sexta-feira, 24 de junho de 2016

"A noite gosta de Mim" e nós gostamos muito da Maria João Cardoso | Entrevista

Maria João Cardoso, foto retirada do facebook da autora

Maria João Cardoso é um nome que certamente não lhe soa estranho, nasceu a 26 de Agosto de 1974, em Évora, cidade que continua a sentir no coração.

A noite gosta de Mim uma página de grandes dimensões recheada de sentimentos, palavras que dançam freneticamente no recôndito da nossa alma. Uma página à qual ninguém consegue ficar indiferente e que dá nome ao primeiro livro de Maria João Cardoso.

Licenciada em Serviço Social, área que escolheu, pela capacidade e sensibilidade de esvaziar-se dos seus preconceitos e de si mesma e perceber e sentir o que é o outro.

Ama o céu, as cores do arco-íris, borboletas e a vida simples.

Escreve e dança por prazer.

Os filhos, Hugo e Maria Catarina são o grande oxigénio da sua vida.



✍ Como te iniciaste na escrita?
Desde que as letras se fizeram conhecer na minha mão, que escrevo! Desde muito pequena, escrevia, pequenas histórias e tudo era motivo para isso acontecer. Num bloco, num diário, até num rascunho que a minha mãe encontrava por todos os recantos da casa e que guardo até hoje.
Escrever é a realidade que não consigo abdicar e foi com uma experiência pessoal, que tive a oportunidade de dar a conhecer a melodia da minha escrita.

✍ Ficcionas aquilo que escreves ou os teus escritos tem também conotação pessoal?
O meu primeiro livro, A noite gosta de Mim, é inteiramente real e vivido ao mais intimo pormenor.
O próximo livro, TU és aquilo que EU sou, é a descoberta do outro, sem o ver, mas com uma conotação muito pessoal. Gosto do que é cegamente palpável e escrever é mesmo isso, é ter a sensibilidade de revelar para lá do que se vê e desenhar-nos no sentir de quem nos lê.

✍ O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Não seria quem sou sem ESCREVER! É assim que me reencontro, que me preencho, que aqueço todos os sentidos que dou à vida! A escrita não me mudou, só veio reforçar o quão completa, ela me torna.

✍ O que sentes quando escreves?
Sinto-me EU, sinto que em cada dança que faço com as palavras, existem muitas vidas...eu só lhes empresto a minha alma.

✍ O que é mais prazeroso na escrita?
O instante do silêncio onde cabe toda a magia das palavras!

✍ Qual é a maior dificuldade que sentes quando estás a escrever?
Por vezes, a mão teima em não escrever, quando a alma, deixa de se sentir e são nesses momentos, que é difícil a dança das palavras acontecer.

✍ Tens algum ritual de escrita?
Escrevo em todos os “cadinhos” do meu tempo, sempre que a mão, precisa dessa melodia,mas Amo escrever no silêncio da noite, onde a magia é dessassossegadamente calma.

✍ Consideras a escrita uma necessidade ou um passatempo?
Sem dúvida uma necessidade! É na escrita que me devolvo ao mais íntimo de mim.

✍ Como encaras o processo de edição em Portugal?
Acho que infelizmente as Editoras demoram muito a responder e outras há que nem sequer respondem. Descomplicar seria a palavra chave, para que todo o processo fosse célere.

✍ Estás em constante contacto com o público, como vives isso?
Com naturalidade! As pessoas revêem-se em cada palavra e isso é delicioso! Tudo aconteceu de uma forma verdadeiramente surpreendente e poder dar voz e ser voz, de todas as pessoas que me acompanham, na melodia do que escrevo, é fascinante e encantador.

✍ O feedback é positivo?
O feedback é muito positivo, diria até, que tem sido contagiante o carinho, a dedicação de todos os que me lêem e poder sentir que cada linha do que escrevo, os representa.

✍ Como encaras as criticas, de foro negativo ou positivo, quando elas surgem?
Costumo dizer, que já era feliz, agora sou imensamente feliz, porque tem sido um caminho composto de criticas muito positivas ao meu trabalho, com o retorno de emoções, abraços apertados, confidências e disto resulta, fazer viver esta paixão que tenho pela dança que me constrói em cada palavra.

✍ Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Sobretudo a minha linha condutora, porque sou feita de VERDADE, tem necessariamente que abordar o que só a alma pode reter, só o que a pele pode sentir, só o que os olhos tocam sem tocarem e por isso falar de sentimentos, como o Amor, a saudade, a dor, a vida, é o que me consome e me deixa preenchida.

✍ Tens hábitos de leitura? Consideras importante ler para escrever bem?
Desde tenra idade que os livros sempre foram a minha “brincadeira” preferida. Leio todos os dias e não tenho hora para o fazer.
Considero cada vez mais urgente a sensibilização para hábitos de leitura, porque cada vez menos se lê, com os hábitos das novas tecnologias. A leitura não é só um meio de adquirir informação: ela também nos torna mais críticos e capazes de considerar diferentes perspectivas. Isso necessita de uma intervenção específica. É preciso planear estratégias específicas para ensinar os alunos a lidar com as tarefas de leitura dentro de cada disciplina.
Os livros proporcionam uma viagem ao mundo das palavras e ao mesmo tempo, ao mundo do conhecimento.

✍ Que livro recomendarias?
Recomendo o meu! Porque gosto de livros feitos de verdade e é disso que sou feita!
Mas gosto muito, do livro, do Telmo Mendes “Pelo peito A Dentro, porque tal como eu, sente-se a verdade dos sentimentos por inteiro!

✍ Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
Seria o meu próximo livro, TU és aquilo que EU sou, porque ali o AMOR, acontece e sem duvida, que não vivemos sem o sentir!

A noite gosta de Mim
✍ O que gostarias de partilhar sobre a tua obra “A noite gosta de mim”?
Os sentimentos que descrevo no meu livro, A noite gosta de Mim, pertencem a cada um de nós, em algum momento da vida.
É quando a alma em inquietação esmurra o peito, querendo passar para fora e uma angustia descabida afronta os nossos dias.
Passamos a compreender algumas coisas, outras só com o tempo. Descobrimos as nossas fraquezas e a nossa eterna força. Mas vai chegar o dia de nos reconciliarmos com o tempo e nessa altura o novelo começa a desenrolar-se.
Quero passar a todos os que me lêem, que em cada milímetro do que escrevo, existe o acreditar que as estrelas voltam sempre a brilhar!

✍ Como tem sido a tua experiência com a Chiado Editora?
Desde o primeiro instante, o primeiro contacto, com a Chiado Editora, superou todas as minhas expetativas e realizou um sonho que acalentava há muito dentro de mim; editar um livro e tive a sorte de ser não mais um livro, mas o LIVRO, carregado de MIM.
Espero que haja um bom trabalho com a promoção do livro, por parte da Editora.

✍ Quais as tuas perspectivas para o futuro?
Se pudesse faria dos meus dias, da minha vida, do sentido que a escrita tem para Mim, a minha fonte inteira de viver. Continuarei a escrever, porque isso faz parte de Mim.

✍ Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
A dança, é outra das melodias que me correm nas veias, tal como e Escrita.
Há na dança, uma força intensa e uma magia, porque a dança e a Escrita são a vida e quando eu parar, é porque morri!

✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores?
A vida por vezes é uma casa vazia, por vezes tem a mania de tornar presente o passado e o futuro aquela coisa que está tão distante, mas ás vezes torna-se presente sem darmos conta.
Na página 45 do meu livro, A noite gosta de Mim, escrevi assim: “O mundo não parou, os segundos correm, o tempo passa ...” Quero sobretudo dizer a quem se encontra na melodia do que escrevo, que é sempre possível encontrar um novo caminho!

✍ Quais os teus objetivos enquanto escritora?
Encontrar-me a cada instante e sustentar o encontro das vidas que se encontram em cada gesto que desenho com as palavras e escrever, escrever sempre e para sempre!

✍ Apenas numa palavra, descreve-te:
Completa. 

Entrevista por: Letícia Brito

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Lí Marta, a autora aguedense em ascensão

Lí Marta, Página do Facebook
Recentemente falei aqui no blogue sobre a primeira obra de Lí Marta, O Último Adeus e hoje trago-vos uma entrevista com a escritora aguedense, cujo primeiro livro já se encontra na segunda edição e traduzido em espanhol, com Espírito Selvagem, no mesmo bom caminho. 

✍ Como te iniciaste na escrita?
Talvez no dia em que me ofereceram o meu primeiro diário, julgo que aos oito anos de idade. Ali depositava os meus sonhos de criança. Onde o mundo era maior que tudo. Ainda hoje escrevo nos meus diários… Ainda hoje tenho sonhos de menina que escrevo lá.

✍ Ficcionas aquilo que escreves ou os teus escritos tem também conotação pessoal?
O meu primeiro livro é baseado numa história verídica. Porém, com alguma ficção verosímil. O meu segundo livro, embora fosse inspirado numa personagem conhecida, tem muita imaginação e devaneio meu.

✍ O que é que a escrita mudou em ti, enquanto pessoa?
Apesar de continuar a ser a mesma mulher vulgar, que venho do século passado e levo comigo todas as idades, acho que com o passar dos anos a escrita ajudou-me a encontrar o meu eu mais profundo. Através do mundo fascinante das palavras consegui ultrapassar algumas barreiras intransponíveis, como o medo de não ser capaz e realizar um sonho, escrever.

✍ O que sentes quando escreves?
Escrever é algo indescritível. É tão maravilhoso quanto o pensamento permitir. É extasiante. Magnífico. Um refúgio das horas inquietas, dos dias angustiantes, mas também a leveza e o desabafo da alma.

✍ O que é mais prazeroso na escrita?
É poder escrever tudo o que me vai na alma. Sem restrições, sem imposições…

✍ Qual é a maior dificuldade que sentes quando estás a escrever?
Ter o cuidado para que todos os que me leem percebam o que quero realmente transmitir.

Fotografias retiradas do Facebook Oficial da Autora

✍ Tens algum ritual de escrita?
Não. Embora adore palavras que me suscitem curiosidade e ao mesmo tempo me deixem deslumbrada, gosto de usar uma escrita simples e fluída. Julgo que “ritual” não é a palavra que defina este sentido.

✍ Consideras a escrita uma necessidade ou um passatempo?
Depende do meu estado de espírito. Há momentos que tenho necessidade de me refugiar na escrita, como um bálsamo. Há outros momentos que escrevo só porque sim. Porque gosto.

✍ Como encaras o processo de edição em Portugal?
Acho que a maior parte das grandes editoras - quando digo grandes refiro-me ao nome – só editam os livros dos autores conhecidos, com nome no mercado. Mesmo que livros de novos autores sejam fantásticos o que conta, para eles, são as vendas. E claro, um autor desconhecido tem um longo caminho a percorrer.

✍ Estás em constante contacto com o público, como vives isso?
Adoro partilhar bons momentos com os meus leitores. Com colegas. Com o público em geral. São esses momentos que eternizo no meu coração.

✍ O feedback é positivo?
Nunca é como queremos. Se perguntarmos a um autor cuja obra esteja numa vigésima nona edição, ele provavelmente irá responder que nunca mais chega à trigésima. Assim sou eu. Sempre exigente comigo mesma. Sempre a dizer que tenho de me esforçar muito mais.

✍ Como encaras as criticas, de foro negativo ou positivo, quando elas surgem?
Depende das críticas. Se forem construtivas, que melhorem a minha carreira enquanto autora, venham elas e muitas. Tenho lido opiniões de quem lê as minhas obras e há opiniões que, quanto a mim, não vejo nessa perspectiva, mas é a opinião de alguém e só me cumpre o dever de aceitar. As positivas são sempre bem-vindas!

✍ Quais os temas que gostas de abordar quando escreves?
Temas atuais. Adoro fantasiar também. Sem nunca deixar o romance que faz parte da minha essência.

✍ Se só pudesses ler apenas um único livro para o resto da tua vida, qual seria o “privilegiado”?
As Palavras que Nunca Te Direi – Nicholas Sparks. Continua a ser o meu preferido. Aquele que me diz tudo…

✍ O que gostarias de partilhar sobre as tuas obras?
O Último Adeus é o meu primeiro romance. Entrou em segunda edição ao fim de meio ano. Foi traduzido para espanhol. E continua a ter vendas surpreendentes. Espírito Selvagem é o meu segundo romance editado o ano passado e está quase a entrar numa nova edição. Não sendo eu uma autora conhecida, estas razões são mais do que suficientes para me deixar muito, muito contente.

✍ Como tem sido a tua experiência com a tua editora?
Até à data tem sido boa. Além de mantermos uma relação comercial, considero-os meus amigos. Pois têm-me apoiado e ajudado sempre que preciso deles.

✍ Quais as tuas perspetivas para o futuro?
Continuar a sorrir. A sonhar. Ser feliz. Ter a persistência e a esperança do meu lado para nunca desistir de lutar neste caminho da literatura.

✍ Além da escrita, que outras paixões nutres, que te completam enquanto pessoa?
A primeira de todas é estar com quem amo – o meu marido e os meus filhos. Adoro passear, viajar, ler, estar com amigos e família. Desfrutar cada dia que a vida me presenteia.

✍ Que mensagem gostarias de passar aos teus seguidores?
O sonho comanda a vida. Sonhar é bom de mais, não obstante, ter esperança de que amanhã tudo estará perfeito é melhor ainda. Obrigada por tudo. Pois sem vocês não teria chegado até aqui e nada disto fazia sentido.

✍ Quais os teus objetivos enquanto escritora?
Editar um novo livro no próximo ano. Continuar a divulgar as minhas obras. Estar o mais perto possível dos meus leitores em sessões de autógrafos. Tentar responder sempre aos meus leitores.


✍ Apenas numa palavra, descreve-te:Dedicada