domingo, 30 de junho de 2019

Na ponta dos dedos com... Maria Helena Costa


Maria Helena, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Desde criança que amo ler e acredito que a escrita surgiu devido a essa paixão por livros. Há alguns anos, com o advento da Internet, criei Blogs no Sapo e comecei a escrever com o intuito de levar o evangelho a mais pessoas. Quando fiquei desempregada decidi pegar em alguns desses textos, adaptá-los e passá-los para livro. Enviei-o a uma amiga e ela aconselhou-me a procurar uma Editora. Foi o que fiz e daí para cá não parei de escrever.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Alegria e dever! A alegria de partilhar o Evangelho, a História da fé cristã, a Bíblia (tão ignorada por um povo que se afirma cristão) e experiências de vida. O dever de alertar as pessoas contra as falsas doutrinas e ideologias nefastas.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Nada! Jesus Cristo mudou tudo em mim e é isso que procuro passar para o que escrevo.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Muito! Tenho aprendido a ser mais paciente, mais gentil, e a depender cada vez mais de Deus. Também aprendi que é quase impossível chegar a uma editora conceituada e que as editoras conceituadas não editam livros politicamente incorrectos ou de ilustres desconhecidos. Como não sou figura pública, nem escrevo romances, o mercado é ainda mais difícil, mas o caminho faz-se caminhando.

Tens algum ritual de escrita?
Muito estudo! O que escrevo é fruto de muita pesquisa e de muito estudo. Não consigo ter um plano/ritual de escrita, pois só consigo escrever quando o pensamento flui e as ideias surgem. Apesar de escrever sobre factos históricos e doutrina, preciso manter uma conversa fluída com o leitor e nem sempre estou com disposição para longas conversas.

Estudas e escreves sobre Religiões e Seitas à luz do Cristianismo bíblico e histórico e és também investigadora nas áreas de Religiões e Seitas, História e História da Igreja. Qual o impacto que a religião tem no teu trabalho enquanto escritora?
Sou cristã. Antes de qualquer outra coisa, sou cristã. Como tal, o meu trabalho como escritora tem que ser rigoroso, honesto e teologicamente bíblico. Infelizmente, há pessoas que pensam que só porque alguém é cristão não está habilitado a falar sobre o que quer que seja, pois vê o mundo com “óculos religiosos”. A grande verdade é que todos vêm o mundo com “óculos” e escrevem de acordo com a sua cosmovisão de mundo, religiosa, ou não.

E enquanto pessoa?
Religião vem do termo re-ligare e significa: caminho ou ponte, que o homem constrói na tentativa de chegar a Deus e obter o Seu favor. Cristianismo é o oposto. Deus busca o homem perdido, morto em delitos e pecados, incapaz de se voltar para Deus. Jesus Cristo, o Filho amado enviado pelo Pai, é o único caminho para Deus. Ele veio a este mundo para salvar e buscar o que se havia perdido, morrer em lugar de miseráveis pecadores, como eu, e, graciosamente, por meio do seu sangue derramado na cruz do Calvário, salvar alguém tão indigno como eu. Ele mudou a minha vida. Amou-me, chamou-me, ressuscitou-me e deu-me um novo coração. Ele é a minha religião — aquEle que me liga ao Pai, o Deus Todo-Poderoso, Criador dos Céus e da Terra — o único que pode restabelecer a comunhão [religião = re-ligare] do ser humano com Deus e intercede diante do Pai, instantemente, pelos seus. Ser cristã é viver em, e para Cristo, ser sua imitadora e viver de forma que Lhe seja agradável, confiando que nada foge ao seu plano e propósito para a humanidade e que estou segura em Suas mãos, aconteça o que acontecer, na vida e na morte. Jesus Cristo mudou meu viver. Ele chamou-me para ser sal e luz neste mundo. Vivo para O glorificar, escrevo para que mais pessoas O possam conhecer e também para denunciar as astutas ciladas do Diabo.

Publicaste recentemente, “Identidade de Género”. Podes falar-nos um pouco sobre este livro?
Este livro é o resultado de mais de quatro anos de estudo intensivo (daria para tirar um mestrado) sobre um assunto, que, até a mim, parecia ser mais uma “teoria da conspiração”, mas que veio a revelar-se a mais terrível realidade a ser enfrentada pela família. Na verdade, o livro é sobre a ideologia do género. “Identidade” e “igualdade” são duas das máscaras usadas para impor uma ideologia desconstrutivista na Escola, violando gravemente a Constituição da República Portuguesa e o direito dos pais à educação moral e religiosa dos seus filhos.

O que te fez debruçar sobre um tema tão complexo como este?
Complexo? Não é assim tão complexo quando o analisamos à luz da verdadeira Ciência e da Biologia, sem nos deixarmos iludir por jargões, que até parecem piedosos, e que vêm sendo repetidos e promovidos até à exaustão. Ler a triste realidade do que acontece nos países onde esta ideologia foi imposta há mais tempo e os resultados nefastos que tem provocado em crianças, que não têm como se defender desta ideologia de adultos, para adultos, fez-me debruçar sobre este tema. Quando se erotizam/sexualizam criancinhas desde a mais tenra idade, dispara o número de crianças confusas quanto à sua sexualidade e que começam a ter experiências sexuais demasiado cedo. Por exemplo, o Reino Unido está a viver um surto de crianças transgénero, que não obedecem aos pais, e o número de crianças diagnosticadas com depressão disparou 4000% (não, não me enganei nos zeros) em apenas 4 anos. Graças a Deus, já houve 5 países que tiraram a ideologia do género das Escolas e, acredito que quando os pais perceberem exactamente o que se está a passar, expulsaremos esse cancro da Escola e salvaremos as nossas crianças de uma ideologia totalitária e totalmente intolerante.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Excelente! Estamos a preparar a 2ª edição e tenho recebido um bom feedback dos leitores.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Sim. “Espiritismo – Lógica? Razão? Coerência?”; “Todas as coisas me são lícitas…”; “Quem é? – Abra a porta ao mundo secreto das Testemunhas de Jeová e saiba o que elas não lhe dizem”; “Nascidos Católicos”; “Órfãos de pais vivos” e “SE Deus existe…”

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves, para além daqueles que podemos encontrar nos livros já publicados?
Para além dos livros que já escrevi, sobre temas que amo abordar, estou a pensar escrever sobre o feminismo e a feminilidade.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
A Bíblia. Leio-a todos os dias, na companhia do Autor.

Pensas em publicar novamente?
Sim, e já tem título: “Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei.” – SERÁ?

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Nunca pensei nisso. Só sei que não seria poesia. Rimar não é comigo, sou mais prosa.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
O que podiam esperar desde que comecei a escrever: autenticidade, verdade, coragem e amor. Amar, é dizer a verdade.

Descreve-te numa palavra:
Cristã.



sexta-feira, 28 de junho de 2019

Na ponta dos dedos com... José Assis


Olá, José. É um gosto poder conhecê-lo melhor e apresentá-lo aos seguidores deste espaço; para começar, “foi músico, contabilista, fiel de armazém, militar, despachante de carga e comissário de bordo”, mas atualmente trabalha como musicoterapeuta, assim o diz a sua biografia. Pode falar-nos de como estas áreas tão díspares se interligam na sua vida?
As dificuldades de vida dos Pais originaram que os rapazes da família estudassem o Curso de Comércio, com vista à obtenção rápida de trabalho como contabilistas; mas o ensino de piano da Mãe às três irmãs e a sua prática coral e pianística, funcionou como um curso de imersão musical para mim e meu irmão, com quem cantei no côro da igreja, num quarteto a capella de música ligeira e posteriormente em duo. Após o que integrei um grupo vocal e musical, começando realmente a trabalhar como músico aos 16 anos de idade, entrando dois anos depois para uma empresa, continuando a cantar e tocar. Cumpri o serviço militar obrigatório como miliciano e, na busca da aprendizagem mudei de cidade para estudar música. Impossibilitado de o fazer, fui admitido na TAP como despachante de carga e depois comissário de bordo. Apesar de continuar a escrever canções, ter concorrido a Festivais da Canção e até aparecer num Programa de entretenimento da televisão em 1983, só muito mais tarde me licenciei e tirei o Mestrado em Musicoterapia; este, motivado por interrogações desde os 9 anos até aos nossos dias.

Se, no entanto, precisasse de optar apenas por uma destas áreas, qual seria a eleita?
Uma ligada à autoria, interpretação de música e de musicoterapia e reabilitação.  

“Da freguesia do Socorro, em Lisboa, para a de Cristo-Rei de Algés; de Algés para a de Nossa Senhora do Pópulo, Benguela; de Benguela ao Bié e a Luanda; regressando a Algés, passando por Arroios, São Mamede e São Domingos de Benfica, até pousar em São Julião da Barra, Oeiras”. Os locais onde viveu influenciaram o seu trabalho enquanto escritor e músico?
Sem dúvida que sim; tenho memórias de vida e música tradicional portuguesa, seja de ranchos folclóricos do Minho ou do Algarve cá em Portugal Continental e de pregões citadinos da região de Lisboa; dos cânticos do calendário litúrgico e de fado tanto cá como em Angola, onde nas rubricas de “discos pedidos” ao fim de semana os fados constituíam cerca de 99 por cento das solicitações; de canções ligeiras também cá e lá, além de ter assistido ainda a debulhadas com cantos algo improvisados no Alandroal e, a cânticos angolanos de trabalho, alegria e evocação na região de Benguela, onde cresci e no Bié. 

Como é que surgiu a escrita na sua vida?
Como sou o filho mais novo, ouvi muito do que a família conversava e, Mãe e irmãs exprimiam no piano e canto; ouvia fascinado os folhetins radiofónicos, que me prendiam e me faziam imaginar mundos e realidades inúmeros. Nas redações da 3ª e 4ª Classes desenvolvia um enorme romance esquecendo-me do tempo; quando tocava para sair e para tristeza minha, tinha de acabar abruptamente a história. Por volta dos 16 anos, senti a necessidade de escrever os meus sentimentos, de modo a lê-los e reflectir sobre eles. Não só os meus afectos, como a observação de factos da vida, me levaram a tentar observar-me através do que sentia. Tocávamos muito em bailes, nos quais  conviviam três ou quatro gerações, sendo todos oportunidades de discernir sobre toda aquela riqueza relacional. Também a leitura de banda desenhada seguida de autores da literatura nacional e estrangeira, além da curiosidade pela letras das canções preferidas, me levaram a querer rascunhar as minhas vivências, imaginações e reflexões.


Em 2016 publicou o seu primeiro livro “Canções da Adolescência”. Pode falar-nos um pouco sobre ele?
É o resultado da necessidade de registar as minhas experiências de vida, sua digestão, compreensão e esperançosa transformação em actos. Escrevê-lo, foi como que uma primeira intervenção na mudança.

Como surgiu a ideia para o escrever?
Como duvidava da possibilidade de editar um disco e, já tendo os temas escritos desde a adolescência, decidi arriscar o envio do conteúdo a editoras livreiras em homenagem ao meu filho.

É uma obra que, tal como me referiu inicialmente, é composta por canções que foi escrevendo ao longo da sua vida. O que o levou a decidir-se por este género literário?
Porque nasci e cresci a ouvir também o género de melodia cantada e acompanhada, iniciando a minha expressão desse modo, imprimindo um certo ritmo aos versos e à musicalidade neles implícita. Entretanto, gostaria de ler as minhas redações agora.

Como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Já há muito mais tempo, uma leitora epitetou-o de masculino; na Feira do Livro do Porto em 2017 um senhor folheou-o avidamente, perguntando-me logo a seguir e legitimamente pelas músicas. 

Está agora a trabalhar na edição de um CD composto por algumas das canções presentes no seu primeiro livro. Pode falar-nos um pouco dessa experiência?
Foi interessante, pois letras e músicas já estavam há demasiado tempo dentro de mim. A edição do CD faz-me agora revisitar as situações de vida que as originaram, assumindo também hoje uma ou outra compreensão algo diferente da vida. Felizmente o CD já está editado, faltando a sua apresentação formal e ao vivo.

Qual a importância que a música tem na sua vida?
É vital, talvez pela estimulação infanto-juvenil a que fui submetido.

E a escrita?
Está em relação íntima com a aprendizagem pela vida fora.

Se tivesse de escrever noutro género literário, a qual desafio se proporia?
Conto, ensaio, biografia.

Já realizou outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Publicados, estão “Musicoterapia Recreativa e Improvisação com Adultos em Unidade de Reabilitação Alcoológica” do âmbito académico e, um Conto “Om Mani Padme Hum” editado de modo resumido.

O que é que o público em geral pode esperar de si para o futuro?
Algum crescimento, combinando melhor talvez algum arrojo e também contenção.

Descreva-se numa palavra:
Silêncio.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Organiza-te no amor, de Marta Leal

Organiza-te no amor é um livro da autoria de Marta Leal, terapeuta de desenvolvimento pessoal, blogger, coach e palestrante. A Marta já foi entrevistada pelo blogue e hoje partilho convosco o seu livro, livro esse que surgiu no âmbito do seu trabalho enquanto coach.

Organiza-te no amor é um livro simples e direto com uma abordagem simples e diferente ao amor e às relações humanas. À medida que vamos avançando nas páginas, vamos aprendendo com as questões que a autora levanta ao leitor e simultaneamente vamos conhecendo a história de amor do Paulo e da Teresa.

É este ponto que torna a leitura interessante, a escrita é acessível e prática, focando em pontos essenciais tais como, quem somos, o quanto gostamos de nós, quem somos nos nossos relacionamentos e a partir destas questões somos levados a refletir sobre nós próprios e o amor.

A autora apresenta-nos objetivos para nos organizarmos no amor, crenças e convições que nos limitam e incentiva ao amor próprio, acima de qualquer outro, é portanto uma leitura em tudo enriquecedora.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Na ponta dos dedos com... Diana Bastos Couto


Diana, sê bem-vinda a este espaço. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Iniciei-me na escrita bastante cedo, quando andava ainda na escola primária. Escrevia redações enormes quando andava na escola primária e contos, alguns dos quais deverão ainda estar no sótão de casa dos meus pais. Concorria a concursos de contos infantis na escola, e cheguei até a ganhar alguns. Entretanto, por falta de tempo ou de iniciativa, parei de escrever. Até agora.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Escrever é um prazer. Durante a escrita deste livro, que durou aproximadamente dois meses e meio, sempre que tinha algum tempo livre, sentava-me em frente ao computador para escrever. Começava a escrever a primeira frase, a segunda, e tudo o resto fluía naturalmente. A escrita transmite-me uma sensação de liberdade e de alegria. E estimula bastante a imaginação! Ao longo do processo, dou vida a diferentes personagens, com personalidades e vivências muito distintas, e isso dá-me ainda mais gosto para continuar...

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita tornou-me uma pessoa mais atenta. E sobretudo fez-me aprender a pensar pelos outros. O processo de criação de personagens obriga um autor a pensar na segunda pessoa, a ver o mundo numa perspetiva que, a maior parte das vezes, não é de todo a dele. Isso implica estar mais atenta às conversas que temos com os outros, a prestar mais atenção ao mundo que nos rodeia, porque tudo à nossa volta serve como fonte de inspiração.

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Muito. A escrita é, ao mesmo tempo, um trabalho de descoberta e, diria, de pesquisa também. O facto de descrever vivências que não são as minhas obrigou-me a contactar pessoas que passaram por algo semelhante e a ler testemunhos na Internet. Aprende-se imenso. Por exemplo, durante a escrita do meu livro, aprendi bastante sobre voluntariado, do qual não tinha a mínima noção antes.

Tens algum ritual de escrita?
Não posso dizer que tenha um ritual. Só o de me sentar em frente ao computador e deixar as ideias fluírem. Às vezes escrevo à noite, depois de um dia de trabalho, outras vezes durante um dia completo, sobretudo no meu dia de folga. Escrevo quando me sinto com energia e imaginação para o fazer.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?
As duas coisas. É um passatempo, algo ao qual me dedico nos meus tempos livres, mas que faço porque tenho necessidade. Quando tenho ideias tenho necessidade de as expressar, e uso a escrita para isso.

Doutoraste-te em Ciências Farmacêuticas. Esta formação teve impacto no teu trabalho enquanto escritora?
Sim. As nossas vivências, de uma forma ou de outra, influenciam a forma como escrevemos e o que escrevemos. Uma das personagens do meu livro é estudante de doutoramento, tal como eu fui. Talvez se não tivesse feito um doutoramento nem sequer teria pensado em dar corpo a uma personagem que tem este tipo de trabalho. Apesar das vivências da personagem enquanto estudante não serem de todo as minhas.
Publicaste recentemente o teu primeiro romance, “Duas Irmãs”. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
Claro que sim. É um romance que conta a história de duas irmãs gémeas, a Laura e a Gabriela, e a vida delas desde que nasceram até à idade adulta. A um dado momento, a vida delas segue caminhos diferentes e, sem desvendar muito, há um suicídio que afeta as personagens e a forma como elas lidam com isso. É um livro que leva as pessoas a refletir sobre temas como a depressão, a saúde mental, o ritmo de vida atual e a influência das nossas ações na vida das pessoas que nos rodeiam.

É um livro que aborda temáticas complexas, tais como o suicídio e a depressão, tornando-o certamente num livro de emoções fortes. O que te levou a escrever sobre esses temas no teu primeiro romance?
Infelizmente, pouco antes de começar a escrever o livro, tive conhecimento de alguém que se tinha suicidado por não aguentar a pressão no trabalho. A sobrecarga de trabalho e o mal-estar que isso provoca nas pessoas é, infelizmente, um tema bastante atual e que é ainda tabu. As pessoas não abordam habitualmente este tema com facilidade. Foi aí que decidi escrever o livro. Vivemos numa sociedade que está em constante competição e o bem-estar das pessoas é sempre deixado para segundo plano. E é algo para o qual todos temos de despertar... 

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Tem sido boa. O livro foi lançado em maio deste ano e recebi já algumas mensagens de amigos que compraram o livro e que o leram de uma só vez sem interrupção, porque a história os cativou. Acharam interessante a forma realista como descrevi as emoções de cada personagem ao longo do livro, e o facto de que consegui descrever o que é ter uma irmã gémea (dito por alguém que tem uma irmã gémea). Por isso, as críticas foram positivas, de forma geral.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves, para além daqueles que podemos encontrar no teu primeiro livro publicado?
Depende. Gosto de escrever sobre viagens, artigos de opinião sobre temáticas atuais (emigração, desemprego, ...), sobre temas que façam refletir as pessoas. Por vezes, isto implica escrever sobre temas polémicos e tristes, porque é nos momentos tristes ou quando há uma polémica sobre algo que passamos mais tempo a refletir. 

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Este é o meu primeiro romance. Escrevia bastante quando era pequena, mas eram pequenos contos que acabavam guardados no sótão dos meus pais, pelo que não pode ser considerado verdadeiramente um trabalho. Tenho alguns trabalhos escritos publicados, mas que são trabalhos mais técnicos, como artigos ou teses. Este é verdadeiramente o meu primeiro trabalho no âmbito da escrita. 

Gostas de ler? Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Adoro ler! O livro privilegiado seria "Viver depois de ti" de Jojo Moyes. Li este livro, vi o filme e adorei. Seria bem capaz de lê-lo de novo e, ainda assim, continuaria a gostar. 

Pensas em publicar novamente?
Talvez. O mundo literário é um mundo difícil atualmente, diria mesmo impenetrável. É muito difícil conseguir visibilidade para quem está a começar. Mas não teria problemas em publicar novamente. 

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Contos infantis. É algo que me motiva e que talvez faça no futuro. 

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
No seguimento da questão anterior, talvez a publicação de um livro infantil. Ou outro romance sobre uma temática atual que faça as pessoas refletir. O futuro o dirá... 

Descreve-te numa palavra:

domingo, 23 de junho de 2019

Inverno, de Mónica Guerra

Inverno (COMPRAR AQUI) é um título da autora portuguesa, Mónica Guerra, e é também o primeiro volume de uma saga lançada pela Emporium Editora, cujos títulos seguintes serão as demais estações do ano.

Mónica Guerra publicou a sua primeira obra em 2007, De manhã já te esqueci, baseada na sua tese de licenciatura, e em 2015, A Prometida. No ano transato, retornou à publicação com este romance de época de que hoje vos venho falar.

Através de uma narrativa bem delineada e com uma excelente dose de ação e romance, somos transportados para o passado e convidados a conhecer os protagonistas desta história, Leónia Lencastre, neta bastarda do rei, e Alexandre Toledo, um Cavaleiro da Ordem. 

Personagens reais, com as quais o leitor cria empatia e que conferem dinamismo e fluidez quer à história em si, quer à leitura.

A linguagem da autora é simples e acessível, rica em detalhes e emoção e prende o leitor, levando-o numa viagem através do tempo, marcada por reviravoltas, intrigas, traições e paixões.

Esta foi sem dúvida uma excelente aposta por parte da Emporium e não poderia deixar de recomendar a autora e a sua obra. A leitura de Inverno despertou a minha curiosidade para o primeiro livro da autora que espero ler em breve.

Fica aqui a sugestão de leitura de um autor português que certamente agradará os leitores.

sábado, 15 de junho de 2019

O Rapaz Que Conquistou O Mundo, de Trent Dalton

O Rapaz Que Conquistou O Mundo (COMPRAR AQUI) é um livro escritor pelo autor australiano, Trent Dalton e publicado recentemente em Portugal pela HarperCollins.

Nesta obra acompanhamos o jovem rapaz Eli Bell, de treze anos, que cresce nos subúrbios de Brisbane, marcada pela pobreza e pela criminalidade. A narrativa decorre durante a década de oitenta.

A família de Eli é um tanto disfuncional e incomum: a sua mãe e o seu padrasto são traficantes de drogas, o seu irmão, August, tem sido voluntariamente mudo desde os seis anos de idade, e o seu babysitter é um assassino condenado e fugitivo da prisão.

Apesar das controvérsias desta relação familiar, o amor que existe na mesma é evidente, e é notório o esforço de Eli e daqueles que o rodeiam, por serem melhores.

Esta década que acompanhamos na vida de Eli é marcada por sentimentos tão díspares como o trauma, o amor e a vingança.

Esta é uma narrativa construída a partir da própria experiência de vida do autor, embora uma boa dose de ficção esteja patente. 

Trata-se de uma obra bela e espirituosa, com uma escrita irreverente e pejada de emoções, onde a violência, guerras de drogas, assassinos e loucos integram grande parte da narrativa, contudo, ainda assim é uma história repleta de esperança, que se torna impossível de largar.

Uma leitura:

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A Irmandade da Rocha de Analita Alves dos Santos

A Irmandade da Rocha (COMPRAR AQUI) de Analita Alves dos Santos é uma história para os mais pequenos, que ganhou um lugar no meu coração.

Para além das bonitas ilustrações da Marta Jacinto, esta obra tem um carácter didáctico e educativo, sendo que passa uma mensagem para os leitores mais jovens e até para os adultos.

Daniela é uma estrela do mar que decide descobrir se noutras partes do mar existirão outros como ela, é assim que Daniela inicia a sua jornada, privando com um ouriço do mar e descobrindo mais sobre o Oceano que a rodeia.

Porém, nada é fácil para os animais marítimos que no verão são muitas vezes capturados pelos homens, e esta é uma obra que visa consciencializar os mais novos para a importância da preservação do Oceano e da sua biodiversidade.

Com "Dicas para Exploradores" no final, este conto é uma mão cheia de aprendizagem para todas as idades. A linguagem da autora é simples e a narrativa bem construída torna a leitura agradável.

Uma estrela brilhante de Ana Rita Nápoles

Uma estrela brilhante (COMPRAR AQUI) é um pequeno conto dedicado aos mais novos, da autoria de Ana Rita Nápoles, publicado sob a chancela da Emporium Editora.

Este é um conto muito simples e cujo objetivo é comover o leitor, pela sua simplicidade e inocência. Nele conhecemos Salvador, um menino que vivia sozinho numa estrela brilhante e que sonhava um dia ser um menino de verdade. Salvador decide aventurar-se e vai saltando de estrela em estrela até chegar ao planeta Terra, onde ganha forma e vida, nascendo no seio de uma família feliz.

Este conto foi inspirado no Salvador, filho da autora, e não é coincidência que o nome das personagens deste conto sejam o nome dos membros da família da própria. Dedicado ao filho e com ilustrações da filha Anita, este é um livro para deliciar os mais pequenos, com uma linguagem acessível e simples.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Na ponta dos dedos com... Marta Leal


Olá, Marta. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar, “Blogger, coach, palestrante, autora, contadora de histórias, formadora e uma apaixonada pela vida.”, assim o diz a tua biografia. Podes falar-nos de como estas áreas tão díspares se interligam na tua vida?
Olá Letícia, para mim estas áreas não são assim tão díspares. Para mim complementam-se na medida em que todas elas me permitem fazer o que mais gosto que é motivar e inspirar.

Se, no entanto, precisasses de optar apenas por uma destas áreas, qual seria a eleita?
Sem dúvida a escrita. É nas letras que me alinho com quem sou e que consigo sentir as mais variadas emoções. À medida que vou escrevendo as histórias vou sentido o que estou a escrever. Dou por mim a rir, a chorar, a comover-me e até a irritar-me. É exatamente na escrita que perco a noção do tempo, da fome, da sede e do sono. E quando perdemos a noção do que estamos a fazer … está tudo dito.

Como é que surgiu a escrita na tua vida?
A escrita surgiu desde cedo. Mas só há cerca de quinze anos percebi que escrever me fazia bem. Que me acalmava a mente e me arrumava as ideias. Depois foram surgindo uns blogs e umas colaborações de escrita aqui e ali.

Publicaste recentemente uma obra “Organiza-te no Amor”. Podes falar-nos um pouco sobre este livro?
O “organiza-te no amor” é um livro simples e prático que apela ao amor-próprio. Traduz-se num processo de desenvolvimento pessoal onde o foco é a necessidade de existir amor-próprio nos relacionamentos. À medida que vou falando do processo vamos acompanhando a história de encontros e desencontros entre o Paulo e a Teresa.

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Como surgiu a ideia para o escrever?
O “organiza-te no amor” surge na sequência do desenvolvimento da minha profissão enquanto coach e do facto de independentemente do objetivo de quem me procura, a questão dos relacionamentos ser algo que acaba por surgir. E, também resultado de um processo pelo qual eu própria passei.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Tenho recebido as mais variadas reações. Na grande maioria existem tomadas de consciência, mas o feedback recorrente é que é um livro para se ter sempre à mão.
O melhor feedback foi quando recebi a mensagem de alguém a dizer-me que graças ao meu livro percebeu que estava num processo de violência no namoro, e que não queria fazer parte da estatística.  Só por isso já valeu a pena publicar o livro.

A que público se destina esta tua primeira obra?
A todos aqueles que se queiram conhecer melhor, e que queiram trabalhar o modo como se relacionam consigo e com os outros.

A primeira de muitas, é verdade?
Sem dúvidas. Acredito que seja a primeira de muitas. Ideias não me faltam.

Pensas em publicar novamente?
Penso. Já está começado e faz parte de um projeto que tem por base a ideia de que todos podemos fazer da nossa vida inspiração, e todos podemos inspirar os outros.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Aqui hesito entre o livro de contos ou o romance, mas acho que o romance me iria dar muito prazer. Tenho várias pessoas a pedirem-me para fazer uma coletânea de algumas coisas que tenho escrito ao longo dos anos, mas ainda não me faz sentido.

Qual a importância que o Coaching tem na tua vida?
Antes de te responder é importante falar do modo como trabalho o coaching.  Eu trabalho coaching mais focado no autoconhecimento, autoaceitação, na autoconsciência e na autorresponsabilidade. O meu foco é que cada pessoa que me procura se conheça, se aceite, tenha consciência da sua filosofia de vida e se responsabilize pelos seus resultados. Quando isso acontece o mundo fica melhor. E, poder contribuir para um mundo melhor através do coaching já responde a esta pergunta, certo?

E a escrita?
Quando era miúda adorava ver a série policial “crime, disse ela” onde a protagonista escreve livros ao mesmo tempo que resolve crimes. E, eu imaginava-me uma Jessica Fletcher, sempre a viajar para promover os livros e a escrever. Penso que todas aquelas histórias me conduziram ao ponto em que estou hoje.
Reconheço que a escrita é, muitas vezes, relegada para segundo plano, e quando isso acontece sinto-lhe a falta. Sinto a falta das letras, das ideias e das histórias que vão surgindo na minha cabeça. Até porque quanto mais escrevo mais vontade tenho de escrever. Como já referi anteriormente a escrita faz-me perder a noção do tempo e do espaço. Embrenho-me de tal forma que perco a noção da realidade.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Já fiz umas colaborações em alguns sites, e escrevi em parceria com outras bloggers um livro dentro do projeto “Fábrica de histórias”. Contos a várias mãos. Uma experiência muito interessante e que serviu para me desinibir neste mundo da escrita.

Gostas de ler? Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Adoro ler e ter de escolher um único livro é doloroso, mas vou ter de eleger “Os Maias” do Eça de Queiroz.

Sobre que temas te debruças para contares histórias, sendo que te autointitulas como uma contadora de histórias?
Temas do dia-a-dia que fazem parte da vida da pessoa comum.

O que é para ti ser blogger nos tempos atuais?
Ser blogger nos dias que correm é ser um influenciador de ideias e de tendências.

O que é que domina a tua vida?
A minha família e a paixão que tenho pela vida. Procuro ter sempre presente que todas as escolhas devem ser feitas por amor e não por medo.

O que é que o público em geral pode esperar de ti para o futuro?
Fiz 50 anos há cerca de dois meses, e depois de alguma reflexão percebi que à medida que vou avançando na idade se torna mais fácil assumir vontades, posturas e causas, ou seja, tornamo-nos mais alinhados com o nosso ser, a nossa essência. Acredito que o que o público pode esperar de mim é, acima de tudo, autenticidade.

Descreve-te numa palavra:
Confiança … sou uma pessoa que confio imenso na vida, no universo e nas pessoas que me rodeiam. Confiar tem-me permitido ser persistente e resiliente e é esse comportamento que me tem permitido colher os frutos que tenho colhido. Sem dúvida, confiança!

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