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| Amaury Barroso |
Amaury Silva, apresenta-se sob o pseudónimo Amaury Barroso. Tem 47 anos, é natural de Rio Casca/MG, Brasil. Graduado e especializado em Direito. Mestrado em Estudos Territoriais (Criminologia e Direitos Humanos). É poeta, professor e magistrado em Minas Gerais.
Já publicou alguns poemas avulsos em revistas, jornais e colectâneas, bem como 12 obras na área jurídica.
A sua obra mais recente O Livro dos Folguedos, foi publicado em 2015 com a Chiado Editora.
✍ Como te iniciaste na escrita?
Desde criança, ainda com 11 e 12 anos comecei a escrever poemas e contos, mobilizado pelas experiências literárias escolares e tendo como ponto de partida a liberdade infanto-juvenil.
✍ Ficcionas aquilo que escreves ou os teus escritos tem também conotação pessoal?
Tem muita conotação pessoal, ao lado do lúdico, do fantástico e da elevação. Há o reflexo de situações vividas por mim e pelos integrantes do meu círculo de relações.
✍ O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Possibilitou um maior controlo com as pressas da vida. Uma desaceleração contemplativa que permite um olhar mais comprometido com o que pode ser transformado para o bem.
✍ O que sentes quando escreves?
Uma convicção plena de que a humanidade é uma permanente busca pela superação da nossa insuficiência.
✍ O que é mais prazeroso na escrita?
A probabilidade de ser lido.
✍ Qual é a maior dificuldade que sentes quando estás a escrever?
A obtenção de respostas sem a mediação do leitor. O saber que o escrito é incompleto e depende da ação do leitor. Ao mesmo tempo essa situação é o desafio que move o interesse pela escrita.
✍ Tens algum ritual de escrita?
Busco sempre um ambiente de silêncio para a escrita.
✍ Consideras a escrita uma necessidade ou um passatempo?
Um oxigénio.
✍ Como encaras o processo de edição em Portugal?
Excepcional o trabalho da Chiado ao transcender a cena europeia e proporcionar uma verdadeira aproximação entre as nações que tem o português como idioma pátrio. Fortalece a integração, a cultura, a língua para os povos desses lugares como o Brasil e a África.
✍ Estás em constante contacto com o público, como vives isso?
Sempre busco a interacção com o público. Essa aproximação é fundamental para se entender a dimensão do próprio trabalho e é decisivo contributo para a autocrítica. As redes sociais tem permitido uma ampliação significativa desse processo..
✍ O feedback é positivo?
Tenho vivido algumas situações enriquecedoras. Ainda há dias, depois de publicar o poema O Choro de Obama (o poema é uma elegia ao desarmamento) em uma rede social, um dos leitores comentou que o mote e a organização dos versos já existiam em forma orgânica e eu consegui ser o artífice de fazê-los eclodir naquele momento. Isso me levou à conclusão de que o leitor estava absolutamente certo: toda escrita existe em estado potencial.
✍ Como encaras as criticas, de foro negativo ou positivo, quando elas surgem?
Entusiasmo com as positivas, mas sem deslumbramento. Reflexão e coragem com as negativas, para não desistir da utopia que é escrever.
✍ Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Busco questões existenciais, mas a partir de situações concretas. Por isso, os temas são bem eclécticos, mas os ingredientes do amor e ódio, paz e guerra, pátria e o eu, estão sempre presentes.
✍ Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?
Sou incessante leitor. A leitura é a prática que revela o sensorial do ser humano. É o mecanismo que autoriza a sua racionalidade e o diferencia no emocional dos outros seres vivos. Sem o conteúdo da leitura nos igualamos às coisas, com ela somos sujeitos.
✍ Que livro recomendarias?
Sugiro o romance de Chico Buarque: O Irmão Alemão. Terminei a leitura há alguns dias e achei que a articulação da realidade histórica com o elemento fantástico no enredo teve um resultado extraordinário.
✍ Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
Difícil... Talvez, Em Busca do Tempo Perdido, Proust.
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| O Livro dos Folguedos, Chiado 2015 |
✍ O que gostarias de partilhar sobre as tuas obras?
Meus escritos só almejam o reconhecimento de que é pela comunicação literária que os caminhos da cultura e da arte efectivamente servem ao homem e à vida.
✍ Como tem sido a tua experiência com a tua editora?
Construímos uma boa relação de apoio e solidariedade que resulta em segurança para a construção e desenvolvimento dos projectos. O diálogo é fácil e objectivo. O resultado é satisfatório para as expectativas iniciais e tende a ser permanentemente promissor.
✍ Quais as tuas perspectivas para o futuro?
Espero poder dedicar mais tempo à literatura. Atualmente minha actividade profissional como magistrado impõe uma redução do tempo dedicado à escrita. Lógico que os novos escritos sempre continuam a ser produzidos.
✍ Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
Família e o direito.
✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores?
Quero agradecer a atenção dos amigos e reafirmar propósitos bons no sentido do estreitamento dessa amizade e maior proximidade para uma rica vivência literária.
✍ Quais os teus objectivos enquanto escritor?
Colaborar para uma visão mais leve e positiva do mundo, pessoas e da vida, enfim, contribuir para a utopia boa.
✍ Apenas numa palavra, descreve-te:
Libertário.

