quarta-feira, 22 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Ana Rita Nápoles


Olá, Ana Rita. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Olá, antes de mais deixe-me agradecer-lhe a oportunidade que me está a dar na divulgação do meu livro…
Respondendo às suas questões…
Desde sempre que o meu gosto pela escrita existiu, recordo-me que na altura em que andava na escola os professores pediam para escrever histórias e eu adorava, no entanto nunca valorizei a escrita ao longo dos anos…
Os anos foram passando até que com 25 anos na altura em que me tornei mãe, achei que seria engraçado escrever uma história sobre ela para oferecer aos convidados por ocasião do seu batizado…4 anos depois, quando nasceu o meu Salvador achei que seria engraçado escrever uma história também para oferecer, no entanto, desta vez quis realizar uma história infantil com ficção para as crianças, mas tendo por base a história verdadeira e as passagens que aconteceram ao longo da gravidez, assim escrevi “Uma estrela brilhante”, uma história escrita com o coração e ilustrada pela minha princesa.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando escrevo levo o coração e a emoção na ponta da caneta, com a escrita liberto-me e deixo-me levar por aquilo que de melhor existe em mim, mesmo nas alturas que me sinto mais em baixo, a escrita ajuda-me a libertar tudo o que estou a sentir, e, nessa altura sinto-me realmente realizada e feliz…

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Penso que a escrita enquanto pessoa não mudou nada em mim, pois continuo a ser a pessoa que sempre fui, sou uma pessoa simples e não acho que por escrever sou mais do que alguém, apenas tenho a facilidade de escrever o que me vai no coração…

E enquanto escritora, o que tens aprendido?
Agora que dizem que sou escritora espero sinceramente que a minha escrita ajude todos aqueles que a leem a libertarem-se e a serem mais felizes… Gosto quando me dizem que a minha escrita tem boa energia… sinto que realmente estou no caminho certo, pois tenho como objetivo de vida gerar sorrisos e boa disposição… Quando acreditamos coisas boas acontecem e eu acredito todos os dias que com a escrita irei muito longe… A minha viagem enquanto escritora ainda está muito no início, no entanto, todos os dias aprendo algo novo e genuíno, aprendi principalmente que o amor move montanhas… pois foi com amor que esta história foi escrita e é com amor que todos os dias a apresento nas escolas, o feedback tem sido maravilhoso…
Os sorrisos que recebo de todas as crianças e pessoas que assistem à apresentação do livro são maravilhosos e os abraços que daí surgem fazem com que acredite que realmente é possível fazer o mundo todos os dias um bocadinho melhor, afinal são as pequenas coisas que fazem a diferença…

Na tua biografia denota-se uma grande ligação à arte e à família. Qual a importância da arte e da família na tua vida?
Desde muito cedo que a arte esteve presente na minha vida, os desenhos, os teatros, os trabalhos manuais sempre estiveram comigo desde que me lembro… bem pequenina fazia teatros, danças, trabalhos manuais para apresentar e ofertar á família que sempre me apoiou nesta minha aptidão. A criatividade sempre me foi incentivada por todos.
Quanto à família, ela é sem dúvida nenhuma o meu pilar desde o primeiro dia, é com ela que todos os dias eu choro, rio, barafusto, abraço… A minha família é o combustível diário que necessito para acreditar que amanhã vai ser melhor que hoje, sem ela tudo isto que está a acontecer neste momento da minha vida não era possível.

Publicaste, sob a chancela da Emporium, o livro “Uma Estrela Brilhante”. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
O livro “Uma Estrela Brilhante” é um sonho tornado realidade, ele fala-nos de um menino chamado Salvador que vivia sozinho numa pequena estrela brilhante, Salvador tinha o sonho de ser um menino de verdade e ter uma família. Um menino corajoso que arriscou e nunca desistiu do seu sonho até o conseguir alcançar… É um livro de incentivo a nunca desistirmos dos nossos sonhos por mais difícil que o caminho seja… Ainda é muito importante referir que este livro é todo ilustrado pelos magníficos desenhos da minha filha Anita de 9 anos, o que me orgulha e enche o coração!

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É um livro voltado para o público infantil. O que te levou a escrever para esta faixa etária?
Sou animadora sociocultural e o trabalho com crianças e idosos sempre me fascinou, o livro ser direcionado para crianças deveu-se ao fato de eu querer presentear os meus filhos com algo feito por mim para eles que são crianças e que estão na idade de sonhar e não desistirem dos seus sonhos. Por outro lado quis incentivar a leitura, acho que a leitura é extremamente importante em todas as idades, mas na infantil é um incentivo à cultura e à criação de um mundo melhor.

A tua escrita é puramente ficcional ou está intimamente ligada a ti?
Por norma tudo aquilo que escrevo está intimamente ligado a mim, quer sejam vivências minhas quer situações que me tocaram de alguma maneira…Eu escrevo com o coração…

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
O feedback tem sido fantástico, as crianças têm vibrado com a história nas escolas, os sorrisos, os abraços, o carinho recebido, fazem-me crer que foi algo surpreendentemente bem conseguido, o que me deixa muito feliz…
Sou animadora sociocultural de profissão e desde a minha ida ás escolas, as festas de aniversário têm surgido, e a minha chegada às festas é sempre vista como a menina da estrela brilhante o que me orgulha imenso…
Receber telefonemas de pais a dizer que os filhos adoraram a história e querem um livro para eles é um sentimento sem explicação…
Ouvir crianças a dizer que vão guardar a semanada para comprar o livro é sem dúvida o sonho realizado quer pela leitura que incentivei, quer pelo trabalho que efetuei e que deu os seus frutos. É extremamente gratificante, sinto que realmente o caminho é este, gerar sorrisos é aquilo que quero fazer hoje amanhã e depois.

E como está a correr a tua experiência no mundo editorial?
O mundo editorial tem sido uma verdadeira surpresa, tenho realizado feiras do livro, e aquilo que recebo dos leitores é fantástico, chegarem até mim porque querem o meu livro emociona-me cada vez que isso acontece.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
No âmbito da escrita tenho realizado alguns textos para um blog de escritores “Páginas Partilhadas” e adoro… Todos os meses é nos dado um tema para escrever, posto isto os textos vão sendo publicados ao logo do mês seguinte…
A criatividade, o desafio é o que me incentiva a escrever mais e mais sem vontade de parar de percorrer este caminho que tem sido tão bonito…
Há poucas semanas comecei também a colaborar com outro blog intitulado de “Histórias com 77 palavras” giríssimo e desafiante, no qual temos de escrever uma história com 77 palavras não mais….
É, nos dado o tema ou as palavras que deve conter, a partir daí o céu não é o limite…
Nunca pensei que o mundo das letras fosse tão bom para viver e ser feliz…

Gostas de ler?  Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
O gosto pela leitura apesar de fomentado nunca foi uma parte favorita, no entanto acho que se tivesse de escolher um livro para a vida não o conseguiria fazer pois em cada livro lido é retirada uma frase, um sentimento, uma ideia que fica para o nosso dia-a-dia como aprendizagem.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Não tenho temas favoritos para escrever gosto de escrever com o coração apenas, o tema esse não é prioritário desde que escreva o que sinto acerca do que estou a escrever.

Pensas em publicar novamente?
Claro que penso em publicar novamente, inclusive já estamos a preparar o próximo livro também infantil, a minha artista já está a desenhar acerca do amor que nos une uma à outra…
É um livro de amor onde existe um alerta para as crianças no que se refere ao abuso infantil.
Ainda está tudo embrionário no entanto o objetivo é publicá-lo a seu tempo...

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Escrever noutro género é algo que me entusiasma, talvez reunir uma série de textos escritos por mim e fazer um livro de pensamentos, confesso que é algo que penso, uma vez que os leitores destes textos dizem falar muito ao coração e transmitirem algo.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
O futuro é algo que me espera de braços abertos e acredito que coisas boas surgirão nesta minha paixão tão recente. Espero que os meus leitores me continuem a acompanhar neste caminho, para eles o que digo apenas é que continuarei a escrever com o coração como até agora o fiz.

Descreve-te numa palavra: descrever-me numa palavra é difícil…. Talvez acreditar seja a palavra pois acreditei e consegui realizar o meu sonho … Acredito todos os dias que o amanhã vai ser melhor que hoje … “Com o coração vemos e sentimos coisas que já mais estarão perante os nossos olhos…”             

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Ana Ribeiro

Olá, Ana. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: na tua biografia partilhas que começaste a escrever muito jovem, em diários? Como recordas esse início no mundo da escrita?  
Recordo-o com alguma nostalgia. Sempre fui uma miúda muito tímida e essa timidez fez com que sofresse de bullying na escola, em vários anos, e na faculdade, o que deixou uma marca muito forte em mim tornando-me numa pessoa reservada e com alguma dificuldade em comunicar com os outros. Lembro-me que o meu primeiro diário me foi oferecido num aniversário aos nove ou dez anos e um dia, sem nada que o fizesse prever, decidi começar a escrever, queria experimentar a sensação de escrever um diário. Era naquelas folhas que guardava as alegrias e as tristezas que ia vivenciando e que desabafava as coisas porque ia passando. Os diários eram o meu refúgio.

Qual o sentimento que te domina quando escreves? 
Felicidade plena e realização pessoal.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
A escrita ajudou-me a gerir melhor a timidez, a descobrir o prazer de comunicar com as pessoas e a dar mais valor ao que escrevia; porque eu escrevia essencialmente para mim e não dava grande valor ao que escrevia. Eram coisas minhas. No fundo, deu-me autoestima.

E enquanto escritora, o que tens aprendido? 
Em qualquer profissão é preciso ser-se persistente, fazer muito mais e melhor e trabalhar-se muito para se conseguir atingir os objectivos. Um escritor não foge a essa regra porque o mercado é bastante forte e competitivo e aparecem cada vez mais jovens autores e não é fácil vingar. Ser escritor é um enorme desafio porque estamos constantemente a ser postos à prova, é necessário trabalhar muito, ter muita paciência, ser-se persistente, resiliente e ter a abertura e a capacidade de experimentar coisas novas, géneros literários diferentes, por exemplo, adaptando-se assim às circunstâncias.

Foi com a poesia que te iniciaste na publicação, através do título Diário de Uma Vida. Como encaras o processo de escrever poesia?
Escrever poesia é mais fácil e mais leve do que escrever prosa, por exemplo, que é um género mais exigente, com regras mais específicas, onde temos que dar mais atenção aos pormenores; a poesia é um género que mexe mais connosco, com as nossas emoções e sentimentos.

Seguiu-se o teu primeiro romance, “Um Amor Inexplicável” e, mais recentemente, “Ao Teu Lado”. Podes falar-nos um pouco destes romances?
“Um Amor Inexplicável” aborda a temática da doença oncológica num jovem. João Pedro tem 18 anos, é surfista e aficionado por música; porém, quando ele menos espera vai deparar-se com um diagnóstico de leucemia. Nas entrelinhas da sua batalha vai surgir o amor por Laura, uma jovem que frequenta a mesma escola que ele e que o vai apoiar nesta fase difícil.
“Ao Teu Lado” é uma história menos dramática que fala da amizade, de valores essenciais e claro do amor. Ana e Miguel são duas crianças muito diferentes: Ana viveu sempre em Lisboa e Miguel numa aldeia alentejana isolada. Vão cruzar-se numas férias de Verão e se as diferenças os poderiam desunir, neste caso vão uni-los e fazer nascer uma amizade sem igual. Será que eles conseguirão ser amigos para sempre? Durante aquelas férias, eles vão aprender imensas coisas importantes; entretanto, Ana e Miguel crescem e a amizade intensifica-se, tendo que ultrapassar diversos obstáculos para se manter firme, transformando-se mais tarde num amor sem igual.

Como é que estas duas histórias se interligam?
Ana e Miguel de “Ao Teu Lado” surgem em “Um Amor Inexplicável”. Ana é a médica de João Pedro e Miguel, apesar de não trabalhar no meio hospitalar, gosta de fazer voluntariado com crianças e vai ajudar João Pedro a superar a doença. Para além disso, Miguel e Laura conheceram-se durante a adolescência de Miguel quando ele viajou com amigos a Itália. Vão reencontrar-se anos mais tarde.

Como encaras o processo de edição em Portugal?
Infelizmente é um processo injusto e ingrato. Os jovens autores ainda são pouco apoiados em Portugal. O mercado livreiro dá preferência aos autores e figuras públicas que lhes dão lucros imediatos, não dão oportunidade aos jovens autores porque vendem pouco e não são conhecidos.  No mercado editorial, a grande maioria das editoras da actualidade (editoras Vanity Press) são editoras para as quais os jovens autores são uma simples forma de ganharem dinheiro, e os nossos manuscritos são apenas um número. São editoras que procuram publicar muitos livros e ganhar dinheiro com isso. O preço para publicar um livro é demasiado alto, estas editoras esquecem-se que muitas vezes um jovem autor ainda não trabalha e que investe as suas economias num sonho. O trabalho executado nem sempre é satisfatório porque a revisão da obra não é rigorosa e nem sempre o livro chega ao mercado. Ser autor em Portugal é muito difícil porque não existe igualdade de direitos.


Lançaste-te numa edição de autor do título “Ao Teu Lado” na Amazon. Como está a correr essa experiência?
Está a correr razoavelmente bem. Tenho consciência que não é fácil vingar lá fora, sendo uma jovem autora desconhecida e com um livro em Português. Por isso, as coisas têm corrido a um ritmo lento. 

Escrever é, sem dúvida, a tua essência, tanto que publicaste um e-book há relativamente pouco tempo, Escreviver, onde compilaste vários trabalhos que criaste ao longo dos anos. Como tem sido a reação dos leitores face a este novo trabalho?
As pessoas reagiram bem; quer os poemas, quer os contos foram bem recebidos. É um trabalho diferente que contempla três géneros literários diferentes: prosa, poesia e um pequeno guião de teatro que escrevi que é uma surpresa no final do livro. Queria muito quebrar o ciclo de publicação de romances.

A tua escrita é puramente ficcional ou está intimamente ligada a ti?
Está quase sempre intimamente ligada mim: ao que gosto, às pessoas que me rodeiam, as situações que vivenciei e passei. Gosto de ir buscar inspiração a tudo isso para escrever as minhas histórias.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Participei em algumas colectâneas. E escrevi um pequeno guião de teatro alusivo ao tema do Natal que era algo que queria muito experimentar.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Essa é uma escolha difícil. Escolheria o “Cal” do José Luís Peixoto, foi o primeiro livro dele que li e marcou-me profundamente. É dos meus preferidos.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? 
Amizade, Amor, saudade e perda.

Pensas em publicar novamente? 
Sim, mas não para já. Tenho já algumas histórias finalizadas; porém, sinto que preciso de um tempo de pausa. “Ao Teu Lado” exigiu muito de mim na preparação do texto para poder chegar à Amazon.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Infantil. Ainda não experimentei escrever para crianças e gostava muito.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Sinto que ainda tenho muitas histórias para contar e muitos textos para escrever. Por isso, espero a longo prazo ter algo inédito para lhes mostrar.

Descreve-te numa palavra: 
Sonhadora.



sábado, 18 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Analita Alves dos Santos

Fonte: Emporium Editora
Nasceu na Alemanha, a 20 de outubro de 1974. Tem como formação base uma licenciatura em Marketing e uma Pós-Graduação em Gestão. Começou por trabalhar no setor das Viagens, foi formadora, organizadora de eventos e desempenhou cargos de diretora de Marketing e Comunicação na área do Turismo. A leitura e a escrita foram sempre as suas grandes paixões. Desde pequena que sonha escrever livros e partilhar as suas histórias com miúdos e graúdos. Mora no Algarve, é casada e mãe de duas filhas que a inspiram todos os dias a imaginar histórias com significado. Assina mensalmente uma coluna de opinião no jornal online Sul Informação sob o mote “Mãe preocupada com o Ambiente”. A Irmandade da Rocha - Daniela e o Ouriço-do-mar é a sua primeira aventura literária no universo infanto-juvenil. Complementando o seu trabalho de autora, realiza regularmente ações de incentivo à Leitura e à Educação Ambiental, junto de escolas, bibliotecas públicas e feiras do livro.

Olá, Analita. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita? 
Obrigada pelo convite. É com imenso agrado que estou aqui convosco, a dar-me a conhecer um pouco melhor. 
Desde que comecei a ler, comecei a gostar de escrever. Na escola primária adorava fazer redações e muito cedo, comecei a escrever pequenos versos, depois, pequenas histórias. Há medida que os estudos foram avançando, era nas disciplinas que exigiam maior capacidade de síntese e argumentação escrita que conseguia alcançar melhores resultados, como História, Geografia, Ciências da Natureza, Português, Filosofia. Já em Matemática e Físico-Química os resultados não eram tão bons, apesar de não ter negativas! Na Faculdade, aconteceu o mesmo. E quando comecei a trabalhar na área do Turismo, a escrita continuou presente – escrevia artigos para revistas, comunicados de imprensa, textos para websites… Escrever, tem desde sempre, ocupado um espaço importante na minha vida. 

Qual o sentimento que te domina quando escreves? 
Quando começo a escrever, sinto uma vontade enorme de continuar - não parar - até a história estar terminada. Um dia, ao conversar com um escritor português bem conhecido, ele disse-me que para conseguir escrever, era necessária uma certa dose de obsessão, e eu concordo plenamente - o exercício da escrita, exige mesmo, obsessão.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? 
Escrever, ajudou-me a ser mais organizada e metódica. Como para escrever é preciso ler bastante, a escrita tem-me levado a conhecer diferentes realidades, formas de estar e pensar. 

E enquanto escritora, o que tens aprendido? 
Tenho aprendido a admirar cada vez mais, os grandes escritores e as grandes obras literárias. Escrever não é fácil. Não, quando se pretende escrever de uma forma séria e constante. 

Tens algum ritual de escrita? 
Sim. Quando estou em processo criativo, preciso de tempo sozinha – no mínimo, duas horas e tenho, obrigatoriamente, de escrever duas páginas por dia. Pode parecer pouco, mas para quem trabalha a partir de casa e tem duas crianças pequenas, a organização do tempo é umas das grandes dificuldades. 

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo? 
É uma necessidade, porque pretendo escrever histórias com significado que possam inspirar e fazer a diferença nos leitores. 

Após uma licenciatura e uma pós-graduação, começaste por trabalhar no setor de Viagens e desempenhaste, inclusive, cargos de diretora de Marketing e Comunicação na área do Turismo. Qual a importância que estas áreas têm na tua vida?
Presentemente, o meu trabalho na área do Turismo está focado na empresa do meu marido que realiza passeios turísticos de sidecar no Algarve. Houve um momento da minha vida, em que tive de fazer uma escolha entre a carreira profissional e a família – a vida dos profissionais de Turismo - principalmente com cargos de chefia - pode ser bastante desgastante e eu cheguei a um ponto de viragem, em que precisei de optar. Optei pela família e sinto-me muito grata por essa escolha, pois hoje tenho duas filhas fantásticas e mais tempo disponível para me dedicar ao que realmente me preenche e realiza – a escrita. Claro que isto implica um certo downsizing no estilo de vida, mas com o tempo, acabamos por nos adaptar. 

Esta formação teve impacto no teu trabalho enquanto escritora?
Sim. Claro. Trouxe-me experiências de vida que me enriqueceram como pessoa, além do exercício quase diário da escrita, apesar de num contexto mais comercial. 

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Recentemente, publicaste “A Irmandade da Rocha”, uma obra para o público infantil e que cujo tema fulcral é o ambiente. Podes falar-nos um pouco sobre ele? 
A publicação do livro “A Irmandade da Rocha – Daniela e o ouriço-do-mar” está diretamente relacionada com outra das minhas grandes paixões – a Natureza. Tal como ler e escrever, a Natureza, os animais, o Ambiente, sempre fizeram parte de mim. Tive a sorte de ter uma mãe proveniente do interior Algarvio - da Serra de Monchique – e um pai do litoral – próximo de Portimão - o que me permitiu, à medida que fui crescendo, ter um pé na serra e outro no mar. Para uma criança curiosa como eu era (e sou!) isso foi marcante. Aprendi desde cedo a respeitar todas as formas de vida. Escrever este livro foi uma forma de passar uma mensagem às minhas filhas e a todas as crianças: a mensagem que todos os seres vivos, mesmo os mais pequenos, merecem viver e serem protegidos. Aprendi a nadar, praticamente ao mesmo tempo que aprendi a andar, por isso, o ambiente marinho exerce sobre mim um grande fascínio. Cresci a brincar nas poças de maré e a proteger os camarões e os pequenos peixinhos que muitas crianças insistiam em capturar! Na verdade, eu sou a Camila da história, a super-heroína do Ambiente e quero que todas as crianças que lerem este livro, também sejam super-heróis, mesmo sem capa ou máscara!

Como surgiu a ideia para escrever este livro?
Como disse anteriormente, a ideia de escrever este livro, veio das minhas vivências enquanto criança e do desejo de passar uma mensagem de educação ambiental às minhas filhas e a todas as crianças. 

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Bastante positiva. O livro está praticamente a entrar na segunda edição, sem ter chegado ainda sequer ao mercado livreiro nacional. O facto de o livro ter sido escolhido pela Biblioteca Municipal de Portimão para a Semana da Leitura 2019, na iniciativa “Hoje Leitor, amanhã Leitor”, promovida Plano Nacional de Leitura, que decorreu de 11 a 15 de Março, onde estiveram mais de 1000 alunos, em 17 sessões, ajudou-me a perceber bem a recetividade das crianças e dos adultos: todos deixaram-se cativar pela história e adoraram as ilustrações. No final da apresentação, já sabiam os nomes das personagens e muitos foram os que me perguntaram logo pela continuidade da história da Irmandade da Rocha! 

Assinas mensalmente uma coluna de opinião no jornal online Sul Informação sob o mote “Mãe preocupada com questões ambientais”. Podes partilhar um pouco dessa experiência? 
Estou a apreciar bastante. Sempre que escrevo um novo artigo, sinto uma enorme responsabilidade por cada palavra que uso, começando, pelo tema que escolho. Agradeço imenso a oportunidade que me foi dada pelo Sul Informação pois pretendo também aqui, fazer a diferença nos leitores, sensibilizando-os para questões tão variadas como o problema do plástico, a importância da reciclagem, o desperdício alimentar, etc. Sem esquecer, as causas locais ambientais, como foi o caso recente de um projeto de loteamento turístico que existia para uma zona verde de Portimão, junto à falésia, conhecida por João d’Arens, que felizmente, acabou por ter uma Declaração de Impacto Ambiental desfavorável, muito graças a um enorme movimento de cidadania que se juntou em torno desta causa. 

Sobre que temas te debruças para criares as tuas histórias, para além das questões ambientais?
Todos nós temos uma história que merece ser contada! A vida, só por si, proporciona-nos um manancial de inspiração e de temas. Basta estarmos atentos. 

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Sim. A minha editora, a Editora Emporium, vai lançar uma coletânea de contos, onde será possível descobrir uma outra faceta da minha escrita. Tenho outras histórias na manga, mas para já, não quero revelar muito mais...!

Gostas de ler?  Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Sim. Gosto bastante de ler. Acredito que quanto mais se lê, melhor se escreve. Ultimamente, tenho tido alguma dificuldade em escolher novos livros e novos escritores. Quando já se leu livros de Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner Andresen, Gabriel Garcia Márquez, Luís Sepúlveda, Aldous Huxley, Patrick Süskind, Ernest Hemingway,  Isabel Allende, Laura Esquível, entre outros grandes nomes da literatura nacional e internacional, parece que é difícil encontrar histórias “à altura”. Claro que existem outros grandes escritores e grandes livros, provavelmente, eu é que não tenho procurado bem! Por exemplo, Carlos Ruiz Zafón e “A Sombra do Vento”, foi um livro que me recomendaram e que me surpreendeu bastante pela positiva. Mas, o meu escritor preferido é mesmo, José Saramago. Os seus livros fascinam-me - as suas histórias por vezes até tão simples, mas tão geniais, são inesquecíveis. Acho que ter só um único livro para ler, seria muito triste e aborrecido, mas se tivesse que escolher mesmo, mesmo, escolheria o “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago!

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? 
Julgo estar ainda numa fase de amadurecimento em que me é difícil especificar temas de preferência.

Pensas em publicar novamente? 
Sim. Claro! O segundo livro da Irmandade da Rocha, já está em preparação. E já tenho em mente, a história para o terceiro. 

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Já escrevi alguns contos, portanto, o grande desafio seguinte, é o romance. 

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Podem esperar uma Analita ativa e interventiva no mundo literário português!

Descreve-te numa palavra: persistente. 


terça-feira, 14 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... José Rodrigues

José Rodrigues, Facebook


Esta semana trago uma surpresa aos leitores do blogue. José Rodrigues, autor de O rio de Esmeralda, Voltar a Ti e  O tempo nos teus olhos, todos eles publicados pela Coolbooks, chancela do Grupo Porto Editora, respondeu a algumas perguntas na rubrica, Na Ponta dos Dedos.




Olá, José. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores do meu espaço e, portanto, antes de avançarmos com a entrevista, quero agradecer-te pela tua disponibilidade e parabenizar-te pelo trabalho literário que tens desenvolvido no panorama editorial português.
Agora, a pergunta cliché: como que é que te iniciaste na escrita?
- Por mais que tente encontrar uma data precisa, não consigo. Posso dizer-te que desde muito garoto (escola primária), ficava muito feliz sempre que a aulas incidiam em composições. Fazer redações era sempre um momento de grande felicidade. O tempo foi voando rapidamente e nunca perdi esse gosto. As composições foram, aos poucos, sendo transformadas em textos mais longos enquanto, ao mesmo tempo, fui aumentando o meu gosto em poesia. Já na faculdade, grande parte do meu tempo livre, era dedicado à escrita. Estranhamente, nem eu próprio consigo explicar, segui gestão e os números passaram a fazer parte fulcral do meu futuro profissional. As letras, a escrita, assumiram uma dupla função a partir dessa data. Por um lado, intervalos de um enorme gozo e realização pessoal. Por outro, uma forma de exorcizar as cadeiras que se baseavam em números. Formalmente, transformei em livro (edição de autor) um conjunto de memórias que trouxe da universidade e lancei “Boas memórias de um mau estudante” para oferecer aos amigos. O enorme prazer que daqui resultou juntou-se à vontade de fazer mais, de não parar, e os romances “O rio de Esmeralda”, “Voltar a ti” e recentemente “O tempo nos teus olhos”, estes três já com a chancela Coolbooks, surgiram naturalmente.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Sem dúvida, o amor.

O que é que a escrita mudou em ti enquanto pessoa?
Enquanto pessoa, pouco. Talvez me tenha feito um pouco mais calmo e sereno.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Tenho aprendido a tomar consciência de que não somos imortais. Tenho aprendido a ouvir mais, sobretudo a refletir acerca da importância que cada um de nós tem na vida dos outros. Deparo-me, com surpresa e profundo reconhecimento, com algumas opiniões de leitores que fazem questão de me dizer a importância que os meus livros tiveram na sua vida e isso deixa-me muito feliz. Tudo isto me faz pensar que a felicidade dos outros não passa apenas pelos outros, mas também por nós mesmos. E isto, é válido, para todas as áreas da sociedade. Nem sempre refletimos acerca daquilo onde podemos fazer a diferença nos outros, muitas vezes em pequenos gestos, em pequenas atitudes…

Tens algum ritual de escrita?
Nunca escrevi uma letra, durante o dia. A noite, seja a que hora for, é o meu tempo preferido. Talvez por ter a ilusão de que a noite chega sempre antes do dia, não sei bem porquê. E, desde sempre, fiz questão de chegar antes. Até nas horas, se houver um encontro marcado, faço questão de vencer o relógio e chegar antes da hora marcada.

Formaste-te em Gestão e é na área dos seguros que desenvolves a tua atividade profissional, no entanto, já publicaste três romances de sucesso. Estas áreas tão distintas têm algum impacto na tua escrita?
Têm, sim. A minha atividade profissional dá-me a grande honra de lidar com pessoas. Tanto em público interno, como externo. Ou seja, muito para além de falar com um conjunto de pessoas diferentes que procuram os meus serviços profissionais, com problemas diferentes, vidas diferentes e recursos diferentes, tenho também a sorte de lidar com uma equipa de trabalho fantástica. Em 1998 fundei a Visar, em conjunto com o Fernando, amigo de infância e uma das melhores pessoas que conheci na vida. Em conjunto, temos tido a sorte de manter uma equipa extraordinária de seres humanos, que nos rodeia e acompanha. Trabalhamos, mas também vivemos e vamos partilhando dias bons e maus, cruzamos as nossas vidas e, muito para além de lutarmos pelo sucesso profissional, enriquecemo-nos interiormente e vamos crescendo juntos.

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Já publicaste “O rio de Esmeralda”, “Voltar a Ti” e recentemente, “O tempo nos teus olhos”. Obras de emoções fortes, onde os sentimentos afloram e são o foco principal. O que te fez enveredar por este género literário?
Não escolhi este género literário. Acho que foi este género literário que me escolheu. De facto, o que realmente importa são as pessoas. Tenho para mim que o mundo seria bem melhor se fosse governado por poetas, em vez de economistas. Passamos demasiado tempo com preocupações materiais e vamos deixando para trás os sentimentos. O verbo ter toma-nos sem darmos conta e aos poucos, como um glutão, vai absorvendo aquela parte dominada pelo verbo ser. O tempo vai passando de forma astronómica e pensamos que somos, mas afinal temos. Depois, olhamos para o relógio da vida e para as memórias que construímos e lembramo-nos que ainda queremos ser, mas passámos tanto tempo a ter que deixámos de conjugar o verbo ser e queremos reaprender. E é possível, porque a felicidade ensina-nos que não há limites de idade, nem tabelas, nem distâncias…

Podes falar-nos um pouco da tua última obra, “O tempo nos teus olhos”? É interessante que tenhas escolhido um tema tão pouco abordado quanto a solidão na terceira idade, e mais interessante ainda que fales do amor entre pessoas mais velhas, uma vez que não é comum encontrarmos protagonistas desta geração em particular nas obras que por aí circulam. Porquê a solidão nos idosos? Porquê escrever sobre este tema?
Tenho muito medo da solidão, em todas as suas múltiplas formas. A forma de solidão do isolamento e também a forma de solidão acompanhada, aquela que acontece no meio da multidão. No prefácio Sara Augusto lembra-nos o De Senectute (Tratado sobre a velhice) onde Cícero revela «Assim como gosto do jovem que tem dentro de si algo do velho, gosto do velho que tem dentro de si algo do jovem: quem segue essa norma poderá ser velho no corpo, mas na alma não o será jamais.» Num tempo, que já é o último, seria lastimável que o homem velho não se tivesse colocado acima da morte e dos seus medos, sendo capaz de vê-la como um porto de abrigo depois de tão longa travessia. Na verdade, não há outra alternativa. Contentemo-nos com o tempo que nos é dado, seja ele qual for, porque não temos outro. A solidão nos idosos é algo demasiadamente sério para passarmos a vista sem nos debruçarmos sobre isso. Entendo que solidão mata. E, para que não mate, é preciso uma enorme força interior de quem se sente só, mas não chega. É preciso que todos assumam a responsabilidade para que isso não aconteça. Além disso, entendo que é preciso combater um padrão mental que sugere, de forma coletiva, que a felicidade tem uma idade limite. Ao longo da vida fui-me deparando com algumas situações em que parece transmitir-se aos idosos a ideia de que já não podem ser felizes, ou antes, que a essa oportunidade de felicidade deve ser entregue a alguém que deles cuida ou vigia. Será que é mesmo assim?
Manuel, protagonista da história, fica viúvo uns dias antes de comemorar as bodas de ouro. As suas filhas pretendem tomar o seu destino. Surpreendentemente, aquilo que supostamente seria o fim, transforma-se no início de uma grande etapa na sua vida, entre novos sentimentos, novas pessoas e novos lugares. Uma jornada de redescoberta da felicidade.
Afinal, o coração é maior que a perda, porque a vida é maior que a dor, e a saudade e a felicidade não têm limites, nem tabelas, nem distâncias…

Como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Superou, em muito, as minhas expectativas. Fico absolutamente encantado e feliz com as reações que se sucedem. Tenho tido oportunidade de visitar muitas universidades seniores e delicio-me em momentos de conversa, em revisões de vida, em histórias de abandono e desapego, em memórias de afetos repletas de sensibilidade.

E a tua reação? Afinal, as tuas obras têm feito sucesso, será, certamente, motivo de orgulho.
É muito bom saber que as nossas palavras vão chegando e ficando. A grande quantidade de partilhas nas redes sociais e as mensagens constantes que recebo, deixam-me feliz. As magnificas fotos da Sara Augusto, que acompanham todos os meus romances, combinam com cada frase, cada parágrafo, cada capítulo. Como se houvesse um discurso fotográfico e outro literário e os dois formassem um casal perfeito. A minha felicidade é também a da Sara, de quem me orgulho imenso, não só pela amizade antiga, como também pela sua enorme sensibilidade e talento.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Sim, há muito que escrevo textos soltos, sobre aquilo que me vai dando na cabeça. Neste momento, além de ter a Coolbooks como Editora dos meus romances e que trabalha de forma excelente, escrevo para o Elefante de Papel, da Rita Ferro Rodrigues.

Gostas de ler? Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Gosto muito de ler, mas nem sempre tenho possibilidade de ler aquilo que gostaria. A leitura técnica, profissional e atualidade vai-me prendendo. O livro que mais me marcou foi “Inteligência Emocional” de Daniel Goleman. Já percorri milhares de quilómetros para assistir ao vivo às suas palestras.

Pensas em publicar novamente?
Sim, se tudo correr bem, talvez para o final do ano.

Podes desvendar-nos um pouco do que estás a preparar para os teus leitores?
Um romance, mantendo a importância da memória da nossa vida, sobretudo a dos afetos. Entrando na problemática da adolescência e da importância das relações familiares e a eterna busca da felicidade, independentemente do espaço e do tempo…

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Gestão. Algo sobre a importância das pessoas nas organizações.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Os meus leitores podem esperar sempre algo onde as emoções sejam uma das coisas mais importantes da vida. Quando deixar de achar isso, deixo de escrever.

Agora, uma série de perguntas curtas e rápidas.

Livro preferido?
A inteligência emocional – Daniel Goleman.

Autor que recomendas?
Daniel Goleman.

Filme que te marcou?
Notting Hill.

Escrever só ou acompanhado?
Só.

Sítio preferido para escrever?
Mesa da sala de estar, em frente à televisão sintonizada no National Geographic

Computador ou caderno?
Caderno, sem dúvida.

Dos teus livros, qual o preferido?
O tempo nos teus olhos.

E a personagem que mais gostaste de criar?
Manuel. Pela sua coragem.

Maior sonho enquanto escritor?
Fazer deste mundo, ainda que apenas um pouco, melhor.

Obrigada por aceitares este desafio, eu e todos os demais leitores ficamos muito satisfeitos por podermos partilhar este momento contigo.


sexta-feira, 10 de maio de 2019

Na ponta dos dedos com... Francisco Mellão Laraya


Francisco Mellão Laraya é natural de São Paulo, Brasil. É formado em Direito. Músico, iniciou o curso de violão clássico no Conservatório Beethoven, onde se formou e fez pós em interpretação no Mozarteum. Francisco cruzou o oceano e trouxe a sua literatura para as terras dos seus antepassados, em Lisboa, e hoje responde a algumas perguntas no blogue.

Olá, Francisco. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita? Escrever para mim era uma necessidade, com poucos anos fiquei surdo e voltei a escutar, parcialmente, aos 15 anos graças a uma cirurgia. Então, meus melhores amigos eram os livros, e a escrita uma forma de expressão que sempre valorizei.

Qual o sentimento que te domina quando escreves? Paz.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? Escrever é como uma psicoterapia, e este processo de auto-conhecimento me trouxe paz, que procuro transmitir a quem me lê.

E enquanto escritor, o que tens aprendido? A deixar a alma solta, a acreditar mais que Deus mora dentro de cada um.

Tens algum ritual de escrita? Ser sincero com meu leitor e comigo.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo? Escrever é uma necessidade psíquica, se procuras o sustento com literatura no Brasil, mude de ramo.

Licenciaste-te em Direito. Qual a importância que esta área têm na tua vida? Enorme, foi em Direito que aprendi a questionar entre o certo e o errado, o bem e o mal.

Esta formação teve impacto no teu trabalho enquanto escritor? Teve e tem, a faculdade tem um recreio onde os alunos expõem para os outros suas dúvidas, sobre aulas cheia de dúvidas, além de ser cultuada na faculdade que fiz, a profissão do escritor em outros cantos no Brasil é um marginal.

Mesmo sendo natural de São Paulo, Brasil, foi em Lisboa que deste os primeiros passos na publicação das tuas obras. Como está a correr essa experiência? Minha primeira obra foi “Textos Barrocos”, lançado no Brasil, primeiro, e com a análise do julgamento de nosso senhor Jesus Cristo, livro que causou polémica, e passei a ser maldito. O brasileiro quando perseguido pede asilo a Portugal, foi o que fiz.

O seu título mais recente, publicado em 2018.
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Já publicaste alguns livros, dentre os quais, “Tito e o Pé de Sonho", "Exames", "A Descoberta, o não tempo", "Um Sonho Dentro de um Sonho" e "Textos Barrocos". Podes falar-nos um pouco sobre estas obras?
“Tito e o pé de sonho” fala sobre a crise e conclui-se que a maior crise é moral e psíquica para cada um, o que leva à crise global. “Exames” é o primeiro rascunho desta obra que sai agora em inglês, depois ela foi melhorada, aumentada, distendida, revista e deu no que deu, o que era um desabafo sobre um tratamento de psicoterapia, virou um tratado de filosofia; “A Descoberta o não tempo” trata da procura e da descoberta de Deus;  “Um sonho dentro de um sonho”, é na verdade uma recontagem de um poema de Poe, “A Dream into a dream”, só que não é tétrico, é alegre e se revê o perdão, para os padrões cristãos, é um confronte do ser e do querer ser, são poucas linhas cheias de muito conteúdo; e por fim “Textos Barrocos”, um resumo de uma discussão jurídica sobre o julgamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, com textos sobre o Brasil no fim do militarismo, desnudo das ilusões criadas pela imprensa dos poderosos.

Estás a preparar uma edição em inglês. Podes desvendar-nos um pouco desse processo? Eu, como já disse, leio muito, e sei que mesmo o Fernando Pessoa começou a fazer sucesso quando teve um livro editado em inglês e lançado no Reino Unido. O que fiz, traduzi um livro, o mais filosófico deles e resolvi lançá-lo em inglês o que aumenta o número de leitores da minha obra.

Sobre que temas te debruças para criares os teus livros? Eu me debruço sobre a vida tanto interior, quanto exterior, o que nos remete a filosofia, religião e psicologia.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho? Não sou difícil de ler, o que ajuda na penetração do trabalho.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais? Sim, “Uma Revolução no inferno”, “O Grão de Areia”, “Em busca no tempo perdido”, “Muito Barulho por nada”, “Meu mundo e nada mais” e “L’essenza dell’anima”, na Itália, além do livro em inglês que agora lanço.

Gostas de ler? Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado? Evangelho de Jesus Cristo segundo São João.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? Filosofia.

Pensas em publicar novamente? Sim, um agora em inglês, aí tudo é uma incógnita.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias? Nunca pensei nisso.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro? Sinceridade, sempre!

Descreve-te numa palavra: Sinceridade.

Descobre mais sobre o autor no seu website (AQUI)