-me mais seguro, tudo por causa deles. Sinto-me muito grato.

Também geres um blog onde partilhas a tua escrita. Podes partilhar connosco detalhes dessa experiência?
Inicialmente foi ideia de uma amiga. Escrevia-lhe todas as noites e um dia ameaçou divulgar tudo o que escrevia.
Assim começou o Diário do “bipolar”. Dava-me liberdade de poder escrever o que quer que fosse. Eram os meus sentimentos “bipolares”. Durou dois anos e com o lançamento do livro aproveitei para lhe mudar de nome. Respeito a bipolaridade e não queria que interpretassem uma mensagem errada do que era a minha escrita. Hoje chama-se Perdido “S”em ti, onde conto com dezassete mil e qualquer coisa seguidores.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
O Alquimista de Paulo Coelho. Cada vez que o leio interpreto de uma forma diferente. As mensagens são bastante inspiradoras para podermos seguir e concretizar os nossos sonhos. Maktub!

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
Adoraria escrever um romance. Mas sempre que penso, logo desisto. Ainda não consegui estruturar bem uma história que nunca fosse contada. Um dia vai ser o dia.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Na escrita é muito complicado prometer o que quer seja. Somos sempre levados pela nossa alma e isso vou continuar a partilhar com quem me lê. A fasquia ficou mais elevada mas nada como bons desafios.

Descreve-te numa palavra:
Sortudo. Tenho muita sorte por quem me rodeia, sou o reflexo dessas pessoas e a elas devo-lhes tudo!


terça-feira, 29 de outubro de 2019

O Despertar do Nefilim, de David Costa

O Despertar do Nefilim (Comprar) é o segundo livro do jovem autor português, David Costa, editado este mês sob a chancela da Cordel D' Prata.

Como já por cá referi, não costumo ler muitas obras do género fantástico, embora o aprecie bastante. Contudo, desta vez, permiti-me ser surpreendida e comecei a leitura deste livro cheia de expetativas, afinal, o mundo fantástico em Portugal ainda é pequenino quando comparado a outros géneros literários. A verdade é que me surpreendi!

David Costa escreveu uma história incrível e é meu dever dar-lhe os parabéns!

Logo no prefácio somos introduzidos à história por Metatron, o escrivão de Deus, que nos fala do Apocalipse e nos apresenta vagamente o protagonista, Gonçalo, que tem tudo para ser um herói, mas cuja vida está virada do avesso. Achei muito interessante e divertido este prefácio, tornou a história apelativa.

A narrativa inicia-se depois com um dos encontros fogosos entre Marco e Tânia, os dois vivem como amantes, e logo após o sexo, Tânia vai para o duche e Marco liga a televisão, nesse momento, está a ser discutido um eclipse que é apontado como o fim do mundo, é em meio a este acontecimento que o Anticristo é concebido, sendo que depois se dá um avanço de quinze anos na história.

É com este avanço que descobrimos Gonçalo, o protagonista, que Deus guia na direção certa e ao qual caberá mudar o rumo da história, expurgando as forças do mal.

Gostei bastante da personalidade do protagonista, que mesmo no caos, não deixa de crer numa força maior, este sentido de fé e esperança são bonitos e uma belíssima mensagem para o leitor. As lutas e as mortes incrivelmente bem descritas pelo autor são um dos pontos fortes da obra. 

A sua linguagem escorreita e direta é, sem dúvida, um ponto a favor nesta história.

Com acção, mistério, fantasia e romance bem doseados temos aqui uma excelente aposta de leitura portuguesa que conquistará muitos leitores. 

Eu, fui surpreendida pela positiva e fiquei ansiosa por novas aventuras do Gonçalo, espero que este seja apenas o início de uma saga que tem tudo para ser um sucesso.

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

A Princesa do Índico, de Pedro Inocêncio | Novidade

JÁ À VENDA (AQUI)

Um atentado bombista à Assembleia da República, em Portugal, desperta o país para a realidade do terrorismo em grande escala! Ávidas de encontrarem culpados, as autoridades mundiais apontam as suas baterias para três irmãos muçulmanos: Bahira, Abdul e Nasim. Como pode este crime estar relacionado com o amor vivido entre Pedro Tomás da Costa, herdeiro de uma das maiores fortunas do mundo, e Bahira Kadeen, uma bela muçulmana, que trabalha em regime de escravidão, numa das Fábricas da família Da Costa?

Quando o magnata António Tomás da Costa decide investir nas Maldivas, convida o seu filho para o acompanhar. António construiu a sua colossal fortuna através do êxito planetário de uma bebida energética chamada Su-Cola. Mas, a sua extraordinária visão empresarial é camuflada por uma implacável falta de caráter e crueldade impiedosa para com os seus trabalhadores. Pedro jamais poderia suspeitar que aquela viagem iria mudar a sua vida e inspirar uma Revolução!

O amor improvável entre Pedro e Bahira será a centelha de luz e inspiração vulcânica para uma mudança que se impõe no mundo!

A Princesa do Índico é um extraordinário romance, que embalará o leitor entre o quadro idílico de um oceano prateado e a imagem incómoda da escravidão em massa...

Na ponta dos dedos com... Pedro Inocêncio

Fonte: Pedro Inocêncio Oficial

Pedro, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Muito obrigado pela oportunidade! Foi uma feliz casualidade aquela que me levou ao mundo da escrita. Uma notícia insólita num jornal diário despoletou em mim a necessidade de escrever algo. Não foi com a intenção clara de realizar e editar um livro que comecei a escrever o Tudo Acontece Por Uma Razão. Fui, simplesmente, escrevendo. Sem técnicas, nem apontamentos, nem guião. Apenas uma ideia clara do tipo de história que queria escrever. E tem sido sempre assim, desde aí. Tenho uma ideia, construo algumas personagens e depois deixo que elas ganhem vida e me surpreendam a cada passo da história. Acho que os meus leitores percebem que me deixo levar pelo decurso da história e apreciam esta minha forma espontânea de escrever.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
O amor à escrita e o profundo prazer que tenho enquanto crio. A curiosidade, por não saber como aquilo vai acabar e também a excitação, por desejar sempre escrever algo com significado para mim e para quem me lê.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita mudou tudo em mim. Mudou a forma como olho o mundo (e desconfio que o mundo também olha de forma diferente para mim) e mudou a minha forma de estar, uma vez que consegui, através dos romances que escrevo, pôr cá para fora o turbilhão de sentimentos, emoções, estados de alma, posições políticas e sociais, ideais humanitários e de igualdade que fervilhavam no meu interior. É como um género de terapia que pode ser feita em casa ou em outro local qualquer, quando eu quiser. Só preciso do meu computador…

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
A maior lição que recebi, desde que escrevo, é um melhor auto-conhecimento de quem sou, o que sinto e a forma como vejo as pessoas e o mundo. Um livro revela muito do seu autor. Outro grande ensinamento é que descobri o romantismo que existe nas pessoas. Sabia da sua existência mas nunca pensei que fosse assim, tão generalizado e intenso. Vivemos num mundo de tolos românticos, como eu. Até no mais cinzento, certinho e previsível ser humano deste planeta, mora um infindável número de loucos sonhos românticos.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Um acaso que se transformou num passatempo e que, hoje em dia, é uma necessidade!

Desde que em 2015 publicaste o teu primeiro romance, Tudo Acontece Por Uma Razão, que tens sido imparável no meio literário. Como surgiu a ideia para publicares o teu primeiro livro?
Como disse atrás foi uma notícia inóspita num jornal que serviu de rastilho para a minha explosão criativa! Falava de alguém que havia perdido tudo, do dia para a noite, e que, ainda assim, isso tinha sido o melhor que lhe tinha acontecido na vida! Iniciei o livro com a frase tudo acontece por uma razão e fui avançando sem saber muito bem para onde me dirigia… Este romance já vai na sua segunda edição e a sua procura parece não esmorecer com o passar do tempo.  

Seguiu-se, A Herança Nazi, um romance histórico. O que te levou a enveredar por este género?
Não quero escrever dois romances iguais ou sequer parecidos. Sempre gostei de misturar a ficção com a realidade e na Herança Nazi isso acontece com frequência, ao ponto do leitor ficar na dúvida se tudo o que está ali não é verdade…
O meu estilo está bem patente em todos os meus romances. O suspense, o romance, a acção vertiginosa, os capítulos curtos e a mudança frenética de personagens, com histórias que se interligam, são a minha imagem de marca. Essas características fazem parte de todos os meus romances. Já as histórias, os contextos e as personagens são sempre diferentes.

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Agora, a poucos dias do lançamento do,
A Princesa do Índico, será que nos podes revelar um pouco mais sobre este novo livro?
A Princesa do Índico é o romance que sempre sonhei escrever! Acho que bastava esta frase para se perceber o quanto eu amei ter escrito este romance. A Princesa do Índico é um romance que embalará o leitor entre o quadro idílico de um oceano prateado e a imagem incómoda da escravidão em massa…
O romance começa com um atentado bombista à Assembleia da República, em Portugal, desperta o país para a realidade do terrorismo em grande escala! Ávidas de encontrarem culpados, as autoridades mundiais apontam as suas baterias para três irmãos muçulmanos: Bahira, Abdul e Nasim. Como pode este crime estar relacionado com o amor vivido entre Pedro Tomás da Costa, herdeiro de uma das maiores fortunas do mundo, e Bahira Kadeen, uma bela muçulmana, que trabalha em regime de escravidão, numa das Fábricas da família Da Costa?
Quando o magnata António Tomás da Costa decide investir nas Maldivas, convida o seu filho para o acompanhar. António construiu a sua colossal fortuna através do êxito planetário de uma bebida energética chamada Su-Cola. Mas, a sua extraordinária visão empresarial é camuflada por uma implacável falta de caráter e crueldade impiedosa para com os seus trabalhadores. Pedro jamais poderia suspeitar que aquela viagem iria mudar a sua vida e inspirar uma Revolução!
O amor improvável entre Pedro e Bahira será a centelha de luz e inspiração vulcânica para uma mudança que se impõe no mundo!

O que te motiva a escrever?
A vontade de criar outros mundos, outras realidades, outras dimensões diferentes daquela em que habito. Talvez também o desejo de exprimir a forma como vejo o mundo, como sinto o amor, como observo a relação entre as pessoas… Escrever é uma forma de libertação.

Tens uma página no Facebook que conta com um número elevado de seguidores. Como vives o contacto com o público?
Com muita tranquilidade, simpatia e paz de espírito. Estou grato a muita gente que me acompanha desde o início e nunca se esquece de mim.

Qual tem sido a reação dos leitores face aos teus trabalhos?
Eu diria que, pelos comentários e críticas que recebo nas redes sociais ou pessoalmente, as reacções são maravilhosas! Jamais imaginei que a minha escrita pudesse florir tantos e tão bons sentimentos em quem me lê. Tem sido, de facto, fantásticos os feedbacks que recebo.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Se fosse apenas um… Escolhia um caderno com mil folhas em branco. Uma vez que não existe um romance ou livro que tivesse a capacidade de preencher o vazio de um leitor compulsivo como eu, preferia a possibilidade de escrever mais um romance. Aliás, hoje em dia prefiro a escrita à leitura…

Se tivesses de escrever num género literário diferente, a qual desafio te proporias?
É uma pergunta difícil. Adoro os thrillers de acção, os romances com muitos sentimentos envolvidos, a mistura da realidade com a ficção… Essa é a minha praia, enquanto escritor. Acho interessante as biografias de pessoas marcantes da história, bem como os romances baseados em factos reais. Talvez fosse por aí…

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Alguém pode esperar algo de certo neste mundo louco? Não podemos dar nada como certo nesta incerteza da nossa existência. Sabemos que andamos por cá uns tempos, que temos um prazo de validade limitado e que um dia nos vamos embora… Até lá, como já afirmei noutras ocasiões, na minha opinião, existem três coisas fundamentais nesta vida: saber viver bem com aquilo que a vida nos dá, usufruir ao máximo da companhia daqueles que mais amamos e outra coisa qualquer que também está relacionada com as duas anteriores… Dentro da outra coisa qualquer está fazermos aquilo que amamos. E eu amo escrever!

Descreve-te numa palavra:
Sonhador!


terça-feira, 22 de outubro de 2019

Melodia nos Versos de (A)mar, de Carla Félix

Melodia nos Versos de (A)mar é um livro de poesia da autora açoriana, Carla Félix.

O título é bastante sugestivo, contudo, a verdadeira beleza da obra está nas suas páginas que encantam o leitor à medida que vão sendo folheadas. 

A autora mistura a vida, o mar e os sentimentos criando uma obra simples, mas marcada pela intensidade do sentir.

A sua poesia é delicada, transporta quem a lê para o âmago do seu peito, com uma linguagem muito acessível e bela na mesma intensidade.

Para quem gosta de poesia, mas para quem também gosta do mar, eis um livro a não perder.

domingo, 20 de outubro de 2019

#13Treze, de Carla Pinto

Fonte: MotoNews
#13Treze (COMPRAR) é o primeiro volume da obra da autora portuguesa Carla Pinto.

Este é um livro que pode ser desvendado de múltiplas formas, ao misturar a fotografia com a poesia a autora conseguiu criar uma obra diferente e irreverente, que pode ser lida e apreciada de diferentes maneiras, ao gosto pessoal de cada leitor.

Com uma poesia muito simples, mas recheada de rimas, apelativas e marcantes, temos uma promissora poetisa em ascensão.

Diria até, que a sua poesia, denota a imensa criatividade da autora, razão pela qual gostaria de ler Carla Pinto noutro registo literário, quiçá, romance ou thriller.

Uma linguagem direta e madura, onde as paixões da autora estão bem patentes, conquistando o leitor.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Na ponta dos dedos com... Jorge Guimarães

Jorge, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Para mim, escrever vai para além de expressar ideias em texto, é traduzir sentimentos em palavras, criando textos e enredos capazes de despertar emoções fortes em quem os lê. Sempre que escrevo, tento despertar emoções fortes dentro de mim, para que as palavras que vou usando na criação de textos e enredos traduzam essas emoções e sejam fortes o suficiente para causarem impacte e terem significado nos leitores. O sentimento que me domina quando escrevo é a força de querer transcender, que as minhas palavras consigam saltar dos textos, entrar em quem as lê e, se possível, tornarem-se substância viva.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita tem sido a minha vida, nunca deixou de me acompanhar, tem alimentado os meus pensamentos e gerido parte do meu percurso de vida. Desejei escrever desde muito cedo, comecei a fazê-lo aos onze anos e nunca mais parei. Já perdi a conta aos esboços de histórias que criei, inspiradas em mim e em outros, do que vivo, do que vejo e do que leio. Guardo em mim uma amálgama infindável de ideias que espero vir a transpor em textos para publicação, mas a literatura é uma ocupação sem prazo, tão perpétua quanto o tempo de vida de quem se entrega aos prazeres da escrita; haverá sempre tempo para escrever mais um enredo. O fato de querer escrever levou-me a ler. Através da leitura, descobri realidades até então incompreensíveis e desconhecidas para mim, mostrando-me que o Mundo é mais diverso e misterioso do que eu alguma vez poderia imaginar. Pensar sobre o Mundo, sobre a vida, a nossa e a de outros, encarar a diversidade humana e cultural de todo o planeta, é certo de que muda quem nós somos, como também muda a forma como vemos os outros e o Mundo, e vou transpondo tudo isto nos meus textos. Com tudo quanto aprendi sobre a vida e sobre a humanidade, em toda a sua diversidade e complexidade, nunca tenho a noção efetiva de estar certo ou errado sobre qualquer tema que traduzo em palavras, pois, não há verdades absolutas nem realidades exclusivas, a verdade e a realidade de cada um é feita à medida do ambiente que o envolve, entre os milhares de ambientes diferentes que vigoram pelos diferentes contextos socioculturais espalhados pela Terra. Com a escrita e com a leitura vou mudando constantemente, pois são fatores que promovem a reflexão e, sempre que refletimos sobre algo, mudamos alguma coisa em nós. Mudo sempre um pouco, ao fim de cada livro que escrevo, ao fim de cada livro que leio, e mudo sempre para melhor. Escrever não deixa de ser um ato de reflexão e de construção, ponderar sobre ideias e trabalhá-las nos enredos das histórias que se vai escrevendo.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Escrever é um trabalho árduo e complexo. À medida que vou escrevendo, vou mudando um pouco a minha forma de escrever, seja procurando conferir uma maior fluência aos meus textos, seja aumentando a preocupação em detetar falhas no meu processo de escrita, muitas delas promovidas pela escrita digital, seja melhorando a qualidade gramatical dos meus textos, por vezes recriando opções gramaticais, certas ou erradas, é um desafio e um risco que todo o escritor tem de fazer, foi assim que evoluiu a escrita. A realidade é que as questões gramaticais não são fáceis de trabalhar para um escritor de romance, e muito menos para um poeta, que joga com a sonoridade dos textos, procurando a melodia certa para cativar os leitores. No fundo, sei que, com o tempo, a qualidade dos meus textos tenderá a melhorar. Um escritor cresce há medida que vai escrevendo. Escrever bem é o maior desafio que se coloca a um escritor, nomeadamente a um escritor como eu, sem formação superior em línguas.
Relativamente aos conteúdos com que trabalho, também não paro de aprender com eles. Pois, ao escrever, tenho a preocupação de transmitir conhecimento, e para o transmitir, tenho de adquiri-lo antes, documentando-me e estudando algo sobre ele. Ao escrever, tento respeitar a realidade, fundamentando com ela. Estou sempre à procura de substrato que suporte os meus enredos, o que me leva a dedicar algum tempo à investigação e à descoberta, e com isso, aprendo muito.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
A escrita, para mim, é mesmo uma necessidade. Sempre fui um sonhador, um criador de histórias, um saco de ideias, uma esponja de conhecimento; um criador de mundos que quer dar a conhecê-los a outros. Os enredos para histórias que vou criando geram um turbilhão de ideias em mim que, por vezes, vejo-me a trabalhar mentalmente várias histórias em simultâneo. Já lá vai o tempo em que pegava em blocos de notas para tirar apontamentos, nos quais reuni muito mais de uma centena de esboços de histórias. Atualmente, já não me dou a esse trabalho. Crio as histórias, mantenho-as e trabalho-as na mente, e logo que posso, transponho-as para texto. Tenho sempre em mente esboços de histórias passados que pretendo vir a escrever, trabalho-as dia a dia, enriquecendo-as com novos estímulos que possam dar uma boa dinâmica aos enredos. Posso dizer que a escrita acompanha-me sempre, quer nos pensamentos do dia, quer nos sonhos da noite.

Formaste-te em Biologia. Foste professor do ensino básico e secundário. Estas áreas tão distintas tiveram algum impacto na tua escrita?
Obviamente. Tudo na minha vida influencia o meu pensamento, molda as minhas emoções e interfere com o que eu escrevo. Conteúdos científicos relacionados com a minha área de formação académica, a Biologia, marcam presença nas minhas histórias; a pedagogia também está patente em todos os meus romances, a ler aprende-se muito sobre os aspetos positivos e negativos da vida. Ao sermos alertados para eles, poderemos fazer melhor as nossas opções de vida e evitar muitos dissabores, ainda por cima num Mundo em que se forma uma humanidade cada vez mais amorfa, onde o egoísmo se sobrepõe ao bem comum e as pessoas agem por impulso, sem reflexão prévia e sem respeito pelos mais básicos valores humanos. Talvez o pouco tempo que as pessoas dediquem à leitura esteja relacionado com isso. Por isso, mal ou bem, procuro promover e incentivar o gosto pela leitura, como veículo de transmissão informação e ferramenta para formação. A leitura promove a introspeção, será o leitor a avaliar diversos pontos de vista e optar por aquele que melhor se adapta a si, livrando-se de ter de acreditar em tudo quanto lhe impingem ou ir para onde o empurram. Enquanto escrever, nunca deixarei de procurar ensinar, valorizando a pedagogia nos meus textos.

Começaste pela edição de obras dedicadas ao público mais jovem. Podes falar-nos dessas mesmas obras?
A realidade é que comecei a escrever romances de ficção-científica para adultos. Alguns dos romances que irei escrever nos próximos anos serão fruto dessa leva.          Só quando me vi no lugar de leitor de contos infantis para crianças, é que percebi a importância deste tipo de obras para valorizar a formação de jovens. Produzi, então, um conjunto de esboços para contos infantis pedagógicos, inspirados em acontecimentos reais e em outras histórias infantis que li, procurando trabalhar enredos de valor que fossem úteis na formação pessoal e social de jovens leitores. É possível que ainda venha a escrever uma leva de contos infantis pedagógicos que tenho em esboço.

O que te levou a escrever para este público?
Essencialmente a preocupação com o tipo de leitura consumida pelos jovens de hoje. Muitos deles optam por tipos de literatura que não preconizam valores, não fornecem sabedoria nem preparam para a vida. Aspetos que são cada vez mais importantes integrar na formação de jovens, pois, os conteúdos que eles procuram nos meios audiovisuais, o entretenimento que mais os ocupa atualmente, são pobres em valores e sabedoria, um vazio que conduz à passividade da mente; pelo lado oposto, há conteúdos multimédia, como os videojogos, aos quais os jovens dedicam muito tempo, que hiperativam a mente, mas são tudo estímulos que conduzem à impulsividade e violência irrefletida. Escrevi livros para jovens com intuito de os formar, torná-los mais sábios, mais espertos e mais capazes de serem bem-sucedidos nos desafios da vida, cada vez mais incerta com as sociedades descaracterizadas que a humanidade tem preconizado nas últimas décadas.

Foste coautor de uma obra de carácter biográfico. O que é que essa experiência trouxe à tua escrita?
Trabalhei num projeto que envolveu pesquisa biográfica de cientistas prestigiados da história da Botânica em Portugal, nomeadamente botânicos da Universidade de Coimbra. Produzi resumos biográficos de diversos cientistas que me obrigaram a realizar pesquisas biográficas para completar o puzzle dos respetivos percursos de vida. Esta experiência contribuiu para que eu desenvolvesse um pouco mais as minhas competências literárias, como também ganhasse ainda mais gosto por trabalhar personagens em literatura. Na altura, já me dedicava à escrita, produzindo esboços para as histórias que planeio escrever, que se centravam em retratar vidas de gente real em enredos de ficção criados por mim. Desde então, centrei-me em tentar criar personagens mais reais, mais humanas, ligadas ao sentido da vida. Tudo a atividade que envolva escrita contribui para o crescimento de um autor.



Atualmente estás dedicado à publicação na Amazon. Só este ano já lançaste duas obras de cariz erótico, vertente que em nada se compara aquelas que escolheste anteriormente. O que te motivou a escrever nesse género?
Os primeiros esboços que fiz para histórias de romance envolviam erotismo. Foram histórias pensadas para leitores adultos, consumidores de thrillers e histórias envolvendo amor e sexo. O meu projeto para autor de romances começou assim. Contudo, o erotismo não é parte central das minhas histórias, mas sim um complemento, onde procuro dar expressão a necessidades humanas, como o amor e o sexo, que qualquer pessoa procura, seja na vida real ou nos mais variados meios fictícios de entretenimento, entre os quais se encontra a leitura.
Sempre que leio um romance, ou me sinto preenchido, quando ele retrata todas as vertentes e peripécias do quotidiano da vida humana, tal e qual ela é, com as suas virtudes e os seus vícios, algo que toque o genuíno; ou sinto vazios, quando ele omite certas partes. Eu considero-me um escritor de romance que gosta de retratar a vida real, e é isso que quero que os leitores sintam, ao lerem os meus romances, que aquelas personagens que eu trabalho em textos, podem muito bem ser gente com quem se venham a cruzar na rua no dia a dia. Eu gosto de trabalhar com emoções e despertar emoções em quem lê. Para mim, escrever uma história de amor sem envolver alguns momentos eróticos, mesmo que retratados subtilmente, rouba força e carisma às personagens, pois, acaba por camuflar ou escamotear a realidade, remetendo-as para meras figuras fictícias. E o certo é de que muitos leitores agradam-se ao lerem momentos eróticos em romances, torna a experiência literária mais estimulante, mais sentida e mais real. Quem não gosta de ler romances que o chamem para o mundo real, tal e qual como ele é?

Como foi a reação dos leitores face a este novo lado do escritor?
O tempo o dirá. Cá estarei para avaliar isso. Neste momento, estou envolvido num processo literária intensivo, para publicar um conjunto de romances que tenho em mente, alguns deles em esboço há muitos anos. Quanto tiver publicado um conjunto de obras literárias mais consistente e estiver mais liberto para olhar em volta, logo avaliarei isso. Um autor constrói-se com o tempo, escrevendo momento a momento, até que a sua realidade ou fantasias deem nas vistas e chamem a atenção do universo literário para ele. Como escritor, gosto de surpreender. Espero que os leitores se surpreendam com os meus textos e me surpreendam a mim, mostrando agrado por eles.

Se, no entanto, tivesses de escrever num género diferente daqueles que já experimentaste, a qual desafio te proporias?
Eu tenho vários projetos literários em mente, mas, os que mais me aliciam são o romance de ficção e a poesia. Neste momento, encontro-me a escrever um romance de ficção científica e, posteriormente, irei trabalhar uma obra poética, que já tenho delineada, entregar-me-ei a ela a seu tempo.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Esta é a pergunta mais ingrata que pode fazer-se a uma pessoa que gosta de ler, que gosta de livros, que gosta de autores, ou seja, que gosta da literatura em geral. Poderia escolher uns dos meus livros, pois, gosto de pensar neles e nos conteúdos que trabalhei em cada um deles, uma vez que têm muito de mim. Nesse caso, seria o Xenotrófico, o último romance que publiquei na Amazon, que penso ser uma história extraordinária, nunca iria cansar-me de lê-la. Poderia falar dos grandes clássicos da literatura, uma mais valia em termos de entretenimento e aprendizagem para qualquer leitor, lembro-me de Moby Dick, de Herman Melville, uma aventura notável e educativa para qualquer pessoa. Mas falando de dois livros que gostei de ler ultimamente, que me deram perspetivas diferentes sobre a vida e sobre o Mundo, foi o Bibliotecário, de A. M. Dean, e o Silo, de Hugh C. Howey, duas histórias que acrescentaram algo de novo em mim. Um livro para o resto da vida é um campo aberto, com várias opções e algumas incertezas. Valha-nos o prazer da leitura com o livro que seguramos entre mãos em cada momento e nos deliciarmos com as tramas do seu enredo.

O que podem os leitores esperar de ti no futuro?
O que eu espero de mim é deixar uma grande obra literária, vasta, diversa e marcante para os leitores. Gosto de fazer experiências, inclusive literárias, não tenho medo de arriscar, e espero vir a escrever histórias desde o mais banal até ao mais extravagante. Quando escrevo uma história, escrevo-a para mim, para que me agrade, depois, tenho a esperança de que venha a proporcionar uma boa experiência literária a alguém, e assim será, enquanto tiver tempo e condições para escrever.
Um autor deve escrever para si, coisas do seu agrado, e deixar que sejam os leitores a encantarem-se ou desagradarem-se com os seus textos. Cabe ao autor escrever, e ao leitor escolher os autores que mais lhe agradem. Nunca o contrário. Não penso muito no que os outros esperam de mim, simplesmente, procuro fazer o melhor que posso com os recursos que tenho, com vista a concretizar os meus sonhos. Assim se vive e se vai ao encontro da felicidade.

Descreve-te numa palavra:
Consigo caracterizar um objeto ou um animal irracional com uma única palavra. Agora, um ser humano não, é um ser com uma mente muito complexa e detentor de estados emocionais variáveis em função das circunstâncias e do tempo. Uma palavra é algo demasiado redutor para caracterizar devidamente um ser humano, eu não consigo fazê-lo para ninguém, muito menos para mim mesmo. Caracterizo-me como uma pessoa prática, direta, confiável, disciplinada, determinada, que tem os pés no presente e a cabeça no futuro, e penso que isto está patente na obra literária que tenho vindo a publicar. Mas, em termos literários, impessoais, resumindo o meu trabalho numa única palavra, talvez escolhesse “SENTIDO”, pois, bem ou mal, procuro dar sentido a tudo quanto escrevo.


terça-feira, 15 de outubro de 2019

Na ponta dos dedos com... David da Costa

David, sê bem-vindo a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como é que te iniciaste na escrita?
Creio que foi uma coisa natural. Eu lia muito e dava por mim a imaginar soluções diferentes para as situações apresentadas nos livros e aos poucos ia idealizando histórias. Daí a decidir escrever foi um pequeno passo. Comprei um computador e a partir daí fui escrevendo sempre.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
De total liberdade. Posso decidir o que se vai passar na história o destino das personagens e desligo do resto que me rodeia. É como se estivesse submerso no meu próprio universo.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Acho que mudou o meu vocabulário. Fui conhecendo palavras até então desconhecidas e até a construção das minhas frases mudou. Também fez com que os colegas recorressem a mim quando é necessário fazer algum texto. :)

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Antes de tudo, não me considero de todo escritor. Acho que esse é um estatuto que pertence a quem tem uma carreira sólida na escrita e não é o meu caso. Mas enquanto autor tenho aprendido a conseguir despertar emoções nos outros enquanto leitores e em mim mesmo enquanto escrevo. É deveras gratificante ouvir as pessoas a dizerem que parece que estão a cheirar os cheiros do livro e a viver as situações como se estivessem dentro da acção. Tudo isso são aprendizagens, e uma grande responsabilidade!

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
Um passatempo, sem dúvida, mas que me dá imenso prazer.

És professor de artes marciais. Esta área tem alguma influência na tua escrita?  
Nem por isso, a não ser nas cenas de lutas onde talvez tenha alguma facilidade em "coreografar" as mesmas. 

Publicaste o teu primeiro livro em 2010, A Espada Flamejante. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
Bom... O processo que envolveu "A Espada Flamejante" quase dava um livro. Não pelo lançado em 2010, mas pela tentativa anterior onde fui, como acontece com vários autores, enganado por uma "editora" e perdi bastante dinheiro, que felizmente consegui reaver anos depois, após processos em tribunal que ganhei.
Mas falando do livro de 2010, a premissa é a mesma do livro "O Despertar do Nefilim": um descendente de um Arcanjo e uma Espada, mas passado numa época medieval e com toda a mitologia inerente à mesma (orcs, elfos, grifos, etc.). O livro é direccionado para um público juvenil, de leitura fácil e que relata a eterna luta entre o Bem e o Mal onde o herói vai encontrando aliados ao longo do caminho. É um livro de leitura leve, diferente deste meu novo projecto.

O que é que essa experiência trouxe à tua vida?
Sobretudo a vontade de continuar a escrever e alguma admiração de amigos e colegas.

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Estás a preparar o lançamento da tua segunda obra, O Despertar do Nefilim. A que público se destina este livro?

Sobretudo ao público mais adulto, porque tem cenas e linguagem violentas.

O que te motivou a escrevê-lo?
Sobretudo a vontade de escrever algo diferente. A minha maneira de escrever mudou radicalmente desde que fui pai pela primeira vez. A paternidade fez-me ver o mundo de maneira diferente. Se havia notícias que causavam pouco impacto em mim, agora vejo-as de uma outra maneira, da mesma forma que antes o mundo era preto e branco, tal como no livro "A Espada Flamejante" onde os bons são só bons e os mais são só maus. Com o nascimento do Afonso, comecei a ter noção de que há uma zona cinzenta, e é com essa zona que temos que nos preocupar pois não sabemos verdadeiramente o que nos reserva quando nos vemos com alguém que temos que proteger até com a nossa vida as coisas deixam de ser "preto no branco". Por esse motivo o projecto "A Espada Flamejante" ficou interrompido, mas espero regressar a ele para o terminar, mas com uma continuação completamente diferente da primeira parte.

Quais são as tuas expetativas em relação a este novo projeto?
Espero sobretudo que agrade a quem o ler e sobretudo que se divirtam tanto a fazê-lo como eu me diverti a escrevê-lo. A viagem da escrita deste livro foi deveras divertida e enriquecedora a todos os níveis.

Se, no entanto, tivesses de escrever num género diferente daqueles que já experimentaste, a qual desafio te proporias?
Ui, essa é difícil... Provavelmente um "Thriller", mas não sei se teria capacidade para o escrever.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Bom, essa pergunta é muito complicada porque já li muitos livros e cada um despertou em mim emoções diferentes, mas se tivesse que escolher apenas um para ler, provavelmente escolheria "O Hobbit" de Tolkien.

O que podem os leitores esperar de ti no futuro?
Se o tempo permitir, a continuação de "O Despertar do Nefilim".

Descreve-te numa palavra:
Sonhador.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A Ampulheta, de Elisabete Pinho | Novidade


De início, pensei que tudo era apenas uma coincidência do destino, do destino que eu própria manipulei.
 Depois, percebi que não existem coincidências!
Com o decurso dos acontecimentos, vi-te para lá no tempo, na cerca, no alpendre, na cascata, num tempo onde o passado é agora e o agora é depois...
Vidas que se confundem como se fossem passado, presente e futuro.
Num presente ausente, num passado sofrido, num futuro incerto.
No limiar da culpa, dividida entre a emoção e a razão, entre o amor e a paixão, entre o certo e o errado.
E se o errado for o certo?
Um amor que veio de uma vida passada, proibido, mas que me faz sentir viva!
Um encontro que desperta a alma, que aquece o peito, que atormenta o ser!
Um diário perdido que muda toda uma história.
Num tempo, onde o passado é a eternidade que nos aguarda, para lá do fim, para além da morte!
Como o fluir da areia de uma ampulheta!



Na ponta dos dedos com... Carla Pinto


Carla, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar:
Como é que te iniciaste na escrita?
Começo por agradecer à Oficina da Escrita. Quanto à pergunta, apesar de só ter publicado recentemente, sempre tive escritos e pequenas histórias espalhados pelos meus cadernos. Pode dizer-se que o início oficial foi há três anos.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Depende muito da nota em que acorde, mas sinto-me muito mais criativa artisticamente em estados de espírito negativos ou depressivos. A “felicidade” chama muito mais pela fotografia.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Alterou completamente aquele receio que provavelmente todos temos de expor as nossas criações ao público. Se já era uma pessoa que pouco me preocupava com a opinião alheia, hoje em dia não me preocupo mesmo nada. Não o digo de modo depreciativo, como se as opiniões não interessassem, apenas encaro-as como um direito que todos temos e que sou só eu que decido se essas opiniões devem ou não ser levadas em conta. E são muito poucas as que considero relevantes, por muito arrogante que isso possa parecer. 

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Tenho uma certa dificuldade em ver-me como escritora, acho que é daqueles títulos que tem de se chegar a um certo nível para o merecer. Como tal, como escritora ainda não aprendi nada, porque ainda não cheguei ao nível que considero ser necessário para vestir o título.

Como definirias a escrita na tua vida: um passatempo, uma necessidade ou um acaso?
É a trindade dessas opções. Todas elas. É um passatempo que surgiu de uma necessidade e que resultou num acaso de alguns textos publicados em revistas de motociclismo e neste meu primeiro livro publicado.

És fotógrafa e roadtripper. Estas áreas tão distintas têm algum impacto na tua escrita?
Sem dúvida nenhuma. Tanto no facto de ter uma foto que me sugere automaticamente um determinado tipo de texto, como no oposto, em que penso num texto e procuro depois uma foto que o represente.

Fonte: MotoNews

Publicaste o teu primeiro livro, #13Treze, uma obra onde misturas poesia com imagens e o mundo biker português. Podes falar-nos um pouco sobre este livro?
O #13Treze é precisamente o resultado de diversos poemas que precisavam de fotos, que por sinal as tinha vindo a tirar ao longo de vários eventos motociclistas sem me aperceber que se enquadravam perfeitamente naquilo que precisava. Fez-se o clique numa das noites em que estava a reler alguns desses textos e editava algumas fotos tiradas no Sábado anterior.
O #13Treze pode ser visto de três maneiras (ou até mais se as descobrirem), podem ver as fotos, podem ler apenas os textos ou podem (a minha preferida e a base de o ter publicado) ver as fotos e ler os textos e perceber a acção que dos dois juntos surge. Como se fossem fragmentos de filmes parados nos subtítulos das falas dos actores.

O que te motivou a publicá-lo?
O facto muito de simples de que mostrar ou até provar a união improvável de dois mundos completamente diferentes. A poesia e o motociclismo não costumam surgir juntos em papel, em ecrã sim, mas não em papel.

Como foi a reação dos leitores face a este projeto?
Acho que foi e tem sido boa, tendo em conta que sou uma desconhecida com um único livro editado. Tenho a percepção de que continua a ser muito bem recebido pelo público em geral.

Se nos aventurarmos pelo teu site oficial ficamos a saber que o segundo volume do #13Treze está a ser produzido. O que podem os leitores e amantes das vertentes que reúnes nestas obras, esperar de ti no futuro?
O segundo volume do #13Treze está a ser produzido sim, mas não me vou adiantar muito sobre ao assunto, até porque na minha própria cabeça só está decidido parte do processo. Depois tenho mais três ideias na forja, sendo que duas delas são em áreas totalmente diferentes dos #13Treze. Mas como o tempo acaba por ser limitado para gerir tudo, acho que tenho em mãos muito com que me entreter pelos próximos cinco anos? Talvez mais.

Quando é que o segundo volume chegará aos leitores?
Algures na segunda metade de 2020 mas ainda sem data marcada.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
“Caim” de José Saramago. Tem uma imortalidade sobre a qual todos deveríamos ler vezes sem conta até percebermos a mensagem e provavelmente percebermos também o que é realmente importante na imortalidade. Se o ser imortal, se o ensinar essa mesma imortalidade.

Se tivesses de escrever num género diferente do teu registo atual, a qual desafio te proporias?
Acção e Espionagem. Deve ser provavelmente das coisas mais difíceis de escrever. Manter o suspense de um enredo de espionagem até ao fim em palavras e sem recorrer a qualquer imagem é só para génios.

Descreve-te numa palavra:
Inconstante.