domingo, 24 de fevereiro de 2019

O Valor da Vida de Litas Ricardo

“O Valor da Vida” (COMPRAR AQUI) é um livro da autoria de Litas Ricardo. Nele,
acompanhamos Sílvia, uma mulher, bonita e com grande sentido de perseverança, ao longo da sua vida. 

Nas primeiras páginas conhecemos Sílvia, ainda muito jovem e grávida do primeiro filho, no entanto, Sílvia ainda não casou, e o choque de realidade que é uma mãe solteira, numa sociedade ainda muito conservadora é o mote pelo qual se inicia este romance.

Com o apoio de Nando, o seu amor, ultrapassam aquela que seria, aos olhos alheios, uma dificuldade, e assim prosseguem a sua vida.

Através de um relato bastante intimo e pautado por vários diálogos, esta história é narrada em primeira pessoa pela própria Sílvia.

Não me vou alongar nesta critica porque, de contrario, teria de dar pormenores sobre a história que acredito que tenham mais impacto para o leitor que se atreve a lê-la, sem os saber antecipadamente.

A escrita da autora é muito simples e direta, marcada por sentimentos e emoções que nos transmite através das suas palavras. 

Esta história é a de Sílvia, mas poderia ser a de qualquer outra mulher, e é isso que a torna interessante. 



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Na ponta dos dedos com... Catarina Fernandes Oliveira


Catarina Oliveira
Catarina Fernandes de Oliveira nasceu em 2002, em Viana do Castelo e reside em Caminha com os pais e irmã. Frequenta atualmente o 10.º ano de escolaridade do Curso de Ciências e Tecnologias, assim como, em regime supletivo, o 6.º grau do Curso Secundário de Música, do Ensino Artístico Especializado. Desde os 7 anos que toca piano, tendo participado em diversos concursos internacionais e masterclasses. É uma apaixonada por livros e uma leitora compulsiva. Nos tempos livres, para além de tocar piano e ler, gosta de escrever e é atraída por tudo o que lhe traz conhecimento. Um Lobo Nunca Abandona a Sua Alcateia é o seu primeiro livro, sendo também o início de uma saga cuja autora dará continuidade.

(fonte: Cordel d' Prata)  



Olá, Catarina. É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Desde sempre adorei livros e histórias e houve um dia em que senti a necessidade de experimentar a escrita, de criar o meu próprio mundo, nos meus próprios termos. O meu próprio livro. A minha própria história.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando escrevo, sinto que o mundo para. Fico completamente sozinha com as minhas personagens. Fico extasiada com o poder que tenho sobre elas. Tal como um Deus, decido o destino de cada uma delas: se perdem, se ganham, se amam, se detestam, se vivem, se morrem… Há tantas opções e o único limite é a minha imaginação.

És ainda muito jovem. Estás agora a dar os primeiros passos nesta grande aventura que é o mundo literário. O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Desde que comecei a escrever que leio de outra forma. Tento perceber o que é que os autores fazem para tornar os seus livros especiais. À medida que aprendo com os meus autores preferidos, a compilação de opções que farei nos meus livros cresce.
Fora dos livros, a minha visão da realidade também mudou. Decoro rostos de pessoas interessantes, decoro situações que poderei transformar e fazer minhas, decoro frases espirituosas que me dizem. Mesmo aquilo que parece banal a um primeiro olhar, poderá ser especial se eu assim quiser.

Tens algum ritual de escrita?
Nem por isso. A qualquer momento e em qualquer lado posso sentar-me com o meu computador e começar a escrever.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?
Um pouco dos dois. Funciona como um passatempo na medida em que me descontraio enquanto escrevo. Sei também que provavelmente não vou ser escritora. Eu escrevo por diversão, poderá não ser o meu futuro.
No entanto, nunca passo muito tempo sem pegar no computador e sei que nunca irei deixar de escrever, por isso, também pode ser visto como uma necessidade.

Frequentas atualmente um Curso de Ciências e Tecnologias. O que te levou a enveredar por esta vertente, tão díspar das letras?
Quando escolhi enveredar pelas ciências ainda não sabia o que queria. Este curso é o que oferece mais oportunidades. Para além disso, estou também a fazer o ensino supletivo de música. Deste modo, posso escolher entre muitas áreas distintas.
Relativamente à escrita, como já referi atrás, escrevo apenas por diversão e não penso fazer disso uma carreira.

A ciência tem algum impacto no teu trabalho enquanto jovem escritora?
Claro. Sempre adorei as ciências, assim como as letras. Umas davam-me as bases para compreender a realidade, as outras deixavam-me espaço para mudá-la.
Mesmo os meus livros de fantasia têm de fazer sentido, cientificamente. Principalmente, nas cenas de ação tenho de verificar se tudo bate certo. Para além disso, o meu pai está sempre pronto a atirar-me as leis de Newton à cara quando eu ponho a minha heroína super-veloz e super-desastrada a cair para o lado errado.

Um Lobo Nunca Abandona A Sua Alcateia
COMPRAR AQUI

O teu primeiro livro publicado chama-se “Um Lobo Nunca Abandona a Sua Alcateia”. É o primeiro de uma saga. Podes falar-nos um pouco sobre ele?
“Um Lobo Nunca Abandona a Sua Alcateia” é um livro sobre heróis e uma heroína em especial, chamada Catarina.
Ela era uma rapariga normal até ao dia em que encontrou a pulseira de safira que a arrastou para um mundo cheio de heróis, monstros, lutas e perigos.
Na sua nova escola de heróis, a UWA, ela aprendeu o que era ser uma heroína e conheceu pessoas fantásticas. No entanto, ela não era apenas uma heroína, era a descendente de Alice, e um novo inimigo vigiava-a pronto a atacar…
É um livro com muitas cenas de ação e de luta conjugadas com as situações engraçadas que uma rapariga do quinto ano especialmente desastrada tem de enfrentar.
Não percam o privilégio de conhecer a Catarina, o Noah, a Maria João e todas as outras personagens, cuja essência se encerra nas páginas do meu livro.

Como surgiram as ideias para compor o teu primeiro livro?
Não sei dizer o momento exato em que me ocorreu. Eu sempre adorei fantasia e sabia que o meu primeiro livro tinha de pertencer a esse género. Criei as primeiras personagens e a partir daí, a história foi evoluindo enquanto eu escrevia. Tenho um plano geral para a saga toda, mas o enredo de cada livro é praticamente improvisado.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Tenho recebido muitos elogios e algumas críticas construtivas em relação ao livro. Mas as minhas fãs incondicionais são miúdas do quinto ano, que se sentiram completamente identificadas com a personagem principal.

Sendo o primeiro de uma saga, podemos saber se já estás a trabalhar nos seguintes?
Quando publiquei o primeiro, já estava a fazer o segundo e atualmente, dedico-me ao terceiro. Não consigo parar. Após dois livros e meio, as minhas personagens já são como amigos de longa data e eu não estou disposta a abdicar deles tão cedo.

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Se sim, quais?
Apenas pequenos projetos para a escola e workshops de escrita criativa.

Tens uma página de autor no Facebook. Consideras importante o contato com o público?
Para dizer a verdade, podia ser mais preocupada. É óbvio que considero importante o contato com o público. Afinal, eu escrevo para o público. Mas sempre me aborreci com as redes sociais e, sinceramente, sobra-me muito pouco tempo para me dedicar a isso. Normalmente, a minha mãe e a minha irmã tratam das relações públicas e deixam para mim a tarefa de escrever.

Gostas de ler? É preciso ler para escrever bem?
Ler é e sempre será a coisa que eu mais gosto de fazer. Desde que tenho memórias que me lembro de mim mesma com um livro na mão, ou a ouvir a minha mãe a ler-me histórias antes de dormir.
Sim, é preciso ler para escrever bem. Não conheço nenhum bom escritor que não tenha sido primeiro um leitor. Se não nos afeiçoarmos aos livros, porque haveremos de tentar fazê-los?

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Gosto de abordar todos os que me lembrar. Para além da minha obsessão por mudar a realidade, gosto de diversificar os meus livros. Humor, perda, luta, egoísmo, arrogância, tenho também um fraquinho por revoluções devido ao meu filme preferido (Les Miserables)…
Gosto principalmente de ser imprevisível.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Isso seria uma tortura! Não iria conseguir escolher apenas um da saga Harry Potter, a minha saga preferida. Seria como pedir a uma mãe para escolher o seu filho favorito: impossível.
Se só pudesse ler um livro para o resto da minha vida eu arranjaria uma forma de contornar as regras para levar os sete livros da saga comigo.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Apesar de os meus livros favoritos serem fantasia, eu gosto de livros de todos os géneros (menos terror). Talvez escreva ficção científica, distopia, ou ficção histórica. Sempre adorei ficção  e história e aprender sobre outros tempos. “Orgulho e Preconceito” da Jane Austen é um dos meus livros preferidos de sempre.

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Mais livros. É a única coisa que prometo. Podem esperar muita ação, suspense e mistério no meu segundo livro. Quanto aos livros futuros na saga, nem eu sei o que esperar. Vou apenas continuar a improvisar.

Podes conhecer melhor a autora através da sua página de Facebook

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Na ponta dos dedos com... Irina Valério

Olá Irina, é um gosto poder conhecê-la melhor e apresentá-la aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que a Irina se iniciou na escrita?
Simplesmente comecei a escrever e nunca mais parei… Estava a escrever para mim, como se fosse uma auto análise, nem sabia se iria publicar por ser a minha história pessoal, mas tive os amigos que me apoiaram nesta aventura e daí nasceu o meu primeiro livro

Qual o sentimento que a domina quando escreve?
Quando eu estava a escrever, revivi a história toda outra vez, ri, chorei, mas principalmente agradeci…

O seu primeiro livro publicado chama-se “O Reencontro das Almas”. Pode falar-nos um pouco dele?
É a minha historia pessoal, que começou como uma simples história de amor, mas que se transformou num percurso espiritual porque tive que perceber que existia algo mais do que aquilo que conseguimos ver à nossa volta e tive que ir à procura das respostas. Existe uma explicação porque é que as coisas nos acontecem, mas para isso temos que abrir o nosso coração ao desconhecido, aceitar passar pelo processo de autoconhecimento que por vezes é doloroso, e perceber que quando nós mudamos, tudo muda à nossa volta.


Estamos perante um livro com cunho pessoal. Poderia falar-nos do que a motivou a partilhar a sua história?
Eu percebi que existem muitas pessoas com questões espirituais que passaram ou estão a passar pelas situações idênticas e não sabem o que é que lhes está a acontecer. Sei que existem muitos livros sobre o tema de espiritualidade, mas também sei que são quase todos à base das teorias e nunca houve praticamente ninguém que chegasse e dissesse : “Comigo aconteceu assim”. As teorias são necessárias, sem sombra de dúvida, mas as pessoas precisam de exemplos concretos de pessoas concretas para perceberem como isto funciona na prática e como pode ajudá-las a mudar as suas vidas.

Qual o impacto que a regressão a vidas passadas teve na sua vida?
A minha vida deu uma volta de 360 graus. Hoje não sou a mesma pessoa que fui há dois anos, por exemplo, porque através das regressões eu percebi que de vida para vida eu trazia o mesmo padrão de comportamento e só alterando esse padrão é que podia começar a viver o que era para mim nesta vida. Percebi que se queria mudar algo na minha vida, a mudança tinha que começar em mim. Posso afirmar que hoje sou uma pessoa feliz, uma pessoa que se valoriza, que tem capacidade para perdoar
a si e aos outros e, o mais importante, aprendi a agradecer por tudo o que me acontece pois faz parte da minha evolução como o ser humano.

Sente que ainda há preconceito e receio de se abordar estes temas?
Sem dúvida. Há muitas pessoas que ainda têm muito medo daquilo que não conhecem porque isso pode tirá-las das suas zonas de conforto, daquilo ao que estão habituadas. As vezes preferem estar numa situação que não as beneficia de maneira nenhuma porque têm medo da mudança. Mas não há que ter medo, porque ninguém nasceu para sofrer, estamos cá todos para evoluir.

Mas é importante abordá-los?
Cada vez mais. Estamos a entrar na era do Aquário, a era de liberdade, e é muito importante os seres humanos se libertem desse registo de vitimização e comecem a perceber que há outra vida para ser vivida, uma vida onde somos mais felizes, onde somos nós próprios e não aquilo que os outros querem que sejamos. Mas, como eu já disse, é preciso haver mais histórias como a minha, um percurso duma pessoa real, duma pessoa simples que anda todos os dias na rua, trabalha, estuda, sai com os amigos… Assim é mais fácil entender do que através das teorias complexas que
muita gente não consegue entender e acaba por desistir da espiritualidade.

Além da escrita, que outras paixões, nutre que a completam enquanto pessoa.
Terapias alternativas. Depois de O Reencontro das Almas percebi que era isso que queria fazer. Porque depois daquilo que passei estava em condições para ajudar. Fiz formação em Hipnoterapia Transpessoal e presentemente dou consultas de Terapia regressiva.

Se só pudesse ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o
“privilegiado”?
Eva Perón “A razão da minha vida “. Este livro para mim tem um valor sentimental, mas só vão entender no fim de ler o meu livro.

Pensa em publicar novamente depois deste seu primeiro livro?
Claro, a história tem continuação…

Apenas numa palavra, descreva-se:
Lutadora.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Na ponta dos dedos com... Litas Ricardo


Olá Litas! É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar:
Como que é que te iniciaste na escrita?
O meu início, foi através de sentimentos tristes, decorrentes da dor do falecimento do meu pai. Três anos após esta situação, tinha eu 9 anos, comecei a colocar em papel as minhas dores de alma. Em 1981, não havia a ajuda médica que existe neste momento, e as crianças ficavam de imediato assinaladas caso fossem a um psicólogo. Assim, para mim, sempre que pegava num papel e em canetas, considerava estar num mundo onde só eu entrava, e considerava esse como o meu momento terapêutico. Com o tempo tornei-me uma leitora de tudo o que aparecia à frente, o que levou a que a tristeza começasse a dar lugar a pequenos contos. Ou seja, os textos poéticos, e já alguns publicados, deram lugar a pequenas histórias. Só em 2014, e após a insistência de uma amiga, é que mostrei o que escrevia. Foi a partir daqui que surgiu o primeiro livro e todo desenrolar nesta aventura até ao dia de hoje.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Quando escrevo, sinto-me fora de mim própria. Não vejo horas, não ouço nada à minha volta, não sinto fome, nada. No momento em que estou a escrever, há apenas um mundo meu, onde sou totalmente livre, onde não há dor, onde voo, onde posso tudo. E é nesse mundo que escrevo, ora histórias de ficção com base em histórias de vida real; ora textos poéticos, os quais muitas vezes nem consigo perceber o que escrevo. Com o tempo tenho vindo a perceber que a minha escrita pretende dar força a muita gente que a lê, e isso, o público partilha comigo, quer presencialmente quando vou a eventos, quer por mensagem privada. Resumindo: escrever é liberdade e vivência.

Tens algum ritual de escrita?
Não sei se é um ritual, mas privilegio escrever à noite. Sinto mais o meu interior. Confesso que já dei por mim a chorar e a rir, sem perceber como tinha ido parar a esse estado. Isso para mim quer dizer que sinto com mais ênfase a minha alma e o meu coração. A acompanhar, uma boa música, sem preferências. A música depende do meu estado de espírito no momento, ou então, do que estou a escrever.

Como definirias esta arte na tua vida?                                                                                                     Se inicialmente a escrita era a minha forma de exprimir dor e lágrimas, hoje, tudo mudou. Mantendo a minha sensibilidade e humildade e não deixando de ser quem era antes enquanto ser humano, continuando com os mesmos valores, reconheço que a minha vida está muito mais feliz. A escrita embelezou e enriqueceu mais a minha vida. Não me considero a melhor escritora do mundo, mas acredito no que escrevo. Acredito que nas minhas histórias e nos meus textos poéticos, há mensagens de força, de coragem, de amor e tantos outros sentimentos tão necessários à construção de uma pessoa.  Por isso, só posso dizer que esta arte enriqueceu-me a vida. Percebi que qualquer manifestação de um leitor ou de outro autor é algo que mereço, e que devo viver na sua plenitude.


O teu segundo livro publicado chama-se “Valor da Vida”. Podes falar-nos um pouco dele?
É uma história que relata a vida de uma menina que por força de uma gravidez precoce, em plenos anos 70, se torna mulher. Com receio da opinião dos seus pais, pois naquele tempo era muito recorrente o aborto nas jovens, por vergonha por parte dos seus progenitores, contou com o inquebrável apoio do seu amado e ambos assumiram a gravidez.  Desde a constituição da sua vida independente, uma vez que inicialmente ambos viveram perto dos seus pais, aos estudos, passando pelo flagelo do desemprego, e por consequência uma nova atividade profissional, que culminou com o bater do coração por outra pessoa, a um destino impensável, todos os seus dias ela procurou viver o que considerou ser para si o “Valor da vida”, sentimento que definiu em uma única palavra, a última desta história envolvente.
Como surgiram as ideias para compor este livro?
A ideia inicial tem por base as histórias de dois casais que conheci na escola, que ao contrário de muitos naquela época – reporto-me para o final dos anos 80, em jovens entre os 16 e 17 anos, assumiram uma gravidez e construíram uma vida. No decorrer da história, falei sobre uma situação real que conheci no meu local de trabalho, aquando das funções de atendimento ao público, a pessoas em situação de desemprego. À medida que ia descrevendo as situações, as ideias simplesmente iam surgindo. Passei por fases de pesquisa, pois senti esse chamado, visto que considerei a necessidade de obter informação adicional e mais completa e verídica para algumas passagens dos personagens. E a última palavra, é a que considero que resume todo o percurso das personagens, e que não vou dizer qual é. As pessoas têm que ler o livro.

Como é que este livro foi recebido pelos leitores?
Este livro foi lançado em 2015, e já percorri imensos lugares tendo participado em feiras do livro. A receção, foi muito boa. Afirmo que melhor do que eu esperava, não que esteja a ser injusta para comigo própria pela surpresa, mas porque a história entrou em muitos lares cujas vidas passaram pelo mesmo, ou então há o conhecimento de alguém que passou pela mesma vivência – gravidez na adolescência. Recordo de mais que uma Senhora que choraram à minha frente, por não terem conseguido ter a força suficiente para que os seus bebés nascessem. E também as que quiseram ofertar às filhas, por considerarem que a mensagem do livro era importante para elas. Este livro foi apresentado na escola, nas aulas de língua portuguesa, quer no 9º como no 11º ano, e foi muito bem recebido pelos professores. Enfim, até à data, só uma Senhora me disse que não lhe interessou o livro, porque na vida, não há ninguém com tanta força. Recebi a crítica sem qualquer problema, contudo, acredito que cada pessoa tem a sua própria força, em determinação do seu caminho e da forma como o encara.

Quais os trabalhos que já realizaste no âmbito da escrita, para além deste livro?
O meu primeiro livro - “Era uma vez… a minha vida!”, foi lançado em 2014; o segundo livro - “O valor da vida”, foi lançado em 2015, e até à data, participei com um conto na antologia “Dê coração de Natal”, pela Edições Vieira da Silva; e com textos poéticos, nas seguintes antologias: “Livro Aberto 2017” e “Livro Aberto 2018”, através do programa Livro Aberto da da Rádio Voz de Alenquer; “Eternamente”, “Danados Para Escrever” e “Poem’Art”, pela Edições O Declamador; “Tempo de Magia”, pela Edições Sui Generis; “Palavras que contam muito”, pela Gerábriga – Associação Cultural; “… Do Nada...”, pelo grupo Autor Publica; e “Conexões Atlânticas, antologia II”, pela In-Finita Portugal. Está para breve: o lançamento do meu primeiro livro de poesia e ainda o lançamento de mais quatro antologias com textos poéticos da minha autoria.

Como encaras o processo de edição em Portugal?
Talvez a minha resposta seja um tanto dura, mas considero que, desde que o autor tenha dinheiro, publica sem qualquer problema em Portugal. Existem editoras que são muito criteriosas pois gostam de publicar livros com escrita de qualidade, mas também há editoras que são fábricas de fazer livros. Existem ainda plataformas informáticas que seguem os mesmos conceitos. Independentemente desta questão, considero que o maior problema são os custos inerentes à publicação. Publiquei dois livros com recurso a uma plataforma de crowdfunding, em que vendi livros antes mesmo de haver uma capa. Primeiramente as editoras aprovaram (no primeiro livro recorri a seis editoras); os leitores foram lendo pequenos trechos das histórias que eu ia publicando nas redes sociais, por forma a dar conhecimento e proporcionar o interesse para a compra antecipada dos livros; e assim consegui obter o financiamento para lançar. Não conseguiria se não recorresse a este meio. Em Portugal, é muito caro publicar. Para mim, este é o maior problema. De seguida, é a distribuição e a promoção. E finalmente, a aceitação do público. Mas esta, é outra questão, mais complexa.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Qualquer texto da minha autoria aborda a vida na sua completude. Gosto de escrever sobre esperança, amor, amizade, luta e garra pela vida, perseverança no encarar dos obstáculos e a sua superação, construção e reconstrução de vidas. Gosto de deixar em cada texto, uma mensagem positiva. Cresci com uma comunidade maioritariamente de idade, e estes foram os valores que eles me transmitiam. Tempos difíceis a todos os níveis. Tanto sofrimento e uma vida recheada de superação, cujas raízes estavam na esperança. O amor ou desamor, a amizade e até as lutas, alimentavam mais que a comida que se tinha em casa para encher os seus estômagos. Enfim, o que escrevo é resumidamente, ou não, o que ouvia atenta e muitas vezes a questionar como seria possível ter tanta resistência num corpo físico. Tenho neste momento um livro preparado à espera de melhores dias para ser publicado, que aborda os cuidados que o cuidador deve ter, porque este – o cuidador, é tão esquecido.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Uma vez que já escrevi ficção, contos e poesia, o teatro seria um excelente desafio. Confesso que já tive esta experiência, mas com pequenos textos. Há uns anos atrás ensaiei um grupo de crianças com as quais se fizeram umas representações públicas em palco, e foi uma experiência muito honrosa que me ofertou imensa alegria. Naquela época baseei-me em anedotas e houve algum sucesso. Ver as pessoas a gargalharem com o que escrevi, sem dúvida que me encheu de satisfação e ficou o gosto pela aventura.

Imagina a tua vida sem a escrita, como seria?

Apenas numa palavra, descreve-te:
GRATIDÃO

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Na ponta dos dedos com... Fabien Silvano


Olá, Fabien! É um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita?
Olá! O gosto é todo meu e, desde já, muito obrigado pela oportunidade.
Para ser sincero, sempre escrevi, desde muito novo. Pequenos textos, comentários, até cheguei a escrever um livro de 10 páginas, tinha os meus 11 anos, uma coisa muito pessoal, mas para mim já era uma ideia do que poderia ser um livro de verdade. Depois, tudo começou a sério quando tive um blogue onde publicava histórias de ficção. E aí, sim, percebi que a escrita era o começo.

Qual o sentimento que te domina quando escreves?
Domina a paixão. Quando abro o computador e sei que vou escrever fico completamente derretido a olhar para as teclas, para as frases, para as personagens… sou eu que vou criar história, então apaixono-me a cada instante e isso faz-me escrever sem medos, com total confiança.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Não gosto muito de falar do que já passou. Gosto de falar aqui, agora, no presente. A escrita muda-me todos os dias. Torna-me mais atento ao mundo exterior, com mais capacidade para ouvir os outros, mais opinativo, mas, por outro lado, mais criativo, com vontade para me sentir completamente focado no que quero. E, por incrível que pareça, a escrita trouxe-me a verdade. E quando falo em verdade, falo nisso mesmo, em não mentir, ser sempre sincero. Isso foi o ponto-chave.

E enquanto escritor, o que tens aprendido?
Tenho aprendido tanta coisa e sinto que há um oceano gigantesco por descobrir. Mas isso é o desafiante nisto tudo. A descoberta, todos os dias. E vou aprendendo a aperfeiçoar a minha escrita, interessar-me cada vez mais por escrever bem português, mas acima de tudo valorizar imenso as opiniões dos leitores. É o mais importante, sem dúvida alguma.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo?
Uma necessidade, mas uma necessidade gigante, mesmo. Sinto que tenho de expulsar o que me sufoca aqui dentro. E só a escrita mo permite fazer. Porque é minha e é de mim para o público.

Nasceste em França. Este país e esta cultura teve algum impacto na tua escrita? Ou é apenas um pormenor técnico?
Tenho grande parte da minha família lá, mas diria que um pormenor técnico, apesar de ir buscar a sensibilidade e o amor, tão caracteristicamente franceses, quer para a minha vida pessoal como profissional. 


Começaste por publicar “Poder Canibal”. Podes falar-nos um pouco sobre este título?
Demorou a escolher, é verdade, mas acho que faz todo o sentido. Quis mostrar às pessoas que não há só violência física, há também a violência psicológica e essa pode ser um perigo quando usada de forma extrema. Aqui é a mesma coisa, todos sabemos o que é o canibalismo, palavra por palavra. Agora, sabemos mesmo o que é o canibalismo psicológico? Consumirmos a energia e o poder do outro? O título foi por aí.

É um livro que aborda temas fortes e controversos. Como surgiu a ideia para este livro?
Através de um blogue que tive há 3 anos. Já ia para o seu 3º ano de existência e eu ia publicar mais uma história, mas sentia que era forte demais para uma meia dúzia de páginas. Pensei, não, isto é um livro. Tem de ser um livro. Tenho de o marcar assim. E depois fala de tudo aquilo que eu tinha de falar para o arranque da minha carreira: o tráfico, a corrupção, o sexo, o terrorismo, a guerra… tudo isso. Eu tinha de o fazer, porque me prendia a respiração e só me pude sentir liberto depois de o ter escrito.

Quais os trabalhos que já realizaste no âmbito da escrita, para além desta obra?
Poucos, mas ótimos até agora. Escrevi peças de teatro para a Academia de Teatro do meu antigo colégio e fiz, ainda, parte de dois projetos coletivos recentes da Chiado Books.

A tua escrita é ficcional ou tem conotação pessoal?
Ficcional. No entanto, faço questão de meter um pedaço de mim em cada personagem. A Frederica, por exemplo, a personagem principal de “Poder Canibal”, é um monstro de pessoa e, lá está, tem um pouco o meu lado mais prepotente, atenção que não estou a dizer que sou maléfico (risos), mas tem esse lado de justiça dura. O facto de inserir casais LGBT nas minhas histórias não é por acaso, também faz parte de mim... e tudo isso contribui para uma mistura entre o pessoal e a ficção muito harmoniosa, sem nunca se perceber exatamente que o é. 

Como encaras o processo de edição em Portugal?
Caro. Não há muitos apoios, ou nenhuns mesmo, para assumir novos talentos. As editoras deviam abrir concursos, passatempos, apostar em talentos novos, fazê-los florir e apoiá-los com unhas e dentes para que possam construir carreiras de luxo. Claro que Portugal é um universo muito pequeno, então é difícil encarar o processo de edição com leveza. Acima de tudo, tem de haver uma grande cooperação com a editora e com todos os envolvidos, sem nunca desistirmos daquilo que é o objetivo final: o livro.

Além da escrita, que outras paixões, nutres que te completam enquanto pessoa?
O mundo do espetáculo, sem dúvida. E quando falo disto falo de tudo, englobando a representação, produção, realização, encenação… é tudo tão fascinante e tão aberto à nossa liberdade de criação que me apaixono todos os dias por isso.

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Temas que provocam comichão, temas polémicos, que nos fazem pensar. Gosto de escrever e de saber que do outro lado possam saltar da cadeira, pensar, remexer, voltar atrás. É agitar o leitor. Isso é muito estimulante para mim. Falar de coisas que são tabus e conspirar nesse sentido. Será que isto é assim? E se uníssemos esta pessoa com aquela, que explosão daria? Adoro entrar em mundos desconhecidos e que os outros entrem comigo também.

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
Os Segredos que nunca nos contaram, Albert Espinosa. Por tudo.

Para quando, os teus leitores, poderão esperar um novo livro?
Apesar de ter objetivos muito vincados, não gosto de marcar prazos, quando for, foi. O novo livro é isso mesmo, quando for, foi. Mas já está escrito e gostava muito que saísse este ano. Vamos ver…

Se tivesses de escrever outro género literário, a qual desafio te proporias?
Biografias. Ouvir o outro e saber que histórias tem para me contar. Gosto muito de ouvir, de conversar, de sentir… e o género biográfico ia trazer-me isso.

Imagina a tua vida sem a escrita, como seria?
Neste momento? Vazia. Preciso muito da escrita para me sentir vivo e um completo fascinado pelo mundo.

Apenas numa palavra, descreve-te: Informal.



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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Na ponta dos dedos com... Mer Rose

Como que é que te iniciaste na escrita?
A paixão pela escrita, começou desde muito nova. Sempre vivi rodeada de livros, por isso a leitura sempre esteve presente, da leitura para a escrita foi um repente. Tenho textos escritos aos onze anos!Então, foi a conjugação perfeita. 

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? A escrita, trouxe-me novas perspectivas.  Deu-me, oportunidade de partilhar também o que é a minha visão sobre o mundo. Podendo transcrever tudo o que não se toca, não se olha, não se cheira, mas sente-se com tal sinestesia, que todos os sentidos ficam trocados. A escrita escrita fez, com que a minha alma renascesse. 


O porquê do pseudónimo “Mer Rose”? Se há coisa no mundo que me inspira, que me abriga, que me conquista e que me intriga é o mar, sem duvida! Um dia vi um por do Sol à beira-mar e num repente o céu alaranjado, espelhou-se por todo o mar e deu-lhe um tom rosado. Assim fiquei, com a magnitude daquela paisagem, na mente. Foi a inspiração no momento e surgiu Mer Rose 

Como definirias esta arte na tua vida? É uma parte de mim, é uma parte do que eu sou, como pessoa, como parte integrante da natureza, somos um conjunto de átomos, os mesmos que formam o universo, então também somos parte dele. A escrita na minha vida não tem espaço, porque eu escrevo em qualquer tempo, sem horas contadas. 

O teu primeiro livro publicado chama-se “Fragmentos Sedimentados”. Podes falar-nos um pouco dele? Este livro foi concebido como um puzzle, com várias peças, fui-me inspirando em todas as pessoas que me rodeavam, que se encaixavam na perfeição de cada verso. É um quebra-cabeças imperfeito. Daí o nome “ Fragmentos Sedimentados”. É um livro repleto de sentires, com muitos olhares, sobretudo para um horizonte desfocado, onde nada acontece.

Como surgiram as ideias para compor este livro? Foi um desabrochar de sentimentos. Constatações de realidades, foram as vivências expressas em palavras, de alguém, que passou e sentiu, de alguém, que parou e ouviu ou de alguém que falou não foi ouvido. Assim como tantas outras histórias. Mas aquelas foram minhas. 

Sentes que ainda há algum tipo de preconceito com os escritores do género tão complexo e delicado que é a poesia? Sinto, que há muita gente, que considera a poesia ou até mesmo a prosa poética, mais complexa do que o que é na realidade. Contudo a poesia vai, desde o soneto mais elaborado até à quadra de Sto António, pendurada no manjerico. A poesia faz parte da língua portuguesa. Todos somos um pouco poetas.

Quais os trabalhos que já realizaste no âmbito da escrita, para além deste primeiro título? Tenho tido participado, em algumas antologias poéticas e não só. Este ano fui convidada pela Chiado editora, a participar na antologia “Três Quartos Dum Amor”, na coleção de poesia contemporânea “Entre o Sono e o Sonho” pela segunda vez. Participei em algumas edições da revista on line “ Primeiro Capítulo “ também tive a oportunidade de partilhar o meu trabalho noutros projectos como “Dança de Palavras “ Orquídea Edições, “Perdidamente Vol III” . Integrei também em algumas edições da colibri na antologia “Eclética”, entre outras. Aqui está um pouco do meu trabalho.

A tua escrita é ficcional ou tem conotação pessoal? Tem sempre algo de pessoal, mesmo que não falemos de nós, mas sentimos sempre como nós. Por vezes a inspiração fala-nos de coisas, que os ouvidos não entendem, mas o coração sente.  Nunca é totalmente ficção, nem totalmente pessoal. 

Quais os temas que gostas de abordar quando escreves? Gosto principalmente de escrever sobre o que não se vê. De sensações, daquelas que nos apuram os sentidos e nos dão a visão do que não se toca. 

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”? Algo que me marcou e me abriu os horizontes da visão de Fiódor Dostoiévski “Um Pequeno Herói”.

Pensas em publicar novamente? Sim, claro. Tenho mais projetos em mente. Mas ainda está em estudo.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias? Depois da poesia um romance, talvez... 

Imagina a tua vida sem a escrita, como seria? Completamente apagada, não me imagino, sequer sem escrever. É como comer chocolate sem sabor, ou o limão sem o ácido. Seria esquisita, no mínimo! 

Apenas numa palavra, descreve-te: Assimetria

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Na ponta dos dedos com... Luís Vilas Espinheira

Luís Vilas Espinheira
Nasceu a 21 de janeiro de 1995 no Porto. Orgulhoso minhoto da freguesia de Lanhelas, em Caminha, Viana do Castelo, desde cedo teve paixão por ouvir e contar histórias.
As letras e os livros sempre o fascinaram e por isso licenciou-se em Linguística na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, em 2017, onde viveu os anos mais intensos da sua vida.
Homem da noite, trabalha desde 2014 em discotecas e bares, ao fim de semana.
Depois da licenciatura, ingressou no curso de Apresentação de Televisão e Rádio na World Academy para aprofundar os seus conhecimentos noutra área de seu grande interesse: a televisão.


Olá Luís é um gosto poder conhecer-te melhor e apresentar-te aos seguidores deste espaço, para começar: Como que é que te iniciaste na escrita? 
Não é fácil localizar no tempo o início, porque, na realidade, eu sempre escrevi, de todas as formas que se possa imaginar e sobre tudo o que se possa imaginar. Desde que conheci o teclado do computador, ainda em pequeno, que sempre me fascinou o mundo da escrita. Escrevia para mim. Depois, vieram as redes sociais e foi lá que sempre publiquei textos a dar a minha opinião sobre tudo. Opinião essa que mudou consoante amadureci. E a escrita amadureceu comigo. Aprendo muito a escrever e conheço-me ainda melhor todos os dias porque tenho escrito todos os dias.

Qual o sentimento que te domina quando escreves? 
Depende. Adoro começar histórias. Paro muitas vezes durante o desenvolvimento delas. E acabá-las é um turbilhão de emoções. "Matar personagens" é a minha maior responsabilidade enquanto autor, porque já aconteceu "zangar-me" comigo mesmo por tomar determinadas decisões em prol do impacto e qualidade da história que estou a escrever. A escolha é sempre minha, claro, mas às vezes, por querer passar alguma mensagem, tomo decisões que chegam a emocionar-me, como autor e como ser humano.
Mas se pudesse escolher uma palavra, diria "intimidade". Porque sou eu comigo mesmo, num mundo em que eu mando e onde decido o futuro das minhas personagens. E transponho os meus ideais nelas e nas suas atitudes, tal como coisas que me irritam ou que eu abomino.

O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa? 
Sempre fui muito observador, mas agora sou mais ainda. Gestos, atitudes, expressões, aponto tudo na minha cabeça e fica lá a marinar para construir personagens. E às vezes, por ser aluado, nem sei de onde veio a construção daquela personagem. Enquanto pessoa, acho que me tornou mais transparente perante as pessoas que me conheciam. Porque há uma partilha para um público de um mundo só nosso. E aí, as pessoas já nos conhecem melhor, muitas vezes sem sequer se relacionarem connosco.

E enquanto escritor, o que tens aprendido? 
Acima de tudo, e cada vez mais, que não há uma linha tão rígida que separe pessoas boas e pessoas más. A realidade é que há perspetivas e todos nós temos muitos anjos e demónios dentro de nós e a definição de bem e de mal muda de pessoa para pessoa. E mesmo dentro de cada pessoa, muda de contexto para contexto. Aprende-se muito a construir personagens, porque nós sabemos os segredos delas e o que elas pensam interiormente e sabemos também aquilo que elas demonstram e aquilo que elas são perante a "sociedade". Aprendo muito também a lidar com a crítica. 

Tens algum ritual de escrita? 
Podia dizer que mergulho a minha pena em tinta, bebo um portinho, reflito a olhar para uma paisagem e a sentir o cheiro da terra molhada (risos). Era lindo dizer isso, mas a realidade é que pôr-me em frente a um teclado e a um ecrã, com a cabeça a trabalhar e os dedos a fazerem-lhe a vontade é o meu ritual. É aí que as coisas fluem. Não tenho hábitos muito clássicos, sou o mais simples possível nesse sentido.

A escrita é para ti, uma necessidade ou um passatempo? 
É essencialmente um passatempo, mas às vezes é terapêutico, porque até as insónias se tornam produtivas. O "não ter nada para fazer" torna-se um momento de criação constante: automaticamente penso nas minhas personagens e no rumo que lhes vou dar. E aí, tenho de ir a correr para o computador.

Licenciaste-te em Linguística e logo depois ingressaste num curso de Apresentação de Televisão e Rádio. És um homem das artes. Gostas de comunicar? 
Eu sou um comunicador por defeito e qualidade. Aliás, sou o único neto dos meus avós (tanto do lado paterno como materno), que se virou para as letras. Os meus primos e o meu irmão são todos das ciências, dos números e das contas. Gosto muito de falar, ouvir e aconselhar. E essencialmente gosto de pessoas e tenho muita paciência para toda a gente. No fundo, nem é paciência, acaba por ser interesse, porque em cada pessoa há um mundo por descobrir. E é a falar que o descobrimos. 

Esta formação teve impacto no teu trabalho enquanto escritor?
Licenciar-me em Linguística era inevitável. Não foi a minha primeira escolha, mas parece que foi destinado, apesar de eu não acreditar nada nessas coisas. Aumentou ainda mais o meu amor pelas letras e pela comunicação e na importância da partilha de mensagens. Enquanto houver textos a correr, uma cultura constrói-se todos os dias e eu sinto-me muito orgulhoso em já ter dado o meu pequeno contributo para isso. No entanto, apesar de já ter dado uns toques no mundo da literatura, o título de "escritor", para mim, ainda é um bocado pesado. Em primeiro lugar porque sou muito novo e tenho outros interesses e em segundo lugar porque não sou uma pessoa assim tão séria como esse título exige socialmente. Sou extremamente brincalhão e despreocupado. Escrever é apenas uma faceta. Prefiro o título de autor, porque, para já, é isso que sou efetivamente.
Quanto ao curso de apresentador de TV e rádio, esse já tem mais a ver com a minha personalidade brincalhona e conversadora. Acho que, antes de ser escritor, prefiro ser "aquele jovem simpático e brincalhão que fala sobre qualquer assunto, com qualquer pessoa". É isso que eu quero, para já. Depois, venha o título de "escritor" e eu assumo-o com toda a minha responsabilidade. Tenho tempo.

Prenúncio de Morte, 2018

O teu primeiro livro publicado chama-se “Prenúncio de Morte”, e chegou aos leitores em junho de 2018. Podes falar-nos um pouco sobre ele? 
Comecei a escrevê-lo quando tinha 19 anos. Às escondidas, de mim para mim. Retrata uma família classe alta da Foz do Douro, no Porto, que tem uma imagem de fachada e muitos fantasmas atrás do dinheiro, dos saltos altos e dos discursos. O patriarca, Aníbal Galhardo, é dono de uma fábrica de vinho do Porto e é um tanto conservador. Tem uma filha, Helena, de 50 anos do primeiro casamento, em que ficou viúvo, e dois, Francisco e Vera, de um segundo casamento (com uma mulher da idade da filha mais velha) que ainda não têm 30. Ou seja, os filhos mais novos têm quase idade para ser netos dele. E são consequentemente mais rebeldes e mais contemporâneos, havendo assim um choque de gerações, com uma mistura de drama e comédia. Durante a trama, há uma figura que ameaça aquela família e a história constrói-se à volta de descobrir quem ela é.

Como surgiram as ideias para compor o teu primeiro livro?
Elas estão todas aqui. O que falta é montar o puzzle. Ou seja, encadeá-las, torná-las coerentes de forma a contar uma história que transmita mensagens. Depois claro que, no processo criativo, há situações, pessoas (fictícias ou não) e vivências que me vão inspirando e eu decido se quero retratá-las ali ou não.

E como tem sido a reação dos leitores face a este trabalho?
Este primeiro trabalho fez-me aprender a lidar com a crítica, como já disse. Porque é impossível agradar a gregos e a troianos. No geral, as pessoas gostam da história e identificam-se sempre com personagens diferentes, o que me dá um grande orgulho, porque não há a tomada de partidos do público pelo bonzinho típico. As pessoas tomam partido de pessoas como elas, com uma história e personalidade com as quais se identificaram. E isso é o mais positivo disto tudo.

Apesar de ser o primeiro livro que publicas, é também o primeiro livro que escreves?
Não é porque escrevi alguns antes deste. O problema é já tê-los perdido no tempo, em disquetes e pens. É pena, tinha histórias engraçadas. Mas, a sério, a sério, acho que posso considerá-lo o meu primogénito. Vamos assumir os outros como sendo ensaios. Depois deste, já escrevi mais dois e já comecei o quarto. E esses estão guardadinhos.

Que outras obras já escreveste?
Depois deste livro, que comecei a escrever em 2014, já escrevi mais dois e vou agora no quarto. São todos romances que, em pequenos detalhes, estão todos relacionados. É o meu mundo, a minha pequena sociedade. 

Sobre que temas te debruças para criares os teus romances?
Tenho muitas cenas eróticas que desconstroem mitos sobre o prazer e a forma como os nossos desejos são manipulados pela sociedade. Drogas leves e o álcool (tenho muitas personagens orgulhosamente boémias). Prostituição. Descoberta da sexualidade. O feminismo e, por outro lado, o conservadorismo. A riqueza e a pobreza. O egocentrismo. As crianças índigo, que são crianças extremamente inteligentes com um grande senso crítico e intuitivo que lidam muito mal com algumas imposições sociais, nomeadamente a escola. A caridade e a corrupção. A traição. O choque de gerações. A religião (até tenho uma freira carmelita neste meu quarto livro).

Já realizaste outros trabalhos no âmbito da escrita? Quais?
Às vezes escrevo umas crónicas no Facebook e no LinkedIn por conta própria que o pessoal partilha, mas para além dos romances, a coisa mais séria que fiz na escrita foi o meu projeto de final de licenciatura (risos).

Tens uma página de autor no Facebook. Consideras importante o contato com o público?
O público é o nosso soro. E quanto maior, mais precisamos dele. Escrevemos para nós e só depois para ele. Mas a opinião deles é fulcral e constrói a nossa imagem enquanto autor. Recebo algumas mensagens muito queridas e com críticas honestas e construtivas. Há de tudo. Mas eu agradeço genuinamente cada uma delas.

Gostas de ler? É preciso ler para escrever bem? 
A escrita funciona de forma simples: gostar de ler é a base de tudo. É a terra. Ter o bichinho é a semente. Ter imaginação é a água. E o sol é mantermo-nos constantemente atentos ao que se passa. E depois, a obra floresce. E cresce.

Como encaras o processo de edição em Portugal? 
No meu caso foi fácil. A Capital Books foi uma boa editora, apesar de poder ter sido melhor em alguns aspetos. Foram rápidos, atenciosos, pacientes e ajudaram no que eu precisei. Apenas acho injusta a percentagem que um autor recebe, em Portugal, por ter a sua obra à venda numa loja. É demasiado ingrata. Claro que as editoras e as lojas projetam o nosso trabalho para as mãos das pessoas. Mas se não existissem os autores, eles não projetavam nada. Acho que a parte que recebíamos devia ser muito maior. Não sei se será muito ético falar de valores mas, no meu caso, recebo 12,5% do valor total da minha obra. 

Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o privilegiado?
Escolha difícil. Mas acho que fechava os olhos e escolhia aleatoriamente algum policial da Agatha Christie que tivesse o Poirot como protagonista. 

Pensas em publicar novamente? 
Parar é morrer. Vou publicar até gastar as teclas. Acho que tenho mais e melhor para mostrar, até porque entretanto cresci, amadureci e ganhei mais experiência. E cada história que escrevo é um pedaço de mim que vai sendo revelado.

Se tivesses de escrever noutro género literário, a qual desafio te proporias?
Sou um pouco esquisito nesse sentido. A minha queda é mesmo para os romances. Histórias fictícias em que eu possa criar o meu próprio mundo. Mas se um dia se proporcionar e tiver motivos suficientes, porque não uma biografia? Ou uma compilação de crónicas sociais…

O que é que os leitores podem esperar de ti para o futuro?
Mais drama, mais seriedade, mais lágrimas, mas, acima de tudo, muito humor e muitas gargalhadas. Mais assuntos polémicos e mais discussão. Mais juventude e mais variedade. Pessoas que existem, sem querer enganar ninguém nem florear a realidade. Gosto de equilibrar estes fatores todos e é isso que eu pretendo. Porque a realidade está à nossa frente, o mundo não pára e eu quero que as pessoas tenham consciência disso, tanto se me lerem hoje, como se me lerem amanhã.

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